Esio é uma promessa do music hall nacional. Muitos ainda não o conhecem pessoalmente, mas já experimentaram o tom da sua excelente voz e cantaram a sua música, intitulada “Dadão” e que faz bastante sucesso nas rádios, festas e casas nocturnas da cidade capital.
Filho de um grande expoente da música angolana, Esio nasceu em Luanda, no Município do Kilamba-Kiaxe, em Abril de 1982, e parece decidido a manter viva a veia musical da família, iniciada pelo pai Artur Adriano, que a par de cantores como David Zé, Urbano de Castro e Artur Nunes, marcaram uma época na história da música popular urbana de Angola à frente do agrupamento musical FAPLA Povo, que abriu caminho para algumas bandas hoje existentes.
Esio entrou para a música através da igreja. Um irmão em Cristo ensinava-lhe as notas que depois praticava cantando algo para si mesmo. “Os meus amigos gostavam de me ouvir cantar e aconselharam-me a levar a sério a carreira de músico. Penso que eles viam em mim algo que eu não via.”
Esio acredita ter bebido muito das experiências dos músicos Totó e Lokua Kanza, pois ouvia, com grande frequência, as músicas por eles produzida e tentava seguir as suas linhas.Primeira guitarra e os obstáculos
As primeiras dificuldades encontradas por Esio durante a sua carreira foram a falta de credibilidade das pessoas que dirigiam as casas de cultura onde pretendia mostrar o seu talento e de uma guitarra para levar aos espectáculos. Tinha de pedir emprestada sempre.
O músico disse que por pouco não renunciou à carreira. “Lembro-me quando ia ao Miami Beach e ao Baía para cantar, os responsáveis destes espaços olhavam para mim e achavam que não cantaria naqueles locais.” De acordo com Esio, isto não aconteceu só no Espaço Baía e no Miami Beach, mas em várias casas nocturnas de Luanda.
Esio revelou que não é de virar a cara à luta e continuou a insistir nesses locais de actividade cultural até que mereceu uma oportunidade. E, apesar de não ter muita aceitação, afirma que recebeu alguns aplausos que o motivaram ainda mais.
A sua dificuldade em adquirir uma guitarra foi suprida quando o pai, o músico Artur Adriano, foi homenageado no Centro Recreativo e Cultural Kilamba. Foi-lhe dada uma guitarra que este, por sua vez, passou para o filho, para quem foi o melhor presente recebido até aquela altura.
O jovem músico disse que não foi preciso ter um disco para conquistar o mercado nacional, porque hoje se tornou um dos músicos mais solicitados para cantar em espectáculos. Foi o convidado especial do grande Show Cuca BGI, onde também participaram músicos como Puto Português, Anselmo Ralph, Eddy Tussa, Noite e Dia, Yola Araújo, Mamukueno e Os 3, e actuou, no passado domingo, na discoteca Kukina, no Benfica, em Luanda.
Barceló de Carvalho “Bonga” mostrou-se satisfeito por continuar a preservar os valores tradicionais angolanos, através da música, apesar de residir fora do país há mais de 30 anos.
“O facto de vivermos na Europa não quer dizer que vivamos como europeus”, disse o músico, numa entrevista publicada na edição de Fevereiro do jornal “Mwangolé”, editado pela Embaixada de Angola em Portugal.
“Sempre vivi como angolano, mesmo passando a maior parte da minha fora do país e defendi sempre as nossas bases culturais tradicionais”, acrescentou.
Para isso, adianta, “é preciso muita coragem e persistência, e fi-lo com brio patriótico, a cantar o semba e em kimbundo, legados deixados pelos nossos kotas do passado”.
Bonga frisou a importância da defesa dos valores culturais angolanos, os quais, como referiu, constituem “uma riquíssima e inesgotável fonte” que alimentou os 40 discos em 40 anos de carreira.
Na referida entrevista, em que falou do seu percurso musical, do futuro do ritmo semba face à ascensão do kuduro, da internacionalização da música angolana e do seu regresso definitivo ao país, Bonga defendeu a imutabilidade do semba.
“O tango vai ser tango toda a vida, porque os argentinos resistiram, assim como o rock, porque os europeus e americanos têm personalidade”, disse, para sustentar que “o semba de Angola será sempre o semba angolano”.
“Porquê mudar o semba quando há cantores estrangeiros que cantam comigo, porque o semba é de Angola e é muito forte?”, interrogou-se.
O músico manifestou o seu apoio à internacionalização da música angolana, mas pediu para que “não metamos os carros à frente dos bois”, pois é importante que haja “mais empresários sérios e credíveis que promovam os artistas para actuarem no interior e exterior do país”.
