Greve nos Caminhos de Ferro de Luanda

Mais de quatrocentos trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda, que circula da capital até à cidade de Malange, prometem cruzar os braços até que o Ministério dos Transportes e o Conselho de Administração daquela empresa cumpram com as promessas feitas em Novembro do ano passado, disse esta quinta-feira a O PAÍS, o responsável sindical José Silas.
O mesmo diz que os trabalhadores já não estão dispostos a condescender, tal como fizeram o ano passado, apesar do Ministério do Emprego e Segurança Social (MAPESS) os ter aconselhado esta segunda-feira a voltar ao trabalho.
José Silas diz que agradecem a vontade do MAPESS, mas não irão seguir o conselho enquanto a entidade empregadora não honrar as exigências que eles fazem, sobretudo no capítulo do aumento salarial.
Os trabalhadores do Caminho de Ferro de Luanda exigem reajuste salarial na ordem dos 150 por cento, melhoria do contrato de seguro, alimentação saudável e condições condignas de trabalho. Um funcionário da tripulação tem um salário base de 38 mil kwanzas e os grevistas exigem 60 a 70 mil kwanzas.
Já os funcionários da área técnica e da manutenção têm ordenados estimados em 30 mil kwanzas ou 38, de acordo com a categoria. Inicialmente, a greve foi subscrita por 233 trabalhadores, entre eles homens da tripulação, área técnica e manutenção, mas segundo José Silas, os outros das localidades do Dondo, Ndalatando e Malange, estão igualmente a aderir à greve.
Silas disse a O PAÍS que ainda não foram contactados pela direcção do Caminho-de-Ferro nem pelo Ministério dos Transportes, o que lhes faz manter a greve por tempo indeterminado. Fonte ligada ao CFL referiu a este semanário, sob anonimato, que a paralização não lhes merece, no imediato, “qualquer comentário mais conclusivo”, sendo expectável, por isso, nova atitude com o evoluir dos dias.

Antecedentes

O ano passado, os trabalhadores do Caminho de Ferro de Luanda desistiram de fazer a greve que agora concretizam na sequência da abordagem que lhes foi feita pelo Ministério dos Transportes.
O Ministério dos Transportes disse, num comunicado divulgado por essa altura, que as questões que estavam na base das reivindicações dos trabalhadores haviam sido resolvidas.
Em entrevista concedida o mês passado ao Jornal O PAÍS (edição de 12 de Fevereiro de 2012), o Presidente do Conselho de Administraçao do CFL, Osvaldo Lobo do Nascimento, reconheceu ter uma relação difícil com o Sindicato do Caminho de Ferro de Luanda.
“… É difícil porque… tenho de escolher as palavras para não ferir susceptibilidades… é difícil porque … eu não sei se as pessoas sabem verdadeiramente o papel de cada um. Lá fora, quando um sindicato promove uma greve, nos períodos de paralisação, quem assume o pagamento dos salários dos trabalhadores é o sindicato. Por isso é que as greves lá fora, normalmente, são greves por horas.
Reivindica-se com veemência, mas nunca greves por tempo indeterminado, porque o sindicato não tem como fazer. Um dia de paralisação do trabalho, o sindicato tem de pagar esse dia ao trabalhador.
Aqui ainda não sabemos quem é que paga, se o sindicato, se a entidade patronal. Está muito difuso. Ainda temos reivindicações, embora o Governo tenha controlado a inflação, que é de dois dígitos, mas temos reivindicações que pedem um aumento de três dígitos. 150 por cento de aumento de salário. O mais grave é que seria compreensível se tal exigência viesse do trabalhador, mas vem do sindicato, pela direcção do sindicato.
Os quadros da direcção do sindicato são pessoas com formação económica, empresarial, de gestão… eu tenho alguma dificuldade em compreender quando um sindicato vem exigir aumentos de três dígitos”, disse na altura o presidente do Conselho de Administração do Caminho de Ferro de Luanda, Lobo do Nascimento.
O ano passado, o Caminho de Ferro de Luanda transportou cerca de três milhões de passageiros, o que resultou numa facturação na ordem de 171 milhões de kwanzas, equivalente um milhão e setecentos e noventa e oito mil dólares. Estes dados foram avançados por Lobo de Nascimento na entrevista que concedeu a O PAÍS.

