A hotelaria é das actividades económicas que mais tem crescido em Benguela. Com ela, a restauração ganhou um novo impulso, cujos limites são apenas a criatividade e a inovação. A partir dos produtos da terra, recriam-se pratos tradicionais e transformam-se os cardápios em cartões de visita dos sabores angolanos. A cada garfada, a memória gustativa leva-nos até aos meandros da nossa angolanidade. Para os turistas estrangeiros, a ementa é um mistério de agradáveis surpresas e prazeres incalculáveis.
O chefe de cozinha Wilson Aguiar procura os sabores locais para a confecção dos seus pratos. Para ele, essa busca é ditada por factores ligados ao actual processo de produção industrial dos produtos alimentares importados e que chegam ao circuito comercial com certificação duvidosa.
“As etiquetas que constam nos produtos importados não garantem a segurança necessária à saúde pública e são postos à disposição do consumidor”, disse ao Jornal de Angola. Além disso, retiram possibilidades de negócio aos pequenos produtores rurais.
Wilson Aguiar defende que o Ministério da Hotelaria e Turismo, pelouro do Executivo que superintende o sector, devia integrar os alimentos tradicionais angolanos no roteiro turístico, para fazer crescer a confiança do consumidor de qualquer nacionalidade em relação aos sabores da terra.
Em Benguela, garante este chefe de cozinha, a alimentação é constituída por produtos de qualidade superior, cores, aromas e sabores, que ofuscam tudo aquilo que é importado para a dieta alimentar dos angolanos. “Falar da cozinha angolana é o mesmo que falar da cozinha africana, europeia, latina ou de outras. Há produtos que ainda não são produzidos em solo angolano, mas que em breve vão existir nos nossos campos agrícolas, por termos condições naturais para fazer brotar tudo e mais alguma coisa”, prevê Wilson Aguiar, ao mesmo tempo que salienta o facto de os nossos campos já terem começado a produzir “do bom e do melhor” que existe pelo resto do mundo em termos de produção agrícola.
“Angola tem de ter um cardápio assente nos seus valores culturais, devendo encontrar-se as particularidades regionais, para que seja valorizada a culinária tradicional, como a moamba, preparada com galinha, à qual se juntam os quiabos e o óleo de palma, acompanhado com funje de milho ou de bombó”, frisou.
Para ele, o mundo globalizado leva os cidadãos de outras origens, hábitos e costumes a partirem à descoberta de novos pratos tradicionais. No entanto, considera que “pouco tem sido feito para mostrar ao mundo a nossa identidade cultural, relativamente aos sabores alimentares. É preciso o esforço de todos para fazer dos nossos pratos típicos uma verdadeira riqueza para o país”.“A facilidade que temos hoje em reproduzir pratos de outras culturas está a fazer com que os cozinheiros locais procurem cada vez mais receitas de outras origens, deixando para segundo plano a matriz da culinária angolana”, sublinhou.
Na sua perspectiva, os pratos típicos da terra só podem competir com os de outras paragens, se houver uma divulgação permanente e muita promoção para se atingir a excelência dos sabores nacionais.
“Foi tendo em conta esta linha de pensamento, que criei o delicioso prato de moamba de lagosta, numa altura em que muitos não acreditavam. Hoje, é um prato que faz as delícias da restauração angolana”, afirma regozijado.