Uige- Novo Visual na Rua do Comércio


A Rua do Comércio, a mais famosa da cidade do Uíge, tem um asfalto novo. Os lancis e passeios foram reparados, mas os trabalhos não param. Agora são os prédios e vivendas que recebem nova pintura, proporcionando uma imagem agradável de se ver.
“Estamos a fechar as fissuras e buracos nas paredes para que a pintura seja bem-feita.


Os moradores estão animados porque a imagem das suas casas está a ser melhorada”, disse Silvino Garcia, sócio gerente da empresa Irmãos Garcia, que executa os trabalhos de pintura na Rua do Comércio e na Dr. Agostinho Neto.
O empreiteiro referiu que, devido às intensas chuvas que se abatem sobre a região, estão a ser usadas tintas plásticas resistentes ao sol e à água, já que nos últimos cinco anos a cidade foi pintada várias vezes, “mas não resultou devido à falta de qualidade do material que era utilizado. Porém, desta vez, podemos garantir que a pintura vai resistir entre oito a dez anos”.
Para garantir maior celeridade do trabalho, explicou Silvino Garcia ao Jornal de Angola, a empresa Irmãos Garcia contratou 52 jovens, que participam directamente na reconstrução da província. “Temos dois meses para entregar a obra, por isso tivemos que arranjar mais pessoal com vontade e interesse em ver a nossa cidade diferente. Lamento a falta de colaboração de alguns moradores que mantêm os seus apartamentos fechados e com as varandas cheias de objectos, parecendo verdadeiros armazéns, enquanto alguns atiram água e lixo dos andaimes, dificultando o nosso trabalho”, disse Silvino Garcia.

Moradores querem vigilância

Joaquim Manuel, morador da Rua do Comércio, afirmou que a zona apresenta uma imagem diferente, graças às obras de pintura dos prédios, vivendas, arranjo dos passeios e colocação dos sinais de trânsito.
“Alguns moradores insistem em práticas menos correctas para uma vivência citadina. Poisam vasos nos parapeitos das varandas e estendem roupas nas fachadas principais dos prédios”, deplorou.
João Pedro, outro morador da mesma rua, disse que está a gostar do trabalho e que “enquanto habitante da cidade só me resta ajudar a conservá-la, pois nem sempre aparecem voluntários para nos pintar as casas.
A nível da comissão de moradores, estamos a pensar na melhor forma de garantir a manutenção do nosso quarteirão”. Rui Réis, gestor da Pensão Kundica, localizada na Rua Dr. Agostinho Neto, lembra que a Rua do Comércio e a Dr. Agostinho Neto albergam as maiores lojas, restaurantes e hotéis da cidade, daí a necessidade da administração municipal do Uíge autorizar a intervenção no saneamento dos seus edifícios, em troca de imagens publicitárias nas paredes.
“Depois da reabilitação da cidade, penso que a administração publicará regras para a conservação de tudo o que está a ser feito e a polícia deverá deter aqueles que riscam as paredes, partem vidros, colocam avisos em qualquer lugar e cometem toda espécie de vandalismo”, afirmou.

Nicodemos Paulo/Jornal de Angola


Dificuldades na Vila do Songo

A estrada que liga a cidade do Uíge ao Songo está cheia de buracos e nesta fase ainda tem muita poeira. O mau estado da via obriga os automobilistas a reduzirem a velocidade.
Estamos a 25 quilómetros da vila do Songo. Uma viatura está parada na via com as molas partidas. António Makengo é o motorista da viatura. O jovem exerce a actividade de taxista na via entre o Uíge e o Songo, há mais de cinco anos.