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Empresa Única de Caminhos-de-Ferro em Angola

O governo de Angola irá criar em breve a empresa Caminhos-de-Ferro de Angola, que irá absorver todas as empresas ferroviárias existentes no país, afirmou o presidente da Caminhos-de-Ferro de Luanda.
“O programa do governo prevê abrir à iniciativa privada a exploração comercial do serviço ferroviário”, disse Lobo do Nascimento, acrescentando que o Estado ficará com as infra-estruturas, cabendo às empresas a exploração comercial do serviço ferroviário nas suas diversas componentes.
De acordo com o estatal Jornal de Angola, Lobo do Nascimento anunciou na mesma ocasião a assinatura de um protocolo de parceria entre a Caminhos-de-Ferro de Luanda e o Centro Integrado de Formação Tecnológica (Cinfotec), no domínio da formação, consultoria e assistência técnica e realização de serviços e projectos técnicos conjuntos.

A parceria visa a qualificação tecnológica e oferecer aos quadros da Caminhos-de-Ferro de Luanda a possibilidade de actualização tecnológica, reforço e elevação da sua formação.
Angola dispõe de três grandes linhas de caminho-de-ferro – Luanda, Benguela e Namibe – a primeiro das quais, com 424 quilómetros, liga Luanda, a capital de Angola, a Malanje, capital da província com o mesmo nome.

O Caminho-de-Ferro de Benguela, com 1 344 quilómetros, liga o porto do Lobito, na costa atlântica, à povoação fronteiriça do Luau e o Caminho-de-Ferro do Namibe, com 756 quilómetros, faz a ligação entre a cidade de Namibe (antiga Moçâmedes) e Menongue (antiga Serpa Pinto).

(angolahub)


Jornalistas em Viagem de Comboio de Luanda para Malange

O comboio estava pronto para começar a sua viagem de Luanda para Malange, com passagem por Ndalatando. O movimento na estação ferroviária de Viana era intenso com a chegada de passageiros vindo do quilómetro 30 em direcção aos seus locais de trabalho no centro de Luanda.
Desde a entrada em funcionamento dos Caminhos-de-Ferro de Luanda, que os munícipes de Viana aproveitam este meio de transporte público para chegarem ao local de trabalho. O jovem Márcio da Silva disse à nossa reportagem que “este comboio está sempre cheio porque o bilhete é mais barato. Eu vou aguardar pelo próximo, que chega daqui a pouco e leva menos gente, por isso a viagem para Luanda é mais confortável”.
No meio daquela grande movimentação, estavam também jornalistas estrangeiros e nacionais para a viagem turística denominada “Press Tour 2012”, numa iniciativa do Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM).
O comboio partiu às 7h10 rumo a Ndalatando, capital da província do Kwanza-Norte. Em Catete, dezenas de crianças davam boas vindas aos viajantes. A primeira paragem foi na estação da Barraca. Os embondeiros enfileirados faziam parte de um cenário que só vemos em pinturas.
Em cada paragem os excursionistas aproveitavam tirar fotos para a recordação. Depois de passarmos pela estação de Luinha a paisagem era de extensas lavras de milho secas devido à falta de chuva. Na estação da Canhoca um dos integrantes da caravana lembrou-se do filme “O Comboio da Canhoca”, do realizador angolano Orlando Fortunato.
Depois de cinco horas de viagem o comboio apitava na estação de Ndalatando e dez minutos depois seguia rumo à cidade de Malange, seu destino final.
O Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM) organizou uma palestra em Ndalatando sob o tema “A juventude e a sua sexualidade”.

Januário Bernardo, psicólogo, disse que os pais e professores devem preocupar-se com está problemática, para que os jovens possam crescer com ideias salutares e engrandecer a sociedade.
“Precisamos de erguer o país com cidadãos de comportamentos normais e dignos de confiança”, destacou o psicólogo.

