Reprodução da Palanca Negra Gigante em Ritmo Lento

O número de crias de Palancas Negras Gigantes controladas no santuário do Parque Nacional de Cangandala, província de Malanje, passa de três para cinco este ano, apesar da reprodução estar abaixo do esperado.
Em entrevista hoje, terça-feira, à Angop, o coordenador do projecto de conservação da Palanca Negra Gigante, Pedro Vaz, disse que tendo em conta a baixa reprodução pretendem, este ano, efectuar uma intervenção veterinária e respectivo acompanhamento de forma a se resolver esta limitação.
De acordo com Pedro Vaz, a “lentidão” na reprodução deriva do passado recente das fêmeas que estiveram vários anos sujeitas à reprodução irregular e que por causa disso algumas mostram inibição no estado de cio (estado de receptividade sexual extrema por que passam as fêmeas de muitos mamíferos).
No santuário do Parque Nacional de Cangandala estão controladas 19 Palancas Negras Gigantes, dentre as quais dois machos, 14 fêmeas e três crias.
Do número de fêmeas, apenas duas foram confirmadas, pelos especialistas, estarem prenhas.
“Pensamos que com as intervenções planeadas para 2012 e com a entrada do novo efectivo reprodutor proveniente das capturas de 2011, já este ano, mas com mais impacto a partir de 2013 deveremos vir a assistir a um grande impulso no sucesso reprodutivo em Cangandala”, augurou Pedro Vaz.
Optimista, o responsável defendeu a necessidade do reforço das acções e colaboração de todo neste processo, visto que a “Palanca Negra Gigante ainda se encontra numa situação crítica e de risco iminente de extinção”.

Sem avançar detalhes disse que este ano prevêem realizar acções de grande importância que serão oportunamente discutidas entre os parceiros, para a sobrevivência desta espécie rara.
Questionado sobre a transferência da Palanca Castanha para o Parque Nacional da Kissama ( Luanda), disse que poderá ser efectuada ainda este ano ou em anos vindouros, desde que para tal haja o interesse expresso dos vários parceiros institucionais envolvidos.
Mesmo assim, considerou que o programa de reprodução na Cangandala tem corrido “muito bem”, isto desde o confinamento, saúde, adaptação dos animais e segurança das mesmas.
O projecto de conservação da Palanca Negra Gigante está localizado no Parque Nacional da Cangandala (componente A) e na Reserva Natural Integral do Luando (componente B), situados na província de Malanje, a cerca de 450 quilómetros a Leste da capital do país, Luanda.

As espécies de Palanca Negra Gigante existente na reserva de Luando (província de Malanje) estão estimadas em menos de 100 manadas.

Angop


Malange-Preservação da Palanca Negra Gigante

Trabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto, sobre a defesa da Palanca Negra Gigante.

2011

03. Relatório Palanca Setembro – Dezembro

Caros amigos,

Os últimos quarto meses do ano tinham criado alguma expectativa, já que o programa de reprodução da palanca no PN Cangandala entrou numa nova e mais entusiasmante etapa. Afinal de contas, e em resultado da bem sucedida operação de capturas que decorreu em Julho e Agosto, tínhamos agora dois grupos reprodutores em dois santuários vedados. Apesar das nossas elevadas expectativas, receio que as coisas na Cangandala nunca decorram de forma suave, e mais uma vez fomos forçados a reagir a eventos inesperados e a mudar o nosso rumo. Na melhor das hipóteses estes últimos meses tiveram um sabor agri-doce.

O principal culpado pelas nossas mais recentes dores de cabeça foi o Ivan “o Terrível”, aquele macho com tanto de impressionante como agressivo que tínhamos recentemente trazido da Reserva do Luando. Ele tinha sido libertado no recinto de 2,800 ha com seis jovens fêmeas e um jovem macho de 2 anos de idade (Miguel), e dentro de uma semana já se tinham todos encontrado. A manada de híbridos estava também neste recinto mas as duas manadas nunca se misturaram. Os dois machos foram vistos juntos algumas vezes, mas na segunda semana a natureza irascível do Ivan tornou-se evidente quando ele perseguiu e matou o Miguel sem piedade. O jovem macho foi perfurado várias vezes e pelo menos duas vezes no peito… deve ter sido um encontro rápido e brutal. Este acontecimento foi obviamente uma grande decepção para todos, até porque tínhamos julgado que o jovem macho era ainda demasiado tenrinho para ser visto como uma ameaça. Machos territoriais são geralmente criaturas intolerantes, frequentemente lutando com competidores, e mortes derivadas destas escaramuças não são raras. Talvez o Miguel tivesse sido tolerado por um outro macho… mas não por Ivan o Terrível. De qualquer das formas, e por muito cruel que isto possa parecer, este jovem macho era o animal menos importante e ti nha sido trazido apenas como plano B, um macho de substituição no caso de alguma coisa acontecer aos machos mais velhos e dominantes. A perda do Miguel não é uma crise para o programa de reprodução.

