No Norte de Moçambique Ataque a Viatura Faz 16 Mortos

Uma emboscada a uma viatura de mercadorias que transportava passageiros no norte de Moçambique fez 16 mortos na terça-feira, num dos mais sangrentos ataques na onda de violência que assola a região, disseram fontes locais.

A viatura de caixa aberta transportava várias pessoas e suas mercadorias de Mucojo para Quiterajo, durante a tarde, num caminho em terra batida junto à costa em Cabo Delgado, distrito de Macomia.

A viagem foi interrompida já perto do destino quando a viatura foi alvo de uma emboscada por homens armados que começaram a disparar.

Segundo o relato de fontes locais, residentes e autoridades, algumas pessoas fugiram, mas oito – entre as quais três militares – morreram no local, queimadas, depois de os agressores terem incendiado a viatura.

Outras sete ainda receberam socorro em comunidades próximas, mas acabaram por morrer, várias com ferimentos de bala.


Uma Pérola Inexplorada de Corais em Moçambique Ameaçada por Pesca Comercial

A pesca comercial está a ameaçar uma “pérola inexplorada” de corais em Moçambique e por isso não há tempo a perder, alertam especialistas.

Esta é uma das conclusões de uma investigação científica que avaliar os danos causados nas ilhas Primeiras e Segundas, arquipélago situado ao largo da costa do centro de Moçambique.

Uma grande embarcação recheada de aparelhos científicos zarpa ao largo da costa do centro de Moçambique, saída do Santuário Bravio, área de conservação sob gestão privada que serve de base a uma expedição internacional a ilhas ao largo das províncias de Nampula e Zambézia

São quase 14:00 (menos uma hora em Lisboa) quando a equipa termina as burocracias das autoridades.

Há entusiasmo na cara dos 13 membros, entre os quais cinco cientistas, um estudante, uma cineasta, além de quatro membros da tripulação e um dos empresários financiadores da expedição.

Seguem rumo às Após um percurso de três dias, marcados pelas altas ondas do oceano Índico durante a noite, o grupo chega ao destino e a primeira a visitar é a ilha do Fogo, situada na província da Zambézia.

Divididos em duas equipas, uma em terra e a outra no mar, é hora de analisar as condições das espécies daquela área de conservação.


Elefante Bebé é Salva na Reserva Especial de Maputo

Foto Lusa-António Silva

A cria de três meses não tem nome, porque nenhum dos quatro conservacionistas e tratadores da Reserva Especial de Maputo quer ficar mais apegada ao animal do que já está.

Dar leite de biberão a uma elefante bebé não estava nos planos de Graeme Madsen, mas passou a fazer parte da rotina diária dele e de três colegas desde há 10 dias na Reserva Especial de Maputo (REM).

A cria de três meses não tem nome, porque nenhum dos quatro conservacionistas e tratadores quer ficar mais apegada ao animal do que já está.

É difícil que não se criem laços, diz Graeme, porque a pequena elefante com meio-metro de altura já os segue por todo o lado, a aprender a usar a tromba para estabelecer contacto com o que está por perto e pede um biberão de leite de duas em duas horas.

A bebé foi encontrada pela população da aldeia de Zuali, dentro da área protegida, a poucos quilómetros da capital moçambicana, sem sinais da família, nem de caça furtiva, pelo que se suspeita que tenha ficado para trás, abandonada pela manada, diz Natércio Ngovene, chefe de fiscalização da REM.


Hospital de Campanha com Equipa de 28 Profissionais Vai Ser Instalado Pelo INEM em Moçambique

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vai instalar um hospital de campanha em Moçambique, com  equipa de 28 profissionais. Esta decisão foi tomada depois do levantamento de necessidades feito pelas equipas que se encontram na cidade da Beira, Moçambique, na sequência do ciclone Idai.

Segundo uma nota do INEM, três profissionais do instituto integraram já as equipas de reconhecimento e a força operacional conjunta que foram destacadas para Moçambique na última semana e que são coordenadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil.

O módulo de emergência médica do INEM – geralmente conhecido como hospital de campanha – tinha recebido na semana passada a certificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), passando a poder integrar missões humanitárias de resposta em acidentes graves ou catástrofes a nível internacional.

O hospital de campanha e a respetiva equipa de 28 profissionais têm o objetivo de prestar cuidados de saúde a populações afetadas por emergências complexas ou por catástrofes.

Este módulo de emergência médica permite fazer triagem e avaliação inicial de vítimas, estabilizar essas vítimas de trauma ou doença, tratar em definitivo situações de trauma ou doença e tem disponível suporte imagiológico por raio-X.


Saiba Como os 40 Magníficos Conseguiram Evitar a Fuga de 26 Mil Crocodilos Durante o Ciclone Idai

O português Manuel Guimarães tem no centro de Moçambique uma quinta com 26 mil crocodilos, com muros que o ciclone Idai derrubou. Só 40 “homens magníficos” impediram a saída dos animais e uma “desgraça terrível”.

Passada mais de uma semana após o ciclone, que provocou centenas de mortes e milhares de desalojados, devido ao vento e às cheias, pouca gente sabe que foram esses 40 homens, que na noite do ciclone iam substituindo o muro à medida que caia, que impediram que andassem agora 26 mil crocodilos à solta na zona da Beira. Mas Manuel Guimarães sabe, e a sua gratidão não tem palavras.

Agora que a chuva parou e a quinta já não está cercada pelas águas Manuel Guimarães voltou na segunda-feira ao local, Nhaugau, distrito da Beira,emocionado por ver como uma noite de vento lhe destruiu 10 anos de trabalho. Lá está Anísio Chinguvo e os outros “magníficos”, cortando árvores, limpando a terra, repondo o que é possível repor.

Anísio, natural de Maputo, a trabalhar para Manuel Guimarães há uma dezena de anos, lembra-se bem do dia 14 de março, de quando “o patrão ligou a informar” que tinham que se preparar para um vento muito forte. Anísio, como conta agora, pensou que era brincadeira, que ventos fortes já ele tinha visto em 2000, em 1977. E Manuel Guimarães do outro lado: “Anísio, não brinca, hás de ver o que nunca viste”.

Os 40 trabalhadores colocaram nesse dia chapas isotérmicas junto da cerca dos crocodilos feita de tijolos e cimento, especialmente junto da cerca dos maiores crocodilos, e aguardaram o Idai. Nenhum arredou pé, nenhum foi para junto das famílias.