Em Benguela Edifício Monumento Histórico Vendido a Entidade Privada

O antigo edifício da Companhia do Açúcar de Angola, Monumento Histórico, está a ser alvo de disputa no Tribunal Provincial de Benguela, que executou ontem uma providência cautelar, culminando no despejo dos serviços que lá funcionavam por, supostamente, o edifício ser pertença de pessoa individual

A Sede da Companhia do Açúcar de Angola, construída no séc.XIX, junto à Praia Morena, categorizada Monumento Histórico em Diário da República nº 203, a 28 de Agosto de 1981, aparentemente, tem dona, pessoa singular.

A situação tornou-se pública na manhã de ontem, quando um oficial de justiça do Tribunal Provincial de Benguela surgiu à porta do edifício monumento histórico executando uma providência cautelar interposta pela alegada proprietária do imóvel.

A ordem do Tribunal dita que, entidades que desempenhavam trabalhos, ocupando as instalações há mais de 20 anos, teriam 5 dias para recolher os seus pertences e sair, restituindo-se a posse à suposta proprietária.

Apesar de ter havido uma notificação prévia do Tribunal, feita a quem encontraram no recinto, membros do Núcleo de Jovens Pintores Benguelenses, os cidadãos não acataram, nem relativamente à sentença datada de 21 de Maio.


Monumentos de Mbanza Congo Vão Ser Restaurados Por Grupo de Especialistas Estrangeiros

mbanza_kongoO principal foco do trabalho será Kulumbimbi, a primeira igreja católica construída na África Subsariana

Um grupo de especialistas estrangeiros chega hoje a Mbanza Congo, no Zaire, para participar numa campanha de restauração e limpeza de sítios e monumentos históricos, anunciou ontem o governador do Zaire, José Joanes André, citado pela Angop.


Preservação dos Monumentos Históricos Defendida no Cunhinga, Bié

Foto AngopbiéO administrador municipal adjunto do Cunhinga, José António Dandula, defendeu nesta terça-feira a necessidade da preservação dos monumentos históricos, para se manterem os hábitos e costumes e consequentemente a sua transmissão as novas gerações.

Em declarações à imprensa, o responsável sublinhou que o município controla seis monumentos históricos, que carecem de investimentos para a sua recuperação.

Dos monumentos históricos controlados, o responsável apontou a Missão Católica do Vouga, Igreja da Paroquia Imaculada da Conceição, Andas do Catemo, embala Candioco, Cemitério do Chimbotio, entre outros.


Estado de Conservação dos Monumentos no Huambo Deixa Muito a Desejar

HuambomonumentosEm pleno mês de Abril, em que se assinala a jornada internacional consagrada aos Monumentos e Sítios (18/4), cidadãos residentes na província do Huambo reclamam contra a existência de uma política divulgação e conservação destes locais da memória histórica.

Alguns dos nossos interlocutores desconhecem a importância social de um património histórico na vida dos países e povos.

O estudante da 9ª classe, Colino Adão, que já ouviu falar de monumentos e sítios na província do Huambo, afirma nunca ter visitado os mesmos por não dar grande importância à sua existência. Apela, por isso, que a Direcção Provincial da Cultura promova jornadas de divulgação destes locais que são parte da história do povo da região.

Edna Joana, estudante do 3º ano da Faculdade de Economia, manifestou ter conhecimento do valor de um monumento histórico, mas lamentou o mau estado de conservação e protecção dos mesmos.

“Se não forem tomadas medidas, alguns deles vão desaparecer e teremos, futuramente, dificuldades em contar a história dos acontecimentos reais ocorridos em determinados locais.”- apontou

O funcionário público, Ulika Agostinho, também é de opinião que o estado de conservação dos monumentos e sítios no Huambo deixa muito a desejar. Criticou igualmente a fraca divulgação dos mesmos.

No Huambo, segundo o inventário provisório feito em 2010 pela direcção da cultura, existem 121 monumentos e sítios que aguardam por uma inspecção de peritos do Instituto Nacional do Património Histórico e Cultural, a fim de obterem, posteriormente, a classificação de património cultural e histórico de âmbito nacional.

Constam, deste número de monumentos e sítios por classificar, 12 monumentos de arquitectura civil, 26 de arquitectura religiosa, 9 de arquitectura militar, 6 sítios arqueológicos, 18 sítios históricos, 11 zonas históricas, 22 zonas paisagísticas, 8 símbolos do poder tradicional, 10 cemitérios e 9 estátuas.

Muitos destes lugares que constituem a memória colectiva do povo da região do planalto central encontram-se em estado avançado de degradação, além de estarem a ser invadidos por populares, colocando em risco a sua existência a médio prazo.

A província do Huambo é muito rica em monumentos e sítios, alguns dos quais são locais históricos de batalhas e também residências antigas que devem ser conhecidas, divulgadas, conservados e preservadas como parte da cultura do povo.

