Em Maio Angola Aumentou a Produção de Petróleo em 14.000 Barris Por Dia

A produção petrolífera angolana recuperou em maio o equivalente a 14.000 barris por dia face ao mês anterior, reaproximando-se da Nigéria, que segue no topo dos produtores africanos, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

De acordo com o último relatório mensal daquela organização, relativo a maio e consultado hoje pela Lusa, Angola atingiu neste mês uma produção diária média de 1,525 milhões de barris de crude (após revisão da OPEP ao relatório de abril), com dados baseados em fontes secundárias.

Com este registo, em volume produzido, Angola continua atrás da Nigéria, país que viu a sua produção descer em abril 53.500 barris diários, para uma média de 1,711 milhões de barris por dia, segundo os mesmos dados da OPEP, igualmente com base numa revisão aos de abril.

Durante praticamente todo o ano de 2016 e até maio de 2017, Angola liderou a produção de petróleo em África, posição que perdeu desde então para a Nigéria.


Novas Regras Fiscais no Sector dos Petróleos Angolano Vai Atrair Mais Investimentos

A introdução de novas regras fiscais no sector dos Petróleos angolano, incluindo a redução de impostos para campos petrolíferos mais pequenos, deverá atrair mais investimentos para o país, algo essencial “para estabilizar a produção petrolífera a médio prazo”, antecipa a consultora britânica BMI Research, alertando, porém para os “intermitentes problemas de liquidez” da Sonangol, que limitam a aposta na exploração.

Angola está a promover “um ambiente fiscal mais favorável”, o que “coloca riscos positivos para os fluxos de investimento”, apontam os especialistas da BMI Research, numa análise enviada aos investidores e citada pela agência Lusa.

Segundo a avaliação, as novas regras fiscais angolanas deverão ajudar a desbloquear vários projectos em fase de pré-decisão final de investimento, evolução que “será fundamental para estabilizar a produção petrolífera a médio prazo”.

As boas pespectivas traçadas pelos analistas, potenciadas pela extensa infra-estrutura ao largo do país e um grande volume de recursos ainda por desenvolver, bem como pelo aumento dos preços do barril do petróleo, são apenas moderadas pela situação financeira da Sonangol.


Nos Últimos Cinco Anos Angola Vendeu 210,1 Mil Milhões de Dólares

Angola vendeu 210,1 mil milhões de dólares (cerca de 180 mil milhões de euros) em barris de petróleo nos últimos cinco anos, num negócio cada vez mais concentrado com a China, que representou mais de metade do valor total.

Segundo um documento do Governo angolano, com dados do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo, deste mês e ao qual a Lusa teve acesso, a China comprou a Angola, entre 2013 e 2017, um total de 106,6 mil milhões de dólares (cerca de 90,9 mil milhões de euros) em barris de petróleo.

Num único ano, em 2013, as vendas de petróleo angolano à China elevaram-se a um máximo de 31,7 mil milhões de dólares (cerca de 27 mil milhões de euros), tendo descido para um mínimo de 13,9 mil milhões de dólares (cerca de 11,8 mil milhões de euros) em 2016, devido à quebra na cotação do barril de crude no mercado internacional.

Na segunda posição, mas uma grande distância da China, surge a Índia, que entre 2013 e 2017 comprou a Angola mais 18,7 mil milhões de dólares (cerca de 15,9 mil milhões de euros) em petróleo.


A Baixa na Produção de Petróleo em Angola Deve-se à Falta de Investimentos no Sector

O declínio na produção de petróleo que se verifica actualmente em Angola decorre da falta de investimento nos segmentos de prospecção, pesquisa e exploração, disse o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, quando em Porto Amboim se dirigia aos presentes no I Conselho Consultivo do Ministério da Indústria.

Diamantino Azevedo disse ser fundamental assegurar até ao final da presente legislatura que a produção de petróleo não baixe para menos de 1,5 milhões de barris por dia e recordou que o compromisso assumido com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo contempla uma produção de 1,6 milhões de barris por dia.

Falando sobre a refinação, Diamantino Azevedo disse ter o governo definido já a estratégia para os próximos anos, que passa pela construção da refinaria do Lobito, com capacidade para processar 200 mil barris por dia, da de Cabinda, com 60 mil barris/dia e a modernização da de Luanda, que foi construída na década de 1950.


Em Angola Comprovadas Reservas de Petróleo Avaliadas em 6.000 Milhões de Barris Equivalente a 10 Anos de Produção

A informação consta do prospecto da emissão de ‘eurobonds’ de 3.000 milhões de dólares (2.500 milhões de euros), a 10 e 30 anos e com juros acima dos 8,2% ao ano – concretizada pelo Estado angolano este mês -, que foi enviado aos investidores e ao qual a Lusa teve acesso.

No documento de mais de 200 páginas de suporte à operação de colocação de títulos da dívida pública angolana em moeda estrangeira, a segunda do género feita pelo país e denominada “Palanca 2”, é referido que entre 2013 e 2017, foram descobertos em Angola 3.700 milhões de barris de petróleo e 850 milhões de barris de gás.

“Além de expandir as reservas de petróleo de Angola, estas novas descobertas geraram substanciais pagamentos de bónus de descoberta comercial por parte de grupos de empreiteiros ao Estado”, lê-se no mesmo documento.

Em 2015, a administração da Sonangol, concessionária petrolífera estatal angolana, tinha anunciado que as reservas de petróleo em Angola estavam então avaliadas entre 3.500 milhões de barris (categoria de provada) e 10.800 milhões de barris (categoria de provável).