“Não Matem a Nossa História”, é o Apelo de Cidadãos Angolanos, Contra as Demolições de Edifícios Classificados

história_angolaMuito recentemente o Elinga Teatro foi desclassificado pela actual Ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva.

Um grupo de cidadãos angolanos preocupados com as demolições de edifícios classificados para dar lugar a novos prédios, realizou um manifesto artístico cultural denominado “Não matem a Nossa História”.

O show musical com venda de livros bem como o lançamento da mais recente obra poética de Carlos Ferreira “Cassé”, teve lugar na baixa de Luanda, no Elinga Teatro. Um edifício marcado para ser demolido.

Artistas como Ikonoklasta, MCK, Aline Frazão, Kizua Gourgel, Mestre Kamosso do Hungu, Grupo Abada Capoeira, entre outros, levantaram as vozes de protesto contra a demolição do edifício construído no século XIX e considerado de Património Histórico em 1981, pelo então Secretário de Estado da Cultura Boaventura Cardoso.

Muito recentemente o Elinga foi desclassificado pela actual Ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva.

No passado mês de Abril teve início a Campanha “Não Matem a Nossa História”. Luaty Beirão dá voz ao protesto e diz que diante de tal desclassificação do Edifício onde funciona o Elinga Teatro, a Ministra da cultura devia demitir-se porque tal decisão significa um apagar do nosso passado histórico.

Voz da América/Pedro Dias


Em Angola Quem é Herói Nacional?

heroiReconcliação ainda não chegou às figuras históricas da oposição que esta reclama como heróis

Quem é herói nacional? Esta é uma questão que é particularmente divisiva em países saídos de uma guerra civil como Angola.

Se para alguns Jonas Savimbi e Holden Roberto têm os seus lugares na história de Angola e merecem um monumento histórico outros continuam a considera-los como traidores e claro está vice versa.

Mas é um debate que se alastra também a uma história mais distante.

O historiador e político da UNITA, maior partido da oposição em Angola, Almerindo Jaka Jamba, recorda nomes como o Rei Madume Yandemofayo, Mutu Ya Kevela, o Rei Muhuna, rei dos Gambos, para ilustrar a dimensão da heroicidade de algumas figuras cuja consideração é incontornável e a história não pode apagar.

O antigo diplomata diz que a escolha dos heróis da pátria ainda está revestida de complexidades políticas.

Em Angola são inúmeras as pessoas que lutaram e derramaram seu sangue para libertação do país do jugo colonial daí que se defenda a celebração de um novo dia dos heróis nacionais, ao contrário do que acontece actualmente.

O 17 de Setembro considerado como o dia do Herói Nacional, celebrado há quase três décadas, é o pomo da discórdia para muitos historiadores e antigos combatentes. Para uns a efeméride além de exclusivista está ligada a critérios meramente políticos e não científicos ou históricos ao valorizar apenas a figura de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola e antigo líder do MPLA, partido do governo desde 1975.

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Álbum Comemorativo da Exposição-Feira Angola 1938

 

album-de-exposicao-580A Pequena Galeria dá a conhecer até 12 de Abril, em Lisboa, um photobook ignorado: o álbum comemorativo da Exposição-Feira Angola 1938, editado pelo Governo Geral da Colónia. Alexandre Pomar teve a ousadia de, a partir da desconstrução de um raríssimo photobook, transformar o espaço da exposição num alçapão para um dos mais ignorados episódios da História de Angola e do Colonialismo.

O álbum foi impresso em offset na Litografia Nacional, Porto, tal como o fora o Álbum Fotográfico da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa, de 1934, com “clichés” de Alvão, explica o jornalista e crítico de arte português em informações enviadas ao VerAngola. No Álbum de 1938 os “clichés” são atribuídos a C. Duarte, que é seguramente Firmino Marques da Costa, membro da Missão Cinegráfica que acompanhou a visita de Carmona às colónias em 1938, a quem se atribuiu a autoria principal das imagens dos álbuns fotográficos que a Agência Geral das Colónias então publicou – eles foram objecto de uma exposição em 1987 na galeria Ether. Se as fotografias são excelentes, e igualmente insólitas em muitos casos, também a própria concepção deste photobook desconhecido justifica que seja considerado uma das melhores edições fotográficas portuguesas (ou angolana?), pela sua qualidade gráfica e a estudada sequenciação das imagens.

