Quimbundu no Município de Pango Aluquem, Elefantes Visitam a Casa do Soba

 

angola_fauna_2288_nLocalizada no município de Pango Aluquem, província do Bengo, a aldeia de Quimbundu recebeu a “visita” dos elefantes que, curiosamente, escolheram a casa do soba, como se obedecessem à hierarquia reinante no local, ironizou o próprio líder da comunidade, Armando Escrivão. Uma ironia que este de pronto emendou ao alegar que a presença dos paquidermes se devia ao facto de, nas proximidades de sua casa, estarem plantadas bananeiras, palmeiras e mandioqueira

O Velho Escrivão, como é conhecido entre os seus colaboradores directos e outros habitantes do povoado de Quimbundu, contou que os animais tinham vindo na madrugada que antecedeu o Sábado, 22 de Março e andaram durante algum tempo a destruir as suas bananeiras e palmeiras para aproveitarem a seiva que o caule das duas plantas reserva no seu interior.

“Eles gostam do ´sumo´ que a bananeira e a palmeira têm, para refrescar o marfim e o corpo dele, então derrubaram um pouco da minha lavra, aqui atrás de casa mesmo”, narrou o soba, apontando com o dedo em riste para a horta, onde ainda se encontravam intactas algumas plantas das espécies referidas.

Para o velho, a sua propriedade só não foi completamente devastada porque os animais já vinham repletos da mata e, ao passarem por outro caminho, encontraram a comida preferida, não podendo deixá-la sem, pelo menos, brincar com ela, conforme voltou a ironizar o ancião de 83 anos de idade, soba da localidade desde 1991, que mostrou grande preocupação pelo facto de saber que os elefantes passam, quase sempre, pelos caminhos já trilhados.

A façanha dos gigantes da mata, como os moradores de Quimbundu decidiram chamar aos animais, face à fragilidade das pessoas, que oscilam a sua postura entre o medo de ser atacadas e a coragem em se unirem para afastá-los ou mesmo matá-los, obrigou o soba a remeter, imediatamente, o caso à polícia e administração locais.

“Depois disso, eu fui com os meus homens à polícia, eles dizem que não se pode matar, mas estes animais estão a dar cabo das nossas culturas”, asseverou o líder da povoação, tendo sublinhado que, se depois da proibição, os dirigentes de Pangu Aluquen fizessem alguma coisa para os impedir, a sua comunidade estaria descansada.

Por esta e outras razões, que preferiu ocultar, o soba Armando Escrivão revelou que o seu povo estava muito ‘chateado’, ao ponto de se ter decidido procurar uma maneira de fazer cair, pelo menos um dos elefantes.

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Reactivada Produção de Café em Pango Aluquém

O município do Pango Aluquem é um dos pilares de um triângulo que, juntamente com Bula Atumba e Kibaxi, teve um papel preponderante na produção do café. O Pango Aluquém, com 2.753 quilómetros quadrados, duas comunas e 49.597 habitantes, quer voltar aos velhos tempos: produzir muito café e vender dentro e fora do país, para que o desenvolvimento chegue depressa.
A administradora municipal, Felisberta dos Anjos, disse ao Jornal de Angola que o município, que fica a 104 quilómetros de Caxito, capital do Bengo, passando pela comuna do Ùcua, tem agora tudo para pensar no futuro sem as preocupações do passado.
Jornal de Angola

Até Fevereiro de 2010, a deslocação por estrada até este município estratégico da província era quase impossível, porque a via de terra batida estava totalmente esburacada, com pontes destruídas e ribanceiras profundas, que afastavam, inclusive, os condutores mais apegados ao local.
“Este quadro atrasou o desenvolvimento, porque o transporte de pessoas e bens acontecia a conta gotas. Hoje, o cenário mudou para melhor e o almejado desenvolvimento só depende da vontade dos homens. Viajar para o Pango Aluquém deixou de ser uma preocupação. A viagem é rápida, algo como duas horas de carro para quem vem do Caxito, porque temos uma estrada totalmente asfaltada”, explica a representante do executivo do Bengo.
Convidada a descrever o desempenho de 2010, Felisberta dos Anjos disse que o mês de Fevereiro foi para a projecção do município para o futuro. “A partir de Fevereiro foi concluída a construção do troço Úcua/Pango e desvio para o entroncamento, que vai dar ao Bula Atumba e Kibaxi, num total de 86 quilómetros. A conclusão deste projecto foi fundamental, porque facilitou a circulação pelo percurso para os municípios do triângulo Bula Atumba, Kibaxi e Nambuangongo”, adiantou.
Relativamente a outras derivações, as estradas secundárias também recebem trabalhos de restauro. “Neste momento, no importante troço Pango/Kazua Ngombe até à ponte sobre o rio Zenza já foi feito o levantamento topográfico por uma empresa e aguardamos o arranque das obras, porque temos problemas de deslocação no tempo chuvoso”, afirmou, anunciando a conclusão da terraplenagem para a localidade do Kita, que fica a 25 quilómetros da sede municipal.

