Novos investimentos feitos pelo Executivo, na reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), já começaram a “dar frutos positivos”, afirmaram hoje, quarta-feira, na cidade do Lobito, província de Benguela, funcionários da companhia ferroviária entrevistados pela Angop.
Ao falar à margem da entrega de prémios, o trabalhador João Manuel, no CFB há mais de 25 anos, afirmou que os novos investimentos estão a contribuir na rentabilidade da empresa e consequentemente no aumento de salários.
Premiado com uma viatura, João Manuel disse que há 10 anos era algo impensável receber um carro como prémio no 0Caminho-de-ferro de Benguela.Quem também destaca os feitos da reabilitação do CFB é a funcionária Domingas José que labora no Caminho-de-Ferro de Benguela há 26 anos, ao afirmar ser uma esperança renovada a circulação dos comboios da sua empresa.
As fontes, que a margem do seminário denominado Empresa Feliz, organizado pelo Ministério dos Transportes, receberam bens materiais, acreditam em dias melhores para “família” ferroviária.
A margem do seminário Empresa Feliz que acontece, nesta sexta-feira, no CFB, foram premiados 450 trabalhadores com artigos diversos, com destaque para viaturas, motorizadas e electrodomésticos.
O CFB, uma das empresas mais destruídas durante o conflito armado que durou quase 27 anos, começou a ser reconstruído em 2006 com a reparação do traçado Lobito ao Luaw, província do Moxico, no total de 1314 quilómetros.
Com os comboios de mercadorias e de passageiros a circularem entre as cidades do Lobito (Benguela) e Huambo, os responsáveis do CFB esperam atingir a fronteira Leste (Luaw), ainda este ano.
A circulação do comboio entre as cidades do Lobito e Luena é retomada dentro dos próximos três meses, segundo o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que fez esta afirmação no discurso proferido, ontem, no Moxico, durante o acto central do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional.
A boa nova foi recebida por forte ovação dos milhares de luenenses que lotaram o largo 1º de Agosto, defronte ao Governo da Província do Moxico. José Eduardo dos Santos assinalou o facto de a linha do Caminho-de-ferro de Benguela estar às portas do Luena e, por isso, estar próximo de se concluir o projecto de reconstrução dos eixos ferroviários do país. “Espero que em Agosto próximo possa voltar cá para inaugurar a Estação de Caminho-de-Ferro e abrir a circulação dos comboios entre o Lobito e esta cidade”, disse o Presidente que se mostrou confiante em que, nesta mesma altura, “estejam a terminar as obras de reconstrução da via Dundo-Saurimo-Luena, para melhorar o trânsito de viaturas”.
O Presidente realçou o papel histórico da província do Moxico, palco da assinatura do memorando que deu lugar ao acordo de paz de 4 de Abril de 2002. “Foi aqui na bela cidade do Luena, província do Moxico, que os angolanos se entenderam e concluíram os Acordos de Paz e Reconciliação Nacional, que foram solenemente assinados em Luanda no dia 4 de Abril de 2002”, disse José Eduardo dos Santos, que momentos antes inaugurou o Monumento da Paz, uma obra de engenharia que homenageia a paz.
O Chefe de Estado considerou o principal cartão postal da cidade um lugar “para visitar sempre, para se conhecerem factos importantes da nossa História e para se promover a educação das novas gerações”.
Além de destacar a província do Moxico e da sua população em toda a trajectória do processo de paz, José Eduardo dos Santos também fez alusão às “fortes tradições de resistência ao colonialismo”. Sublinhou o facto de os movimentos de libertação terem desenvolvido nesta região a luta armada contra o exército colonial português, e o “MPLA criado (…) vastas zonas libertadas, onde estabeleceu novos modelos de organização social e política”.
Segundo José Eduardo dos Santos, um amplo movimento guerrilheiro, com o apoio do povo, criou imensas dificuldades ao poder colonial, que teve de recorrer aos bombardeamentos aéreos com ‘napalm’ para impedir a sua progressão. “Não foi por acaso”, frisou, “que o saudoso Dr. Agostinho Neto concordou em assinar, em nome do MPLA, o acordo de cessar-fogo com o Exército português que pôs fim à guerra colonial na localidade de Luameje, aqui no Moxico”.
