Angola Continua Com a Recuperação das Suas Infra-Estruturas

Dados do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) revelam que, de 2006 a 2010, Angola passou de 322 quilómetros para um total de 6.404 quilómetros de estradas reconstruídas, e oito capitais provinciais já estavam interligadas por estradas asfaltadas.
O desafio do INEA é passar de 6.404 quilómetros para 13.800 quilómetros de estradas asfaltadas até ao ano de 2015.
O Programa de Reabilitação de Estradas de Angola foi elaborado em 2004 pelo Governo angolano que assumiu como prioridade a recuperação da rede fundamental pavimentada, acrescendo-se a construção de novos itinerários complementares.
Até Setembro de 2011, 476 pontes estavam a ser construídas em Angola e 403 já concluídas, entre provisórias, definitivas e metálicas.
O destaque vai para as pontes sobre o rio Cunene, no município de Xangongo e a “4 de Abril” sobre o rio Catumbela, em Benguela.
Em Setembro foi inaugurada a ponte “17 de Setembro” sobre o rio Cuanza, entre a comuna da Cabala e Muxima, no município do Icolo e Bengo, que permite a ligação dos centros urbanos e localidades rurais entre o norte, centro leste e sul do país, com realce para as províncias do Bengo, Uíge, Kwanza Norte, Kwanza Sul, Benguela, Huíla, Huambo e Bié.
Em Luanda foi construída, em aproximadamente três anos, a autoestrada periférica no eixo Cacuaco/ Viana com três faixas de rodagem em cada sentido, bermas, zona para paragem/estacionamento, guardas e retornos que facilitam a interligação entre os municípios de Cacuaco, Viana e Samba.

Aeroportos modernizam-se

No sector da aviação, a Empresa Nacional de Navegação Aérea e Exploração de Aeroportos (ENANA) inscreveu na sua carteira, desde 2008, a recuperação, modernização e apetrechamento de cerca de 30 aeroportos de grande, média e pequena dimensões ao nível do país, cujo valor global se aproxima aos 400 milhões de dólares, ao abrigo do Programa de Investimentos Públicos.
Embora responsáveis da empresa tenham admitido um afrouxamento na execução das obras por causa do atraso, por parte dos empreiteiros no cumprimento de algumas obrigações, as expectativas mantêm-se. As intervenções de vulto neste sector permitiram já a construção de um aeroporto internacional na cidade do Lubango, em 2008, cuja pista de aterragem mereceu uma intervenção que permite a aterragem de aviões de grande porte.
Em Luanda, o aeroporto 4 de Fevereiro beneficiou de obras de restauro no seu terminal de chegadas, estando neste momento o terminal doméstico a ser alvo de igual intervenção. Em 2014, o novo aeroporto internacional de Luanda na zona do Bom Jesus, a 40 quilómetros da capital, poderá entrar em operação, esperando-se que mais cedo seja reaberto o da Catumbela com dimensão internacional, visto ter as obras de reabilitação em bom curso.

Finalmente Calueque

O processo de reconstrução nacional, iniciado após o fim do conflito armado, foi marcado ainda nos últimos dez anos com o acto de consignação para início das obras da barragem hídrica do Calueque, município de Ombadja, província do Cunene.
A barragem de Calueque foi construída em 1974 e deverá ser reabilitada e ampliada este ano por não ter sido concluída devido à invasão do exército sul-africano ao sul de Angola, num tempo em que ocupava o território namibiano. O director do Gabinete de Regularização da Bacia Hidrográfica do rio Cunene, Armindo Mário, assinou pelo Executivo angolano, e António Moço pelo consórcio formado pelas empresas Mota Engil e Lyon.
A obra está orçada em 225 milhões de dólares norte-americanos, terá a duração de 25 meses e vai dispor de duas centrais hídricas e um novo canal e 21 pivôs de irrigação. Armindo Mário garantiu que a infra-estrutura vai permitir a regularização do caudal do rio Cunene e irrigação agrícola na zona fronteiriça com a República da Namíbia, numa área de 90 mil hectares de campos agrícolas.
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, considera que o investimento é de capital importância, pelo seu valor socioeconómico e pelo benefício mútuo para os povos de Angola e da Namíbia.
O governante precisou que, com a sua reabilitação, a vizinha República da Namíbia continuará a receber água por meio desta barragem.
“Espera-se que o consórcio a cargo da empreitada cumpra com os prazos estipulados, uma vez que as condições financeiras estão todas garantidas para o sucesso da obra”, referiu o governante.
A barragem do Calueque localiza-se a 192 quilómetros a noroeste da cidade de Ondjiva, no município de Ombadja.

