Dom Francisco da Mata Mourisca

Quando em Abril de 2008, já lá vão quatro anos, o então bispo em exercício da Diocese do Uíge chegava ao limite do seu tempo de missão, a pergunta que todos colocaram foi: ficará com as gentes que evangelizou ou regressa ao sossego da sua aldeola em Portugal? Foi uma dúvida que o próprio Dom Francisco da Mata Mourisca não permitiu que se cristalizasse, tratando
logo de anunciar, com pompa e sem surpresa, que era entre a sua gente, no Uíge que o adoptou, que queria passar o tempo que Deus, o Senhor de todos os desígnios, lhe reserva ainda.
E assim aconteceu. Desfez-se das responsabilidades de gestão quotidiana, sucedendo-o nessa missão Dom Emílio Sumbelelo, mas continuou a ser a grande alma inspiradora dos católicos espalhados um pouco pelo Norte de Angola, com incidência particular, claro está, para os que se concentram na região do Uíge.
Transformou-se no bispo emérito da Diocese, manteve-se o mesmo pastor de almas ao serviço do Senhor, continuando a sua aura a acompanhar todos os que cresceram, de algum modo, à sombra do seu longo percurso evangelizador.

A 30 de Abril, Dom Francisco da Mata Mourisca completou 45 anos de bispado em terras do Uíge. O povo de Deus juntou-se em bloco cerrado na grande homenagem ao mais luminoso sacerdote alguma vez enviado pela Igreja Católica àquela região nortenha. De todas as partes da vasta geografia uigense, 16 municípios no total, viajaram até à capital da província milhares de pessoas, para uma missa, no domingo de véspera, que tornou minúscula a igreja da Sé Catedral.
O próprio bispo homenageado oficiou a missa, para imensa satisfação dos fiéis, eles que têm na oratória de Dom Francisco da Mata Mourisca um atributo excelso para fortalecimento da sua crença. Ouviram-no referi-se à sua condição de modesto pastor do Senhor, que mais não faz do que a vontade Dele, ajudando apenas a que prevaleça a harmonia e o amor entre os homens. No fundo, as mesmas ideias, os mesmos valores e princípios que disseminou desde o primeiro dia da sua presença em terras uigenses, que se refaziam, à época, do que se julgavam ser os estertores de um terrunho dominado pelo ódio racial.
Com efeito, não foi fácil a missão do bispo enviado ao Uíge pela Santa Igreja Católica apenas seis anos depois dos sangrentos acontecimentos de Março de 1961 e todos os outros que se lhes seguiram, como materialização dramática da resposta salazarista à acção da UPA no Norte de Angola. Eram tempos de absoluto desassossego aqueles, inquinados, quase sem lugar para a coabitação entre iguais perante Deus.

Dois campos se tinham perigosamente aberto, de um lado os nativos arregimentados pelo ideário de libertação; do outro, a colónia de portugueses com o sonho da expansão e do enriquecimento num território apetecível e que os ventos do ex-Congo Belga de Kasavubu, Tshombé e Patrice Lumumba sacudiam perigosamente.

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3.200 Casas Para a Província do Uíge

A primeira pedra para a construção de 3.200 casas na província do Uíge foi lançada oficialmente, no município do Bungo, pelo governador Paulo Pombolo que colocou o primeiro bloco num terreno com 250 mil metros quadrados, destinado à construção de um bairro de habitações sociais.
Nos restantes municípios da província também vão ser erguidas, simultaneamente, 200 casas.
As novas centralidades compreendem habitações com três quartos. A empreitada inclui construção de arruamentos, sistemas de esgotos e valas de drenagem, loteamentos, passeios e a criação de espaços verdes para recreio e lazer, espaços comerciais, escolares e desportivas, que vão ser construídos nos 16 municípios da província do Uíge, em áreas de 250.000 metros quadrados, reservadas em cada município.
Paulo Pombolo disse que a construção das habitações visa dar melhores condições de alojamentp aos funcionários públicos e às populações. “As primeiras casas ficam concluídas em Agosto deste ano. Seleccionámos várias empresas para construírem as habitações nos municípios, para a sua conclusão ser mais rápida”, disse o governador do Uíge, acrescentando que os empreiteiros vão cumprir os prazos estabelecidos nos contratos assinados, além de serem obrigados a executar as obras com qualidade e segundo as memórias descritivas. O governador provincial do Uíge esclareceu que a construção de novas centralidades habitacionais na província enquadra-se no programa nacional de habitação. O projecto vai contribuir para melhorar a imagem arquitectónica das localidades onde a maior parte das infra-estruturas foi destruída durante a guerra.
No Uíge, as novas centralidades, em construção, em todos municípios, vão ser erguidas em áreas de 250 mil quilómetros quadrados. Além de habitações, são construídos, arruamentos, zonas verdes, espaços de utilização colectiva, espaços comerciais e estacionamento de viaturas.