“É um enorme sacrifício circular nesta estrada. Quando saio de casa penso nas dificuldades que vou enfrentar. Se não é o pneu que fura é a mola que parte”, lamentou.
Luzia João viajava na viatura avariada. Ela reside na vila do Songo, mas passou o final de semana na cidade do Uíge, onde visitou os seus familiares. Apressada para chegar a tempo de ir às aulas, desceu da viatura para apanhar um outro táxi ou uma boleia. Mas estava difícil.
“Estamos aqui parados há uma hora e até agora não há solução. Corro o risco de perder as aulas. Esta estrada deve ser reparada o mais rápido possível”, disse desesperada.
Em condições normais os 40 quilómetros que separam a cidade do Uíge à vila do Songo eram percorridos em apenas 25 minutos. Mas hoje os automobilistas demoram pelo menos duas horas para concluírem a viagem. A estrada, na era colonial, era asfaltada, mas com o andar dos anos, o tapete de asfalto desapareceu e deu lugar a enormes buracos. O trânsito deixou de ser fluido.
Os buracos ao longo da via tornam cada vez mais lenta a circulação de automóveis: “este é um dos principais factores que deixa insatisfeita a população, afugenta os investidores e impede o município de progredir”, referiu Costa Manuel, administrador municipal do Songo.
Uma vez que as estradas nacionais são da responsabilidade do Executivo, Costa Manuel solicita a reabilitação urgente da via, “porque a administração municipal não possui capacidade financeira para suportar a sua recuperação”.
E prossegue: “é uma situação que está a deixar preocupados os munícipes, porque a afluência dos táxis ao município está a reduzir e alguns empresários não arriscam investir na região, até mesmo os empreiteiros se recusam a fazer obras aqui devido ao estado degradado da estrada”. Sobre a importância que a estrada representa para o desenvolvimento da região, o administrador disse que “as vias de comunicação são os principais incentivos de atracção de investidores para qualquer localidade”.

Abastecimento de água

Na vila do Songo a água parou de jorrar nas torneiras há mais de uma década. O sistema de abastecimento de água potável instalado no período colonial está obsoleto. A central de captação e tratamento foi destruída durante a guerra.
A população vai buscar água às cacimbas e aos rios, facto que contribui para o aumento de doenças, disse Costa Manuel. Para resolver a situação, a administração municipal projectou a construção de um sistema de abastecimento de água por gravidade, no âmbito do Programa de Intervenção Municipal (PIM).
“É um projecto que vai beneficiar milhares de habitantes da sede do município, mas posteriormente vamos chegar às aldeias vizinhas. É de iniciativa municipal e vai ser financiado com as verbas colocadas à disposição do município”, concluiu.

Educação e saúde

O sector da Educação no município do Songo, apesar das várias dificuldades que enfrenta, regista alguns avanços, sobretudo na construção de salas de aulas e na redução do analfabetismo.
O administrador municipal, Costa Manuel, revelou que, desde 2008, foram construídas 111 salas de aulas, facto que contribuiu para a inserção de mais crianças no sistema normal de ensino.
“Temos 150 salas de aulas. Mas ainda são insuficientes. A população continua a crescer, a inserção dos angolanos repatriados da República Democrática do Congo contribuiu para o aumento de jovens em busca de formação académica e de crianças em idade escolar”, disse o administrador. Costa Manuel referiu que a necessidade é de pelo menos 100 novas salas, para que não haja nenhuma criança fora do sistema. O programa de alfabetização está em curso. Mais de 500 adultos, de ambos os sexos, aderiram ao programa e hoje já sabem ler e escrever. São, no total, 30 alfabetizadores que asseguram este segmento de ensino.
O município tem um hospital municipal em funcionamento. Mas já foi construído um novo hospital na localidade, que aguarda a sua inauguração, para além de vários postos de saúde. O sector é assegurado por quatro médicos e 63 enfermeiros, que “não conseguem dar resposta à procura. O Songo tem uma população estimada em 36 mil habitantes”.

Noites escuras

A maioria das ruas está às escuras, enquanto outras estão iluminadas através de postes equipados com painéis solares. O gerador de 600 kva que devia fornecer energia aos moradores da vila não funciona há mais de dois anos. Os pequenos geradores de corrente eléctrica e os candeeiros a petróleo, feitos de lata, têm servido de fontes alternativas para iluminar as casas da vila do Songo, das comunas, aldeias e bairros. “O fornecimento de energia eléctrica à sede municipal tem sido um dos principais problemas que enfrentamos. O gerador instalado na central térmica não funciona por causa de alguns aspectos técnicos, mas estamos a envidar esforços para solucionar o problema”, assegurou.
O administrador municipal do Songo defende a substituição urgente da rede de distribuição de corrente eléctrica na sede do município, porque a antiga rede instalada há mais de 70 anos está obsoleta.

