Discurso de João Lourenço Diz Que Operação Resgate Recupera Ordem,Civismo e os Melhores Valores da Angolanidade

  • A operação resgate, lançada pelo Executivo, visa recuperar os melhores valores da angolanidade, de educação, ordem, civismo, respeito pelo bem público e pelo próximo, afirmou hoje, sexta-feira, em Luanda, o Presidente da República, João Lourenço.

O Presidente discursou no campus da Universidade Agostinho Neto (UAN), durante uma visita destinada a inteirar-se das condições e funcionamento, tendo referido, no momento, que muito para além de uma mera operação policial, resgate

é sobretudo uma operação com pendor educativo e cívico, porquanto se regista, ao longo dos anos, uma perda destes valores por inacção e “espírito de deixa andar”.

Recomendou que os angolanos não se sintam vencidos e resignados, perante o que se passa aos olhos no dia-a-dia.

Apontou que o combate contra a corrupção, nepotismo, impunidade, seitas religiosas que se dedicam à extorsão de valores e bens aos pacatos cidadãos de si já pobres ou fragilizados por doenças e outras contingências da vida, venda de bens alimentares e medicamentos em locais inapropriados e insalubres, se enquadram na necessidade do resgate dos valores perdidos.


“Operação Resgate” Afasta Vários Taxistas da Actividade e Encarece Serviços em Luanda

A falta de táxis está a trazer como consequência os agora constantes atrasos dos funcionários aos locais de trabalho, ao mesmo tempo que os taxistas que circulam na capital de Angola admitiram que vários dos seus colegas trabalhavam à margem da lei.

Numa ronda efetuada esta sexta-feira (09.11.) na capital angolana, pela agência de notícias Lusa, foram observas grandes enchentes nas paragens de táxis coletivos e a reduzida presença das viaturas que exercem esta atividade, levando ao aumento das reclamações de quem depende de taxistas para circular por Luanda.

A “Operação Resgate”, que começou na terça-feira (06.11.) em Angola, tem, segundo as autoridades, como propósito o combate à venda ambulante desordenada, às transgressões administrativas e à imigração ilegal, bem como ordenar a circulação rodoviária, entre outros aspetos.

Resgatar autoridade do Estado

Para os cidadãos em Luanda, a operação, que visa “resgatar a autoridade do Estado angolano”, está a ter implicações diretas no seu dia-a-dia, pelo que se queixam do elevado tempo de espera na paragem devido à “falta de táxis”. 

O cenário, que se estende por quase toda a Luanda, foi constatado na Rua dos Comandos, paragem de táxi do “Tanque do Cazenga”, um dos municípios mais populosos da capital angolana, conforme contou à Lusa no local Jéssica Ngola da Silva.


Muitos Cidadãos Nacionais e Estrangeiros Com Medo da “Operação Resgate”

Foto O PAÍS

A incerteza do que poderá acontecer está a deixar muitos cidadãos com medo. Há registos de pessoas que preferem ficar trancadas em casa, enquanto alguns estrangeiros supostamente ilegais preferiram partir para as suas terras de origem voluntariamente. Conheça algumas áreas de actuação da operação que começa hoje.

Um dia antes do início da “Operação Resgate”, o cenário nas ruas do Hoje- Ya-Henda, no município do Cazenga, uma das zonas que concentram números consideráveis de cidadãos estrangeiros, é completamente diferente do habitual. De uma zona agitada e com um grande fluxo de cidadãos, apresenta-se com um movimento fora do comum, horas antes da tão anunciada intervenção das autoridades para combater a imigração ilegal e a criminalidade. “Estamos com medo, não sabemos o que vai acontecer amanhã”, disse Touré Mohamed, comerciante de roupas num armazém da referida circunscrição, realçando que tem poucas informações sobre o assunto que acompanha pela comunicação social.