Faltam bancos

A administradora queixou-se que o Pango Aluquém não possui um único estabelecimento bancário, o que dificulta o pagamento dos salários através de transferência bancária para os trabalhadores da função pública e o desenvolvimento económico e social do município. “É cansativo para os funcionários e munícipes a deslocação regular a Caxito para o levantamento de pequenas quantias de dinheiro. Um banco facilitaria o acesso ao crédito aos funcionários e aos cafeicultores. Alguns responsáveis do Banco de Poupança e Crédito estiveram recentemente no Pango. Aguardamos a instalação de uma agência desse banco”, disse, apreensiva.
Os serviços de telecomunicações flúem para diversas partes do país e os telemovéis fazem parte dos acessórios diários dos habitantes.
Este foi um ano importante para a determinação de reservas fundiárias no município.
A administradora municipal garantiu que existem duas localidades escolhidas e para Março do próximo ano está agendado um trabalho conjunto com o sector do Urbanismo e Construção para a definição da política de distribuição de terrenos aos interessados.
Sobre a gritante desflorestação ao longo da via, Felisberta dos Anjos confessou que o seu pelouro conhece a situação. “Temos tomado medidas para impedir isso. Delas sobressai o pedido de autorização para desempenho da actividade de madeireiro à nossa instituição e posterior licenciamento pelo IDF (Instituo do Desenvolvimento Florestal). Este processo não acontecia antes. Os madeireiros vinham já com autorizações de Luanda e tornavam difícil o nosso controlo”.
Quanto aos caçadores furtivos, outro dos males do município, sublinhou que há problemas no Kuombe, uma localidade com grande potencial de caça. Segundo ela, os caçadores partem de Luanda, criam reservas e ficam quatro dias a caçar. “No mês passado interpelámos duas viaturas com cerca de 50 animais e encaminhámo-los para o posto policial do Úcua, para o devido tratamento”.

Apelo ao investimento

No passado, Pango Aluquém foi uma grande potência agrícola.
Actualmente, depois de um longo período em que a produção agrícola praticamente desapareceu, o acesso às fazendas é mais fácil, com a melhoria das vias até à sede do município, o que facilita a actividade agrícola e a produção do café. Mas, disse, os custos de produção são ainda hoje muito elevados. Poucos são os produtores com capacidade financeira para apostar numa agricultura de grandes rendimentos. A maior parte aposta na agricultura de subsistência.
“Os fazendeiros, com grandes extensões de terras, clamam por financiamentos e nós já lhes dissemos o que devem fazer, para terem acesso ao crédito”, disse a administradora., apontando que três ou quatro agricultores estão a dar o aproveitamento real às terras que possuem.
“O Pango não e só o café. Temos na comuna de Kazua Ngombe um grande potencial agrícola. Por todo o lado temos bananal, milho, mandioca, abacaxi. Produzimos muito este ano e posso assegurar que aqui não temos fome”.
A administradora convida os homens de negócios a investirem mais no Pango Aluquém no sector agrícola e que apostem também no outro grande potencial que é o turismo.
De acordo com a nossa interlocutora existe um grande potencial turístico no município, que os fazendeiros deviam impulsionar, por ser outra grande fonte de entrada de receitas para o país e de ajuda ao desenvolvimento.

Educação e saúde

O Pango Aluquém tem um quadro educativo que vai do ensino primário ao médio, de acordo com a administradora local. Está em fase de conclusão uma escola com quatro salas na localidade da missão e outra de seis no Bomba Muquiame, e está a ser construída uma escola de seis salas na comuna de Kazua Ngombe.
Questionada sobre o número de crianças fora do sistema de ensino, Felisberta dos Anjos disse visivelmente satisfeita que “não há”, porque mesmo com algumas dificuldades de instalações, elas têm sempre um local para aprender a ler e a escrever.
O município tem um hospital e um posto de saúde na sede em funcionamento. Para 2011 está projectada a construção de um posto de saúde na comuna do Kazua Ngombe. Quanto ao abastecimento de medicamentos, o sistema provincial de distribuição funciona, embora com “uma verba irrisória para a aquisição de medicamentos essenciais,” afirmou.
Quanto ao abastecimento de água, disse que “só é possível com sondas. Temos duas a funcionar na sede e três no Kazua”. A Administradora busca parceiros para financiamento de projectos sociais para os próximos anos, um gesto digno de uma senhora batalhadora.

Guimarães Silva/Jornal de Angola