Um Astro da Música e Cultura Angolana Waldemar Bastos

Um Astro da música e cultura Angolana. Um dos raros motivos de orgulho para os Angolanos

Waldemar Bastos Nascido na fronteira entre Angola e o Congo, em 1954, Waldemar Bastos começou a cantar e a fazer música desde a mais tenra idade. “Cinco séculos de colonização fizeram com que eu ouvisse durante o crescimento muitas canções de muitas culturas diferentes”, explica ele. Para além de música africana, ouvia muita música brasileira e também os Beatles, Nat King Cole, os Bee Gees e Carlos Santana, no fundo, influências não-africanas desde cedo. Mas, com uma guerra pela independência, Angola não era um lugar fácil para se viver. Ainda estando na escola, Waldemar foi detido e preso pela Polícia Secreta Colonial Portuguesa sem motivo aparente. Após Angola ter finalmente conseguido a sua independência em 1975, a sangrenta guerra civil afundou o país. Waldemar relutantemente concluiu que este não era um clima em que os músicos se pudessem desenvolver e crescer e, na sequência de uma visita a Portugal em 1982, ele decidiu não regressar. No entanto, Waldemar não permaneceu em Portugal por muito tempo.

Lisboa sempre esteve muito “perto” de Luanda e, temendo represálias acabou por ir para Berlim, na Alemanha Ocidental, onde tinha alguns amigos. Waldemar permaneceu na Alemanha durante alguns meses até que partiu para o para o Brasil, onde se familiarizou com alguns músicos bem conhecidos, como Chico Buarque, João do Vale, Elba Ramalho, DJAVAN e Clara Nunes, entre muitos outros que tinham em Angola, em finais dos anos setenta, integrado o Kalunga Projecto. Este projeto foi a maior delegação brasileira artística de visita a outro país. As coisas correram bem no Brasil, com alguns dos artistas acima mencionados a demonstrar, na prática, o verdadeiro significado do reconhecimento e da solidariedade. Waldemar acaba por encontrar uma editora interessada no seu trabalho, EMI-Odeon, e grava o seu primeiro album. O conhecido “ESTAMOS Juntos”, um marco definitivo na carreira de Waldemar Bastos, inclui o tema “A Velha Chica” ( “Xê, menino, não fala política”), e teve, como convidados especiais, Chico Buarque, João do Vale, Dorival Caimmy, Martinho da Villa Novelli, entre outros. Em 1985 instala-se em Lisboa; grava o seu segundo álbum Angola Minha Namorada em 1990, e Pitanga Madura, em 1992. Em 1997, a convite de David Byrne da Luaka Bop, Waldemar Bastos grava em Nova Iorque o album Pretaluz com Arto Lindsay. O mais recente álbum de Waldemar Bastos, Renascence contém algo que os seus fans identificarão como tranquilizador e familiar, contudo também transmite energia e paixão. Construindo pontes através da música como linguagem universal combinando o património Africano com a Europa contemporânea. Discografia * Estamos Juntos (EMI Records Ltd., 1983) * Angola Minha Namorada (EMI Portugal, 1989) * Pitanga Madura (EMI Portugal, 1992) * Pretaluz [blacklight] (Luaka Bop, 1997) * Renascence (World Connection, 2004) * Love Is Blindness (2008)