Prejuízos Acumulados Pela Sonangol São Superiores ao Lucro do Exercício de 2017

A petrolífera estatal Sonangol não vai distribuir os dividendos do exercício de 2017 devido aos prejuízos acumulados de anos anteriores, que ascendiam, no final do ano passado, a mais de 2.100 milhões de euros.

Segundo o Relatório e Contas da empresa a que a Lusa teve hoje acesso, referente a 2017 – só validado este mês pelo acionista Estado -, no último ano da gestão de Isabel dos Santos na petrolífera, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol)registou um resultado operacional positivo de 197.538 milhões de kwanzas (1.060 milhões de euros, à taxa de câmbio de 31 de Dezembro de 2017).

Contudo, lê-se igualmente no documento, a Sonangol, ao abrigo Lei das Sociedades Comerciais, “não poderá efectuar a distribuição dos resultados, até à cobertura integral dos prejuízos acumulados dos exercícios anteriores”.

Esses prejuízos acumulados ascendiam, no final do ano passado, segundo o documento, a 398.178 milhões de kwanzas (2.160 milhões de euros, à taxa de câmbio de 31 de Dezembro de 2017).


Até Final do Ano a Sonangol Precisa de Mais de 1.500 Milhões de Dólares

A Sonangol precisa de endividar-se em 3.600 milhões de dólares até 2020, dos quais 1.500 milhões de dólares já até Dezembro, segundo dados divulgados hoje petrolífera estatal angolana.

De acordo com uma apresentação disponibilizada hoje, com o balanço de actividades e perspectivas da petrolífera, este montante visa garantir as operações da Sonangol em curso e novos investimentos na área da produção de petróleo e derivados.

Destas necessidades de financiamento, 1.000 milhões de dólares terão de ser garantidos até Junho de 2019 e 1.100 milhões de dólares até 2020, elevando o pico do custo do serviço da dívida da Sonangol (incluindo este novo endividamento a realizar a três anos) a 1.947 milhões de dólares em 2020.

Actualmente, a dívida total da Sonangol, segundo o mesmo documento, ronda os 3.745 milhões de dólares, 

depois de ter atingido um pico de 9.909 milhões de dólares em 2016, ano em que Isabel dos Santos assumiu o cargo de presidente do conselho de administração, nomeada para a petrolífera pelo pai e na altura chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.

Para este ano, a administração liderada desde Novembro de 2017 por Carlos Saturnino aponta para um serviço da dívida que vai custar 1.510 milhões de dólares à petrolífera estatal angolana, que sobe para 1.827 milhões de dólares em 2019.


Levando na Bagagem Dívida de Quase 1.000 Milhões de Dólares Comitiva da Sonangol Está na Coreia do Sul

O administrador executivo da Sonangol, Rosário Isaac, e outros membros da direcção da petrolífera nacional visitaram, na semana passada, um dos estaleiros da empresa sul-coreana Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME), a quem a companhia estatal deve quase 1.000 milhões de dólares, referente à aquisição de dois navios-sonda, avança o Novo Jornal Online.

A presença da comitiva angolana na Coreia do Sul é apontada, na imprensa local, como um sinal de que a DSME poderá recuperar, em breve, o valor devido pela Sonangol.

Segundo o site Pulse News, que cita fontes do sector, a delegação angolana esteve no estaleiro Geoje da DSME, naquela que foi a primeira visita de uma equipa directiva da Sonangol à construtora sul-coreana desde que Carlos Saturnino assumiu a presidência do conselho de administração da Sonangol, em Novembro de 2017.

Recorde-se que, no passado mês de Maio, a petrolífera angolana renovou as garantias de que vai honrar os compromissos referentes à aquisição definitiva de dois navios-sonda construídos pelos sul-coreanos da DSME, com um valor estimado em 1,24 mil milhões de dólares.

Em 2016, aquando de uma visita do Presidente da DSME a Luanda, a Sonangol tinha estabelecido um calendário para o pagamento da dívida, que consistia no avanço de 800 milhões USD no momento da entrega dos equipamentos e os restantes – cerca de 400 milhões – a ser liquidado em acções.


Programa de Reestruturação da Sonangol E.P. Aprovado Pelo Presidente João Lourenço

O Presidente de Angola, João Lourenço, aprovou o Programa de Reestruturação da Sonangol E.P, no quadro do ajustamento da organização do sector dos petróleos.

A medida tem como finalidade encontrar soluções capazes de contribuírem para a sustentabilidade e crescimento da indústria petrolífera em Angola, segundo uma nota de imprensa da Casa Civil  do Presidente da República, divulgada nesta quarta-feira (26).

O referido programa tem como objectivo tornar a Sonangol E.P. mais competitiva e rentável, com foco na cadeia primária de valor, observando padrões internacionais de qualidade, saúde, segurança e meio ambiente.

Contribuir para a melhoria do desempenho do sector petrolífero em Angola, impulsionar e intensificar a atividade para substituição de reservas e aumento da produção de hidrocarbonetos, a médio e longo prazo, assim como promover a prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de gás natural, para garantir a disponibilidade para utilização interna e exportação, constam ainda dos objectivos.


Em 10 Anos a Petrolífera Estatal Sonangol Endividou-se no Mercado Internacional em31.000 Milhões de Dólares

A petrolífera estatal angolana Sonangol endividou-se no mercado internacional, nos últimos 10 anos, em 31.000 milhões de dólares (26.400 milhões de dólares), mas terminou 2017 com uma dívida de 4.900 milhões de dólares (4.180 milhões de euros).

A informação consta de um documento do Governo angolano disponibilizado este mês aos investidores, ao qual a Lusa teve acesso, referindo que esses empréstimos foram obtidos pela Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) através de sindicatos bancários.

Entre os bancos que têm apoiado o financiamento do grupo petrolífero estatal angolano encontram-se o Credit Agricole Corporate and Investment Bank, o Standard Chartered Bank, o China Development Bank, o Industrial and Commercial Bank of China e o BNP Paribas, de acordo com a mesma documentação.

A informação aos investidores refere igualmente que a Sonangol contava em 31 de dezembro de 2016 com uma dívida externa de 9.900 milhões de dólares (8.450 milhões de euros), valor que um ano depois desceu para 4.900 milhões de dólares (4.180 milhões de euros).