Equipamentos sociais

A administração municipal do Songo está apostada na recuperação de infra-estruturas sociais destruídas durante a guerra, com vista a proporcionar uma nova imagem à sede municipal. Na vila do Songo e na comuna de Kinvuenga é visível o empenho de homens e máquinas que diariamente arregaçam as mangas para a reconstrução do município, onde os edifícios administrativos e residências sociais estão a beneficiar de obras de restauro.

António Capitão/Jornal de Angola


Uíge Completa 93 Anos


Jornal de Angola - As ruas da antiga Carmona estão completamente agitadas. São viaturas que circulam fluentemente pelas principais artérias, pessoas que saem de um ponto para o outro. Enquanto uns vão atrás das “bumbas”, outros rasgam as ruas em direcção à escola. Mas há outros, ainda, que, nos dias de festa, aproveitam o período de folia para montarem pequenos negócios.
A Praça da Independência é o principal ponto de concentração de pessoas, estacionamentos de viaturas, montagem de barracas e roulottes. Durante as festas, que começam hoje, 1 de Julho, o local vai ser transformado num verdadeiro centro cultural. Aqui não vão faltar os comes e bebes a altura das exigências actuais.


Uíge está em festa. Hoje a famosíssima cidade do Café completa 93 anos de existência. Foi fundada em 1917. A cidade festeja o nonagésimo terceiro aniversário “de cara nova”. A maioria das ruas da cidade já estão devidamente asfaltadas. “Um adeus a poeira” que invadia as “fossas nasais” dos uigenses, provocando gripes e sinusites.
As máquinas e camiões monstruosos continuam concentrados em algumas artérias da cidade. Algumas ruas estão interditas devido às obras de reabilitação do tapete asfáltico. Homens valentes, entre angolanos e chineses, estão agarrados aos meios de trabalho e se mostram empenhados em restaurar as ruas da cidade, associando a força à técnica e o dinamismo à inteligência quando procuram vencer os obstáculos que surgem durante a execução da empreitada.
China Road And Bridge Corporation (CRBC) é o nome da construtora contratada para a execução das obras, que decorrem a um ritmo aceitável se tivermos em conta que as acções preliminares transcorreram acima do programa de intervenção previsto. Os trabalhos consistem na recelagem de 22 quilómetros de 23 ruas da cidade, incluindo a reparação do pavimento, que apresenta uma certa degradação da sua base, onde, posteriormente, vai ser colocada uma camada de desgaste em betão betuminoso quente.
Os esgotos da cidade beneficiaram de manutenção. O ramal das sarjetas foi desentupido e para que as águas domiciliares, bem como das chuvas, não voltem a se acumular sobre o asfalto, foram colocados novos tampos nas sarjetas.
A obra de reabilitação das ruas da cidade do Uíge contempla também a substituição dos lancis e do pavimento dos passeios e calçadas. A maior parte das ruas asfaltadas já possui novos lancis, aguardando que nos próximos dias se faça a aplicação dos passeios.
As ruas da cidade beneficiam, posteriormente, de uma nova sinalização vertical e horizontal, adaptadas ao novo código de estrada, com vista a permitir uma melhor orientação do trânsito automóvel e peões.
Está também prevista a pintura das fachadas exteriores dos edifícios e residências da cidade para se harmonizar a imagem arquitectónica da urbe.
Neste ano de 2010, durante o processo de reabilitação ou construção de passeios e lancis paralelos às estradas, o governo vai criar mais espaços para a plantação de árvores, plantas e relvas.
A administração municipal do Uíge está a definir políticas que visam assegurar a manutenção continua destes espaços, para que possam de facto melhorar a imagem turística da cidade e proporcionar um ambiente mais saudável às populações.

Saneamento básico

O processo de recolha, transporte e depósitos dos resíduos sólidos é assegurado apenas por uma empresa que não possui capacidade técnica para recolher o volume de lixo produzido diariamente.
O local escolhido para a construção do aterro sanitário do Uíge está distante das localidades e rios, para evitar que as águas das chuvas que caírem sobre o lixo desagúem nos rios.

História

Hoje, 93 anos depois da sua fundação, o Uíge quer recuperar o tempo perdido e estar presente na vanguarda do desenvolvimento do país. Este é o pensamento que norteia os mais de 200 mil habitantes que vivem na cidade do bago vermelho.