Locomotivas voltam a rolar sobre carris

Os responsáveis do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) têm uma forte crença em que a companhia ferroviária possa chegar ao Luena, capital da província do Moxico, até 30 de Abril do corrente ano prevendo que a primeira deslocação de uma locomotiva da empresa ao Luena, possa acontecer no início do segundo trimestre.
A acontecer, será uma viagem experimental de uma locomotiva àquela região, a primeira desde que esta linha ferroviária ficou fora de serviço em resultado do conflito armado.
Este é, aliás um desafio que a direcção da empresa se impôs após o regresso do comboio à cidade do Huambo e há garantias de que os trabalhos de reabilitação da linha férrea já estão às portas da capital do Bié, a cidade do Kuito.
Relativamente ao Caminho-deFerro de Luanda (CFL), a sua reconstrução do teve inicio em 2003, e o seu término deverá compreender o restauro de dois quilómetros do trecho Bungo/Textang.

O comboio já circula entre Luanda e Malanje e a via está totalmente reabilitada.

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Sumbe, Porto Amboim e Gabela Com Obras de Restauração

A segunda fase do projecto de modernização das cidades de Sumbe, Porto Amboim e Gabela, na província do Cuanza Sul, a cargo do grupo brasileiro Odebrecht, vai privilegiar a recuperação dos sistemas de abastecimento de água potável, disse sexta-feira em Sumbe o governador provincial.

Dizendo ser o momento de iniciar a construção de infra-estruturas naquelas três cidades, o governador Serafim do Prado disse ainda que o projecto de modernização inclui a pavimentação das ruas, a construção de uma rede de drenagem de águas pluviais, a instalação de iluminação pública e a construção de uma rede de saneamento básico.
O projecto de modernização das cidades de Sumbe, Porto Amboim e Gabela teve início em 2007 mas as dificuldades financeiras que Angola atravessou estiveram, de acordo com o ministro do Urbanismo e Construção, Fernando Fonseca, na origem do atraso registado.

A empreitada, adjudicada à Odebrecht e com um prazo de conclusão de 21 meses, está orçada em 51 milhões de dólares.

(macauhub)


Angola e a Reconstrução Nacional, Retrospectiva em Imagens


Casas para jovens construídas na comuna do Camama, município de Viana, em Luanda

Comboio faz rota inaugural Benguela Huambo

Edífício construido no município de Cacuaco para a administração local

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Requalificação do Sambizanga foi Atribuído à Soares da Costa

O projecto de requalificação das infra-estruturas de saneamento básico e arruamentos do município do Sambizanga foi atribuído à Soares da Costa e será executado num prazo de 12 meses. A obra orçada em 90 milhões de dólares, inclui a construção de sistemas de drenagem de águas residuais e pluviais e de fornecimento de energia eléctrica e arruamentos, numa área de 1000 hectares. Outra obra de monta atribuída ao grupo é a construção do novo edifício do Instituto Nacional de Estatística, na Avenida Ho Chi Min, em Luanda. O prédio de oito pisos deverá ser entregue em 2012 e custará cerca de 48 milhões de dólares.

Recorde-se que a Soares da Costa, há 31 anos a operar em Angola, passou a ter um novo presidente no final do mês passado. António Castro Henriques assumiu que a sua prioridade é a abertura do capital da empresa em Angola a parceiros locais, processo que, segundo afirmou, “deverá estar finalizado até ao final do ano”. Na mesma ocasião o presidente revelou estar a estudar a compra de uma empresa do sector, de média dimensão, no Brasil.

Exame Angola


Com a Paz em Angola, os Sinais da Reconstrução Nacional

Decorridos quase dez anos desde que Angola alcançou a paz efectiva, deslocarmo-nos por várias regiões deste imenso país é hoje possível, permitindo-nos ir ao encontro das inúmeras evidências de um processo de reconstrução nacional, visível a olho nu a quem quer que seja.
Pedro Tito, funcionário público que ao abrigo das suas funções faz das estradas do país o seu “escritório”, afirma com satisfação que pertencem ao passado os tempos em que o único meio para se deslocar de Luanda para certas províncias “era o avião”.
Nessas constantes deslocações pelo interior do país, Tito realça que os sinais da reconstrução nacional são visíveis em qualquer sítio por onde se circule.
De viagem até à vila do Andulo, no Bié, Pedro Tito percorre, como primeiro exemplo da reconstrução nacional, o troço que vai do desvio do cemitério da Camama até à estrada de Catete, na via estruturante que liga Benfica a Cacuaco, etapa inicial que o conduziu à estrada 230, passando pelo Dondo, Quibala, Waku Kungo, Alto Hama, Bailundo, Chinguari e outras localidades.