Em 2015 a Guiné Bissau Terá um Défice de 90Mil Toneladas de Arroz

guineO arroz é a base alimentar dos guineenses. Mas o Ministério da Agricultura teme que ele possa faltar se continuar a chover pouco no país.

Segundo o Ministério da Agricultura guineense, o país produziu no ano passado 111 mil toneladas de arroz limpo – isto “com uma pluviometria regular”, ou seja, num ano em que houve chuva em quantidade suficiente.

Mas, devido ao início tardio das chuvas no ano corrente, a Guiné-Bissau poderá ter um défice de 89 mil toneladas de arroz limpo no próximo ano. Outra agravante é apontada, para além da falta de chuva: o facto de, no país, os métodos agrícolas continuarem a ser rudimentares.

Pouca chuva e muito sal nos solos – o cerne do problema

A produção guineense de arroz depende, em grande medida, da chuva, sobretudo no sul do país. A água da chuva é, segundo os peritos, muito necessária, sobretudo em áreas baixas da Guiné-Bissau. É necessária principalmente para a dessalinização das bolanhas (arrozais alagados), antes do cultivo do arroz.

Por isso, se continuar a chover pouco, a Guiné-Bissau “poderá ter um grande défice no próximo ano, sobretudo devido à concentração de sal e acidez nos solos”, explica Rui Djata, o diretor do Serviço da Engenharia Rural.

Para melhor precaver o risco das alterações climáticas, seria urgente apostar na construção de diques e micro-barragens.

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Será Que Vai Haver Mudanças na Guiné-Bissau Depois das Eleições?

 

guine_eleiçoesA reunião de sexta-feira foi anunciada pelo presidente do partido, Domingos Simões Pereira, que será o novo primeiro-ministro, depois de o PAIGC ter vencido as eleições legislativas de domingo(13.04) com maioria absoluta. Nas presidenciais, o candidato do PAIGC, José Mário Vaz, foi o mais votado, mas ficou abaixo dos 50% necessários para assumir o cargo, sendo necessária uma segunda volta, marcada para 18 de maio, com o candidato independente Nuno Nabiam.

Resultados que Vincent Foucher, investigador do International Crisis Group (ICG), actualmente na Guiné-Bissau, considera um sinal de mudança. A DW África quis saber se esta é também uma indicação de um sinal de distanciamento do aparelho militar. O analista responde que sim e acrescenta “acho que significa claramente que a maioria dos guineenses não estava contente com o golpe de Estado que aconteceu a 12 de abril e queria algo novo. Acho que todos, incluindo os militares, compreenderam o preço elevado a pagar pelos golpes de Estado. Talvez esta tenha sido uma experiência de aprendizagem”.

Instabilidade acabou na Guiné-Bissau?

ICG segue com atenção a evolução da situação na Guiné-Bissau

Um dia depois de conhecidos os resultados das eleições gerais, a pergunta que se impõe é se será este o ponto final na instabilidade político-militar na Guiné-Bissau. Há quem tema um golpe de Estado ainda antes da segunda volta das presidenciais, tal como aconteceu em 2012, após a vitória de Carlos Gomes Júnior, na altura, líder do PAIGC. Por isso, o actual período de revelação e análise dos resultados é visto com alguma apreensão. Mas, Vincent Foucher afasta a hipótese de um novo golpe de Estado, pelo menos, para já: “Claro que é sempre uma possibilidade, mas, dado o alto envolvimento internacional, parece-me difícil. Já a violência política…é outra questão. Este país tem uma longa história de políticos e militares vítimas de ataques violentos, por vezes mortais. É recorrente, uma hipótese que não pode ser excluída. Mas acredito que, pelo menos a médio prazo, não haverá um golpe de Estado.

População guineense é contra golpes militares

O PAIGC venceu as eleições legislativas com maioria absoluta, mantendo assim o domínio do parlamento, mas perde lugares em relação às últimas legislativas, de 2008, baixando a representação de 67 para 55 deputados. Ainda assim, consegue uma vitória clara que, segundo o investigador do International Crisis Group, revela que a população não está contente com o passado recente do país, nomeadamente o golpe de Estado de abril de 2012.

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“Porque a Nossa Voz Conta, Unam-se pela Criança”, Manifesto de Crianças e Jovens Guineenses

criançasDizem ser a maioria, até porque representam 64% da população guineense e apelam a mudança. Crianças e os jovens guineenses apresentaram hoje um Manifesto intitulado “Porque a Nossa Voz Conta: Unam-se pela Criança”.

“República di mininos” pede Agenda Nacional para a Criança na Guiné-Bissau

O documento de duas páginas que espelha a realidade social das crianças e jovens guineenses e apresenta propostas aos políticos que concorrem as eleições gerais de 13 de Abril próximo, cuja campanha eleitoral entra no sétimo dia.

São crianças e jovens que assim queram passar as suas mensagens junto aos candidatos presidenciais e partidos políticos que concorrem às eleições gerais de 13 de Abril.

Identificados por República di Mininos, coincidentemente o título do filme do cineasta guineense Flora Gomes, as crianças e jovens guineenses indignados, apreensivos, revoltados, preocupados, inquietos, afectados, defraudados, cansados e tristes, atributos qualificativos que constam do Manifesto apresentado hoje, dizem ainda: agastados

Eles dizem ser a maioria, até porque representam 64% da população guineense e por conseguinte apelam a mudança.