UIge Com Avenidas Asfaltadas

Fotografia: Filipe Botelho


Jornal de Angola – Depois de alguma letargia nas obras de reabilitação, a cidade do Uige acorda agora sob o ruído de homens e máquinas que procuram recuperar o tempo perdido e mudar, para melhor, a imagem das ruas da cidade. São visíveis, logo às primeiras horas da manhã, homens e máquinas a revolverem os solos de mais de 20 ruas da cidade do Uíge, onde decorrem obras de aplicação e colocação de um novo tapete asfáltico, substituição dos passeios e lancis, numa extensão de 22 quilómetros.

Os trabalhos decorrem a bom ritmo, tendo em conta que as acções preliminares foram concluídas antes do prazo previsto. “Os trabalhos que estão a ser executados consistem na preparação da base dos 22 quilómetros das ruas da cidade, incluindo a reparação do pavimento degradado para depois colocarmos uma camada de desgaste em betão betuminoso quente com uma espessura de cinco centímetros”, esclareceu o administrador municipal do Uíge.
Afonso Luviluku informou que a primeira fase tem o fim previsto para os primeiros dias do próximo mês de Julho, período em que vão ser asfaltadas as ruas do Comércio, 1º de Agosto, Comandante Bula, Agostinho Neto, Pioneiro do Congo, Ultramar, Ambuíla, Alves da Cunha e Soba Manuel.
“Na segunda fase, que começa em Julho, vão ser asfaltadas as ruas do Café, Industrial, do Hospital Militar, do aeroporto e algumas ruas dos bairros Dunga e Mbemba Ngango. Depois da conclusão dos trabalhos na cidade do Uíge, são reabilitadas as ruas da cidade do Negage, com novos passeios”, explicou.
Afonso Luviluko, administrador municipal do Uíge, anunciou que depois de colocado o asfalto nas ruas, vão também beneficiar de nova sinalização vertical e horizontal adaptadas ao novo Código de Estrada, com vista a permitir uma melhor orientação do trânsito automóvel e peões.
“Trata-se de um trabalho integrado, em que vamos contar com a colaboração de especialistas da Polícia de Viação e Trânsito para a fase de sinalização, tendo em conta que são trabalhos específicos”, acrescentou.

Rede de esgotos

Para o êxito da empreitada, Afonso Luviluku referiu que já foi feita a manutenção do sistema de esgotos da cidade. As sarjetas foram desentupidas e para que os esgotos domésticos e a água das chuvas não se voltem a acumular sobre o asfalto, foram colocados novos tampos nas sarjetas.
O administrador municipal afirmou que a água tem sido o principal agente causador da degradação das ruas, por isso a reabilitação da rede de esgotos antecedeu os trabalhos de asfaltagem.
“A água, como todos sabemos, é um bom produto para a construção, mas também é o pior inimigo do pavimento. Por isso, para nos precavermos, a Administração Municipal reabilitou, no ano passado, toda a rede de esgotos, para facilitar o início dos trabalhos de asfaltagem”, disse.

Passeios e lancis

A obra de reabilitação das ruas da cidade do Uíge contempla igualmente a substituição dos lancis e do pavimento dos passeios e calçadas. Nesta altura, a maior parte das ruas a serem asfaltadas já possuem novos lancis, aguardando que nos próximos dias se faça a reparação dos passeios.
Afonso Luviluku informou que os passeios e calçadas vão ser revestidos por cubos de granito, porque o objectivo é proporcionar uma nova estrutura arquitectónica aos passeios da cidade.
“É um grande esforço que está a ser empreendido pelo Governo, pelo que pedimos a colaboração e compreensão da população de formas a termos uma cidade melhor estruturada”, apelou Afonso Luviluku, acrescentando que, para tal, “é necessário que as pessoas removam os automóveis ou outras máquinas das ruas para não impedirem o avanço das equipas de trabalho”.

Pintura dos edifícios

O administrador do Uíge revelou que está prevista a pintura das fachadas exteriores dos edifícios e moradias da cidade para se harmonizar a imagem arquitectónica da urbe. “Estamos numa fase de arrumar a nossa cidade, começámos primeiro pelas infra-estruturas rodoviárias e depois vamos para a pintura dos edifícios e residências e corrigir alguns defeitos nas suas paredes”, referiu.
Afonso Luviluku defendeu a necessidade dos proprietários das moradias cuidarem do seu visual exterior e interior, evitando que seja sempre o governo a preocupar-se com isso. “Os munícipes, apesar de muitos deles viverem na condição de inquilinos do governo, devem considerar estas residências como deles, tratando sua pintura, reparar as janelas e portas em mau estado, dando um outro aspecto à nossa cidade”, concluiu.

