Hospital de Campanha com Equipa de 28 Profissionais Vai Ser Instalado Pelo INEM em Moçambique

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vai instalar um hospital de campanha em Moçambique, com  equipa de 28 profissionais. Esta decisão foi tomada depois do levantamento de necessidades feito pelas equipas que se encontram na cidade da Beira, Moçambique, na sequência do ciclone Idai.

Segundo uma nota do INEM, três profissionais do instituto integraram já as equipas de reconhecimento e a força operacional conjunta que foram destacadas para Moçambique na última semana e que são coordenadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil.

O módulo de emergência médica do INEM – geralmente conhecido como hospital de campanha – tinha recebido na semana passada a certificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), passando a poder integrar missões humanitárias de resposta em acidentes graves ou catástrofes a nível internacional.

O hospital de campanha e a respetiva equipa de 28 profissionais têm o objetivo de prestar cuidados de saúde a populações afetadas por emergências complexas ou por catástrofes.

Este módulo de emergência médica permite fazer triagem e avaliação inicial de vítimas, estabilizar essas vítimas de trauma ou doença, tratar em definitivo situações de trauma ou doença e tem disponível suporte imagiológico por raio-X.


Saiba Como os 40 Magníficos Conseguiram Evitar a Fuga de 26 Mil Crocodilos Durante o Ciclone Idai

O português Manuel Guimarães tem no centro de Moçambique uma quinta com 26 mil crocodilos, com muros que o ciclone Idai derrubou. Só 40 “homens magníficos” impediram a saída dos animais e uma “desgraça terrível”.

Passada mais de uma semana após o ciclone, que provocou centenas de mortes e milhares de desalojados, devido ao vento e às cheias, pouca gente sabe que foram esses 40 homens, que na noite do ciclone iam substituindo o muro à medida que caia, que impediram que andassem agora 26 mil crocodilos à solta na zona da Beira. Mas Manuel Guimarães sabe, e a sua gratidão não tem palavras.

Agora que a chuva parou e a quinta já não está cercada pelas águas Manuel Guimarães voltou na segunda-feira ao local, Nhaugau, distrito da Beira,emocionado por ver como uma noite de vento lhe destruiu 10 anos de trabalho. Lá está Anísio Chinguvo e os outros “magníficos”, cortando árvores, limpando a terra, repondo o que é possível repor.

Anísio, natural de Maputo, a trabalhar para Manuel Guimarães há uma dezena de anos, lembra-se bem do dia 14 de março, de quando “o patrão ligou a informar” que tinham que se preparar para um vento muito forte. Anísio, como conta agora, pensou que era brincadeira, que ventos fortes já ele tinha visto em 2000, em 1977. E Manuel Guimarães do outro lado: “Anísio, não brinca, hás de ver o que nunca viste”.

Os 40 trabalhadores colocaram nesse dia chapas isotérmicas junto da cerca dos crocodilos feita de tijolos e cimento, especialmente junto da cerca dos maiores crocodilos, e aguardaram o Idai. Nenhum arredou pé, nenhum foi para junto das famílias.


Depois do Ciclone Idai a Cidade da Beira Tem Futuro?

O ciclone Idai veio confirmar a posição de vunerabilidade em que se encontra a cidade moçambicana da Beira, a segunda maior do país. Do ponto de vista ambiental várias perguntas continuam sem resposta.

O desaparecimento da cidade moçambicana da Beira é algo já previsto por estudos. E agora com a passagem do ciclone Idai confirma-se a posição de vunerabilidade em que se encontra a segunda maior cidade de Moçambique.

Sob o ponto de vista ambiental várias perguntas vem ao de cima na sequência do ciclone: por exemplo, a transferência do Xiveve, como também é conhecida a cidade, ou parte dela para outro lugar geograficamente mais ajustado a habitação humana seria uma hipótese a ser colocada em cima da mesa?

A região onde se edificou a cidade da Beira provavelmente não terá sido a mais ideal. Surgiu por volta de 1880 nas proximidades de dunas ao longo do estuário do rio Pungué e numa área abaixo do nível do mar. Isso deixa a cidade vulnerável a erosão e as ondas do mar, e com a ação humana, como a pressão habitacional de vária ordem, por exemplo, essa fragilidade aumenta. Mais de um milhão de pessoas habitam a cidade que inicialmente estava preparada para pouco mais de 30 mil.


Impacto do Ciclone Idai é Motivo Suficiente Para Moçambique Não Pagar Dívida Oculta

As organizações não governamentais (ONG) representativas da sociedade civil de Moçambique argumentam que o impacto do ciclone idai é mais um argumento para o Governo não ter de pagar a dívida oculta, que consideram ilegal.

“Está na altura de as autoridades moçambicanas serem transparentes relativamente à dívida odiosa e deviam genuinamente investir todos os seus recursos na salvaguarda das vidas do povo de Moçambique e na integridade da nossa nação”, disse Denise Namburete, uma ativista do Fórum de Monitoria do Orçamento, em Maputo.

Para esta dirigente do organismo que acompanha a evolução do orçamento, “não há hipótese de o país conseguir recuperar da magnitude do impacto do ciclone idai sem vencer a cultura de corrupção, que suga os recursos essenciais da infraestrutura pública que pode salvar vidas e potenciar o desenvolvimento”.

O escândalo de corrupção ao mais alto nível no anterior Governo de Moçambique ficou conhecido como o caso das dívidas ocultas, e representa dois empréstimos contraídos por empresas públicas (MAM e ProIndicus) sem o conhecimento das autoridades nacionais e dos doadores internacionais, com o aval do Estado, e no âmbito do qual estão detidos três antigos banqueiros do Credit Suisse, o antigo ministro das Finanças Manuel Chang e o filho e a secretária pessoal do antigo Presidente da República Armando Guebuza.


Governo Moçambicano Pondera Dessalinizar a Água do Mar Para Abastecimento a Maputo

O Governo moçambicano pondera dessalinizar a água do mar para o fornecimento de água potável à região do grande Maputo, que enfrenta a escassez deste recurso devido a seca no sul do país, anunciou o executivo.

“A dessalinização da água do mar para o consumo humano é um projeto ainda em fase muito prematura, mas constitui uma das hipóteses para responder à crise que abala a região”, disse João Machatine, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, citado hoje pelo jornal Notícias.

A falta de água na Barragem dos Pequenos Libombos que abastece a cidade e província de Maputo deve-se a ausência da chuva na bacia do Umbeluzi.

O recurso a água do mar será através de uma parceria público-privada e o Governo tem em mãos propostas de entidades interessadas no projeto.