Benefícios da paz

Paulo Pombolo afirmou no Bungo que a província regista um acelerado crescimento em todos os sectores. O governador disse que nos últimos dez anos foi possível construir e reabilitar várias estradas principais, secundárias e terciárias, escolas, hospitais, centros e postos de saúde, habitações e actividades agropecuárias, a­poiar a iniciativa privada e o empreendedorismo, facto que garantiu maior diversificação da economia nacional que dependia apenas da produção petrolífera.

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Novas Infra-Estruturas para a Província do Uíge

Fotos Angop



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Jardim Botânico Para a Cidade do Uíge

Especialistas alemães iniciaram as acções de estruturação de um jardim botânico no bairro Quilomosso, próximo do espaço onde está a ser erguido o edifício da Escola Superior Politécnica da Universidade Kimpa Vita, a cinco quilómetros da cidade do Uíge. Christoph Neinhuis, director do Instituto de Botânica da Universidade Técnica de Dresden, disse que a criação do jardim botânico vai permitir, numa primeira fase, efectuar estudos, agrupar e preservar milhares de espécies num espaço de mais de 100 hectares. “A criação deste espaço vai permitir que comecemos a descobrir muitas plantas e animais existentes na biodiversidade angolana que até agora são desconhecidas. Com as pesquisas que vamos efectuar na fauna local, vamos levar estes saberes aos terapeutas locais com vista à utilização correcta das plantas”, referiu. O reitor da Universidade Kimpa Vita, Carlos Diacanamua, destacou a importância da criação do jardim botânico e reconheceu que é uma tarefa difícil, sobretudo em relação ao processo de descoberta e agrupamento de diferentes espécies florestais, marinhas e animais. “A biodiversidade apresenta até agora um campo fértil de investigação. A criação do jardim botânico é um facto inédito para a Universidade Kimpa Vita e para o país, tendo em conta que pretendemos transformá-lo num espaço de investigação para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, aos quais também solicitamos que sejam desenvolvidas acções de formação de quadros para o sector da Educação”, referiu.Leia Mais


A Vila do Songo Tem Novo Hospital

Os habitantes do município do Songo, 40 quilómetros a norte da cidade do Uíge, ganharam, no último final de semana, cinco novas infra-estruturas sociais, com vista à melhoria das condições de vida da comunidade.
 Foram inaugurados o novo hospital, um posto de saúde e uma escola primária em Banza Luanda. O Songo passa a ter também uma casa para alojar vítimas de violência doméstica.
 O chefe de repartição municipal da Saúde do Songo, Katondi Imaza, disse que o novo hospital, inaugurado pelo governador Paulo Pombolo, tem capacidade para internar 70 doentes.
 O novo hospital tem serviços de Raios-X, bloco operatório com três salas de cirurgia, enfermarias de internamento, laboratório de análises clínicas, hemoterapia, estomatologia, seis consultórios, cozinha, refeitório e lavandaria.  Katondi Imaza informou que em breve dois novos médicos especializados em pediatria e medicina interna vão reforçar a equipa existente constituída por um cirurgião, um hematologista e um de medicina geral.
 O município, que conta com 122 enfermeiros, no novo programa de serviços primários de saúde, vai ganhar ainda um depósito de medicamentos e uma nova farmácia.
A vila do Songo tem uma extensão de 2.800 quilómetros quadrados, uma comuna, 13 regedorias, 83 aldeias e uma população de 36.000 habitantes.

Jornal de Angola