Mas o Ivan ainda não estava satisfeito, e um par de semanas depois rebentou a vedação à força, abrindo um enorme buraco e escapando do santuário junto do seu limite sul. Levou com ele duas das fêmeas de 1 ano, deixando para trás a terceira fêmea de 1 ano e as três de 2 anos. Porque é que apenas duas das seis fêmeas o acompanharam permanece um mistério, apesar de que é tentador especular que possivelmente as outras não aprovaram os seus modos. A fuga destes animais foi naturalmente visto como mais um golpe nos nossos planos. Especialmente porque logo assumimos que o Ivan daria início a uma migração suicida para sul em busca do seu antigo território no Luando, ou iria pelo menos andar perdido à deriva de forma imprevisível e atravessando as fronteiras do parque de vez com as duas jovens fêmeas. Mas logo quando tínhamos dado por certos estes cenários desoladores, foi quando o Ivan resolveu surpreender-nos pela positiva! O facto é que, uma vez livre das grilhetas do semi-cativeiro, O Ivan decidiu acalmar, estabelecendo o seu novo território em zona contígua ao santuário. Ao longo dos últimos meses temos temos seguido o Ivan através de sinal rádio e ele parece realmente ter-se baseado numa área fixa, sempre a poucos quilómetros da linha de vedação. Infelizmente a sua natureza esquiva tem-no mantido fora de vista, e também decidimos que não seria boa ideia pressioná-lo muito.

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Cenas de Caça Furtiva que Exterminou a Palanca Negra Gigante no Parque de Luando

As cenas da caça furtiva em que exterminam a Palanca Negra Gigante no parque de Luando nunca inspirariam os românticos amantes de idílicas paisagens selvagens. As palancas levam muito tempo a morrer depois de se libertarem das pernas estraçalhadas pelos laços de aço das armadilhas montadas em redor das cacimbas e lagoas.
Tenho para mim que essas cenas são mesmo de uma extrema crueldade mas não estou certo de que esta minha opinião seja seguida de boamente por quem devia parar esses espectáculos. Talvez estejam mais absorvidos a promover palestras ou fóruns sobre a defesa do património faunístico e outras acções televisivas para confundir ou captar verbas com vista à defesa da biodiversidade ou coisa semelhante.
Afinal a exterminação da Palanca Negra Gigante tem-se operado aqui bem perto, quase debaixo dos nossos olhos e temo acreditar que a imagem da magnifica criatura que transportamos nas camisolas das selecções nacionais e no bojo dos nossos aviões de bandeira não esteja nos corações de todos os angolanos.
Dou-me conta com algum sobressalto que a lenta extinção da Palanca Negra Gigante, cuja situação actual “é desesperada” se desenrola quase à vista do nosso próprio Observatório, nesta cidade alta de Luanda e a menos de duas horas de helicóptero, que é quanto gastam os mwatas para ir buscar os quibutos com diamantes do garimpo no Mussende. Eu como a maioria temos estado muito desatentos.
Mussende é uma região que confina com o parque de Luando e durante a nossa guerra civil foi muito disputada não só por ser um ponto estratégico mas como uma rica área de garimpo de diamantes. É fácil perceber de onde surgem os furtivos que montam as armadilhas de laço nos pontos dos animais beberem e que deste modo associam ao seu árduo trabalho de garimpo de diamantes a caça de palancas. Se com a técnica utilizada nem sempre apanham as palancas adultas que se libertam dos laços embora dilacerem as pernas, em troca capturam as crias e os animais mais jovens que preferem… ao peixe seco.
Estão tranquilos na sua actividade predadora de palancas. Garimpam para mwatas e não receiam ser perseguidos pelas FAA.


Malange-Preservação da Palanca Negra Gigante

Trabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto, sobre a defesa da Palanca Negra Gigante.