Diz estar em Angola na condição de refugiado há 10 anos e faz questão de exibir a sua declaração sempre que as autoridades lhe solicitam e mostrou-a a OPAÍS no momento em que o abordámos. Touré Mohamed é um dos poucos que aceitou dar a cara e falar das suas expectativas sobre esta iniciativa do Governo, tendo em conta que a maioria dos cidadãos comerciantes neste espaço fugiam das câmaras com medo de serem identificados como estrangeiros. O nosso interlocutor, de 40 anos, diz que no tempo em que está em Angola nunca ouviu falar de uma operação com esta dimensão e entrega tudo nas mãos do “Deus Alá” para que tudo corra bem.

Partida antecipada

O medo do que irá acontecer a partir de hoje levou dois amigos de Ibrahima Mamadou, um do Mali e outro da Mauritânia, a abandonar o país na passada semana, antes mesmo que as autoridades que estarão envolvidos na “Operação Regaste” os abordassem. Segundo Ibrahima (do Mali), o seu conterrâneo vivia em Angola de forma ilegal há três anos, e face às informações que tem acompanhado decidiu por si mesmo partir à procedência de forma voluntária.


Restaurar a Urbanidade, Civilidade e Ordem Institucional é a Finalidade da “Operação Resgate”

A propósito da “operação Resgate”, que vai arrancar, em todo país no dia 06 de Novembro, o delegado provincial do Interior de Malanje, comissário António Bernardo “Tony Bernardo”, concentrou em parada, neste Sábado, os efectivos dos órgãos sob sua tutela, para descrever o objectivo da operação e levá-los a compreender o ‘modus operandi’

Na circunstância, António Bernardo explicou que o plano da “Operação Resgate” deriva da acção do Executivo angolano tendente a restaurar os bons hábitos e costumes, de acordo com as normas vigentes, pôr ordem institucional no país e rever toda a máquina de gestão de cedência ao exercício das actividades económicas, no sentido de garantir ao Estado benefícios fiscais para potenciar a economia angolana, através do Orçamento Geral do Estado (OGE). Segundo o delegado provincial do Ministério do Interior (MININT), o curso da “Operação Resgate” será conduzido pelas administrações municipais e locais, sendo que as Forças da Ordem e Segurança Pública vão, unicamente, garantir apoio necessário, com intervenções pontuais, em caso de resistência e afronta às autoridades instituídas, sem recurso ao uso desproporcional da força. Notificou que os efectivos não estarão autorizados a tomar atitudes de livre arbítrio sobre protestos a quaisquer irregularidades que se verificarem da parte das ‘zungueiras’ e outros agentes vendedores ou que exerçam actividades económicas nas ruas.

Por isso, em jeito de advertência, aconselhou os agentes da ordem que em caso de irregularidade devem encaminhar os transgressores aos locais apropriados, sob indicação das administrações locais. “O agente do Interior (policial ou civil), que for apanhado a receber produtos dos vendedores ou a exceder a sua autuação contra quem quer que seja, será detido e encaminhado aos órgãos de justiça militar”, alertou, o também comandante provincial da Polícia Nacional.


Prevista Para Dezembro Marcha de Protesto Contra a Proibição de Venda Ambulante de Bens e Serviços nas Cidades Angolanas

Cidadãos, entre figuras públicas e anónimos, reprovam a medida que visa combater a venda desordenada na cidades angolanas. Feminista, ativistas e juristas mostram-se indignados. Marcha em protesto prevista para dezembro.

A “Operação Resgate” pretende acabar com a venda ambulante de bens e serviços nas cidades angolanas, foi anunciada pelo Governo angolano no passado dia 24 de outubro.

Em reação à medida, o angolano Damião Cosme Spencer postou fotos na sua conta do Facebook.

“Triste! Será que estamos a combater o povo?”, pergunta o internauta.
Já Mandume de Carvalho usou o Twitter para criticar a “Operação Resgate” e exigir organização a parte do Governo angolano:

Por seu torno, Nelson Domingos escreve na sua conta no Facebook onde acredita que deveria começar o combate à venda desordenada nas cidades:

“O ‘resgate’ do Estado deve ser feito contra aqueles que se enriqueceram ilicitamente com o dinheiro público ou contra o povo empobrecido que apenas procura sobreviver?” critica.