Prisão de “Zenú” dos Santos Continua a Gerar Reacções na Sociedade Angolana

A prisão preventiva de José Filomeno “Zenú” dos Santos continua a dominar as conversas nos bares, escolas, universidades e outros segmentos da sociedade angolana. Até bem pouco tempo, era quase impossível pensar que um filho do ex-Presidente da República estaria  detido no Hospital Prisão de S. Paulo, no mesmo estabelecimento prisional onde estiveram encarcerados alguns “revús” como Luaty Beirão.

O analista político angolano Augusto Báfua Báfua não tem dúvidas de que caso “Zenú” revela que se está a viver uma nova “era” no sistema judicial de Angola.

Augusto Báfua Báfua (DW/B. Ndomba) Augusto Báfua Báfua

“A detenção de Zenú traz a mensagem de que acabou a era da corrupção e a era da impunidade. Acabaram também os milionários que fizeram fortuna absurda”, destaca Báfua.

Ceticismo quanto ao combate à corrupção

Já, Agostinho Sicatu, outro analista político, mostra-se cético, apesar de reconhecer que estas detenções mostram alguns avanços no combate à corrupção e à impunidade em Angola.

“Não passa de mais uma operação que João Lourenço vai fazendo apesar de, é preciso que se reconheça, se estar a fazer ações concretas pelo menos nesse ponto de vista (combate a corrupção e a impunidade)”.


Zenú e Jean Claude Bastos Detidos Até o Julgamento do “Caso Fundo Soberano”.

Informações obtidas a instantes de fontes ligadas a DNIAP dão conta que José Filomeno dos Santos, filho do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos e Jean-Claude Bastos de Morais, ambos antigos responsáveis do Fundo Soberano, foram conduzidos a instantes a cadeia/hospital de São Paulo e Comarca de viana respectivamente, de onde deverão permanecer até o julgamento do “Caso Fundo Soberano”.

Lembramos que que num outro caso, “Zenú” dos Santos e Walter Filipe ex-governador do BNA foram recentemente acusados formalmente de crimes de burla, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.

Esta decisão surge depois de, na passada sexta-feira, o Ministério Público angolano ter acusado formalmente Filomeno dos Santos da prática de quatro crimes: associação criminosa, tráfico de influência, burla e branqueamento de capitais. Crimes alegadamente praticados enquanto líder do FSA, constituído em 2012. No mesmo dia, o ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, exonerado em Junho pelo actual presidente de Angola, João Lourenço, foi também detido por suspeitas de peculato, corrupção e branqueamento de capitais, alegadamente envolvido no caso relativo ao desvio de dinheiro do Conselho Nacional de Carregadores, órgão sob tutela do seu ministério.

Correio da Kianda

 


Detido Hoje em Luanda Ex Ministro dos Transportes Augusto Tomás Por Suposto Desvio de Fundos

O antigo ministro dos Transportes de Angola Augusto Tomás encontra-se detido desde hoje em Luanda, por suposto envolvimento no desvio de fundos do Conselho Nacional de Carregadores, disse à Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República.

Segundo o porta-voz da Procuradoria-Geral da República de Angola, Álvaro João, foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva a Augusto da Silva Tomás e a “alguns membros do Conselho Nacional de Carregadores”.

Álvaro João referiu que, ainda hoje, será divulgado um comunicado de imprensa com mais esclarecimentos sobre o assunto.

A detenção de Augusto Tomás foi igualmente confirmada à Lusa por fonte dos serviços prisionais, que informou que o antigo governante angolano se encontra “privado de liberdade” desde a tarde de hoje no Hospital Prisão de São Paulo.

Augusto da Silva Tomás foi afastado do cargo pelo Presidente de Angola, João Lourenço, em Junho deste ano, não tendo sido avançados os motivos da sua exoneração.


Burla de 50 Mil Milhões de Dólares ao Estado Angolano Leva Onze Pessoas a Responder no Tribunal Supremo

Um total de 11 pessoas vão responder no Tribunal Supremo pela alegada tentativa de burla de 50.000 milhões de dólares ao Estado, entre outros crimes, anunciou aquele tribunal.

Segundo informação do Tribunal Supremo, a que a Lusa teve hoje acesso, neste caso, conhecido como “Burla à Tailandesa”, existem “suspeitas de envolvimento de 11 cidadãos nacionais e estrangeiros”, aos quais são imputados crimes de falsificação de documentos, burla por defraudação, associação de malfeitores e branqueamento de capitais.

O ex-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), Geraldo Sachipengo Nunda, é um dos arguidos neste processo.

A mesma informação refere que, concluída no final de junho a fase de Instrução e Investigação, promovida pela Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DINIAP) da Procuradoria-Geral da República, o processo já deu entrada no Tribunal Supremo, que o julgará, em primeira instância, na Câmara Criminal, por envolver, conforme decorre da legislação em vigor, generais das FAA.

O antigo diretor da Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP), Norberto Garcia, igualmente secretário para a Informação do MPLA, partido no poder, e o ex-diretor da Agência para a Promoção do Investimento e Exportação (APIEX), Belarmino Van-Dúnem, foram inicialmente constituídos arguidos, mas acabaram por não ser acusados neste processo.


Relatório Sobre Transferências Ilícitas Divulga Nomes, Entre Eles José Eduardo dos Santos e Manuel Vicente

A história do combate à corrupção e repatriamento de capital continua a merecer a atenção dos angolanos, sobretudo de políticos e de organizações da sociedade civil, nomeadamente a Associação “Mãos Livres”.

Há menos de uma semana, Marcy Lopes, Secretário do Presidente da República para os Assuntos Políticos, Constitucionais e Parlamentares, afirmou, na Assembleia Nacional, no âmbito da discussão na especialidade da proposta deLei do Repatriamento de Recursos Financeiros Domiciliados no Exterior do país, que o Governo tem dificuldades em identificar a quantidade de dinheiro existente no exterior. Face à esta declaração, a associação angolana de defesa dos direitos humanos “Mãos Livres” respondeu com um relatório que apresenta nomes de presumíveis infratores, imagens, contas bancárias, incluindo as transações feitas.
Segundo Salvador Freire, advogado e presidente da “Mãos Livres” “foi dito pelo próprio Governo angolano de que tem dificuldades para localizar as contas bancárias, e como nós associação Mãos Livres, temos feito este trabalho de investigação, com determinadas organizações não só nacionais, mas também internacionais, decidimos dar a nossa contribuição, dispensando relatórios que vêm com todos os dados importantes, onde constam as contas bancárias, os valores retirados e, naturalmente, a transacção que foi feita dentro deste processo de corrupção”.