Segundo os naturais desse lugar, a Rainha Njinga Mbandi, o rei Ngola Kiluanje e o seu cão pisaram essas pedras e as suas peugadas ficaram cicatrizadas para sempre. Peugadas essas que se encontram protegidas por umas pequenas casinhas. Em cima dessas pedras foi construída uma capela, lugar muito concorrido pelos cristãos católicos.Outras das atracções que a natureza proporcionou à Malanje são as Quedas de Kalandulas. É um lençol de água com 410 metros de comprimento e 105 de altura. Segundo estudos, são as segundas maiores de África, depois de Vitoria Falls (Quedas Vitória), situadas entre a Zâmbia e o Zimbabwe.
Ao longo dos meus trinta e dois anos de vida tinha já “pisado os pés” em
dezasseis das dezoito províncias que essa imensa Angola tem. Isso sem contar a capital Luanda, onde está enterrado o meu cordão umbilical.Faltava-me apenas conhecer Malange, localizada aqui perto, a 424 quilómetros, de onde escrevo.
Ter conhecido quase todo país foi fruto, sim senhor, da paz alcançada há nove anos pelos angolanos. Mas também pelo ímpeto da minha profissão, o jornalismo, e sobretudo pelo meu arrojo. Estava a pensar se devia justificar esta afirmação, mas teria de contar tim-tim por tim-tim como conheci cada uma dessas províncias, o que seria fastidioso.
Vou apenas falar de como fui parar á famosa terra da Palanca Negra. A princípio, e por desafio proposto por mim mesmo, pensei que fosse conhecer Malange de comboio, à paisana, como turista e não como jornalista.
Achei que seria uma forma sublime de homenagear mais um ganho da paz: o regresso do histórico comboio de Malange. Andava a programar isso há anos, desde que se começou a falar da reabilitação dos Caminhos de Ferro de Luanda.
Entretanto, foi na semana passada que cá cheguei. Não de comboio, mas de carro. Não à turista, mas à jornalista. Sob proposta do chefe Teixeira, com a missão de reportar o que foi e o que está a ser feito desde o calar das armas. Só que, o que se esperava ser uma deslocação de serviço tão normal como ir a Malanje, acabou se transformando numa grande odisseia.
Na companhia dos colegas Eugénio Mateus, o “mais kota do conjunto”, e Nuno Santos, fotógrafo, partimos de Luanda terça-feira, 29 de Março, já no final da manhã. A missão impunha-nos uma paragem na mártir comuna do Zenza do Itombe para saber como é que os seus habitantes se estão a refazer do triste acontecimento de 2001, quando um comboio foi alvo da fatídica guerra, matando muitos civis.
Outras paragens que se impunham, como as que tinham por finalidade atender às necessidades biológicas, como comer, beber …, e até mesmo para atender aos prazeres ou vícios da vida, como apreciar as belezas naturais, fumar um cigarro, etc., levaram-nos a chegar a capital malanjina já no cair da noite.
O desligar do motor aconteceu bem no centro da cidade, no Largo 4 de Fevereiro, cuja beleza espelha os proventos da reconstrução nacional.
À nossa esquerda, o Restaurante Triângulo apareceu bem na hora para nos matar a fome e a sede, enquanto que à direita, o Hotel Kijima parecia estar de braços abertos para nos albergar. Lá despimo-nos do nosso cansaço.
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| Foto : Eduardo Cunha |
O governador da província de Malange, Boaventura Cardoso, anunciou ontem a construção, no decurso deste ano, de 6.000 casas, no quadro dos projectos de habitação social.
De acordo com o governador, que falava no acto que marcou a passagem do nono aniversário da paz em Angola, já foram identificadas as reservas fundiárias e as zonas onde vão ser distribuídos os lotes destinados à auto-construção dirigida.
Boaventura Cardoso realçou na ocasião os esforços do governo local no melhoramento do abastecimento de água potável aos cidadãos, com destaque para as zonas rurais, através do programa “Água para Todos”, assim como os avanços no sector da energia eléctrica, tanto da rede pública como domiciliar. A província registou ainda avanços no domínio do ensino, com a criação dos cursos superiores de pedagogia e matemática, da Faculdade de Medicina, além do curso superior de Enfermagem.
Segundo o governador, apesar dos avanços referidos, é preciso que as pessoas não se acomodem, apelando para o esforço e empenho de todos para que seja possível transformar a esperança em certeza de um futuro melhor. Boaventura Cardoso referiu a necessidade de uma maior colaboração de todos os citadinos de Malange para as tarefas ligadas à reconstrução da província, assumindo compromisso com os valores e princípios fundamentais da paz, trabalhando cada um no seu ramo do saber e de acordo com as suas capacidades, para engrandecer o país e, em particular, a região. O governante disse que a Paz, tão duramente alcançada, é e tem de ser irreversível. “Ninguém tem o direito de tirar aos angolanos aquilo por que eles, depois da conquista da Independência Nacional, mais lutaram”.
Durante a cerimónia foram lidas mensagens das Forças de Defesa, Segurança e Ordem Interna e do Conselho Provincial da Juventude, que juntaram as suas vozes para o sentido da preservação da paz e da reconciliação entre os angolanos.
O acto, antecipado de uma marcha que percorreu as diversas artérias da cidade, foi marcado com a presença de membros do governo local, representantes de partidos políticos da oposição, população e jovens dos mais variados extractos da província.