Pólo industrial do Lucala

Yang Tanli, jornalista da Televisão Central da China (CCCTV), apreciava o cacimbo que cobria o cume das montanhas do Kwanza-Norte, um cenário perfeito para uma fotografia. Depois de uma viagem de 38 quilómetros, chegámos ao município do Lucala.
A jornalista chinesa falava com as crianças que brincavam na linha-férrea. Ao aproximar-se da ponte do comboio, encontrou um conterrâneo seu. E depois informou a caravana: “fomos nós que construímos esta ponte”.

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Caminho de Ferro de Moçâmedes, do Mar ao Kuando-Kubango

O comboio experimental que parte na manhã de hoje da estação do município da Matala, localizado a 180 quilómetros a leste da cidade do Lubango, com paragens nas novas estações do Dongo, Vuvango e Cuchi, chega à capital do Kuando-Kubango, Menongue, por volta das 13h30.
O primeiro comboio, que faz um percurso aproximado de 560 quilómetros, transporta o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, o presidente do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Moçamedes, Daniel Quipaxe, quadros do ministério e convidados.
O Jornal de Angola constatou que as obras de construção e modernização do Caminho-de-Ferro de Moçamedes (CFM) estão em fase de conclusão, registando-se neste momento trabalhos de implantação da linha no troço da cidade do Lubango, nas novas infra-estruturas das estações e outras acções de acabamento.
Depois do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) e do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), outra importante alavanca para o desenvolvimento socioeconómico do país na região sul, notadamente o Caminho-de-Ferro de Moçamedes, regista agora acções de construção civil nas 56 estações projectadas ao longo da linha.
Destas estruturas, três são especiais, erguidas nas cidades do Namibe, Lubango e Menongue, enquanto outras seis são de primeira classe, 11 de segunda e 36 de terceira, com uma distância de 15 quilómetros. Os empreendimentos albergam serviços administrativos, salas de espera, bilheteiras, restaurantes, lojas, agências bancárias e outros serviços.
A empreitada a cargo de uma construtora chinesa e estruturada de acordo com os padrões internacionais, fica concluída até ao final do mês. Mas o histórico das acções de engenharia assinala que foi no município da Matala que começaram as obras em direcção a Menongue.
Também da Matala, a equipa de chineses e angolanos iniciou a remodelação de todo o sistema ferroviário, passando pelo Lubango e atingindo as terras da Welwitchia. Os problemas relacionados com as pessoas que ergueram casebres muito próximo da via-férrea, em Menongue, Matala, Quipungo e Lubango, foram ultrapassados.


Munhango Vai Ter Comboio

O comboio do Caminho-de-Fer­ro de Benguela vai apitar em Dezembro na comuna do Munhango,  província do Bié, afirmou sexta-feira o director nacional da companhia, Júlio Joaquim, durante uma visita que efectuou ao troço ferroviário Luau/Munhango, entre as províncias do Moxico e do Bié.
Júlio Joaquim esclareceu que o troço Kwanza/Munhango, numa extensão de 210 quilómetros, está pronto para receber a nova linha.
No troço Luena/Cangumbe, numa distância de 112 quilómetros, os trabalhos incidem no tratamento de plataformas, compactação, montagem e desmontagem de carris, bem como recolha dos antigos balastros para a sua reciclagem.
O responsável, que fazia o balanço da visita na comuna do Munhango, reiterou o anúncio da chegada do comboio ao Luau, no final de 2012. O director do Instituto Nacional de Desminagem (INAD), Leonardo Sapalo, afirmou que o troço ferroviário entre o Bié e o Luau está totalmente desminado e que as brigadas vão continuar a trabalhar para facilitar os trabalhos dos técnicos envolvidos na reabilitação da linha-férrea.
Para facilitar  o bom andamento dos trabalhos, a empresa encarregue da reposição da linha-férrea montou, recentemente, uma fábrica na periferia da cidade do Luena, com capacidade para produzir 50 mil varões por mês.

Lino Vieira/Jornal de Angola