Outro motivo de interesse é a identificação do Chefe da Secção Técnica da Exposição-Feira, Vasco Vieira da Costa, então desenhador e funcionário aduaneiro, como o principal responsável pela autoria da quase generalidade dos pavilhões, do plano geral e dos equipamentos. O mérito da sua intervenção justificou depois a atribuição de uma bolsa para estudar arquitectura no Porto, em 1940. Estagiou no atelier de Corbusier em Paris e foi autor de edifícios emblemáticos da arquitectira moderna em Luanda (Mercado de Kinaxixe em particular). Encontra-se no espaço da Feira alguma da melhor arquitectura Art Déco nacional e o exercício surpreendente e talvez ingénuo de uma grande versatilidade de estilos. Foram autores de alguns pavilhões os arquitectos Fernando Batalha (Pavilhão Principal) e Vasco Regaleria (Banco de Angola), mais João Eugénio de Morim (monumento a Portugal Colonizador, pavilhões oficiais de Benguela e Bar-Dancing); é provávrl que Vasco Viera da Costa seja também o responsável pela eduição do Álbum.

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Angola Seja a Pátria da Liberdade, da Tolerância, da Democracia e da Justiça é o Apelo do MPLA

vala-comum-27-de-maioO MPLA condenou hoje, segunda-feira, o aproveitamento político do ocorrido a 27 de Maio de 1977 por parte de cidadãos que, não tendo estado directamente envolvidos nas acções à volta desses acontecimentos e das suas consequências, distorcem a verdadeira razão dos factos.

Esta posição está expressa numa declaração do Bureau Político do MPLA, tornada pública hoje, em alusão dos factos ocorridos a 27 de Maio de 1977 a qual considera que os aproveitamentos políticos de qualquer espécie não têm razão nenhuma para ocorrerem, sobretudo por parte de cidadãos que, exploram e exacerbam tais factos, estimulando o ódio e a divisão entre angolanos.

Realça que, numa altura em que se assinala a passagem do trigésimo sexto ano sobre a data do 27 de Maio de 1977, o MPLA não pode ficar indiferente a ela, reiterando a sua posição inequívoca sobre este facto surgido no seu seio, tal como já o havia feito há cerca de 11 anos.

“O MPLA, acredita, que a atitude marcada por um elevado grau de imaturidade de alguns dos seus militantes e a incipiente organização e funcionamento das instituições e excessos de zelo dos seus principais agentes, contribuíram decisivamente naquela altura para os factos ocorridos”, lê-se no documento.

A declaração realça que com efeito, ao reconhecer que os acontecimentos à volta do 27 de Maio de 1977, marcaram, de forma bastante negativa, uma época da nossa história recente o MPLA considera que foram a Nação e o Povo Angolano quem perdeu com todos estes episódios negativos.

Apela a que toda a acção futura deve procurar sempre evitar que comportamentos e atitudes deste tipo possam, novamente, vir a ter lugar, quer nas instituições partidárias, quer nas estaduais.

“ A nossa postura deve ser contrária a estes propósitos, de forma a caminharmos decididamente para um processo de reconciliação e unidade nacionais, cada vez mais profundo e genuíno”, refere.

Frisa que a prática democrática deve, deste modo, constituir o caminho ideal para que os angolanos possam exprimir as suas posições e fazê-las prevalecer, qualquer que seja o seu posicionamento político, a sua condição social, credo religioso, origem étnica, raça ou género.

A história recente de Angola está recheada de factos e acontecimentos que tocaram profundamente várias gerações de angolanos, menciona o Bureau Político do MPLA.

O povo angolano foi e há-de continuar a ser o principal protagonista de todos estes factos que marcaram e marcarão a nossa história, prossegue o documento.

A declaração sublinha que depois de mais de cinco décadas sofridas por conflitos de vária ordem, guerras, destruição, excessos de vários tipos, os angolanos estão cada vez mais decididos a caminhar firmes na senda da responsabilidade e da tolerância e, sobretudo, da reconciliação de toda a família angolana.

A maturidade, o sentido de Estado e o alto grau de responsabilidade e o espírito de fraternidade e de flexibilidade que os angolanos e as suas instituições atingiram, conduziram-nos à paz, à concórdia e à estabilidade política, lê-se na nota.