Bonga afastou, para já, o seu regresso definitivo ao país. “Quando se tem uma longa carreira, com imensos convites para cantar pelo mundo, é complicado estabelecer-se em Angola”, afirmou o músico. “Semanalmente, sou solicitado para cantar em vários cantos do mundo, o que seria difícil se estivesse a viver em Angola, devido às deslocações”, disse.
O jornal “Mwangolé”, com 20 páginas, é uma publicação mensal dos serviços de imprensa da Embaixada de Angola em Portugal.Jornal de Angola
Paulo Flores – Serenata A Angola (Semba) Clique e oiça
Paulo Flores cumpriu. Esteve na Casa 70, para abrir a primeira noite de quatro espectáculos. Demonstrou que o seu amor pela música suplantou o “medo” da morte e a recomendação médica para ficar longe dos palcos. Na véspera dos shows, Paulo Flores escreveu na sua página do Facebook que tinha sofrido uma grave baixa de tensão, que lhe provocou uma queda e dela resultaram ferimentos no rosto e na cabeça. De óculos escuros, Paulo Flores “tirou” canções recentes do seu vasto repertório e entusiasmou o auditório a quem chamou de “saudosistas”. Paulo Flores convidou Manecas Costa e Moreira Filho para com ele cantarem e juntos fizeram algumas ” brincadeiras musicais”. Na sala, com mais de 300 pessoas, viveram-se muitas emoções. “Boda”, a canção que garantiu o título de “Mais Querido” de 2011, levantou a plateia. A homenagem que Paulo Flores rendeu a André Mingas surpreendeu todos. E foi com “O Que Eu Quero” e “ Mufete” canções do artista falecido recentemente que o compositor de “ Perto do Fim” terminou o show.
Jornal de Angola
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Gravado em Luanda e Madrid (Espanha), o disco contém 21 canções de viários cantores angolanos, tendo onzes delas marcado as décadas de 80 e 90, e nove temas inéditos gravados em 2011.
Dos êxitos de 80 destacam-se as já conhecidas canções quase silenciadas como “Ilha da fantasia (Mussulo) de Filipe Zau e Zé Kafala, “Eu só tenho azar” de Cininho, “Pipiadora” de Martinho, “Juntos Vamos divertir” de Chana Fancony e Analisa, entre outros temas.
Das mais recentes canções, constam “A Dança do Mickey” de Mister Robson, “Resposta do Vizinho do 5º Andar” de Zeston, “Saudades” do meu Cazenga de Dukinho e “Abraço ao Kilamba Kiaxi” de Ricardinho.
Para tornar ainda mais agradável o ambiente dos baixinhos, e não só, nesta quadra festiva, o produtor, Kim Freitas, decidiu incluir durante a sessão de lançamento dois anteriores volumes: os números 4 e 5, para que o público tenha desta vez a oportunidade de os adquirir no momento exacto.
A cidade de Copenhaga, capital da Dinamarca, foi o primeiro palco da tournée que está a ser realizada pelo “Conjunto Angola 70” na Europa.
Quarta-feira última, 26 de Outubro, os músicos que integram o projecto co-produzido pela Mano a Mano Produções (de Angola) e a Analog Africa (da Alemanha) deram um verdadeiro show no Club Global, nesta cidade, para mais de duzentas pessoas, entre os quais promotores de música de quase todo mundo que foram convidados a assistir, ao vivo, um espectáculo que reúne artistas e canções da chamada Geração de Ouro de Angola.
Durante aproximadamente duas horas, a banda, comandada por Botto Trindade e Teddy Nsingui nas guitarras solo, apoiados por Dúlcio Trindade na guitarra ritmo, Carlos Timóteo (Calili) na guitarra baixo, Joãozinho Morgado nas tumbas, Raul Tollingas na dikanza, Chico Montenegro nas congas e Gregório Mulato no mukindo ( bate-bate), esteve à altura das expectativas criadas pela organização do evento que teve à cabeça o RASA Music & Dance, uma respeitada promotora de espectáculos da Holanda.
Interpretando temas como “Tira sapato” dos Dimbas de Angola, “Comboio” dos Kiezos, “Fatimita” (Urbano de Castro), “Lemba” (Negoleiros do Ritmo), “Mabele” (Óscar Neves), “Farra na madrugada” (Jovens do Prenda) e outros, o “Conjunto Angola 70” levou os presentes ao delírio ao som do semba, kazukuta, merengue e da rumba angolana.