Tornar Angola Auto-Suficiente em Sal São as Pretensões de Benguela

Até ao 1º semestre de 2018, Benguela prevê atingir uma produção de 120 mil toneladas de sal bruto e, com efeito, cumprir com as projecções do Governo, que são as de tornar o país auto-suficiente.


Macaca, Calombolo e Chamume, 3 Salinas de Benguela que Formarão a “Cidade do Sal”

Foto de Carlos MoronyNova imagem (2)Desde 1930 que Benguela produz sal marinho bruto e, mesmo com altos e baixos, esta indústria consolidou a sua posição estratégica na economia local.

Hoje, estima-se que a província produza mais de 35 mil toneladas por ano, o que representa cerca de 70 porcento da produção à escala nacional.

Nas salinas do Lobito, que remontam aos anos 30 do século passado e onde se chegou a extrair e refinar milhares de toneladas anuais, hoje, o sal está na estaca zero, praticamente.

Mas, a sensivelmente 60 quilómetros da cidade portuária, localiza-se o Chamume (Baía Farta), onde vivem pelo menos 15 mil habitantes e onde está prevista a instalação da futura “Cidade do Sal”.


Sal Marinho das Salinas Calombolo na Província de Benguela a Caminho de Produzir 180 Mil Toneladas de Sal

Texto e Foto de sal_angolaA Central de Processamento Industrial de Sal Marinho das Salinas Calombolo, do grupo Adérito Areias, foi inaugurada pela ministra das Pescas e pelo Governador Provincial de Benguela na passada Sexta-feira, dia 8 de Julho de 2016, na comuna do Chamume.

O “Império do Sal” do grupo Adérito Areias encontra- se a 53 Km do centro do município da Baía Farta, que dista 26 Km da sede provincial, perfazendo o somatório de 79 Km de distância desde Benguela até às Salinas Calombolo, a única produtora de flor de sal no país. Fundada em 1989, a empresa salineira tem como propósito produzir e comercializar sal marinho.


Angola Importa 90 Mil Toneladas de Sal

salinas_Angola enfrenta défice de 90 mil toneladas de sal das 130 mil consumidas no mercado interno. Desta quantidade, o país produz apenas cerca de 40 mil toneladas.

Segundo a secretária de Estado das Pescas, Maria Nelumba, que prestou a informação depois de visitas de constatação ao município da Baía Farta, se houver investimentos no sector até 2017, os empresários da província de Benguela vão passar a contribuir com 70 ou 80 por cento das necessidades de sal do país.
Enquanto isso não acontece, soube a Angop, grande parte do sal consumido no país (mais de 80 mil toneladas) é de origem externa, o que implica gastos de divisas com a sua importação.
Maria Nelumba integrou uma equipa técnica multi-sectorial, co­ordenada pelo secretário do Presidente da República para os Assuntos Económicos, Armando Manuel que, durante três dias, trabalhou nos municípios de Benguela (sede), Catumbela, Lobito, Baía Farta e Cubal, no quadro de uma estratégia do Executivo que visa a diversificação da economia não petrolífera em Angola.
Adérito Areias, um dos empresários do sector de salinas que mereceu a visita da equipa dirigida por Armando Manuel, disse que os operadores deste ramo específico necessitam da intervenção da banca, numa altura em que o Programa “Angola Investe”, também ele, não corresponde aos desígnios para os quais foi instituído. Com 2.700 hectares de salinas, dos quais 600 em exploração, Adérito Areias prevê produzir, este ano, 50 mil toneladas de sal. “Mas uma intervenção da banca levaria à ampliação dos espaços em exploração, podendo com o passar dos anos atingir-se as 100 mil toneladas”, estimou.
Actualmente, o empresário tem em obras de reabilitação e ampliação a salina do Calombolo, numa extensão de 65 hectares, cujas despesas totais estão orçadas em 154 milhões, 395 mil e 343 kwanzas, em contrato adjudicado a uma empreiteira especializada.
“Não se consegue crédito no Angola Investe. O programa não funciona, há muita burocracia, os dinheiros não saem e não há explicações”, desabafou o empresário. As salinas “Macaca” e “Chamume” trabalham no sentido de passar a fornecer ao mercado nacional 40 mil toneladas de sal, cada, bastando que os projectos de ampliação e modernização remetidos à banca.

Jornal de Angola


Recuperar a Produção de Sal na Província do Namibe

 

Considerado um dos potenciais produtores de sal do país, a província do Namibe conheceu durante o período pós independência uma redução drástica na produção deste produto, devido ao facto de os produtores terem caído na falência, o que levou a maioria destes a abandonar esta actividade.
Ainda assim, e graças aos apoios que o Executivo, através do Ministério das Pescas, vem prestando, alguns empresários querem voltar à carga e já estão a trabalhar com afinco para a recuperação dos índices de produção perdidos desde a década de 90. A tarefa, entretanto, não está facilitada, uma vez que a crise foi agravada pelas cheias que se registaram nos últimos anos (2001, 2005 e 2009), afectando os municípios do Namibe e Tômbwa, este último considerado maior produtor de sal.
Fernando Gomes Solinho, sócio-gerente da empresa Sal do Sol do Namibe, cotada como a maior produtora de sal a nível da província, confirma o facto, acrescentando que as cheias imprevistas dos últimos tempos destruíram os canteiros, assim como o sal que se encontrava em fase de secagem, incluindo as vias que servem o seu escoamento.
“Para reactivar o processo produtivo a empresa Sal do Sol precisou de algum tempo. Fomos obrigados a imprimir algum esforço suplementar para acelerar o processo de reparação dos danos e recolher o sal”, disse, referindo que tais situações provocam sempre prejuízos financeiros avultados.
A Sal do Sol planificou para o presente ano uma produção estimada em seis mil toneladas daquele produto. Desta quantidade, disse, para além do mercado interno, grande parte destina-se às Forças Armadas Angola Angolanas (FAA).
Fernando Solinho precisou que devido aos constrangimentos provocados pelas cheias, a produção do sal em algumas unidades desta parcela do país nunca atingiu os níveis desejados. Entre as consequências deste facto, podem estar o não pagamento em tempo real do salário aos operários, entre outros compromissos das empresas. O responsável da empresa disse que necessita de uma injecção financeira de pelo menos um milhão de dólares para permitir que a fábrica possa modernizar-se e continuar a produzir também sal qualificado.
O sal processado nas Salinas Sal do Sol, cuja força de trabalho é de 113 trabalhadores, é tratado com iodo (elemento químico para prevenir o bócio, doença que consiste no aumento da glândula tiroideia), fornecido gratuitamente pela UNICEF, como garantiu a nossa fonte. Informações disponíveis apontam que o sal da província do Namibe há muito deixou de atravessar as fronteiras de países vizinhos, sobretudo dos dois Congos, devido a factores de ordem conjuntural. Dados disponíveis dão conta que Angola importou, em 2009, 17,5 milhões de toneladas de sal contra 3,1 milhões de toneladas em todo o ano anterior. Os maiores fornecedores são Portugal, Namíbia, África do Sul, França e Egipto.

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