O Presidente disse ainda que antes do Acordo de Bicesse, em 1991, que deu lugar às primeiras eleições multipartidárias, em 1992, e ao Entendimento do Luena, em 2002, “houve as tréguas da Chicala acordadas com a UNITA, que permitiram desanuviar a situação criada pela guerra dos 45 dias da cidade do Luena, em que os seus habitantes resistiram heroicamente”
O chefe do Executivo fez também alusão ao facto de ter sido na cidade do Luena, em que “exprimimos as primeiras ideias que nortearam a elaboração do nosso Programa de Reconstrução Nacional”, que, segundo disse, foi nesta província em que, anos atrás, fez promessas como o surgimento de programas provinciais com a execução do orçamento descentralizado, o reforço da organização administrativa e do sistema de gestão local de recursos técnicos e humanos e a reconstrução dos principais eixos rodoviários e ferroviários.
O Presidente fez outra revelação que provocou nova vaga de aplausos. Anunciou que o Programa de Reconstrução Nacional vai ter o seu prazo de conclusão antecipado para início de 2013 quando as previsões apontavam para 2015/16.
Disse que todas as principais vias de comunicação rodoviária e ferroviária estão praticamente reabilitadas, o que permitiu aumentar a circulação de pessoas e bens e revitalizar a actividade económica e social em todo o país. “Tudo isso aconteceu ou está em vias de acontecer. Passados dez anos, estamos orgulhosos de ver que muita coisa mudou no Moxico e em todo o país e a perspectiva é continuar a mudar para melhor”, defendeu.
Uma das mudanças referidas por José Eduardo dos Santos tem a ver com as condições sociais e de trabalho dos administradores municipais e comunais, que, como disse, há 10 anos, dezenas deles não tinham instalações. “Estavam a trabalhar em casebres e tendas, porque a infra-estrutura administrativa estava destruída. Milhares de crianças estudavam à sombra das árvores, sentadas em latas e pedras. Hoje já são muito poucas as situações como estas”, disse.
O Presidente falou dos sinais de crescimento do país reflectido no número de escolas e de alunos que “cresceu imenso”, assim como a quantidade de institutos médios e do ensino superior e o número de estudantes também cresceu muito em todas as províncias.
Para o Chefe do Executivo ter mais quadros médios, superiores e pós-graduados formados, situação contrastante com a fase imediatamente a seguir à independência, “significa o país está a crescer em todos os domínios”. José Eduardo dos Santos disse que o quadro de prosperidade que se vive hoje em Angola é o resultado do trabalho abnegado e responsável de todos os angolanos que amam a sua Pátria.
“Temos de continuar a trabalhar juntos para o desenvolvimento. Queremos ver a economia nacional sempre a crescer de modo sustentado e a riqueza a aumentar, para termos mais para distribuir e melhorar a vida de todos”, defendeu.
A vice-governadora para a área económica da província do Bié, Ana Maria Muvuay, considerou no sábado, no município do Kuito, que a entrada em circulação do comboio do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) vai ajudar a materialização do projecto de combate à fome e à pobreza no seio das populações, desenvolvido pelo Executivo angolano.
Em declarações à Angop, logo à chegada do comboio experimental à vila do Kunje, a sete quilómetros a leste do Kuito, capital da província do Bié, Ana Maria Muvuay justificou que o restabelecimento da circulação da locomotiva de mercadorias e passageiros do CFB permitirá a troca de mercadorias, assim como o escoamento dos produtos do campo para outras partes do país, a preços acessíveis.
Segundo a responsável, com esta obra do Governo (o comboio) os angolanos estarão mais ligados do ponto-de-vista económico, político e social.
Destacou também o contributo das populações e criticou todos os que, de uma ou de outra maneira, tentaram sabotar o trabalho do Executivo, protagonizando roubos de parafusos da linha férrea e de brita. Daí que instou os cidadãos em geral a cuidarem os bens públicos como é o caso das infra-estruturas do caminho-de-ferro.
