Em Angola Quem é Herói Nacional?

heroiReconcliação ainda não chegou às figuras históricas da oposição que esta reclama como heróis

Quem é herói nacional? Esta é uma questão que é particularmente divisiva em países saídos de uma guerra civil como Angola.

Se para alguns Jonas Savimbi e Holden Roberto têm os seus lugares na história de Angola e merecem um monumento histórico outros continuam a considera-los como traidores e claro está vice versa.

Mas é um debate que se alastra também a uma história mais distante.

O historiador e político da UNITA, maior partido da oposição em Angola, Almerindo Jaka Jamba, recorda nomes como o Rei Madume Yandemofayo, Mutu Ya Kevela, o Rei Muhuna, rei dos Gambos, para ilustrar a dimensão da heroicidade de algumas figuras cuja consideração é incontornável e a história não pode apagar.

O antigo diplomata diz que a escolha dos heróis da pátria ainda está revestida de complexidades políticas.

Em Angola são inúmeras as pessoas que lutaram e derramaram seu sangue para libertação do país do jugo colonial daí que se defenda a celebração de um novo dia dos heróis nacionais, ao contrário do que acontece actualmente.

O 17 de Setembro considerado como o dia do Herói Nacional, celebrado há quase três décadas, é o pomo da discórdia para muitos historiadores e antigos combatentes. Para uns a efeméride além de exclusivista está ligada a critérios meramente políticos e não científicos ou históricos ao valorizar apenas a figura de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola e antigo líder do MPLA, partido do governo desde 1975.

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Álbum Comemorativo da Exposição-Feira Angola 1938

 

album-de-exposicao-580A Pequena Galeria dá a conhecer até 12 de Abril, em Lisboa, um photobook ignorado: o álbum comemorativo da Exposição-Feira Angola 1938, editado pelo Governo Geral da Colónia. Alexandre Pomar teve a ousadia de, a partir da desconstrução de um raríssimo photobook, transformar o espaço da exposição num alçapão para um dos mais ignorados episódios da História de Angola e do Colonialismo.

O álbum foi impresso em offset na Litografia Nacional, Porto, tal como o fora o Álbum Fotográfico da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa, de 1934, com “clichés” de Alvão, explica o jornalista e crítico de arte português em informações enviadas ao VerAngola. No Álbum de 1938 os “clichés” são atribuídos a C. Duarte, que é seguramente Firmino Marques da Costa, membro da Missão Cinegráfica que acompanhou a visita de Carmona às colónias em 1938, a quem se atribuiu a autoria principal das imagens dos álbuns fotográficos que a Agência Geral das Colónias então publicou – eles foram objecto de uma exposição em 1987 na galeria Ether. Se as fotografias são excelentes, e igualmente insólitas em muitos casos, também a própria concepção deste photobook desconhecido justifica que seja considerado uma das melhores edições fotográficas portuguesas (ou angolana?), pela sua qualidade gráfica e a estudada sequenciação das imagens.

Outro motivo de interesse é a identificação do Chefe da Secção Técnica da Exposição-Feira, Vasco Vieira da Costa, então desenhador e funcionário aduaneiro, como o principal responsável pela autoria da quase generalidade dos pavilhões, do plano geral e dos equipamentos. O mérito da sua intervenção justificou depois a atribuição de uma bolsa para estudar arquitectura no Porto, em 1940. Estagiou no atelier de Corbusier em Paris e foi autor de edifícios emblemáticos da arquitectira moderna em Luanda (Mercado de Kinaxixe em particular). Encontra-se no espaço da Feira alguma da melhor arquitectura Art Déco nacional e o exercício surpreendente e talvez ingénuo de uma grande versatilidade de estilos. Foram autores de alguns pavilhões os arquitectos Fernando Batalha (Pavilhão Principal) e Vasco Regaleria (Banco de Angola), mais João Eugénio de Morim (monumento a Portugal Colonizador, pavilhões oficiais de Benguela e Bar-Dancing); é provávrl que Vasco Viera da Costa seja também o responsável pela eduição do Álbum.

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Angola Seja a Pátria da Liberdade, da Tolerância, da Democracia e da Justiça é o Apelo do MPLA

vala-comum-27-de-maioO MPLA condenou hoje, segunda-feira, o aproveitamento político do ocorrido a 27 de Maio de 1977 por parte de cidadãos que, não tendo estado directamente envolvidos nas acções à volta desses acontecimentos e das suas consequências, distorcem a verdadeira razão dos factos.

