Construção de um Hospital Geral em Cabinda

 


O projecto de construção de um hospital geral, com a capacidade para 350 camas, vai ser executado, nos próximos dias, na localidade de Buco Ngoyo, em Cabinda, no âmbito do programa de edificação de unidades sanitárias de grande dimensão”, que o Ministério da Saúde leva a cabo em algumas regiões do país, anunciou o secretário provincial da Saúde.
Carlos Zeca referiu que o objectivo que leva o ministério de tutela a executar o projecto em Cabinda, depois de fazer o lançamento da primeira pedra de um empreendimento idêntico na província de Benguela, é reduzir o fluxo de pacientes à maior unidade sanitária da província, que já não responde à crescente procura, tendo em conta o êxodo populacional.
Médico obstetra, Carlos Zeca salientou que o projecto prevê uma área para os serviços de psiquiatria, por se notar, nos últimos tempos, um crescimento de casos de perturbação mental na província de Cabinda. Anunciou também a construção, para breve, de uma unidade sanitária ligada especificamente à hemodiálise, na zona adjacente ao Hospital 28 de Agosto.
A sua edificação tem como finalidade pôr fim às constantes deslocações de pacientes que sofrem de insuficiência renal ao exterior do país ou mesmo a Luanda, causando enormes gastos financeiros ao governo da província de Cabinda. O responsável provincial da Saúde, que não avançou o custo dos dois projectos em perspectiva nem tão pouco a data do início das obras, assegurou apenas que está concluído o estudo preliminar da proposta de construção do hospital geral, já encaminhado à Direcção Nacional da Saúde para apreciação, e que, posteriormente, será feito o lançamento da primeira pedra.
O secretário provincial da Saúde de Cabinda revelou que o projecto de construção da unidade sanitária ligada à hemodiálise também já foi encaminhado para o gabinete jurídico do governo, para efeitos de assinatura de acordos de adjudicação. Cabinda, de acordo com Carlos Zeca, dispõe de 78 hospitais, entre centros e postos de saúde, distribuídos nos quatro municípios da região.
“No município sede da província de Cabinda encontra-se a maior parte dos hospitais, sendo três de referência municipal e um provincial, além de um número considerável de centros e postos médicos”, disse o secretário provincial da Saúde.

Jornal de Angola/Leonor Mabiala


Crescimento Desordenado da Cidade de Cabinda

O administrador de Cabinda garantiu, na quinta-feira, ao Jornal de Angola, que vão continuar as demolições de construções feitas nas vias de acesso e nas reservas do Estado destinadas a novas centralidades e a outros fins sociais.
“Os munícipes nem sempre respeitam os traçados estabelecidos pelas autoridades tradicionais, que, durante muito tempo, foram responsáveis pela distribuição e venda de terrenos para a construção de casas”, afirmou.
Francisco Tando referiu que “o crescimento veloz da cidade de Cabinda não foi devidamente acompanhado pela fiscalização”, razão por que foi difícil evitar as construções anárquicas e “outras situações menos boas”. “O êxodo rural é o principal causador de situações que se registam na cidade e nos bairros periféricos”, declarou.


Cabinda e as Suas Praias

 

Cabinda é a província de Angola situada mais a norte. É um enclave limitado a norte pela República do Congo, a este pela República Democrática do Congo e a oeste pelo Oceano Atlântico. A província tem quatro municípios, Belize, Buco Zau, Cabinda e Lândanna, distribuídos numa extensão territorial de 7.270 km² e interligados por uma estrada nacional. A capital da província, Cabinda, foi elevada à condição de cidade em 28 de Maio de 1956. O clima é tropical húmido e a temperatura média anual é de 25ºC. Os habitantes e os turistas têm a possibilidade de frequentar as praias aprazíveis do 1º de Maio, Cabassango, Futila, Malembo e Mandarin. A província é rica em petróleo (maior fonte de riqueza natural do país), cuja exploração emprega grande parte da população, havendo ainda a destacar, como recursos renováveis, a agricultura, a pesca e a madeira.


