As Companhias Petrolíferas “Estão Novamente a Olhar Para Angola”

O analista da consultora especializada em energia WoodMackenzie Adam Pollard disse segunda-feira que as companhias petrolíferas “estão novamente a olhar para Angola” devido aos preços do petróleo e às reformas lançadas pelo Governo.

“No último ano Angola virou a página, o país está a tentar atrair mais investimento para evitar o declínio da produção de petróleo prevista para os próximos anos,

e há sinais de que as companhias estão novamente a olhar para Angola e a sentirem-se mais confortáveis em investir no país”, disse Adam Pollard.

Em entrevista à Lusa a propósito das perspectivas de evolução do sector petrolífero em Angola, o analista explicou que “tal como noutros países africanos,

a produção está a cair há uns tempos, e espera-se que caia ainda mais”, e daí os esforços para atrair investimento externo que possa inverter a situação.


A China Continua a Ser o Principal Comprador de Petróleo Angolano

A China continua a ser o principal destino das exportações de petróleo de Angola, com 72,28% do total, muito à frente da Índia (10%) e de Portugal e África do Sul, afirmou fonte da petrolífera angolana.

Segundo o presidente da Comissão Executiva da SONACI – Sonangol Comercialização Internacional, Luís Manuel, que apresentava em conferência de imprensa, em Luanda, os resultados do mercado petrolífero angolano referente ao quarto trimestre de 2018, os dados mantêm-se praticamente idênticos aos do terceiro, não adiantando dados referentes a Portugal.

Luís Manuel, porém, salientou os esforços da diplomacia económica angolana feitos em 2018, que poderão permitir que o Japão, “que praticamente desapareceu há mais de uma década do mercado petrolífero angolano”, possa regressar “em força” à lista de principais importadores do crude angolano.


Durante 2018 Angola Registou a Segunda Maior Queda na Produção de Petróleo

Angola registou a segunda maior quebra na produção petrolífera durante 2018, em termos percentuais, entre os 14 países que integram a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), segundo dados de um relatório divulgado hoje pelo cartel.

De acordo com o documento, citando dados de fontes secundárias, Angola produziu, em média, 1,505 milhões de barris de petróleo de crude por dia em 2018, uma diminuição de 7,7% face aos 1,634 milhões de barris por dia em 2017.

Entre os 14 membros da OPEP, apenas a Venezuela registou uma maior variação negativa em 2018, com a redução de 29,9%, passando de 1,91 milhões de barris diários para 1,34 milhões de barris por dia.

Em sentido inverso, a República do Congo registou o maior crescimento, em termos percentuais, com o aumento da produção em 66.000 barris diários, um crescimento de 26,2%.

Em termos nominais, o país com maior crescimento na produção diária foi a Arábia Saudita, que era já o maior produtor entre os que integram a OPEP, que em 2018 produziu mais 353.000 barris por dia que no ano anterior.


Os Cortes Feitos Pelos Países Membros da OPEP Leva a Uma Tendência de Subida do Petróleo

Em Dezembro, antes dos cortes feitos pelos países membros da Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (OPEP), o barril de Brent estava a ser comercializado por USD 50. A apesar da retoma, José Severino advinha uma subida moderada.

A decisão da OPEP de proceder a cortes na produção para aumentar o preço do petróleo parece estar a surtir efeito.

Desde o início do mês de Janeiro, por exemplo, a barril de Brent, referencia para às exportações de Angola, continua a subir desde os primeiros dias do mês em curso, abrindo boas perspectivas para os países produtores, como é o caso de Angola. Ontem, 09 de Janeiro, o preço do barril de Brent estava cotado a USD 60, com uma subida de pouco mais de USD 1.39 em relação ao período de venda anterior.

Esta subida, em relação aos últimos dias de Dezembro, é igual a um dólar por dia.

Apesar do avanço, o preço do também chamado “ouro negro” fica oito dólares abaixo do projectado no Orçamento Geral do Estado de Angola para 2019, em execução desde o dia 1 de Janeiro.


Angola Já Não Vendia Petróleo a Um Preço Tão Alto Há Quatro Anos

A exportação petrolífera rendeu a Angola 8.700 milhões de euros em receitas fiscais até novembro, mês em que cada barril de crude foi vendido, em média, a quase 80 dólares, o valor mais alto em quatro anos.

Segundo à Lusa, citando relatórios do Ministério das Finanças, até novembro, Angola exportou 491.862.592 barris de petróleo, a um preço médio de 70,82 dólares por barril, quando no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018 o Governo tinha inscrito uma previsão de 50 dólares por barril.

Só no mês de novembro, cada barril de petróleo foi vendido a 79,32 dólares.

Trata-se do valor mais alto desde novembro de 2014, quando, então, cada barril de crude foi exportado a 84,51 dólares.
A forte quebra na cotação internacional de petróleo desencadeada em finais de 2014 chegou a colocar o barril de crude vendido por Angola nos 30 dólares.

Contudo, em 11 meses de 2018, as vendas de petróleo por Angola já totalizam 34.833 milhões de dólares (30.466 milhões de euros), que resultaram em receitas fiscais de 3,067 biliões de kwanzas (8.700 milhões de euros).

O petróleo exportado por Angola já tinha atingido um pico, no preço, em outubro, ao ser exportado a 78,49 dólares, em média, cada barril.