Neste Primeiro Semestre Foram Roubadas em Luanda 496 Viaturas

Quatrocentos e 96 viaturas diversas foram roubadas no primeiro semestre deste ano em Luanda, das quais 249 recuperadas pela Polícia Nacional. O anúncio foi feito pelas autoridades policiais.


Em 9 Meses deste Ano Foram Roubadas Mais de 700 Viaturas Automóveis em Luanda

Um dia, três amigos, todos na casa dos 20 anos e de Luanda, concluíram que podiam ter uma vida, como viam em alguns filmes, de farras, miúdas e copos, sem terem de se levantar cedo, cumprir horários, esperar pelo fim do mês para receber o ordenado, e decidiram ser ladrões de automóveis.
Durante algum tempo, o êxito dos planos que traçaram revestiu-se de êxito. Afinal, devem ter pensado, não eram apenas nos filmes que sem trabalho se podia ter dinheiro e vida à larga.
O plano começou por deambulações, de moto, pela cidade à procura de locais propícios e vítimas fáceis. Um estaleiro e um trabalhador de construção civil no bairro Benfica foram os escolhidos para o “baptismo de crime”. Esperaram que uma carrinha saísse do local, seguiram-na durante algum tempo e interceptaram-na. Com a coragem que lhes dava a arma de fogo que traziam exigiram ao condutor que lhes entregasse a viatura.
Os pormenores do crime não foram revelados, mas provavelmente a vítima ofereceu resistência. Não pestanejaram. Abateram-na a sangue-frio e levaram o cadáver para a Zona Verde próxima, onde o queimaram na esperança de apagar vestígios. Com a viatura roubada passearam-se pela cidade a exibi-la mas faltava-lhes dinheiro para lhes completar a vida de ócio.
No Golf II conheceram quem se mostrou disposto a vender-lhes a viatura por oito mil dólares a troco de uma comissão de mil. O negócio prosperava e a corrente ganhava um elo importante. O segundo assalto voltou a ser na zona do Benfica. Desta vez, a vítima saía de um supermercado. O esquema foi o mesmo e culminou da mesma forma: roubo da viatura, assassinato à queima-roupa e corpo queimado, agora nos Ramiros. O receptor esperava por eles. Tudo lhes parecia correr às mil maravilhas.

Vítimas felizes

Maria de Fátima também tinha projectos e um deles era ter um carro. Porque trabalha, no ano passado conseguiu o empréstimo de um banco e comprou um. Já este ano, em Março, pegou nos filhos e foi dar uma volta à noite. Escolheu mal o percurso.
Em Benfica foi interceptada pela quadrilha que com uma arma de fogo lhe exigiu a viatura. Sem hesitar deu as chaves. Segurou as mãos dos filhos. Sentiu-os vivos, respirou de alívio e foi à Polícia contar o que lhe acontecera.
Agora, que os homens que a assaltaram estão atrás das grades, afirmou ao Jornal de Angola que nunca perdeu a esperança de reaver a viatura e bem-diz a hora em que de pronto entregou as chaves em troca da sua vida e da dos filhos.

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Viaturas Roubadas Localizadas Por GPS

A “Mototrax”, empresa de sistema de rastreio de veículos, localizada no Morro Bento, está há dois anos no mercado angolano. Pretende espalhar os serviços de rastreio de viaturas em todo o país e lançar no mercado um sistema de localização de pessoas através de relógio de pulso. Gustavo Wiervzba, director de operações da empresa, falou ao nosso jornal sobre os projectos futuros.

Jornal de Angola – Desde quando a Mototrax está no mercado angolano?

Gustavo Wierzba – Estamos no mercado angolano há dois anos com o sistema de rastreio de viaturas.

JA – O que levou à criação da empresa?

GW – Muitas pessoas queixavam-se de não saber do paradeiro das suas viaturas e dos motoristas. Para gerir as frotas oferecemos este serviço de mototrax. Há em Angola muitas empresas que não estão a controlar as suas frotas, mas através dos nossos serviços podem gerir as viaturas.

JA – O volume de clientes satisfaz a empresa?

GW – Satisfaz. Temos muitos pedidos de solicitação para uma melhor gestão de frotas de viaturas. Temos clientes do Lobito, Benguela, Huambo e Malange

JA -Em que se baseia o vosso trabalho?

GW – Nós localizamos e gerimos as frotas, através de GPS. Localizamos as viaturas roubadas, fazemos a gestão das frotas e tomamos medidas para reduzir os acidentes. Quando os motoristas excedem a velocidade o GPS dá a informação e nós tomamos imediatamente medidas para prevenir os acidentes envolvendo veículos dos nossos clientes.

JA – Quem são os vossos clientes?

GW – Os nossos potenciais clientes são as empresas de transportes de mercadorias, as empresas de aluguer de viaturas, empresas de construção civil e outros.

JA – A aquisição do GPS está ao alcance de todos os bolsos?

GW – Nós estamos a oferecer quatro pacotes a preços acessíveis e ao alcance das empresas que querem melhorar a gestão da sua frota e ao alcance dos cidadãos particulares.

JA – O GPS permite recuperar as viaturas roubadas?

GW – Nós estamos a oferecer os nossos serviços às empresas seguradoras porque quem for roubado tem sempre a sua viatura localizada pelo nosso sistema.

JA – O GPS é pago mensalmente?

GW – O cliente tem que pagar o GPS e a montagem. Depois paga uma mensalidade pelo serviço de localização.

JA – O GPS só funciona em viaturas ou pode ser utilizado num bem imóvel?

GW – Em princípio só estamos a oferecer serviços para veículos. Mas estamos a lançar também um sistema de localização de pessoas através de um relógio.

JA – qual é a origem da vossa tecnologia?

GW – A nossa tecnologia é Israelita.

JA – A empresa está apenas em Luanda?

GW – A empresa neste momento só está representada em Luanda mas pretendemos estender os nossos serviços a todo o país. Isto também vai ajudar o desenvolvimento de Angola.

JA – A empresa já conseguiu localizar alguma viatura roubada?

GW – Tivemos um caso de roubo e conseguimos localizar a viatura do cliente. Tivemos outro roubo de uma viatura. Foi o próprio motorista. Esta situação é muito comum em Angola por parte de alguns motoristas.

JA – Qual é a ligação entre a vossa empresa e a polícia?

WG – Nós não trabalhamos directamente com a polícia. Através dos nossos serviços sugerimos ao cliente para contactar directamente a polícia e fornecer as informações recolhidas do nosso sistema. Damos os dados da localização da viatura para facilitar o trabalho da polícia. Mas estamos disponíveis para colaborar com a polícia.

JA – Qual é a vossa maior dificuldade em Angola?

WG – Nós estamos a trabalhar com um sistema de localização através de GPS e um sistema de navegação. Mas Luanda ainda tem muitas ruas sem números de polícia e mesmo sem nome e isso dificulta os nossos serviços.

 
Kílssia Ferreira/Jornal de Angola