População satisfeita

Para além dos constrangimentos causados pelos engarrafamentos, porque muitas das ruas da cidade estão encerradas temporariamente, a população elogia os esforços do Governo dirigidos para a melhoria da circulação rodoviária no perímetro urbano da cidade do Uíge.
O automobilista José Ferreira da Cunha diz que as acções que estão a ser realizadas são de fundo e vão resolver os problemas. “A reabilitação das ruas é bem-vinda porque vai beneficiar sobretudo os automobilistas e permitir que as nossas viaturas durem mais tempo e sejam diminuídos os constantes problemas de avarias técnicas. Vai de igual modo estimular os detentores de carros e motorizadas a pagarem as taxas de circulação sem mais reclamações”, referiu.
“Percorrer mais de 300 quilómetros, do Uíge a Luanda, em seis horas de viagem, era mais fácil do que conduzir durante uma hora nas ruas da cidade do Uíge, onde caminhamos aos ziguezagues, por causa dos buracos, que além de cansarem o condutor, os pneus e rótulas vão à vida muito cedo”, lembrou José Ferreira da Cunha.
Augusto Domingos recorda que quando seguia viagem para a capital do país ou para os municípios do Negage e Quitexe deixava ficar para trás “a dança da estrada”. De regresso à cidade do Uíge, o sentimento era de desconforto e muito sacrifício.
Lucas Ferreira, 28 anos, é pedreiro de profissão. Morador no bairro GAI, Lucas tem mulher e três filhos. O jovem dependia de pequenos biscates para sustentar a família. Nesta nova empreitada, onde encontrou emprego, Lucas dedica-se à aplicação de lancis e passeios.
Além de estar orgulhoso pelo contributo que dá em prol da reconstrução da sua província, Lucas Ferreira está satisfeito por saber que o salário que recebe tem chegado para sustentar a família com dignidade e suportar os encargos com os dois filhos que já frequentam a escola.
Aos 19 anos, Fernando Alberto, estudante da 8ª classe, revelou que a sua missão nas obras é velar pela segurança dos colegas enquanto trabalham. Coloca cones e outros meios de sinalização para evitar que as pessoas não ligadas ao trabalho se aproximem do local, e para que as viaturas não circulem naquele perímetro.
Para além de considerar baixo o ordenado que recebe no final do mês, Fernando Alberto defende que “é melhor receber pouco do que ficar em casa sem ter nada para comer e para pagar os meus estudos”.
Fernando Alberto disse que “o dinheiro que recebo não serve para satisfazer todas as minhas necessidades, mas reduz algumas carências. Tenho esperança que um dia vou conseguir algo melhor. Mas por enquanto estou aqui, espero ganhar de acordo com o volume de trabalhos que faço”, disse.
Manzambi Sebastião, 32 anos, que manuseava uma enorme máquina niveladora, pediu maior colaboração da população, sobretudo dos moradores que possuem viaturas estacionadas nos locais onde decorrem os trabalhos, no sentido de as removerem para a empreitada andar mais depressa e serem cumpridos os prazos estabelecidos para a execução da obra.
“Já notamos a colaboração da população pedestre. Lamentamos somente a postura de muitos proprietários de viaturas que ainda insistem em deixar os seus veículos ao longo das ruas, impedindo que o nosso trabalho caminhe dentro da normalidade”, lamentou o maquinista Manzambi Sebastião.

António Capitão


As Férias dos Universitários no Uíge

Jornal O País-Sob o lema” Preparemos a juventude para os desafios do presente e do futuro” decorre no Negage, 37 km a sul da cidade capital da província do Uíge, o oitavo campo de férias dos universitários de toda Angola, CANFEU 2010.
A iniciativa pertence à organização juvenil do partido maioritário, a JMPLA, e mantém em convívio no período de 22 a 27 deste mês, mais de 1.200 jovens, entre estudantes do ensino superior e membros daquela estrutura política.

É uma festa com duração de uma semana.

No acto de abertura segunda-feira 22, o pavilhão desportivo do Futebol Clube do Uíge encheu-se de delegações de jovens que exibiram as riquezas e tradições, no vestir e na produção, das regiões de proveniência, com Luanda a exibir a maior caravana.