Segundo a responsável, a chegada do comboio aos municípios do Chinguar, Kunhinga e à própria cidade do Kuito deve ser sinónimo de bastante alegria para a população biena, pois, realçou, grande parte dos seus problemas ficarão resolvidos, particularmente no que toca ao transporte de mercadorias, como fertilizantes, instrumentos agrícolas, materiais de construção, entre outros, a parir do litoral do país.
Outros produtos, frisou, sobretudo do campo, produzidos em grande escala, podem a partir de agora serem levados ao litoral para serem comercializados ou mesmo permutados.
A governante pediu, por outro lado, “a Deus que continue a dar vida e forças ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, para que com as suas sábias ideias continue a cumprir com o programa do Estado, levando alegria a todas populações a nível do país”.
O ministro angolano dos Transportes anunciou que, no próximo ano, o Caminho-de-Ferro de Benguela chega à fronteira com a Zâmbia, mas frisou que isso não basta e que é necessário que a República Democrática do Congo e a Zâmbia “façam o seu trabalho,” para haver “conexão entre as linhas ferroviárias”.
Augusto Tomás disse estar satisfeito com o reconhecimento dos homólogos africanos pelo trabalho realizado por Angola e recordou que a estratégia do Executivo para o desenvolvimento da indústria corresponde aos objectivos da União Africana.
O ministro declarou que, com a concretização de projectos de infra-estruturas básicas, a nível dos portos, aeroportos, caminhos-de-ferro e rede de estradas e, futuramente, de auto-estradas, pontes, energia e águas, entre outras, estão criadas bases para o relançamento dos sectores da indústria, agricultura, agro-pecuária, agro-indústria e mineira.
Considerou que com estes pressupostos serão criados mais empregos, mais riqueza e melhoria nas condições e qualidade de vida da população. A conclusão das obras da área do Aeroporto Internacional da Catumbela, destinada a serviços ligados ao tráfego e a administração (aerogare), está prevista para Agosto de 2012, garantiu o ministro dos Transportes, na visita de constatação que efectuou ao local, acompanhado pelos seus homólogos africanos.
Segundo Augusto da Silva Tomás, as obras do Aeroporto Internacional da Catumbela estão orçadas em 190 milhões de dólares, enquanto as do Porto Comercial do Lobito em cerca de 1,8 mil milhão de dólares.
A festa estava montada, notava-se nas expressões e nos desabafos das pessoas do Huambo. A entrada em funcionamento do Caminho de Ferro de Benguela é o pisar de um dos últimos degraus na subida para a rampa de onde o Huambo se pretende lançar para o desenvolvimento. A electricidade da barragem do NGove encerrará o ciclo. Trata-se da conclusão das três premissas sem as quais o Huambo não se reencontrará e não se modernizará: academia, comboio e electricidade. Comboio e universidade já funcionam.
José Eduardo dos Santos, ao dirigirse à população da capital do planalto central que enchia o largo frontal ao palácio, falou do esforço para reerguer a província e tocou também na questão da modernidade, dizendo: “Quando colocaram minas e destruíram o caminho-de-ferro pensaram que levaríamos anos a reconstrui-lo, enganaramse. Construímos tudo de novo. Porque o que havia antigamente, no tempo colonial, era bom para aquele tempo, mas nós construímos de novo a linha férrea e as estações. Temos hoje uma linha férrea mais moderna, mais capaz de suportar as cargas e transportar mercadorias e passageiros”.
Estão nove anos passados desde o fim da guerra em Angola, o CFB volta a mostrar-se vivo entre o litoral e o planalto. E os técnicos dizem que com a colocação de novo tipo de travessas (agora feitas em betão) e com a colocação de novos carris, o objectivo ganhar capacidade para transportar 20 milhões de toneladas carga por ano, o dobro do que acontecia na época colonial.
