Aumento do Salário Mínimo e dos Funcionários Públicos Defendido Pelos Sindicatos Angolanos

O secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos – Confederação Sindical (UNTA-CS), Manuel Viage, defendeu o ajustamento do salário mínimo nacional acima da taxa de inflação, algo que espera ver concretizado até Abril.


Salário do Trabalhador Angolano Perdeu Metade do Seu Valor Real

kwanza_2Dizem os entendidos que os economistas quase sempre erram feio nos prognósticos. Outros dizem que as previsões destes pecam por disgnosia.

Não somos apologistas destas teorias. Mas, diante de alguns fenómenos económicos, temos de nos vergar. Os últimos desenvolvimentos da nossa economia obrigam-nos a isso. Todas as previsões mostram que algumas destas previsões falharam.

E mais triste do que isso é constatar que exímios conhecedores sobre a matéria, aqui na banda, insistem constantemente no erro. Fazem previsões optimistas, dizem que a nova pauta aduaneira vai incentivar a produção nacional, desestimulando a importação dos produzidos no País. Prevê-se um aumento exponencial da produção mercantil.


Aumento de Salários em Angola

O Conselho de Ministros angolano apreciou, quarta-feira, um conjunto de Decretos Presidenciais sobre o ajustamento de salários, tendo aprovado o aumento do salário mínimo nacional em 15%.
O governo decidiu também proceder a aumentos na Função Pública com base no princípio da “diferenciação positiva”, segundo o qual, beneficiam de aumentos mais elevados os salários mais baixos, informou a Angop.


Assim, a partir do mês de Julho, serão objecto de aumento em 40% os salários dos auxiliares, operários, escriturários, dactilógrafos e aspirantes da carreira administrativa e em 20% os salários das categorias do grupo de pessoal técnicos médios.

De acordo com o comunicado da reunião que decorreu sob a orientação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, serão igualmente ajustados em 5% os salários de todos os funcionários e agentes administrativos.

Neste quadro, foram também aumentadas as pensões atribuídas em regime especial aos antigos combatentes, bem como aos deficientes de guerra e familiares de combatentes tombados ou perecidos.


Trabalhadores da Coca-Cola Reivindicam Aumento Salarial

Jornal de Angola-Os trabalhadores da fábrica de refrigerantes Coca-Cola “Sefa Huambo”, localizada na zona industrial da Cuca, paralisaram quinta-feira as suas actividades para reivindicar aumento salarial, por considerarem ultrapassados os actuais ordenados que auferem.
O descontentamento na fábrica de refrigerantes generalizou-se quando a directora da empresa, Eva Chaves, negou renegociar o actual salário mínimo (14 mil kwanzas) que a maioria dos operários recebe no final de cada mês e optou por suspender os primeiros três trabalhadores que tomaram a iniciativa de diálogo com a direcção.
O chefe do sindicato da empresa, Lucas Daniel, disse que os trabalhadores estão descontentes com o baixo salário que recebem, tendo em conta a dimensão e o volume de produção da empresa e a direcção nunca está disponível para negociar e sempre que tomam a iniciativa são intimidados.
“Nós trabalhamos de segunda a sábado, muitas vezes até aos domingos e o que queremos é só o aumento salarial. Nós não decretamos greve, conforme se quer dar a entender”, disse.
O sindicalista disse que a directora da empresa proibiu-lhes, quinta-feira, de trabalhar, mandou desligar as máquinas, depois de estas terem já arrancado.
“De manhã cedo, ligamos as máquinas para começar o trabalho, a directora quando chegou mandou desligá-las sem dar explicações. Para nós a atitude dela foi uma falta de consideração e respeito”, desabafou.
Há dois anos que os trabalhadores da Coca-Cola reclamam pelo aumento do salário. Mas os trabalhadores insistem dizendo que não estão em greve e garantiram que não pretendem realizar manifestação. O que querem é ter da direcção a certeza do aumento dos seus salários ou pelo menos uma abertura para o diálogo.
José Mbandwa, outro trabalhador da empresa, disse que não tem sido fácil lidar com a direcção, sobretudo na hora de tratar questões relacionados com o salário.
A reportagem do Jornal de Angola procurou saber a posição da direcção da empresa, na pessoa de Eva Chaves, que simplesmente disse que não tinha nenhuma informação a dar.
Caso não seja solucionado o problema, as províncias do Huambo, Bié e Kuando-Kubango correm o risco de ficar sem o produto, nos próximos tempos.
A Sefa do Huambo funciona com mais de cem trabalhadores e a partir de Dezembro pretende colocar em funcionamento a nova linha de enchimento, que permitirá o lançamento, para o mercado, da marca Sprite.


Trabalhadores da Soares da Costa em Greve


Trabalhadores Angolanos da construtora portuguesa Soares da Costa paralisaram hoje em protesto contra os baixos salários praticados pela empresa e más condições de trabalho, noticiou a Rádio Eclesia.

A greve está a ser seguida por mais de 100 trabalhadores, que reivindicam aumentos salariais e melhorias das condições de trabalho. Um dos funcionários em greve, não identificado, citado pela Eclesia, disse que a paralisação dos trabalhos vai continuar até serem satisfeitas as exigências.

Contactado pela Agência Lusa, o secretário executivo da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), Francisco Jacinto, disse que a greve dos trabalhadores da Soares da Costa “tem razão de ser”. Francisco Jacinto lamentou o facto de algumas empresas estrangeiras a operar em Angola “descuidarem as condições de vida humana”.

“Não é só a Soares da Costa, são na sua generalidade quase todas as empresas estrangeiras, que mostram um grande desinteresse na observação de pressupostos em relação ao pessoal que está a seu serviço”, reclamou Francisco Jacinto.

O secretário executivo da CGSILA acusa as empresas de quererem “lucro fácil”, pagando salários que “acham suficientes”, mas que “não correspondem à realidade do país”. “Ainda há salários de 100 e 200 dólares (71 euros e 142 euros), enquanto ouvimos sempre notícias de obras que custam milhões de dólares, acho que não são salários que deviam ser pagos a quem está lá a executar essas obras”, frisou.

A falta de refeitórios e assistência médica e medicamentosa para os trabalhadores é outra questão que Jacinto Francisco também reclama, salientando que os operários do sector da construção civil em Angola lideram a lista dos acidentes de trabalho.

“É um dever do próprio Estado velar por isso (melhoria das condições de trabalho)”, disse Jacinto Francisco, acrescentando que é necessário também que as empresas estrangeiras “respeitem a dignidade humana” e não coloquem os nacionais na qualidade de “seres irracionais”.

A Lusa tentou contactar a direcção da Soares da Costa em Luanda, mas foi possível encontrar responsáveis disponíveis para prestar informações.

Em Fevereiro deste ano, na construtora portuguesa Teixeira Duarte também foi observada uma greve de alguns dias, por cerca de 2500 trabalhadores, pelas mesmas razões.