O Governador Paulo Pombolo desempenhou-se como um digno anfitrião, agradecendo o voto de confiança do Comité Nacional da JMPLA ao escolher o Uíge para sede do animado evento. “A escolha enche-nos de orgulho”, disse, em resumo.

O papel da Universidade

Paulo Pombolo, ele próprio um antigo participante activo dos campos de férias universitários nos anos em que liderou a JMPLA, aproveitou o momento para realçar o papel da Universidade na sociedade angolana e a atenção que, nesse sentido, é reservada pelo Estado: “Sois testemunhas dos esforços que o Governo de Angola tem empreendido em prol do ensino superior, para continuar a formar quadros com competências e performances à luz dos padrões universais, capazes de competir com quem quer que seja, em qualquer área de trabalho ou ramo do saber nesta aldeia global”, referiu.

No mesmo acto inaugural, escutaram-se as palavras do novo timoneiro da JMPLA, Sérgio Rescova, que destacou o empenho colocado na realização do CANFEU 2 01 0 num tempo difícil mas que não deve dar espaço a desistências: “Concretizamos o compromisso assumido na última edição, no Bié, apesar das dificuldades de vária ordem”, disse.

Agradeceu vivamente à população do Uíge por ter recebido em festa as delegações de jovens chegadas de toda a parte, incluindo do estrangeiro.
Jovens em acção

Ao longo do festival, os mais de mil participantes esmeraram-se no cumprimento dos grandes objectivos que justificam a realização regular dos CANFEU, resumidos nomeadamente na consolidação da unidade da família universitária angolana, o incentivo do espírito de solidariedade e entreajuda, o estímulo à prática do desporto, à cultura da investigação e do debate.

Nessa esteira, por exemplo, foi amplamente debatido o desenvolvimento do subsistema de ensino superior, que conta hoje no país com mais de 90 mil pessoas matriculadas.

Tema de actualidade ao fim e ao cabo, a recente aprovação e entrada em vigor da nova Constituição entrou também para a lista dos temas fundamentais abordados nesta reunião de futuros quadros.

Solidariedade com actos O CANFEU 2010 que amanhã termina foi preenchido com actos concretos em que os participantes puderam demonstrar o seu espírito solidário, como aconteceu terça-feira 23, quando bens diversos foram doados ao Lar das Irmãs Filhas de Jesus, na cidade do Negage, uma instituição da Igreja Católica que garante a sobrevivência de dezenas de crianças sem amparo familiar.

Beneficiaram de gesto idêntico os cidadãos recentemente chegados da República Democrática do Congo, na sequência dos problemas conhecidos de todos, e um lar de idosos, também da cidade do Negage.

À parte isso, os estudantes envolveram-se na limpeza e embelezamento de vários pontos da urbe.

Passeios foram pintados, árvores plantadas e numa fazenda da região participaram numa campanha de colheita agrícola.

Postais culturais

A vertente cultural do festival de férias dos universitários angolanos foi um dos capítulos mais intensos, valendo-se do facto de a província anfitriã ser particularmente rica em tradições.

Os estudantes ficaram a conhecer melhor, por exemplo, o fenómeno alembamento, prática antiga bastante enraizada entre os membros da etnia kikongo e que se liga ao processo de estruturação de uma nova família. Todas as outras regiões representadas no evento mostraram também as suas valências no campo da cultura, desde a marimba de Malange, à rebita de Luanda, e aos ritmos quentes do Leste.

No fundo, noites muito animadas e salpicadas de humor e diversão, sem deixar de parte o estabelecimento de novas amizades e, porque não, juras de amor.

Sempre muito acarinhados os participantes tanto por governantes como por responsáveis a diferentes níveis, como aconteceu na quarta-feira, quando o acampamento recebeu as visitas do vice-ministro da Juventude e Desportos Yaba Alberto e a vicegovernadora do Uíge, Piedade Ebo. Amanhã, sábado, o CANFEU 2010 chega ao fim e as diferentes caravanas deixam o Uíge do mesmo modo como chegaram: por via terrestre, uma decisão dos organizadores, para dar a possibilidade a todos de conhecerem as fabulosas paisagens do sertão uigense e dos Dembos, dominadas pelo maciço das florestas e o verde intenso.