Vendedores de Peixe na Praia da Mabunda é um Atentado à Saúde Pública em Luanda

Uma das principais preocupações no Distrito Urbano da Samba, em Luanda, é o lixo produzido pelos vendedores de peixe na praia da Mabunda, apontada como um dos exemplos mais bem acabados de atentado à saúde pública na capital do país.

“Aqui chegam pessoas de quase toda a parte, mas a higiene é a nossa grande preocupação”, diz ao NJOnline Domingas Santas, vendedora de peixe há 13 anos.

“Como vê, aqui o peixe é vendido entre amontoados de lixo”, aponta a vendedora, lamentando que “o que mais interessa para muitos neste mercado é obter lucro”, sem qualquer respeito pelas normas de higene.

A falta de hábitos de limpeza na praia da Mabunda, um dos pontos de comércio mais importantes de Luanda, onde se negoceia o peixe que diariamente abastece os consumidores, é também motivo de inquietação para quem vive ali perto.

“Uma praia dessa, com um movimento de grande envergadura, deveria ser bem limpa e cuidada”, conta à nossa reportagem Sebastião Neto, que mora a menos de 300 metros do local.


Lista de Espera Com Mais de 900 Angolanos Para Tratamento Médico no Exterior

O presidente de direcção da Junta Nacional de Saúde, órgão do Ministério da Saúde vocacionado para o envio de pacientes para o exterior do país, adiantou que há mais de 900 pacientes angolanos em lista de espera para receber tratamentos fora de Angola, número que tende a aumentar.

Em declarações aos aos jornalistas no final da visita que os deputados da 6.ª comissão de trabalhos da Assembleia Nacional realizaram às instalações da Junta, em Luanda, esta terça-feira, 3, Augusto Lourenço defendeu que é preciso reforçar os orçamentos dos hospitais, “para que deixe de haver necessidade de se mandar pacientes para a Junta”.

O responsável lembra que o investimento nos serviços de saúde nacionais já deu frutos no tratamento da insuficiência renal, que deixou de ser motivo para tratamentos no exterior.

“Essa situação foi ultrapassada com a criação de centros de hemodiálise aqui no país, a referência feita aos doentes renais em Portugal é em relação aos doentes mais antigos que foram evacuados para lá numa altura em que o país não tinha ainda esse procedimento”, esclareceu, recomendando o reforço dos meios nas áreas de ortopedia, oncologia, cirurgia cardiotorácica e oftalmologia.

O repto do presidente de direcção da Junta Nacional de Saúde foi ouvido pelos parlamentares.


Estado Angolano Com Dificuldades Para Pagar Dívidas à África do Sul e a Portugal

O Estado angolano deve cerca de cinco milhões de euros a Portugal e mais de 20 milhões de rands à África do Sul, resultantes da assistência médica de pacientes angolanos evacuados para estes dois países

Os dados foram avançados à imprensa pelo director da Junta Nacional de Saúde, Augusto Lourenço, no final de uma visita de constatação efectuada àquela instituição pelos deputados da 6ª Comissão da Assembleia Nacional. Durante o encontro, os parlamentares foram informados acerca das inúmeras dificuldades, principalmente financeiras, que a Junta Nacional da Saúde atravessa.

Augusto Lourenço, que reclamou do modesto montante orçamental que tem sido disponibilizada à Junta, revelou que a dívida que o Estado angolano contraiu no âmbito da assistência médica de pacientes evacuados para a África do Sul ronda os cerca de 20 milhões de rands. Quanto à Portugal, o país deve 5 milhões de euros. O responsável explicou que a referida dívida tem sido contraída ao longo da existência da Junta. Sublinhou que tem sido difícil suprir na totalidade a dívida em causa, justificando que muitas vezes o Estado angolano tenta amortizá-la, porém volta a subir depois de algum tempo, pelo facto de nunca se ter conseguido alcançar um equilíbrio entre o que é gasto e o que é pago.


Ministério da Saúde Angolano Aprova Admissão de 5.085 Novos Profissionais

O Ministério da Saúde de Angola aprovou a admissão de 5.085 novos profissionais, entre os quais 2.475 médicos, 1.310 enfermeiros, 800 técnicos de diagnóstico e terapeutas e 500 profissionais de apoio hospitalar, cujo concurso público arranca este mês.

De acordo com uma nota de imprensa a que a Lusa teve hoje acesso, a proposta de distribuição de profissionais a serem admitidos no âmbito do reforço do Orçamento Geral do Estado de 2018, foi discutida numa recente reunião orientada pela ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta.

Segundo o documento do Ministério da Saúde, a província de Luanda vai absorver o maior número de profissionais a serem admitidos, um total de 1.047, entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e de apoio hospitalar, seguido da província da Huíla, com 489 profissionais.

A admissão de novos médicos, observa o Ministério da Saúde, “irá contribuir para regularização dos problemas da carreira e a elevação do rácio angolano de um médico para 4.000 habitantes”.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um médico para cada 1.000 habitantes o que obrigará a formação contínua de novos médicos”, acrescenta o departamento ministerial.


Apesar das Carências no Sector da Saúde Angola Tem 1.500 Médicos Actualmente Desempregados

O Governo angolano prevê substituir médicos expatriados em serviço nos hospitais públicos por clínicos nacionais, tendo em conta os 1.500 profissionais que estão atualmente desempregados, apesar das carências do país no setor.

A posição foi transmitida pelo secretário de Estado da Saúde, Atílio Matias, à margem do congresso do Sindicato Nacional dos Médicos, que arrancou no sábado, em Luanda, reconhecendo que, “entre uns mais antigos e outros mais novos”, o país tem hoje médicos no desemprego, apesar do custo da formação para o Estado.