54 Anos Depois Paraquedista Português Morto em Angola Regressa a Portugal

A trasladação para Portugal dos restos mortais do soldado paraquedista António Silva, morto em 1963 em Angola, deve relançar a questão do regresso dos militares sepultados em solo angolano, disse à Lusa Isidro Esteves.

Sargento paraquedista na reserva, Isidro Esteves construiu, na sua página no Facebook, um “álbum” com as fotos das “quase 300 campas” de soldados portugueses que se mantêm no talhão militar do antigo Cemitério Novo, atualmente Santana, situado na estrada de Catete, em Luanda, fotografadas a seu pedido por um amigo, em 2012.


Bié e a Guerra dos Nove Meses, 45 Mil Mortos e 50 Mil Feridos

bié_2Um retrato que atravessou o mundo e ficou para a história. Entre matas e aldeias ensanguentadas, um povo faminto, doente e desorientado em busca de forças para sobreviver. A imagem desoladora repercutiu em cada pedaço de chão de um extenso território, com 70.314 quilómetros quadrados. Ilustrou um duro acontecimento que deixou perto de 45 mil mortos e 50 mil feridos: a guerra dos nove meses.

Era o conflito pós-eleitoral de 1993, que relegou 516 mil cidadãos à dura condição de deslocados, no município do Cuito, capital da província do Bié. O confronto brutal ceifou milhares de mulheres, crianças e idosos. Fez centenas de órfãos e viúvas, ávidos de pão e já sem lágrimas para chorar.


Documentário Sobre a Guerra Colonial “Guerra ou Paz” na Cinemateca Portuguesa em Lisboa

guerra-ou-paz-580A Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, vai ser palco da ante-estreia do documentário “Guerra ou Paz”, de Rui Simões. A longa-metragem debruça-se sobre a época de guerra colonial e conta com testemunhos de portugueses e angolanos que viveram ou estudaram o conflito.

“Entre 1961 e 1974, 100.000 jovens portugueses partiram para a guerra nas ex-colónias. No mesmo período, outros 100.000 saíram de Portugal para não fazer essa mesma guerra. Em relação aos que fizeram a guerra, já muito foi dito, escrito, filmado. Em relação aos outros, não existe nada, é uma espécie de assunto tabu na nossa sociedade. Que papel tiveram esses homens que ‘fugiram à guerra’ na construção do país que somos hoje? Que percursos fizeram? De que forma resistiram?”, assim é apresentada a obra de Rui Simões.

O lançamento, que acontecerá no próximo dia 4 de Abril, insere-se nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução dos Cravos. A temática inside sobre os refractários e desertores da guerra colonial. Poderão ser ouvidos testemunhos tanto de portugueses como de angolanos, sendo que não faltará o cunho do próprio realizador. Outros nomes de destaque são o do arqueólogo Cláudio Torres, do cartoonista Vasco de Castro, do músico Luís Cila e do escritor angolano António Setas. Arlindo Barbeiros, João Freire, José Mena Abrantes, Manuel dos Santos Lima e Manuela Torres deixam também o seu testemunho. Eduardo Lourenço e Myriam Zaluar são contemplados com uma participação especial.

Após a ante-estreia o documentário estará em exibição no Teatro do Bairro, também na capital portuguesa, de 21 a 25 de Abril. O dia 15 marcará o seu lançamento em DVD nas lojas FNAC.

VerAngola


O Dia dos Mártires da Repressão Colonial é Assinalado Hoje em Angola

46176Há 53 anos o exército português bombardeou a região da Baixa de Cassanje, na província de Malanje, gerando a revolta angolana que originou, a 4 de fevereiro de 1961, o início da luta armada pela libertação do regime colonial luso.

Angola assinala este sábado, 4 de janeiro, o 53º aniversário do Dia dos Mártires da Repressão Colonial, data instituída em homenagem aos compatriotas angolanos assassinados pelo exército português na região da Baixa de Cassanje, província de Malanje.

A 4 de Janeiro de 1961, o regime colonial português massacrou milhares de camponeses da zona da Baixa de Cassanje, nordeste do país. Estas violências ocorreram num contexto de greve dos trabalhadores da fazenda de algodão Cotonang.

Cansados de tanta exploração e humilhação, os camponeses decretaram uma greve geral na Baixa de Cassanje e, em resposta, a aviação portuguesa bombardeou-os com bombas de Napalm, matando cerca de 20 mil pessoas.

Este acontecimento despertou a consciência dos nacionalistas angolanos e acabou por ser o germe do movimento que a 4 de fevereiro de 1961, proporcionou o início da luta armada de libertação nacional em Luanda, a qual culminou com a proclamação da independência nacional, em 11 de novembro de 1975.

Apesar de esta data ser considerada um marco importante da história de Angola, à luz de uma lei adoptada em 2011 pela Assembleia Nacional, o dia 4 de janeiro deixou de ser feriado e passou a ser uma data de Celebração Nacional.

África 21


Guerra foi Banida Para Sempre de Angola

Presidente da bancada parlamentar da FNLA, Ngola Kabangu

O espírito de guerra que reinou em Angola durante cerca de 30 anos foi banido com o alcance da paz que deve ser preservada para sempre, afirmou hoje o presidente da bancada parlamentar da FNLA, Ngola Kabangu.
Em entrevista a Angop, a propósito dos ganhos alcançados nos país após nove anos de paz, o político referiu que não há duvidas que em quase todo o território nacional a paz é uma realidade, uma vez que já há circulação de pessoas e bens da capital para as províncias e vice versa. Angop
“ A paz militar alcançada com a assinatura do Memorando de Entendimento a 4 de Abril de 2002 deve ser transformada rapidamente em paz social, e política, de forma a se criarem as condições de estabilidade necessárias para o país”, realçou.

Frisou que “é a paz social e política que cria as condições de estabilidade que permitem as diferentes forças políticas viverem bem num espaço geográfico próximas umas das outras, independentemente do seu programa de acção”.

Ngola Kabangu explicou que este pressuposto significa, em outros termos, concertação nacional, tolerância política e, por outro lado, a paz política cria as condições para a paz social permitindo a melhoria do bem estar das populações.

“Nós gostaríamos que o Executivo criasse condições para que todos nós pudéssemos trabalhar para que haja uma paz política e social em Angola, o que significa a criação de condições sócio económicas para que possamos trabalhar para o desenvolvimento de Angola”, asseverou.

Lamentou ainda o facto de se registarem relatos de intolerância política, em alguns pontos do país, situação que, segundo o político, pode ser superada com diálogo e compreensão tanto das autoridades estatais como dos representantes dos diversos partidos.

“As forças políticas percorrem o território nacional para transmitirem a sua mensagem, e desenvolvem as suas actividades que muitas vezes é mal compreendida pelas autoridades, mas devemos trabalhar rapidamente para banir este espírito de intolerância política uma vez que o mesmo não permite o desenvolvimento da democracia”, pontualizou.

Realçou que “em Angola ainda temos uma democracia muito frágil e jovem que tem de ser dinamizada, uma vez que democracia significa fundamentalmente ter um discurso contraditório o que nem sempre significa uma contradição aguda”.

Na ocasião, apelou a todas as franjas da sociedade civil, desde igrejas e associações cívicas a respeitarem a lei para que possam actuar plenamente, podendo exprimir a sua opinião, uma vez que ela fortalece a democracia.

Angop