Aos políticos que concorrem ou não ao escrutínio geral do próximo mês, exigem que se unam, se reconciliem, que façam concessões e que sejam tolerantes ums para com os outros.

No entender das crianças e jovens guineenses, só assim será possível criar um ambiente favorável conducente á paz e estabilidade nacional, como disse Bacar Mané vice-presidente do parlamento infantil da Guiné-Bissau:

Para esta tarde, os meninos e jovens guineenses agendam um comício em Bissau para detalhar o conteúdo e os objectivos deste manifesto em que se pode ler ainda que as crianças e os jovens guineenses até aos 24 anos de idade propõem que os candidatos e dirigentes do país, assim como os que estarão na oposição, se comprometam a adoptar os princípios e a implementar acções de uma Agenda Nacional para a Criança, como roteiro para construir um Estado onde os direitos humanos da criança sejam garantidos.

Voz da América/Alvaro Ludgero Andrade


23 Partidos Formam Coligação Para as Eleições de Março na Guiné-Bissau

guine_bissauVinte e três partidos da Guiné-Bissau rubricaram hoje um acordo de coligação para as eleições gerais de 16 de Março nas quais pretendem apresentar um candidato para a presidência da Republica, disse aos jornalistas Afonso Té, coordenador do grupo.

A nova coligação vai se chamar Fórum Guiné-Bissau e congregará na sua maioria partidos sem representação no actual Parlamento com excepção do Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), que conta com um deputado.

O partido União Patriótica Guineense de Fernando Vaz, actual porta-voz do Governo de transição é também membro da nova coligação que, nas palavras de Afonso Té, lider do PRID, pretende chegar ao poder nas próximas eleições.

“É nossa intenção concorrer numa frente única de partidos para atingir o poder”, disse Afonso Té, salientando que nos próximos dias haverá uma reunião da nova coligação a partir da qual vai ser decidida quem serão candidatos às presidenciais e ao cargo de primeiro-ministro.

Afonso Té diz que se o Fórum Guiné-Bissau ganhar as eleições vai iniciar “uma verdadeira reforma” no país a começar pela administração pública e o sector de defesa e segurança.

A maioria de partidos que integram o Fórum Guiné-Bissau fazem parte do grupo de forças políticas que apoiam o Governo de transição constituído na sequência do golpe de Estado militar de Abril de 2012.

Para Afonso Té, o facto de terem estado juntos há mais de dois anos faz com que haja entendimento entre os membros da nova coligação.

Atualmente, está a decorrer o recenseamento no país para as eleições que deverão decorrer em 2014. Inicialmente, chegou a ser apontada a data de Março mas existe a possibilidade de novos adiamentos.

Lusa / NJ


Imagem da Guiné Bissau Ficou Deteriorada com o Caso TAP

tapO presidente de transição da Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, confirmou, no seu discurso à Nação de fim do ano, que o “incidente com a TAP” deteriorou a imagem externa do país.

Além de prejudicar a imagem do país, Serifo Nhamadjo afirmou que a passagem dos cidadãos sírios pela Guiné-Bissau, de onde partiram para Portugal e onde acabariam por pedir asilo político complicou também as relações com Portugal.

“É verdade que o incidente da passagem por Bissau, a caminho de Lisboa, de 74 cidadãos sírios veio acrescer mais uma acha nas já deficitárias relações entre o nosso país e Portugal”, disse Nhamadjo.

No passado dia 10 deste mês 74 sírios, entre adultos e crianças, embarcaram à força no aeroporto de Bissau, depois de pressões à tripulação da TAP, por parte do ministro guineense do Interior, para Portugal sob alegação de constituírem perigo para a segurança interna da Guiné-Bissau.

Para o presidente de transição, o incidente complicou as relações com Portugal, afetou a imagem externa da Guiné-Bissau e ainda “lesa a dignidade dos guineenses”.

Nhamadjo diz, contudo, que aguarda pelo posicionamento da Justiça e do primeiro-ministro, Rui de Barros, para depois tomar uma decisão.

“Como é do conhecimento público tanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, que tutela as embaixadas, como o ministro do Interior, que tutela as migrações, colocaram os seus lugares à disposição do chefe do Governo”, lembrou Nhamadjo.

Perante este e outros factos invocados no discurso de fim do ano, o presidente guineense questionou os seus concidadãos sobre os caminhos a tomar para o novo ano.

Para Nhamadjo só resta aos guineenses trabalharem para que o país possa retomar a normalidade constitucionalmente interrompida com o golpe de Estado militar de Abril de 2012.

Nhamadjo instou os guineenses a continuarem “com a mesma determinação”, empenho e “capacidade de sofrimento”, mas mantendo sempre a coesão na diversidade.

“Devemos levar a cabo aquilo que a Nação e toda a comunidade internacional espera de nós, a realização de eleições gerais (…) bem como a criação de condições para um efetivo retorno à normalidade constitucional”, observou o presidente guineense.

As eleições gerais (legislativas e presidenciais) estão marcadas para 16 de Março.

Lusa / NJ