Instabilidade na Fronteira com a RDCongo dá Preocupações às Autoridades Angolanas

República  Democrática do Congo-Foto GoogleO director-geral do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de Angola, José Paulino da Silva, pediu, quarta-feira (19), “cabeça fria” ao efectivo daquela força na província da Lunda Norte, face à instabilidade na fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo), informa a agência Lusa.


Refugiados da República Democrática do Congo, Mais 9200 Procuram Segurança no Leste de Angola

Mais de 9.200 refugiados da República Democrática do Congo estão a procurar segurança no leste de Angola, em fuga dos conflitos internos nas regiões de Cassai, naquele país vizinho, informaram este domingo as autoridades da província angolana da Lunda Norte.


Milhares de Mulheres da R.D.C. Exigem o Regresso dos Maridos Angolanos Expulsos do País

mulheres_rdc_As mulheres da República Democrática do Congo (RDC), cujos maridos angolanos foram expulsos daquele país em 2009, vão interceder junto do Parlamento local para o regresso dos seus parceiros. “Temos dificuldades em entrar em Angola para ir ao encontro dos nossos maridos”.

“Suportar filhos sem a presença dos pais é um caos aqui, na RDC”, disse ao Novo Jornal, por via telefónica, Samira Macumbo. Segundo Samira, o marido, Domingos José Sambi, vive no bairro Rocha Pinto, em Luanda.

Ameaça de Ocupação de Todo o País Feita Pelos Rebeles Congoleses do M23

Depois de na terça-feira terem tomado a região de Goma, os rebeldes do movimento 23 de Março (M23) na República Democrática do Congo (RDCongo), prometem ocupar o controlo de todo o país, inclusive Kishansa, a capital.
“Agora estamos a ir para Kinshasa. Ninguém vai dividir este país”, disse o coronel Vianney Kazarama, porta-voz do M23, a milhares de correligionários em Goma, cidade de cerca de um milhão de habitantes no leste da RDCongo.
Ontem, os rebeldes do M23, organizaram um comício no Estádio dos Vulcões depois de terem assegurado a captura de Goma.
No encontro, Kazarama afirmou que o próximo objectivo dos rebeldes é a captura da cidade de Bukavu, capital da província de Kivu do Sul, na margem oposta do Lago Kivu.
Segundo ele, os rebeldes já controlam a cidade de Sake, a 27 quilómetros de Goma, na estrada para Bukavu, e em breve capturarão Minova.
Também ontem, mais de 2.100 soldados e 700 polícias entregaram as suas armas ao M23, segundo o coronel rebelde Seraphin Mirindi. Os ex-soldados e ex-agentes policiais entregaram as suas armas e suas munições no estádio.
Tendo em vista o avanço rebelde, as autoridades da República Democrática do Congo declararam ontem que o quartel general militar da província de Kivu do Norte, principal produtora de estanho do país, foi deslocado temporariamente para a cidade de Beni. A medida foi tomada um dia depois da capital da província, Goma, ter sido capturada por rebeldes da facção M23.
Em comunicado, o vice-governador de Kivu do Norte, Feller Lutahichirwa, disse que os ministérios da província, o judiciário e o comando militar foram realocados para Beni, uma cidade de mineração de ouro, próxima da fronteira do Uganda. “Isso continuará em vigor até a restauração da autoridade do estado em Goma”, acrescentou.
Ontem, o M23 tomou controle sobre Goma, preocupando a comunidade internacional. Desde então, milhares de moradores fugiram da cidade, que também serve de sede para uma dúzia de agências humanitárias.
Durante a madrugada de ontem, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade sanções contra os líderes do M23.
Enquanto isso, os presidentes congolês, Joseph Kabila, e do Ruanda, Paul Kagamé, reuniram-se no Uganda para conversações de emergência numa tentativa de frear a crescente tensão entre os líderes e seus países. Uma rebelião que parece ter sido apoiada por Ruanda tomou Goma, cidade de cerca de um milhão de habitantes no leste da RDCongo.
Um diplomata ugandês envolvido nas negociações disse ontem que os presidentes reuniram-se na noite de terça-feira na capital do Uganda, Campala. Ele afirmou que o Presidente do Uganda ia mediar as conversações durante o dia de ontem.
A fonte também informou que Kabila pode se ver obrigado a entrar em negociações directas com os rebeldes do M23, movimento que tomou parte de Goma, uma cidade estratégica no leste congolês. O Governo da RDCongo já havia advertido que não negociaria com os rebeldes.

Diário de Moçambique