Esta posição está expressa numa declaração do Bureau Político do MPLA, tornada pública hoje, em alusão dos factos ocorridos a 27 de Maio de 1977 a qual considera que os aproveitamentos políticos de qualquer espécie não têm razão nenhuma para ocorrerem, sobretudo por parte de cidadãos que, exploram e exacerbam tais factos, estimulando o ódio e a divisão entre angolanos.

Realça que, numa altura em que se assinala a passagem do trigésimo sexto ano sobre a data do 27 de Maio de 1977, o MPLA não pode ficar indiferente a ela, reiterando a sua posição inequívoca sobre este facto surgido no seu seio, tal como já o havia feito há cerca de 11 anos.

“O MPLA, acredita, que a atitude marcada por um elevado grau de imaturidade de alguns dos seus militantes e a incipiente organização e funcionamento das instituições e excessos de zelo dos seus principais agentes, contribuíram decisivamente naquela altura para os factos ocorridos”, lê-se no documento.

A declaração realça que com efeito, ao reconhecer que os acontecimentos à volta do 27 de Maio de 1977, marcaram, de forma bastante negativa, uma época da nossa história recente o MPLA considera que foram a Nação e o Povo Angolano quem perdeu com todos estes episódios negativos.

Apela a que toda a acção futura deve procurar sempre evitar que comportamentos e atitudes deste tipo possam, novamente, vir a ter lugar, quer nas instituições partidárias, quer nas estaduais.

“ A nossa postura deve ser contrária a estes propósitos, de forma a caminharmos decididamente para um processo de reconciliação e unidade nacionais, cada vez mais profundo e genuíno”, refere.

Frisa que a prática democrática deve, deste modo, constituir o caminho ideal para que os angolanos possam exprimir as suas posições e fazê-las prevalecer, qualquer que seja o seu posicionamento político, a sua condição social, credo religioso, origem étnica, raça ou género.

A história recente de Angola está recheada de factos e acontecimentos que tocaram profundamente várias gerações de angolanos, menciona o Bureau Político do MPLA.

O povo angolano foi e há-de continuar a ser o principal protagonista de todos estes factos que marcaram e marcarão a nossa história, prossegue o documento.

A declaração sublinha que depois de mais de cinco décadas sofridas por conflitos de vária ordem, guerras, destruição, excessos de vários tipos, os angolanos estão cada vez mais decididos a caminhar firmes na senda da responsabilidade e da tolerância e, sobretudo, da reconciliação de toda a família angolana.

A maturidade, o sentido de Estado e o alto grau de responsabilidade e o espírito de fraternidade e de flexibilidade que os angolanos e as suas instituições atingiram, conduziram-nos à paz, à concórdia e à estabilidade política, lê-se na nota.

Acrescenta que os exemplos que, nos últimos dez anos nos têm sido dados com a finalização do conflito militar e com as manifestações de perdão, de tolerância e de reconciliação, são provas evidentes desta nova realidade.

Considera que este foi, sem qualquer dúvida, um caminho difícil de trilhar, desde o dia 11 de Novembro de 1975.

De acordo com a declaração, o MPLA não pode, pois, estar dissociado dos principais momentos nesta caminhada para a construção de um Estado forte, com instituições credíveis, em que os direitos, os deveres, as liberdades e as garantias fundamentais dos cidadãos sejam asseguradas, consolidando e ampliando a democracia, nos seus múltiplos aspectos.

Esta foi a razão principal por que se bateu firmemente pelo alcance da paz, quando todos os anos milhares de angolanos pereciam injustamente, acrescenta.

Em relação a todos quantos, de algum modo, estiveram envolvidos nos acontecimentos em torno do 27 de Maio de 1977 e aos demais cidadãos que, de qualquer forma, estiveram associados à guerra fratricida que o País viveu, o MPLA recomenda que as instituições do Estado, com o apoio da sociedade, devam continuar a trabalhar para que as consequências produzidas por estes acontecimentos não criem entraves ou dificuldades de qualquer natureza, ao exercício pleno dos direitos constitucionais e legais, por qualquer cidadão.