Acrescenta que os exemplos que, nos últimos dez anos nos têm sido dados com a finalização do conflito militar e com as manifestações de perdão, de tolerância e de reconciliação, são provas evidentes desta nova realidade.

Considera que este foi, sem qualquer dúvida, um caminho difícil de trilhar, desde o dia 11 de Novembro de 1975.

De acordo com a declaração, o MPLA não pode, pois, estar dissociado dos principais momentos nesta caminhada para a construção de um Estado forte, com instituições credíveis, em que os direitos, os deveres, as liberdades e as garantias fundamentais dos cidadãos sejam asseguradas, consolidando e ampliando a democracia, nos seus múltiplos aspectos.

Esta foi a razão principal por que se bateu firmemente pelo alcance da paz, quando todos os anos milhares de angolanos pereciam injustamente, acrescenta.

Em relação a todos quantos, de algum modo, estiveram envolvidos nos acontecimentos em torno do 27 de Maio de 1977 e aos demais cidadãos que, de qualquer forma, estiveram associados à guerra fratricida que o País viveu, o MPLA recomenda que as instituições do Estado, com o apoio da sociedade, devam continuar a trabalhar para que as consequências produzidas por estes acontecimentos não criem entraves ou dificuldades de qualquer natureza, ao exercício pleno dos direitos constitucionais e legais, por qualquer cidadão.

“Ao virarmos mais esta página da nossa história devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o mundo, de tudo fazermos para que Angola seja a Pátria da liberdade, da tolerância, da democracia e da justiça”, finaliza a declaração.

Angop


A Colónia de Angola e a Árvore das Patacas

 

As fronteiras de Angola ficaram definitivamente definidas e estabilizadas em 1927, com o Tratado de Luanda, assinado entre Portugal e a Bélgica. Mas a colónia vivia uma crise económica sem precedentes. Em 1930, todo o Norte entrou em penúria, porque o comércio da borracha caiu a pique e o café ainda não tinha adquirido o valor que atingiu na década seguinte. A abertura do Caminho-de-Ferro de Matadi “matou” as trocas comerciais no então Congo Português.
Em 1931, o governo de Lisboa reagiu e lançou uma profunda remodelação política e económica. Mais de 80 anos depois os desafios que se colocam à Angola independente fazem recordar aqueles tempos de profunda crise social e económica.
A medida mais drástica e que teve efeitos devastadores na vida de todos, angolanos ou colonos, foi a obrigatoriedade da economia angolana suportar todos os pagamentos no exterior, para equilibrar a balança comercial. Esta decisão fazia parte do célebre Decreto das Transferências que na prática arrancou a colónia na bancarrota. Até então, os funcionários públicos recebiam os salários por “vales” que depois trocavam com os comerciantes fornecedores de bens essenciais.
O Decreto 19.773 tinha uma vertente desenvolvimentista: “Angola deve produzir tudo o que, sendo necessário à vida dos seus habitantes, no seu território pode ser produzido, eliminando das suas importações, larga quota das que não se justificam”. A colónia até sal importava! As indústrias não existiam ou eram obsoletas e todos queriam ser comerciantes. Quando a borracha estava bem cotada, ganhavam dinheiro. Quando rebentou nos mercados internacionais, surgiram as falências em catadupa.
O Decreto das Transferências, de 1931, publicava em anexo a lista dos bens de primeira necessidade que deviam ser produzidos na colónia e cuja importação ficava proibida: arroz, açúcar, feijão, batata, toucinho, madeiras, cerâmica, olaria, farinha de trigo e conservas de peixe. É inacreditável, mas verdadeiro. A imensa e fértil terra de Angola, nem sequer produzia feijão ou batata. O riquíssimo mar não alimentava indústrias conserveiras. As florestas estavam abandonadas e quem queria madeira tinha de importá-la. Os caulinos e argilas não eram transformados em telhas, tijolos ou louças em barro. Tudo era importado.
O Decreto das Transferências fazia uma exigência: “Angola deve comprar tudo o que puder à Metrópole e vender-lhe tudo o que puder”, mas também “aproveitar ao máximo os mercados externos”.
A restrição drástica das importações tinha um objectivo: os capitais angolanos devem ficar em Angola! O decreto de 1931 não permitia a exportação de divisas.

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