Governo Admite Que 46% da População de Angola Não Tem Registo de Nascimento

O Governo angolano admite hoje que 46% da população de Angola ainda não tem registo de nascimento, admitindo dificuldades também na emissão de bilhetes de identidade e de cédulas.

A informação foi avançada pela diretora nacional do Arquivo e Identificação Criminal e Civil do Ministério da Justiça e Direitos Humanos de Angola, Felismina Manuel, que salientou que as províncias com mais documentos de identificação são as de Luanda, onde se situa a capital, Benguela, Huíla, Uíje e Cabinda.

“Vou dar aqui a mão à palmatória, temos dificuldades sim. A nossa base de dados tem nove milhões de bilhetes de identidade”, disse Felismina Manuel, citada pela rádio pública angolana.

Segundo dados do último censo geral da população, de 2014, cerca de 54% dos angolanos tem registo civil, o que corresponde a 13,7 milhões de habitantes, dos quais cerca de 11 milhões se encontram na área urbana e os restantes em zonas rurais.


O Novo Ano na Huíla Começa com Aumento do Pão

Famílias dizem que 2019 começa mal mas panificadores defendem decisão

A Associação dos Panificadores, Pasteleiros e Similares da província angolana da Huíla anunciou o aumento, a partir de 1 de Janeiro de 2019, do preço do pão depois de conversações com as autoridades locais.

Teresa Oliveira, daquela associação, admitiu que a medida vai ter numa primeira fase um impacto negativo na vida do cidadão, mas revelou, por outro, que os custos de produção do pão deixaram a agremiação sem alternativas.

“Não tínhamos alternativas, se não acabaríamos por fechar, despedir pessoas e nós também dependemos dos cambiais porque está tudo”, justificou Oliveira.

Algumas famílias já se fizeram ouvir e não têm dúvidas que o anúncio da subida do preço do pão é a pior notícia no começo do novo ano.


Mulheres Angolanas Protestam Contra Violência Doméstica “Parem de nos Matar”

Foto Portal de Angola

Angolanas e angolanos protestam nas redes sociais contra violência doméstica, raptos e assassinatos de mulheres. E usam um slogan: “parem de nos matar”.

A campanha “Parem de nos matar” surge na sequência do assassinato de uma advogada angolana, que foi encontrada pela polícia numa fossa depois de ter sido dada como desaparecida. O marido já confessou o crime.

Muitas mulheres angolanas têm recorrido às redes sociais, como o Facebook, para deixar mensagens de repúdio a este e outros casos.

Nas mensagens escrevem a frase “parem de nos matar”, à semelhança das palavras de ordem em protestos na América Latina contra os feminicídios, ou colocam apenas fotografias negras, em sinal de luto.

“Nos últimos tempos, têm sido constantes os ataques, raptos e sequestros e assassinatos de mulheres. Quando falamos ‘parem de nos matar’, é no seu todo.

Vimos o caso do padrasto que violentou uma menina de quatro anos”, afirma Lurdes Lameira.

Lameira também já foi vítima de violência no lar. “Eu abandonei tudo. Saí apenas com a minha roupa, umas quatro peças, e os meus filhos e nunca mais voltei, porque havia uma ameaça de morte”, conta em entrevista à DW África.


Mais de Cinco Mil Ex-Trabalhadores da EndiamaEP Reclamam o Pagamento dos Subsídios desde 1998,

Foto O PAÍS

Depois de longos anos de negociação com a entidade empregadora, e sem nenhuma solução à vista, estes querem a intervenção do Presidente da República, João Lourenço

Texto: Ireneu Mujoco, Enviado a Cafunfu (Lunda Norte

Mais de cinco mil ex-trabalhadores da EndiamaEP, na LundaNorte, reclamam o pagamento do seus subsídios desde 1998, altura em que foram suspensos pela entidade empregadora sem qualquer explicação.

O grito de socorro foi lançado no Sábado, 8, durante um encontro com deputados da Assembleia Nacional, decorrido na Casa do Pessoal da Endiama, em Cafunfu, município do Cuango. Segundo o porta-voz deste grupo de trabalhadores da Endiama-EP, nos Projectos RST Odebrecht do Cuango, Manuel Bondo, depois que esgotarem as negociações com a entidade empregadora, o único recurso é a intervenção do Presidente da República, João Lourenço.

No encontro com os deputados da Bancada Parlamentar da UNITA, Joaquim Nafoya, Domingos de Oliveira, e do assessor técnico Figueiredo Mateus, os trabalhadores acusam a direcção da Endiama-EP de “fazer pouco ou nada a seu favor”. Maioritariamente já velhos e vergados fisicamente pelo tempo, alegam que tudo começou no ano de 1992, altura em que eclodiu a guerra pós-eleitoral e a empresa teve alguma paralisação, mas sem, entretanto, rescindir contrato com esses trabalhadores. Aliás, esta empresa abandonou-os em 1998 sem qualquer justificação plausível, deixandoos à sua sorte, dizem. Inconformados com a entidade empregadora, intentaram uma acção judicial contra a em
presa no Tribunal Provincial de Luanda(TPL) e ganharam a causa.


Faleceu Alberto da Silva “Pepino” um Homem “Extraordinário” Pela Sua Persistência e Superação.

Em declarações à Angop pelo passamento físico do veterano ciclista, sábado último, Dom Óscar Braga, disse que Benguela e o país perdem um grande patriota que desde cedo tornou-se num homem extraordinário, o que ele sempre quis ser. 

“ Conheci o Pepino em 1975 quando chegava a Benguela como Bispo da Diocese e lembro-me a primeira aventura de bicicleta de Pepino a província do Huambo e mais tarde para Luanda, que desde a data mantiveram um laço de amizade, até a sua partida para outra vida”, recordou.

Fez saber ainda que durante estes anos, a convivência entre os dois era irreversível, lembrando que quando Pepino entendeu formar a sua família, foi Dom Óscar que realizou o seu casamento religioso. 

Defendeu ser necessário que a família preserve bem o legado por ele deixado e que a sociedade, sobretudo a juventude saiba trilhar o exemplo desta lenda que apesar da idade levou ao mais alto nível o nome de Angola, além fronteiras, através do que ele sempre gostou de fazer em prol da pátria e das pessoas carenciadas.

O Bispo emérito referiu, por outro lado, que Pepino não se destacou apenas no ciclismo, sempre foi um homem trabalhador, marceneiro de profissão que com sua arte fez várias coisas para ajudar o país desde os tempos mais difíceis.