Relatório 1º Semestre 2019-Palanca Negra Gigante e Operação Aérea

Trabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto
2019

  1. Relatório Palanca 1º Semestre e Operação Aérea

Caros amigos,

Este não é apenas a newsletter semestral, já que inclui igualmente um extra especial reportando a operação de capturas 2019, que decorreu no mês de Julho.

1º Semestre

Não só começaram tarde as chuvas no último trimestre de 2018, mas também terminaram cedo este ano. Muito embora se tenha registado uma grande variação geográfica, com alguns locais na verdade a receberem muita água, na maioria dos locais a chuva parou por volta de meados de Março e pouco depois se tornou evidente que nos deveríamos preparar para uma seca no cacimbo.

Na Cangandala as coisas têm permanecido relativamente calmas, com os animais bem adaptados e protegidos dentro do santuário. Os melhoramentos para finalizar a construção do novo santuário turístico atrasaram-se devido a questões burocráticas e poderão comprometer o objectivo inicial de translocar durante o cacimbo, o macho Mercúrio com um par de jovens fêmeas, como parte do seu pacote de reforma. Após vários anos como macho dominante, chegou a hora para o Mercúrio dar o lugar à concorrência mais jovem. De registar neste período, foi a detenção feita pelos fiscais, de um caçador que tinha morto uma quissema na zona sul do parque.

Em relação ao Luando, começámos o ano ainda a batalhar com as consequências do incidente de caça furtiva de Dezembro, quando três caçadores furtivos que tinham sido detidos em flagrante pelos nossos fiscais com os despojos de uma fêmea de palanca negra gigante, foram vergonhosamente libertados pelo sistema judicial. Muito embora no relatório anterior eu tenha culpado um juiz pelo infeliz resultado, essa foi uma informação incorrecta. Ao invés disso, eles foram mandados para casa por um procurador local com quem os caçadores e respectivas famílias, conseguiram negociar uma libertação amigável. Este facto naturalmente levanta umas questões preocupantes relativamente à actuação das autoridades policiais, mas pelo menos também significa que o incidente não está necessariamente encerrado do ponto de vista formal e estritamente legal. Desde então temos procurado fortemente dar sequência ao processo a um nível mais elevado, e ainda temos esperança que estes furtivos venham a ser chamados para receberem um castigo exemplar e bem merecido. E no mínimo, temos de nos assegurar que este tipo de acontecimentos não se repetem desta forma!

Uma mamba mostrando as suas verdadeiras cores! No pico da estação reprodutora no primeiro quarto de 2019, as aves estão bastante activas, aqui uma fuinha cantando e um bispo-de-ombro-vermelho.


No Parque Nacional de Cangandala o Ministério do Ambiente Cria Sistema Informático Para Controlar a Palanca Negra Gigante

Para monitorar, controlar o comportamento no seu habitar e ter uma melhor gestão da Palanca Negra Gigante, no Parque Nacional de Cangandala, está a ser criado um sistema informático acoplado a uma coleira, numa iniciativa do Ministério do Ambiente.

Está informação foi avançada, nesta terça-feira, à Angop, em Luanda, pela representante do Gabinete de Tecnologias e Informação (GTI), Felisberta Quintero, à margem do primeiro Conselho Consultivo Alargado do sector que decorre sob o lema “A integração Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável na Municipalização”.

A responsável ressaltou que os testes realizados do software desta aplicação que já se encontra instalado respondem aos anseios do sector.

Avançou também estar em curso uma aplicação de gestão do sistema ambiental nacional, que inicialmente abrange o Parque Nacional da Kissama.


Parque Nacional de Cangandala na Defesa da Palanca Negra Gigante

Trabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto

2018 Relatório Palanca 2º Semestre

Caros amigos,

A segunda metade do ano é tipicamente mais preenchida para nós no terreno do que a anterior, e desta vez não foi excepção. À medida que a época seca do cacimbo progride e eventualmente dá lugar a uma espécie de primavera, rapidamente seguida pelo início da época das chuvas, as condições no terreno tendem a ser mais favoráveis para nós em termos da nossa própria mobilidade, ao passo que os ecossistemas locais evoluem de forma notável.

Em Julho o clima é seco e agreste, as madrugadas podem ser bastante frias e testemunhamos as últimas queimadas sazonais; a paisagem surge desoladora e marcada pelas cores chamuscadas sobretudo cinzentos, preto e castanhos, não existe capim e as árvores nuas parecem enganadoramente moribundas; esta é uma altura do ano quando as fêmeas acabaram a parição e as manadas se reúnem e são atraídas para as anharas.


Falta de Fiscalização e Caça Ilegal Afugenta Palanca Negra do Luando

Foto O PAÍS

As autoridades tradicionais da localidade do Luando, província do Bié, deixaram de ver as manadas compostas por 12 animais, o que acontecia entre quatro a duas vezes por ano

A falta de fiscalização e a caça ilegal na reserva florestal do Luando, município do Cuemba, província do Bié, estão a afugentar os antílopes, incluindo palancas negras gigantes, segundo o chefe local de departamento do ambiente, Raimundo Cufa.

O responsável afirmou que a província conta apenas com 35 fiscais, quando o necessário seria mais de 400 para pôr cobro à situação, o que dificulta o controlo destas zonas. “Nos últimos dois anos as autoridades tradicionais da localidade deparavam-se com manadas compostas por 12 animais, quatro a duas vezes por ano, o que já não acontece actualmente”, lamentou, em entrevista à Angop.

A instituição que Raimundo Cufa dirige, em parceria com outras instituições públicas locais, pretende levar a cabo uma serie de palestras junto das populações, a fim de desencorajar tais práticas. Esperam contar com a colaboração dos sobas, líderes religiosos e organizações juvenis nas actividades de sensibilização, assim como a denunciarem os infractores.


A Favor da Palanca Negra Gigante o Ministério do Ambiente de Angola Promove Plano de Emergência

O Ministério do Ambiente, em parceria com a Fundação Kissama, promove nesta terça-feira, em Luanda, um workshop sobre “Protecção da Palanca Negra Gigante”.

Com o objectivo de analisar o estado actual deste antílope, o encontro vai discutir o Plano de Emergência, que vai de Março a Junho de 2018 e o de Transição, de Julho a Dezembro de 2019, de acordo com o documento do Gabinete de Comunicação do Ministério do Ambiente, a que Angop, teve hoje (segunda-feira) acesso

Este encontro será realizado à luz do Despacho Presidencial nº2/18 de 4 de Janeiro, que cria o Comité Executivo para o Acompanhamento e Reforço da Implementação das Medidas de Protecção e Conservação da Palanca Negra Gigante.

Durante o evento serão, igualmente, apresentados o Comité Executivo e a sua Unidade Técnica, constituído no âmbito do referido Despacho Presidencial.

A nova entidade é coordenada pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, sendo membros os ministros da Defesa Nacional, Interior, Ambiente, Hotelaria e Turismo e o secretário do Presidente da República para os Assuntos Locais e Regionais.