175 Mil Pessoas Afectadas Pela Seca Severa a Huíla Precisa de Três Mil Toneladas de Bens Diversos

O Governo da província da Huíla precisa de três mil toneladas de bens diversos para assistir 175 mil pessoas afectadas pela seca severa ,que assola a região, revelou hoje no Lubango, a directora do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas

Mariana Soma revelou estes dados à margem da cerimónia de entrega de alimentos por parte do Conselho Nacional de Protecção Civil ao Governo da Huíla, para às vítimas da seca. Segundo a responsável o número de vítimas da seca está a aumentar significativamente.

De acordo com Mariana Soma, os municípios dos Gambos, Chibia, Matala, Humpata Jamba, Quilengues, Lubango e Cacula estão em situação crítica. “Por falta de água as populações estão em estado de vulnerabilidade extrema, não conseguiram produzir alimentos suficientes e os animais estão sem pastos”, alertou, para acrescentar: “Cada vez mais temos populações, em diferentes localidades, em situação muito crítica.

Na Humpata, por exemplo, tínhamos apenas a batata mas agora há falta de alimentos e água para os humanos e pasto para os animais”.


No Corno de África 15 Milhões de Pessoas Correm Perigo de Vida Devido à Seca

As vidas de mais de 15 milhões de pessoas estão em perigo devido à seca em várias regiões do Quénia, Etiópia e Somália (Corno de África), alertou a organização humanitária Oxfam.

“A contínua escassez de chuvas estragou as plantações e, com elas, os meios de subsistência de muitas pessoas, o que deixou 7,6 milhões de pessoas em risco de fome extrema em três países [Quénia, Etiópia, e Somália]. Devido a secas e conflitos, milhões de pessoas na região foram forçadas a fugir das suas casas”, refere a Oxfam num comunicado hoje divulgado.

No mesmo documento, a Oxfam apela aos Governos que apoiem a resposta humanitária, que actualmente tem apenas um terço dos recursos de que necessita, impossibilitando a assistência a todas as pessoas afectadas.

“As lições aprendidas com a fome que devastou a região em 2011, que vitimou mais de 260.000 pessoas, ajudaram a evitar outra [crise] em 2017, quando o financiamento em larga escala foi rapidamente fornecido para garantir uma resposta humanitária eficaz”, acrescenta a organização.

A Oxfam salienta que os milhões de pessoas que ainda estão a recuperar dos efeitos da seca de 2017 encontram-se agora numa situação de grande vulnerabilidade aos efeitos da actual seca.

Refere, no entanto, que há dois anos, na mesma época, a resposta humanitária já tinha três quartos do financiamento necessário.


No Cunene Mais de 12 Mil Cabeças de Gado Mortas Pela Seca

Como resultado da falta de chuva, um problema recorrente no Sul de Angola, o Cunene está a viver uma situação de “seca severa “, com impactos negativos directos na vida das pessoas e animais, bem como na produção agrícola, cuja campanha deste ano está comprometida, avança a Angop.

Por causa deste fenómeno sazonal, 171 mil 488 famílias encontram-se actualmente afligidas no Cunene, desde Outubro de 2018, representando 79,1 porcento da população total da província, estimada em um milhão, 157 mil e 491 habitantes, vivendo a maioria no meio rural.

Deste número, 54 mil e 152 famílias pertencem ao município da Cahama, 13.105 ao Cuanhama, 10.735 ao Curoca, 7.686 ao Cuvelai, 22.998 ao Namacunde, 57.039 ao Ombadja, num total de 857 mil e 443 pessoas de 436 localidades a padecerem de fome e sede.

Os últimos dados do Governo Provincial do Cunene (GPC) indicam a existência de 299 mil e 623 pessoas a sofrerem de fome e sede na Cahama (municipalidade mais visada), 65.526 no Cuanhama, 53.677 no Curoca, 38.432 no Cuvelai, 114.991 em Namacunde e 285.194 na Ombadja.

Em consequência da seca que assola a província há sete meses, 276 escolas dos diversos níveis de ensino encontram-se afectadas no Cunene, nove das quais encerradas, prejudicando 54 mil e 500 alunos (de 436 localidades), que acompanham e ou ajudam os pais na pastorícia.


Falta de Verbas Condicionam Projectos Para Combater a Seca e a Desertificação em Angola

Os projectos que reforçam a redução de situações vulneráveis da seca e a desertificação em Angola estão condicionados pela falta de verbas, afirmou o chefe do Departamento de Seca e Desertificação do Gabinete de Alterações Climáticas do Ministério do Ambiente, Luís Constantino.

Em declarações, ontem, Domingo, à Angop, pelo Dia Mundial da Seca e Desertificação, o responsável disse que têm o apoio assente no Fundo de Gestão do Ambiente (GEF), virado para a questão da degradação de terras, e que os efeitos da seca e desertificação ainda são visíveis no país. Referiu que a falta de financiamento tem estado a dificultar o planeiamento adequado e acelerado de mais projectos que podem reduzir os danos materiais e humanos resultantes de desastres naturais.

Acrescentou que o projecto de Reabilitação de Terras e Gestão das áreas de Pastagem nos sistemas de produção agro-pastoris dos pequenos produtores no Sudoeste de Angola (RETESA), que teve início em 2014 e teve a duração de quatro anos, abrangendo áreas do Namibe, Huíla e Benguela, terminou em Abril do corrente ano. Luiz Constantino destacou igualmente o projecto denominado Integração da Resiliência Climática nos Sistemas de Produção Agrícola e Pastoril, que decorre desde 2016, através da gestão de fertilidade de solos das áreas vulneráveis, usando a abordagem das escolas de campo (IRCEA).


Para Combater a Seca nas Províncias da Huíla, Namibe e Cunene a UE Disponibiliza 65 Milhões de Euros

A União Europeia vai disponibilizar, nas próximas quatro semanas, 65 millhões Euros para implementação de um programa de resiliência à seca nas três províncias do sul do país (Huíla, Namibe e Cunene), informou hoje, no Lubango, o seu embaixador em Angola, Tomás Ulicny.

O embaixador, que falava no final de uma reunião com a sociedade civil da cidade do Lubango, afirmou que o programa, com uma duração de três anos, foi concebido pelo Ministério do Planeamento e Desenvolvimento e vai ser implementado por uma organização não-governamental portuguesa e também pelo Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, com auxílio dos respectivos governos provinciais.