A representação das Nações Unidas em Angola publicou uma nota de imprensa em que felicita as mulheres angolanas pelo “Dia Internacional da Mulher”, celebrado no dia 8 deste mês. De acordo com a Coordenadora Residente das Nações Unidas em Angola, Maria do Valle Ribeiro, a data “é uma celebração global das conquistas económicas, políticas e sociais das mulheres” e que “é uma ocasião para celebrar a contribuição que as mulheres fizeram na luta da sociedade pela igualdade, paz e desenvolvimento”.
O tema do Dia Internacional da Mulher deste ano é “Empoderamento das Mulheres Rurais – Fim da Pobreza e Fome”. Numa mensagem sobre a data, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que esteve recentemente em Angola, afirmou que “a igualdade de género e o empoderamento das mulheres estão a ganhar terreno em todo o mundo”, tendo acrescentando que há mais mulheres a desempenhar funções de Chefes de Estado e de Governo e a proporção de mulheres que desempenham cargos ministeriais é a maior de sempre.
“Apesar desta dinâmica, ainda há um longo caminho a percorrer, antes de podermos dizer que as mulheres e raparigas gozam plenamente dos seus direitos fundamentais, a liberdade e dignidade que lhes é devida desde o berço e que lhes garantem o seu bem-estar. Em nenhuma outra parte isto é tão visível como no mundo rural.
As mulheres e raparigas que vivem nas áreas rurais, a quem este ano é dedicado o Dia Internacional da Mulher, representam um quarto da população global, no entanto, geralmente figuram sempre no fundo da tabela dos indicadores económicos, políticos e sociais, desde o rendimento à saúde, passando pela educação e participação nos processos de decisão”, acrescentou Ban Ki-Moon.
De acordo com a nota de Imprensa das Nações Unidas, em Angola registaram-se “progressos notáveis” no que toca a igualdade do género e empoderamento das mulheres, realçando que o nosso País está entre os dez países com a maior participação de mulheres nos processos de tomada de decisão e particularmente no parlamento, depois das eleições de 2008.
“No entanto, nas áreas rurais de Angola, os padrões de desigualdade se tornam visíveis, por exemplo, as taxas de alfabetização para as mulheres entre as idades dos 15-24 em áreas rurais é apenas de 40,8/%, em comparação a 83% nas áreas urbanas; e partos assistidos por pessoal qualificado nas zonas rurais é de apenas 21%, comparado a 71% nas áreas urbanas”, frisa a fonte que temos vindo a citar. Leia Mais
Apanhar garrafas de plástico ou de vidro é uma actividade que muitas mulheres adoptaram para sustentar as famílias. Nos locais onde existem lixeiras, lá andam elas à procura de plástico e vidro que depois vendem em armazéns especializados ou revenderem o “vasilhame” recuperado do lixo.
O dia estava bem quente e um menino que aparentava ter nove anos, aproximava-se com um enorme saco de serapilheira. Rodrigo Maria estava acompanhado da mãe Vera Maria. Os dois estavam concentrados na tarefa de recolher garrafas e bidões abandonados numa lixeira nas imediações da FTU, na Estrada de Catete.
Rodrigo Maria é um menino corajoso. Revolve o lixo sem qualquer protecção. Quanto mais bidões e garrafas vazias recolher naquela montanha de lixo, mais
dinheiro rende o negócio de sua mãe. Assim é o quotidiano de Rodrigo Maria e de outras crianças, uns voluntariamente e outros por imposição dos pais. Têm de trabalhar para ajudar nas despesas da casa. Na zona da FTU há dezenas de mulheres a recolher bidões e garrafas de plástico ou vidro.
Muitas andam de porta em porta a saber se não há vasilhame de tara perdida para recolher. É melhor apanhar as garrafas, garrafões e bidões nas casas do que na lixeira. Vera Maria já tem mais de 40 anos.
Tornou-se chefe de família muito cedo, após a morte do marido. Tem oito filhos e sobrevive do que apanha no lixo. Ela própria diz que exerce a profissão de “apanhadora de garrafas”.
Mas há quem lhes chame “catadoras” de lixo. Andam de lixeira em lixeira a “catar” os resíduos que ainda têm algum valor e que a sociedade de consumo rejeita. Vera Maria explicou à nossa reportagem que é “apanhadora” há seis anos: “recolho os bidões de água mineral para vender bebida alcoólicas caseiras e as garrafas de vidro para vender petróleo”.
Este não é um grande negócio, continuou, mas dá para sustentar a família. “Os bidões de cinco litros dão muita ajuda, principalmente para nós. Somos muitas mulheres neste ofício, já não conseguimos fazer trabalhos domésticos na casa das pessoas porque é pesado, caminhamos para a velhice. E como as mulheres arranjam sempre uma forma de sobreviver, está foi a que encontramos”, disse Vera Maria.
O trabalho de apanhar garrafas é feito por mulheres com idade superior a 40 anos, que anteriormente eram trabalhadoras domésticas. Hoje, sem força, encontraram nesta actividade um meio para “as panelas não entrarem de férias” e a barriga ficar a dar horas.
Na área da FTU há muita gente a “catar” garrafas e garrafões nas pequenas e grandes lixeiras. Normalmente actuam de noite, depois do comércio informal “fechar as portas”. A recolha de garrafas e garrafões de vidro ou plástico não tem limites.
Tanto poder ser feita na Baixa como nos bairros periféricos de Luanda. Onde há gente, há lixo, por isso, as “apanhadoras” encontram sempre mercadoria. Ao fim do dia, é fácil encontrar bidões de cinco litros de água mineral, garrafas de todos os tamanhos em vidro ou plástico, às portas das lojas, dos armazéns, das cantinas ou nas “bancas” dos mercados informais.
