Em Luanda, Remodelação de Edifício Governamental Está a Gerar Controvérsia

Em Angola está a gerar controvérsia a decisão do Governo de gastar o equivalente a mais de 17 milhões de euros para remodelar o edifício do Conselho de Ministros.

Os fundos poderiam ser melhor empregues?

O despacho que autoriza o contrato da empreitada foi assinado há poucos dias pelo Presidente angolano, João Lourenço. Para o analista político Augusto Báfuabáfua, foi a questão da segurança que ditou a remodelação, especialmente no âmbito do combate à corrupção e à impunidade.

“É preciso evitar que a sala esteja exposta a alguma espécie de infiltração ou aparelho de escuta”, disse o analista à DW África. “O Presidente João Lourenço está a desmantelar muitos interesses instalados.

Então, é normal que estas pessoas possam ter deixado ou queiram montar algum aparelho de escuta para que possam ter informações privilegiadas sobre o que é decidido”, explica.

Infraestruturas degradadas

Ainda assim, e em tempos de crise, Augusto Báfuabáfua entende que também é preciso investir no setor social. Defende, por exemplo, que nos próximos orçamentos haja uma fatia maior para os setores geradores de emprego e enumera as falhas.


Remodelar Edifício do Governo Angolano em Luanda Vai Custar Mais de 17 Milhões de Dólares

Edifício do Conselho de Ministros de Angola, em Luanda, vai ser remodelado e ampliado através de uma empreitada de 17 milhões de euros autorizada pelo Presidente angolano, João Lourenço.

Segundo um despacho de 20 de novembro, a que a Lusa teve hoje acesso, João Lourenço autorizou a assinatura de contrato de empreitada orçado em 6.082.671.547 kwanzas (cerca de 17 milhões de euros).

No entender do chefe de Estado de Angola, a remodelação e ampliação do edifício do Conselho de Ministros é “conveniente” e a obra visa dotar a infraestrutura de melhores condições de trabalho.

Segundo o documento, o acompanhamento da obra ficará a cargo do diretor do Gabinete de Obras Especiais (GOE).

Criado em 2014, pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, o Gabinete de Obras Especiais tem a seu cargo,


Reinício das Obras de Requalificação da Zona Verde do Alvalade

A terceira e quarta fase das obras de requalificação da zona verde do Alvalade, distrito urbano da Maianga, município de Luanda, teve início em Outubro com a construção de passeios e arruamentos, uma empreitada sob a responsabilidade da empresa angolana Plaurbe.

A primeira e segunda fase da requalificação estão concluídas desde o primeiro trimestre de 2017, estando em curso o apetrechamento do local.

A Angop constatou no local, que parte do sistema de drenagem de águas residuais já foi desassoreada, para evitar constrangimentos provocados pela água da chuva.

Na empreitada, que se prevê concluída no primeiro trimestre de 2019, consta a requalificação de toda rede de drenagem domiciliar, fluviométricas, infra-estruturas de recolha e evacuação de resíduos.

Quando estiverem concluídas as obras, a zona verde do bairro Alvalade vai contar com quadra polidesportiva, lago artificial, centro infantil e zona de restauração.


Mais Iluminação Pública Requalificar Jardins e Espaços Verdes em Luanda

O governador provincial de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, lançou hoje um programa de requalificação dos jardins e reforço da iluminação pública, visando promover a arborização dos espaços urbanos e a segurança da população.

Enquadrado no programa “Luanda Verde 2022”, o projeto tem como lema “Dê Cor à sua Vida, Dê Cor à sua Comunidade” e prevê abarcar toda a província, que abrange, além da capital, os municípios do Belas, Cacuaco, Cazenga, Ícolo e Bengo, Quiçama e Viana.

O governador anunciou também o lançamento do projeto de iluminação pública em todo o território da província, começando pela zona central dos municípios de Luanda e Belas.

Mendes de Carvalho referiu que, com o programa, esperam-se melhorias na saúde dos cidadãos, uma vez que os espaços verdes se revelam cada vez mais importantes na melhoria da qualidade de vida, promovendo estilos de vida saudáveis.

“Há, pois, uma relação inequívoca entre a qualidade de vida, bem-estar das populações e a qualidade ambiental, sendo os espaços verdes considerados fundamentais à saúde das pessoas”, disse, lembrando também os ganhos com a segurança pública.


Revitalização do Património Histórico de Luanda Defendido por Académicas

A arquitecta Suzana Matos e a professora Cristina Pinto defendem a necessidade de revitalizar o Património Histórico de Luanda, através da sensibilização e envolvimento da sociedade e dos governantes.

As académicas falavam ontem durante uma conferência de imprensa para apresentação de uma série de eventos, que decorrerão nos próximos três dias (Sexta-feira, Sábado e Domingo), e visam celebrar os dez anos de existência da Campanha Reviver e o Dia Internacional da Abolição da Escravatura, que amanhã, 23, se comemora e cujo palco principal será a “Rua dos Mercadores”, no centro histórico de Luanda. Ao tomar a palavra, a arquitecta Suzana Matos, do Centro de Estudos de Investigação da Universidade Lusíadas de Angola, considerou que no âmbito da Campanha Reviver, a mesma está engajada em questões que se prendem com o Património e sua consequente Revitalização. Desse modo, considera imperioso respeitar a memória, cuidar do que se recebeu com a devida atenção e não deixar ao abandono. Daí deparamo-nos com a dimensão do Património ‘sobrevivente’ da cidade capital, alguns deles em avançado estado de degradação.

A arquiteta reconhece que esse mau estado resulta dos limitados recursos disponíveis, pelo que é difícil fazer opções sobre o património que justifica o esforço de preservação e aquele que não é possível atender. Entretanto, entende que a Revitalização Patrimonial é algo em que vale a pena intervir num determinado momento ou em conjunto, se o usufruto desse monumento estiver assegurado. “Quando falamos em usufruto, trata-se de um espaço em que vivemos ou no espaço que é habitado. Assim as pessoas e o património são indissociáveis”, rematou. Na sequência, Suzana Matos afirmou que o Património deve ser reconhecidamente amado pelas pessoas e utilizado pelas mesmas. O que é revitalização patrimonial?

Questiona, a arquitecta e ao mesmo tempo que dá resposta à sua inquietação, ao dizer que a Revitalização Patrimonial é voltar dar vida ao Património “Entendo que se pode dar vida pelo uso original ou eventualmente um novo uso que seja compatível ao original. E que se respeite o Património. Na nossa cidade já temos muitos bons exemplos de Património com nova vida”, apontou. Nesse sentido, Suzana Matos apresentou alguns bons exemplos de revitalização, como são os casos do edifício em que actualmente funciona o Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), antigamente (Grande Hotel), o Palácio de Ferro, um testemunho de uma nova vida que o edifício ganhou depois de uma intervenção. “Estamos a falar em construções que foram sujeitas a restauro e que trouxeram uma nova dinâmica ao edifício e de que a comunidade pode se beneficiar”, acrescentou.