“Ao virarmos mais esta página da nossa história devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o mundo, de tudo fazermos para que Angola seja a Pátria da liberdade, da tolerância, da democracia e da justiça”, finaliza a declaração.

Angop


A Colónia de Angola e a Árvore das Patacas

 

As fronteiras de Angola ficaram definitivamente definidas e estabilizadas em 1927, com o Tratado de Luanda, assinado entre Portugal e a Bélgica. Mas a colónia vivia uma crise económica sem precedentes. Em 1930, todo o Norte entrou em penúria, porque o comércio da borracha caiu a pique e o café ainda não tinha adquirido o valor que atingiu na década seguinte. A abertura do Caminho-de-Ferro de Matadi “matou” as trocas comerciais no então Congo Português.
Em 1931, o governo de Lisboa reagiu e lançou uma profunda remodelação política e económica. Mais de 80 anos depois os desafios que se colocam à Angola independente fazem recordar aqueles tempos de profunda crise social e económica.
A medida mais drástica e que teve efeitos devastadores na vida de todos, angolanos ou colonos, foi a obrigatoriedade da economia angolana suportar todos os pagamentos no exterior, para equilibrar a balança comercial. Esta decisão fazia parte do célebre Decreto das Transferências que na prática arrancou a colónia na bancarrota. Até então, os funcionários públicos recebiam os salários por “vales” que depois trocavam com os comerciantes fornecedores de bens essenciais.
O Decreto 19.773 tinha uma vertente desenvolvimentista: “Angola deve produzir tudo o que, sendo necessário à vida dos seus habitantes, no seu território pode ser produzido, eliminando das suas importações, larga quota das que não se justificam”. A colónia até sal importava! As indústrias não existiam ou eram obsoletas e todos queriam ser comerciantes. Quando a borracha estava bem cotada, ganhavam dinheiro. Quando rebentou nos mercados internacionais, surgiram as falências em catadupa.
O Decreto das Transferências, de 1931, publicava em anexo a lista dos bens de primeira necessidade que deviam ser produzidos na colónia e cuja importação ficava proibida: arroz, açúcar, feijão, batata, toucinho, madeiras, cerâmica, olaria, farinha de trigo e conservas de peixe. É inacreditável, mas verdadeiro. A imensa e fértil terra de Angola, nem sequer produzia feijão ou batata. O riquíssimo mar não alimentava indústrias conserveiras. As florestas estavam abandonadas e quem queria madeira tinha de importá-la. Os caulinos e argilas não eram transformados em telhas, tijolos ou louças em barro. Tudo era importado.
O Decreto das Transferências fazia uma exigência: “Angola deve comprar tudo o que puder à Metrópole e vender-lhe tudo o que puder”, mas também “aproveitar ao máximo os mercados externos”.
A restrição drástica das importações tinha um objectivo: os capitais angolanos devem ficar em Angola! O decreto de 1931 não permitia a exportação de divisas.

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A História de Angola Precisa de Mais Pesquisa

O escritor Pepetela mostrou-se, quinta-feira, em Luanda, preocupado com o fraco conhecimento e a pouca pesquisa sobre a história de Angola.
Pepetela fez este comentário ao Jornal de Angola, à margem da apresentação do seu mais recente romance “A Sul. O Sombreiro”, no auditório com o seu nome, no Instituto Camões, em Luanda.
Segundo o escritor, o objectivo é chamar a atenção, sobretudo dos historiadores e estudantes universitários, para a necessidade de compreenderem melhor a história de Angola.
O autor, que escreveu o romance “A Sul. O Sombreiro” em dois anos, disse que este livro foi idealizado há mais de 20 anos, quando publicou uma crónica sobre Manuel de Cerveira Pereira e a fundação de Benguela. “Tenho escrito uma crónica que é praticamente o roteiro deste livro, que acabo de apresentar”, disse Pepetela, acrescentando que “é conhecendo o passado, que seremos capazes de lutar para um bom futuro”.
Questionado sobre a pressão que as editoras impõem aos escritores, lembrou que “nunca foi pressionado” para a conclusão das suas obras. “Felizmente não é o meu caso. Nunca uma editora pressionou-me com prazos para concluir um livro. Quando termino uma obra entrego à editora e se tenho algumas dúvidas dou a pessoas que possam dar o seu ponto de vista sobre um determinado tema”, explicou.