2011

02. Relatório Palanca Julho/ Agosto

VERSÃO PORTUGUÊSA

Caros amigos,

Mais uma vez, atrasei-me no relatório, e por isso peço desculpa. Mas espero que as boas fotos e conteúdo interessante possam compensar a demora!

Como previsto, estes dois meses foram os mais atarefados do ano, durante os quais executámos a operação de capturas 2011. As expectativas eram elevadas e os resultados não ficaram aquém.

A equipa nuclear era a mesma de 2009, com Barney O’Hara e o seu Hughes 500, e Pete Morkel a liderar como veterinário. Contámos também com os nossos amigos Traguedos e o veterinário local Ary Jerónimo para nos ajudar durante a campanha. Como em 2009, a Força Aérea Nacional revelou-se um parceiro totalmente fiável, e assegurou logística pesada incluindo a disponibilidade de um helicóptero pesado MI-17.Passe com o cursor do rato em cima das fotos para ler as legendas


Reserva do Luando Tem 4 Manadas de Palancas Negras

Quatro manadas de Palancas Negras com cerca de 50 animais, incluindo alguns machos territoriais, fêmeas reprodutoras, jovens e crias, foram localizadas na reserva do Luando, província de Malanje, durante a segunda expedição da sua captura, informou hoje, segunda-feira, em Luanda, o coordenador do projecto, Pedro Vaz.
Apesar desses resultados, o coordenador do projecto de conservação da Palanca Negra, sob comando do Ministério do Ambiente, lamentou o facto de se confirmar o desaparecimento deste antílope na maior parte da reserva do Luando, em consequência da guerra civil e da caça furtiva.
“A caça furtiva está ainda muito activa, nomeadamente através da utilização de armadilhas de laço. Foram encontradas várias palancas fêmeas com ferimentos graves nas patas, por causa dessas armadilhas, e temos fotos de pelo menos duas dessas fêmeas que deverão morrer em breve por causa desses ferimentos”, deu a conhecer o responsável

Em entrevista à Angop, acrescentou que a caça furtiva nos últimos anos tem impedido a sobrevivência das crias e o seu recrutamento para a manada, uma vez que foram detectados pelos especialistas angolanos e estrangeiros vários animais velhos e crias deste ano ainda recém-nascidas, mas com muitos poucos animais jovens, entre 2 e 7 anos.
Durante a segunda fase de captura da Palanca Negra gigante que decorreu de 27 de Julho a 20 de Agosto deste ano, foram levados para o santuário de Cangandala oito animais, sendo seis fêmeas jovens e dois machos, com 8 e dois anos.
Estes animais juntaram-se a outros para reprodução de novas manadas no santuário do Parque Nacional de Cangandala, província de Malanje.
Assim, o Ministério do Ambiente e parceiros têm nos seus registos um total de 19 animais, dos quais cinco machos e 14 fêmeas, todos já no santuário criado, no parque de Cangandala.
Mesmo assim, Pedro Vaz, disse ser ainda preocupante a situação actual da Palanca Negra gigante, sendo mesmo um dos mamíferos mais ameaçados de extinção do Mundo.
“Se não agirmos com firmeza e imediatamente, corremos o risco de ver a palanca a
desaparecer nos próximos anos”, alertou Pedro Vaz.
O número total de palancas sobreviventes é de menos de 100 animais, confirmadas apenas cerca de 50 no Luando e 20 na Cangandala. A caça furtiva é a principal ameaça, estando ainda descontrolada na reserva do Luando, segundo a fonte.
Para sí, o combate à caça furtiva na zona da palanca tem de ser uma prioridade nacional, abrangente, e não apenas circunscrito aos órgãos tradicionais da tutela, como seja o Ministério do Ambiente, e seus parceiros, nomeadamente, a Universidade Católica e a Fundação Kissama.
Disse ainda que a protecção da Palanca Negra nas duas reservas passa pela acção de agentes de fiscalização no terreno (existem neste momento apenas alguns pastores, agentes não oficiais, muitos com pouca formação), e reforço das campanhas de sensibilização no seio das comunidades, sobretudo aquelas que vivem próximo das suas reservas.
Sublinhou de igual modo o empenho das Forças Armadas Angolanas e da Força Aérea que trabalharam satisfatoriamente durante a segunda fase de captura do antílope.

Angop