Já Pensaram Que o Problema do Lixo em Luanda Pode Passar Pela Saída dos “Refugiados” do Conflito Armado?

lixo_luandaJá imaginou se um dia destes os luandenses se sentissem no direito de escorraçar todos aqueles que não nasceram em Luanda e quisessem-na só para eles?

Ou que algum governante pirómano, natural de Luanda, se apresentasse nas eleições autárquicas com uma proposta, segundo a qual o problema do lixo na capital passaria pela saída de todos aqueles que ainda estão aqui ‘refugiados’, fugidos do conflito armado, treze anos depois do seu término?

Deixem lá. São apenas algumas ideias avulsas que nos últimos dias têm azucrinado a minha cabeça. Os primeiros que pensassem desta forma seriam logo esmagados e o político, por ironia do destino, dificilmente teria condições para se recompor da derrota que sofreria nas urnas e do sacrifício exigido pela própria sociedade.


Governo de Itália Oferece 39 Viaturas Para Limpeza da Cidade de Luanda

FOTO: VIEIRA ASPIRANTEcarros_lixo_luandaTrinta e nove carros para limpeza foram hoje, quarta-feira, entregues à Empesa de limpeza e saneamento de Luanda (Elisal) pela embaixada da Itália em Angola, no âmbito do programa ” Commodity Aid”.

Da entrega feita pelo embaixador da Itália Giorgio Di Pietrogiacomo, constam motoniveladoras, bulldozeres, pá retroescavadoras articuladas, retroescavadora de pneus, retroescavadora sem esteira, camiões de sucção de 14 metros cúbicos, camião combinado de 10 mil litros cúbicos, camião  rol-on, rol-of de 20 toneladas, carrinha poli-guindaste e camião compactado de 20 metros cúbicos.

Na recepção dos meios, o governador  de Luanda, Graciano Domingos, reconheceu que a oferta do governo Italiano é de extrema importância, porque a província  vive actualmente problemas na recolha de resíduos sólidos, estando em curso trabalhos no sentido de ser  implementado um novo modelo de recolha de lixo.


Em Luanda no Mercado do Asa Branca é Lixeira ou Peixe Fresco?

Foto/Santos Samuesseca

mercado_luandaÉ um ‘mundo’ de lixo que partilha espaço com o peixe fresco. O responsável culpa as peixeiras por manterem o local naquele estado.

O lixo no mercado Asa Branca, em Luanda, tem obrigado as peixeiras a abandonar o local onde vendiam peixe, mudando-se para Viana. As queixas já são antigas. As vendedoras foram instaladas, quando saíram do ‘Roque Santeiro’, junto ao depósito de lixo da empresa de limpeza e saneamento de Luanda (ELISAL). As chuvas que caem sobre a capital destapam a imundice. O lixo, lama, bichos e água estagnada juntaram-se à mercadoria o que tornou o local impróprio para a comercialização de peixe.
No novo espaço, o mercado do Salalé, as peixeiras já criaram condições para o alojamento de câmaras frigoríficas e de um posto de transformação de energia que vai alimentar as congeladoras e alguns lugares também já foram distribuídos.


A Dívida às Empresas de Recolha de Resíduos na Capital Não é Motivo Para Que o Lixo Fique nas Ruas

lixo_luandaO governador da província de Luanda reconheceu hoje a dívida reclamada pelas empresas de recolha de resíduos na capital, mas recusa que este seja argumento para que o lixo fique nas ruas, como está a acontecer.

“O que nós não aceitámos é que as empresas que participam do sistema de recolha de resíduos utilizem a dívida como argumento para não realizarem o seu trabalho. Assumimos dívida, nós vamos pagar a dívida, ela está no sistema. Agora elas têm de estar suficientemente organizadas para poderem viver quando ocorrem atrasos no pagamento”, afirmou Graciano Domingos.

O governador provincial falava aos jornalistas no final da reunião do Conselho de Ministros de Angola, encontro extraordinário em que, entre outros diplomas, foi aprovada estatuto orgânico do Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda.


Em Luanda, Carros Lavados com Água Cheia de Dejectos Retirada da Vala da Ponte Molhada

lavagem_carrosUm verdadeiro perigo a céu aberto ronda a saúde dos jovens que lavam carros com água retirada da vala da Ponte Molhada, em Luanda, onde são lançados, à noite, dejectos por carros que desentopem fossas sépticas.

Bernardo e Monteiro têm, aparentemente, os carros limpos. A água que foi utilizada para a suposta limpeza foi retirada da vala de drenagem. Renato Palma, médico, está apreensivo. José Silva, da Juventude Ecológica, não tem dúvidas quanto ao perigo, e alerta para a necessidade das valas a céu aberto serem alvo de manutenção regular.
Princípio de tarde solarenga na Ponte Molhada. Seis carros perfilados, lado a lado, merecem a atenção de Moisés Armando, João Miguel e Moisés Adão, todos eles de 22 anos e lavadores de carros há sete. Enquanto um grupo se esgueira do repórter, Moisés Armando, esguio e desembaraçado, acolhe a abordagem que fazemos, sem largar a escova de roupa e a fralda que manuseia para esfregar o pneu do Toyota Prado preto.
As calças de ganga azul dobradas até ao joelho e uma camisola verde esmaecida ajustam-se à estrutura delgada de Moisés Armando. Os anos de trabalho permitem-lhe ter alguma consciência do perigo decorrente do contacto constante com aquela água pútrida com que lava o exterior e interior dos carros.
“Quando chego a casa só tomo banho”, tartamudeia o jovem, que cheira a sabão.
A lavagem de carros decorre num espaço parcialmente cercado por um gradeamento pintado de amarelo. Veículos de alta cilindrada e que custam mais de oito milhões de kwanzas, como BMW X5, Land Rover, Toyota Land Cruser, são lavados com água de esgoto. A área é frequentada por muitos automobilistas que aparentam estar socialmente bem na vida. “Aparecem aqui muitos ‘bosses’, ‘kotas’ da massa, cantores”, salienta Moisés Armando.
Além do lixo e animais mortos por todo o lado, vários esgotos estão directamente ligados à vala de drenagem, um pouco antes da Ponte Molhada. Esta vala desemboca no oceano, no qual despeja água das chuvas e pútrida da Senado da Câmara, Rangel, Marçal, Nelito Soares, Vila Alice, Calemba, Cassequel, Havemos de Voltar, Palanca, urbanização Nova Vida e Talatona.
A rotina é a mesma sempre que entra uma viatura. Quando Renato Palma estaciona, os lavadores bloqueiam-lhe a saída, na sofreguidão de mais um cliente. Mas a presença do médico tem outros objectivos: falarmos sobre os riscos do uso desta água putrefacta.
O sol e a tarefa enchem de suor os corpos maltratados dos lavadores. Todos de chinelos empapados de lama, acompanham o trabalho a cantar e gritar. Bebidas alcoólicas e quezílias fazem parte do quotidiano. O capim tapa a visibilidade imediata do lixo e dejectos que enchem a vala, mas que se adivinham pelo odor nauseabundo que exala a putrefacção na qual microrganismos perniciosos se reproduzem em larga escala.
Renato Palma é peremptório: a água das valas de drenagem não deve ser usada seja para o que for. “Estas águas estão altamente poluídas. Contêm bactérias na sua composição. É um verdadeiro atentado à saúde pública”, garante o médico.

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