Impacto do Ciclone Idai é Motivo Suficiente Para Moçambique Não Pagar Dívida Oculta

As organizações não governamentais (ONG) representativas da sociedade civil de Moçambique argumentam que o impacto do ciclone idai é mais um argumento para o Governo não ter de pagar a dívida oculta, que consideram ilegal.

“Está na altura de as autoridades moçambicanas serem transparentes relativamente à dívida odiosa e deviam genuinamente investir todos os seus recursos na salvaguarda das vidas do povo de Moçambique e na integridade da nossa nação”, disse Denise Namburete, uma ativista do Fórum de Monitoria do Orçamento, em Maputo.

Para esta dirigente do organismo que acompanha a evolução do orçamento, “não há hipótese de o país conseguir recuperar da magnitude do impacto do ciclone idai sem vencer a cultura de corrupção, que suga os recursos essenciais da infraestrutura pública que pode salvar vidas e potenciar o desenvolvimento”.

O escândalo de corrupção ao mais alto nível no anterior Governo de Moçambique ficou conhecido como o caso das dívidas ocultas, e representa dois empréstimos contraídos por empresas públicas (MAM e ProIndicus) sem o conhecimento das autoridades nacionais e dos doadores internacionais, com o aval do Estado, e no âmbito do qual estão detidos três antigos banqueiros do Credit Suisse, o antigo ministro das Finanças Manuel Chang e o filho e a secretária pessoal do antigo Presidente da República Armando Guebuza.


Governo Moçambicano Pondera Dessalinizar a Água do Mar Para Abastecimento a Maputo

O Governo moçambicano pondera dessalinizar a água do mar para o fornecimento de água potável à região do grande Maputo, que enfrenta a escassez deste recurso devido a seca no sul do país, anunciou o executivo.

“A dessalinização da água do mar para o consumo humano é um projeto ainda em fase muito prematura, mas constitui uma das hipóteses para responder à crise que abala a região”, disse João Machatine, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, citado hoje pelo jornal Notícias.

A falta de água na Barragem dos Pequenos Libombos que abastece a cidade e província de Maputo deve-se a ausência da chuva na bacia do Umbeluzi.

O recurso a água do mar será através de uma parceria público-privada e o Governo tem em mãos propostas de entidades interessadas no projeto.


Sete Mortos e Quatro Raptados Num Novo Ataque no Norte de Moçambique

Sete pessoas morreram e outras quatro foram raptadas num novo ataque, ocorrido nesta quinta-feira (7), por grupo armado, supostamente de inspiração radical islâmica, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, segundo fontes locais.

A população local, que não dorme na aldeia por receio de novos ataques, foi surpreendida quando dormia em acampamentos instalados agora na mata, segundo as mesmas fontes. As vítimas foram todas decapitadas pelo grupo, que também raptou três mulheres e um jovem.

Desde outubro de 2017 já terão morrido cerca de 150 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

A onda de violência em Cabo Delgado (2.000 quilómetros a norte de Maputo, no extremo norte de Moçambique, junto à Tanzânia) eclodiu após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia por um grupo com origem numa mesquita local, que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes há pelo menos dois anos.


Para Investir em Moçambique Empresários Norte-Americanos Querem Garantias de Segurança

O encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique, Bryan Hunt, disse que os empresários norte-americanos querem garantias de segurança para investir no país.

“Os investidores precisam de garantias de que existe esforço nacional para abordar e travar o extremismo violento recente na província de Cabo Delgado”, no norte do país, disse Hunt, sexta-feira (25),em alusão à onda de ataques armados protagonizada por grupos desconhecidos em aldeias daquela província.

Hunt falava em Maputo durante o lançamento da 12.ª Cimeira Anual de Negócios Estados Unidos – África, em parceria com o Corporate Council on Africa.

A cimeira servirá como uma das principais plataformas para as empresas americanas conhecerem e discutirem com as suas contrapartes africanas as últimas tendências de negócios, comércio, e investimento por todo o continente, onde se espera 1500 participantes.

Para Hunt, os investidores norte-americanos vão querer ver progressos concretos na implementação do desarmamento, desmobilização e reintegração dos antigos guerrilheiros Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), no âmbito dos consensos alcançados entre o Governo e maior partido de oposição nas negociações de paz.


Os Eventos Que Moçambique Vive Deixam Moçambicanos Descrentes

 

Há 4 anos como Presidente, Filipe Nyusi carrega fardos sem precedentes. Apesar de certo esforço e otimismo manifestados nos discursos sobre o estado da nação, os eventos que o país vive deixam moçambicanos descrentes.

2014:

“O empregado do povo”

Quando foi empossado há precisamente 4 anos, Filipe Nyusi auto-denominou-se “empregado do povo”. Herdava um país com vários problemas graves, a destacar o conflito armado entre a RENAMO e o exército nacional e as dívidas ocultas avaliadas em 2 mil milhões de dólares, com todas as suas consequências para o país.

Relativamente à gestão da crise da dívida, Nyusi dá sinais de não estar a servir devidamente o seu patrão conforme prometeu. E o sociólogo Hortêncio Lopes explica: “Acho que não mostrou competências, porque existe alguma inércia por parte do Executivo e judiciário para agir diante de algumas situações ligadas às dívidas ocultas. Então, penso que o Presidente não foi suficientemente inteligente para gerir esta situação, pese embora que não seja da competência dele como Executivo, mas penso que poderia influenciar no sentido do judiciário tomar a peito essa questão.”

2015: “O estado da nação não é satisfatório”

Mosambik Treffen Nyusi und Dhlakama in Gorongosa

Filipe Nyusi (esq.), Presidente de Moçambique, e Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, na Gorongosa