Em Cabinda Recuperação da Fazenda de Sítulo

O governador provincial de Cabinda, Mawete João Baptista, defendeu a recuperação da fazenda cafeícola de Sítulo, a maior da região, com mil e 500 hectares, abandonada desde Novembro de 1975, devido ao conflito armado.
Mawete Baptista falava, no fim-de-semana, durante uma jornada de campo ao município de Buco Zau, que serviu para se inteirar das obras de construção das 150 casas, visando o repovoamento das aldeias de Cata Buanga e Lete.
Localizada na aldeia do Lite, a fazenda de Sítulo atingiu a produção de 206 toneladas de café Mabuba, em 1975, ano em que paralisou.
Outrora pertencente à Companhia de Cabinda, a fazenda empregou trabalhadores de Portugal, Cabo Verde, S.Tomé e Príncipe, da República Centro Africana, do Congo Brazaville e Democrático, além de angolanos.

O governador advoga a necessidade da recuperação da fazenda cafeícola de Sítulo e de outras localizadas na província para a criação de mais postos de trabalho e combate à fome e à pobreza.

Exortou às empresas concessionárias de petróleo e ouro a investir em obras sociais, cumprindo o seu objecto social.

Angop

Café Mabuba

O Instituto Nacional do Café em Cabinda vai comprar aos cafeicultores locais 115 toneladas de café mabuba, contra as 33 toneladas adquiridas no ano passado, revelou ontem nesta cidade, o chefe de departamento em exercício, José Alexandre Zau.
José Zau, que falava quarta-feira ao Jornal de Angola, referiu que neste momento, a instituição está a fazer o levantamento em todos os municípios da província, com vista a determinar as quantidades em posse dos cafeicultores para venda.

O responsável salientou que, até ao momento, o Instituto já catalogou cerca de 25 toneladas de café mabuba, quantidade que pode aumentar nos próximos dias, a julgar pelo número de cafeicultores existentes na região.
Para José Zau, a actividade cafeícola decresceu consideravelmente nos últimos anos, em relação ao período colonial, devido à perda do hábito que se vai assistindo desta cultura por parte de muitos cafeicultores. A actividade cafeícola decresceu igualmente em virtude da inexistência de um sistema de comercialização eficiente, que permita retirar o produto no seio da população, logo que as condições de compra estejam criadas.
“Este factor tem desencorajado os camponeses, obrigando muitos a dedicarem-se a outras culturas, como mandioca, banana, batata e feijão, produtos de fácil rendimento”, referiu.
“A falta de incentivos financeiros e materiais para os produtores suportarem alguns encargos inerentes aos custos de produção, como a compra de adubos, fertilizantes, bem como para os trabalhos de limpeza do cafezal”, foram também apontados por aquele responsável como factores que contribuem para os baixos níveis de produção. Para o chefe de departamento em exercício do Instituto Nacional do Café, urge redinamizar o sector cafeícola, que já existe há 50 anos.
Para José Zau, as pessoas que exercem essa actividade já se encontram velhas e sem força suficiente para continuar a praticar a cultura agrícola.
Assim, advoga a entrada de uma força de trabalho jovem, com vista a redinamizar a produção.

Projectos

O responsável do sector do café na província anunciou estar na forja o projecto de plantação de viveiros, no sentido de possibilitar a multiplicação de plantas de café, do cacau e do palmar, com vista à renovação das respectivas culturas.
Com a aplicação desse programa, assegurou a fonte, o Executivo, através do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural e do Instituto Nacional do Café, a nível local, podem reactivar muitas fazendas que apresentam um quadro de falência, quer as do sector empresarial quanto as do domínio familiar. No decurso dos anos da independência, as grandes fazendas infelizmente foram entregues a pessoas singulares, sem capacidade financeira, para suportar os encargos inerentes à produção do café
Como consequência, reforçou o responsável, as plantações desapareceram e restando somente os terreno e nada mais.
José Zau revelou que a sua instituição tudo está a fazer para que o programa de micro-créditos que o Executivo está a aplicar a nível do sector da Agricultura, possa igualmente beneficiar os cafeicultores cabindenses.
A instituição controla 451 empresas agrícolas familiares na área do café, que ocupam uma extensão de 2.362 hectares.
O sector controla ainda 17 empresas do sector de cacau, que abarca uma zona de 16 hectares e 849 empresas no ramo de palmar, que ocupam 1.406 hectares.
A comuna de Tando-Zinze, referiu o responsável, é a maior produtora de café a nível da província de Cabinda.

André Guto/Jornal de Angola