Apesar de tal abundância em monumentos e sítios históricos, a província conta apenas com um único classificado como património cultural nacional, o Forte da Quissala (símbolo da luta de resistência dos povos nativos contra a ocupação colonial em 1902).

Localizado a aproximadamente oito quilómetros da cidade do Huambo, o mesmo está a ser invadido por populares, devido à sua proximidade com o maior mercado informal desta província.

SJA Sindicato dos Jornalistas Angolanos


Padrão de São Jorge Colocado por Diogo Cão em 1482 Em Risco de Desaparecer

Soyo, cidade rica em petróleo, tem um potencial turístico invejável. Possui numerosos pontos e sítios históricos mas estão abandonados. A ilha da Ponta do Padrão é o local onde desembarcou Diogo Cão, em 1482, na foz do rio Zaire. O local perde a cada dia que passa a sua verdadeira identidade cultural e hoje apresenta uma imagem desoladora.
O Porto Rico e o porto do Mpinda são outros exemplos de degradação.
O Padrão de São Jorge ou Ponta do Padrão é o único monumento que beneficia de obras de manutenção, pela grandeza da sua História. Os trabalhos que têm sido realizados, não passam de operações de limpeza entre a entrada da ilha até ao Padrão. As autoridades tradicionais da comunidade do Bócolo, onde está localizado o monumento histórico, pedem uma intervenção urgente com vista a evitar o seu desaparecimento.

O coordenador da comunidade da Ilha do Bócolo, na Ponta do Padrão, Lúcio Nelumbi, disse à nossa reportagem que o estado actual do monumento preocupa toda a gente, porque há sérios riscos de desaparecimento, caso não forem contidas as erosões. Lúcio Nelumbi pede às autoridades governamentais para visitarem a ilha no sentido de constatarem a real situação.
“Se não for feito um trabalho de recuperação, o Padrão de São Jorge, colocado por Diogo Cão, em 1482, corre o risco de desaparecer em consequência da erosão resultante da escavação que a empresa Angola LNG está a efectuar ao longo do canal do Pululu”, afirmou.
Como consequência da erosão provocada pelas obras da empresa Angola LNG, dez casas da comunidade do Bócolo, foram já arrasadas pelas águas: “a erosão está a derrubar tudo, desde as casas, a culturas, coqueiros e palmeiras plantadas ao longo dos anos”.

CANAL DO PULULU

Os trabalhos de desassoreamento do canal do Pululu em curso na Ponta do Padrão, para criar condições de navegabilidade no âmbito da construção da fábrica de gás natural na região, estão a causar erosões na bacia da Ilha de Bócolo.
Para o coordenador da comunidade da ilha, Lúcio Nelumbi, caso a Ponta do Padrão desapareça por causa dos trabalhos de dragagem do canal do Pululu, a cidade do Soyo também corre riscos de ser engolida pelas águas.
A reportagem do Jornal de Angola soube junto da coordenação da comunidade que a empresa Angola LNG, proprietária da fábrica de gás, tem de evitar acidentes no canal. Para já, delimitou as zonas de pesca junto à Ilha, por causa da movimentação das dragas, que pode causar perigo aos pescadores da localidade do Bócolo.
Para garantir a sobrevivência aos habitantes da ilha, a Angola LNG entregou aos pescadores pequenas embarcações a motor e apetrechos de pesca, para que a actividade pesqueira seja exercida com segurança.

PORTO RICO

Os portos Rico e Mpinda, são outros dois monumentos históricos do município do Soyo, com valor turístico.
O Porto Rico está localizado na comuna do Sumba, 27 quilómetros a Nordeste da cidade do Soyo.
Os dois portos serviram no passado o comércio de escravos. O ancião André Mateus, conselheiro do soba da comunidade da aldeia de Nkumba, disse que “a nossa história está a desaparecer todos os anos. Eu estou a tentar escrever num caderno como surgiu Porto Rico e como serviu de ponto de embarque de escravos”, frisou.
Até à década de 80, Porto Rico evidenciava alguns vestígios históricos, nomeadamente, os pilares que sustentavam a doca, onde as embarcações atracavam para embarcar os escravos, disse.

PORTO DO MPINDA

O estado actual do antigo Porto do Mpinda também suscita preocupação. Na época, o bairro Mpinda era o local ideal para baptismos. O Porto do Mpinda está ao abandono absoluto. No local só existe hoje um matagal pantanoso, aproveitado por agricultores para o cultivo de horticulturas. A Igreja Católica tem realizado trabalhos de melhoramento na via de acesso, para preservar a tradição religiosa do Porto do Mpinda. Para o padre Eduardo Matumona, “o Porto do Mpinda precisa de trabalhos de restauro, com vista a preservar a sua história”.
Jaquelino Figueiredo/Jornal de Angola