Um “catador” que trabalha na zona da Ilha do Cabo ganhou o nome de Chico Garrafa. Ele acorda às cinco da manhã para recolhar as garrafas de água mineral nas lanchonetes, bares e restaurantes. Vende cada garrafa pequena de água mineral a dez kwanzas e as grandes a 50 kwanzas. Leia Mais
O director do Hospital Sanatório de Luanda afirmou sábado que 45 mil casos de tuberculose foram diagnosticados em 2010 pelas autoridades sanitárias em todo o país.
Afonso Wete fez o pronunciamento na cidade do Sumbe, província do Kwanza-Sul, quando dissertava numa palestra sobre o tema “Tuberculose: formas de transmissão e prevenção”, alusiva aos 55 anos de existência do MPLA.
Segundo observou o médico, em Angola uma em cada três pessoas está contaminada com o bacilo de Koch, mesmo sem desenvolver a doença.
Avançou que os casos de contágio aumentam anualmente. Segundo disse, em 2000 foram diagnosticados nove mil casos e em 2010 cerca de 45 mil.
Defendeu que a erradicação da fome e da pobreza é um pressuposto para o combate efectivo à doença. Wete notou que o abandono do tratamento por parte de alguns pacientes constitui preocupação, já que assim podem desenvolver a tuberculose resistente e difícil ou impossível de curar.
De acordo com o especialista, estudos efectuados indicam que a maior parte das pessoas que sofrem da doença têm uma renda inferior ao equivalente a dez dólares. Isso, afirmou, dificulta o tratamento. Por isso, referiu, o Executivo tem apostado no combate à pobreza.
Para o especialista, existe a necessidade do envolvimento de toda a sociedade no combate à tuberculose, já que estudos da Organização Mundial da Saúde indicam que há mais probabilidades de melhoria do doente no seio da família.
A tuberculose está associada a problemas de má alimentação, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e drogas e falta de higiene.
Participaram na palestra militantes do MPLA, estudantes de enfermagem, técnicos de saúde e autoridades tradicionais.
Jornal de Angola
N
ações Unidas advertiu hoje que os relativos progressos na luta contra a pobreza estão ameaçados pela crise econômica, a mudança climática, os altos preços dos alimentos e a energia e os desastres.
Muitas pessoas vivem com medo a perder seus empregos, a não poder alimentar a sua família, a ficar para sempre na pobreza e privadas do direito a viver com saúde, dignidade e esperança no futuro, afirmou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon.
Em uma mensagem com motivo do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o titular da organização mundial chamou a colocar aos seres humanos no centro da atenção e alertou sobre o futuro de “os pobres, os jovens e o planeta”.
Não podemos cortar o investimento nas pessoas em nome da austeridade fiscal, destacou.
Ban Ki-moon pediu mais ações para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio lembrados em 2000 para ser conseguidos em 2015, um dos quais é reduzir à metade a proporção de pessoas com rendimentos inferiores a um dólar por dia existente em 1990.
Assim, chamou a trabalhar ao máximo pelo sucesso da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável(Rio+20), prevista para a cidade brasileira do Rio de Janeiro em junho do próximo ano.
O Inquérito sobre Bem-estar da População revela que cada pessoa em Angola tem um consumo médio mensal de 6.449 kwanzas, valor correspondente aos gastos para fazer face às necessidades alimentares e de conforto.
O relatório, lançado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística, analisa os indicadores socioeconómicos, as receitas e despesas da população e os níveis de pobreza no país.
De acordo com o inquérito, 57 por cento do consumo mensal é dedicado às necessidades de consumo alimentar e bebidas não alcoólicas. “As despesas com a renda de casa, constituem 10 por cento do consumo per capita, enquanto as despesas com os serviços de utilidade doméstica representam oito por cento do consumo”, aponta o inquérito.
A pesquisa garante a existência de desigualdades em função das áreas de residência. A população urbana tem um nível de consumo geral duas vezes superior ao da população rural.
O inquérito revela que a linha de pobreza está estimada em 4.793 kwanzas por adulto por mês. O acesso inadequado à alimentação, aos serviços de saúde, baixo capital humano, habitação, bens e serviços remetem 37 por cento da população angolana para uma situação de pobreza. Além da maior incidência da pobreza ser três vezes superior nas áreas rurais do que nas urbanas, o relatório confirma, com provas sólidas, que a educação é um dos principais factores de pobreza em Angola.“Quanto mais elevado é o nível de escolaridade do líder do agregado, mais baixo é a pobreza da família”, descreve o relatório.
A pesquisa explica que 62 por cento da população que vive em agregados familiares, cujo líder não possui nenhum nível de escolaridade, é pobre, e 14 por cento, onde o responsável da família concluiu o ensino secundário ou nível mais elevado também, é pobre.
A nível nacional, 88 por cento das famílias vivem em habitações inadequadas, sendo a proporção menor nas áreas urbanas, com 79 por cento, comparativamente às áreas rurais, com 99 por cento, onde as famílias vivem em habitações inadequadas.
O inquérito estima que 42,5 por cento dos agregados familiares vivem numa situação de sobrelotação, revelando um défice habitacional no país, face ao rápido crescimento da população urbana. “Calcula-se que metade da população esteja concentrada nas zonas urbanas com 58 por cento, em particular nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla, Huambo e Kwanza-Sul”, indica a pesquisa.
Em Angola, 36 por cento da população tem acesso à rede eléctrica, sobretudo na área urbana, onde existe maior concentração de agregados familiares, consumindo 62,5 por cento de electricidade da rede, enquanto na zona rural o candeeiro a petróleo ocupa esse lugar com 63,4 por cento.