Um gigante para ser conduzido com inteligência A linha está reposta, foram encomendadas novas locomotivas e novas carruagens. No primeiro trimestre de 1012 deverão chegar carruagens da China, as que fizeram a viagem inaugural vieram da África do Sul. Mas o comboio significa também gente especializada, uma classe que noutros tempos granjeou prestígio e mereceu respeito. E é aí que está um dos problemas do CFB. Falta mão-de-obra especializada.
No tempo em que os comboios ficaram parados não se gerou dinheiro, a empresa deixou de ser atractiva, deixou de ter vagas para novos trabalhadores, viveu, praticamente, apenas de velhos trabalhadores agarrados à nostalgia de outros tempos e ao sonho de um dia voltar a ver desfraldada a bandeira verde do condutor e ouvir o apito da locomotiva. E, depois, o gigante de metal começaria a rolar. O sonho fez-se agora realidade, há linha, há comboio, mas há pouca gente para o operar. Dos últimos 15 maquinistas formados há dois anos, apenas sete se mantêm na empresa.
Hoje, os funcionários do CFB rondam os mil, disse o Presidente. No passado este número estava multiplicado dez vezes. Mas este quadro é também um momento de oportunidades, para construir novos sonhos de formação e de emprego. “Vamos ter aí vagas. É necessário que os mais jovens se interessem também por essa profissão, para serem bons ferroviários, que frequentem os cursos de formação profissional, os cursos técnicos, e que ajudem o país a restabelecer-se e a crescer. É com a força da juventude que nós contamos para trabalhar e crescer”. Disse o José Eduardo dos Santos.
Efectivamente, o CFB é um mundo que vai despertando. Ao proferir tais palavras, Eduardo dos Santos fazia-o com a consciência de esta empresa não se esgotar nos meios circulantes.
O CFB teve a maior plantação de eucaliptos de África, que deve recuperar e explorar, teve pequenos hospitais, ainda activos no Lobito e no Huambo, teve fazendas próprias para a produção de alimentos para os seus funcionários e para os passageiros, que também se deve recuperar. O CFB tem uma barragem hidroeléctrica própria no Cuando (Huambo). É um mundo que pode absorver muita gente. É para a juventude o novo comboio.
“E nós não vamos parar por aqui, a nossa próxima meta é o Bié, depois chegaremos ao Moxico, Luena e iremos até a fronteira. É assim que o país tem que ir para a frente, tem que caminhar”. Quem escutou as palavras do Presidente por altura da Cimeira da SADC em Luanda, não pode deixar de encontrar alguma continuidade. O Caminho de Ferro de Benguela é uma infra-estrutura de importância maior para o desenvolvimento de Angola e da região. Há milhares de toneladas de minério paradas no outro lado da fronteira à espera que a rota seja aberta.
Trata-se de um serviço que fará entrar muito dinheiro nos cofres do Estado.
Aliás, quando funcionava em pleno, as mercadorias representavam 90% do total da facturação da empresa. As implicações da operacionalidade do CFB são enormes, não apenas para as províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, que o comboio atravessa, mas para a economia de todo o país.
“Nós também já fomos jovens, integramos as fileiras do MPLA, integramos os serviços técnicos de telecomunicações do MPLA, integramos a JMPLA. Naquela altura compreendemos que os mais velhos precisam do apoio dos jovens, precisam da energia e da força da juventude. Hoje, nós temos que construir bem o nosso presente.
Construindo bem o presente, temos, também, garantia de um bom futuro”.
Expressões como MPLA e JMPLA podem soar como partidarização de um acontecimento grandioso para toda a nação. Pode, mas José Eduardo dos Santos falava de si. Do seu percurso. Sabia que tinha a ouvi-lo um multidão maioritariamente construída por jovens, os mesmos apelara a aproveitar as oportunidades de trabalho que estão agora abertas. Mas, como chefe de Estado, outra coisa não seria de se lhe esperar que não apelar à participação da juventude na vida nacional, de forma responsável e tecnicamente mais evoluída. “Construindo bem o presente, temos, também, garantia de um bom futuro”. Pode-se dizer que para as pessoas do Huambo o comboio trouxe o futuro para mais perto.