Verdadeiros Lideres Poderiam Ter Evitado Guerra Colonial

O historiador e fuzileiro norte-americano John Cann considerou hoje à agência Lusa que a guerra colonial que Portugal enfrentou nas três frentes em África — Angola, Guiné e Moçambique — teriam sido evitáveis se, dos dois lados, houvesse líderes visionários.

“Talvez fossem evitáveis, mas só se houvesse verdadeiros líderes visionários, mas esta situação não existia. Primeiro, [o presidente do Conselho português, António de Oliveira] Salazar tolerava pouca liberdade política interna, pelo que estava ainda menos inclinado para a tolerar nas então colónias”, sustentou.

John P. Cann, reformado dos Marines (1992), tem publicado desde então uma série de livros de história sobre o envolvimento de Portugal nas três frentes de guerra, com o último, publicado este mês pela editora Tribuna da História, a intitular-se ‘Os Flechas: Caçadores Guerreiros no Leste de Angola — 1965/74’.

John Cann, doutorado em Estudos de Guerra pelo Kings College, da Universidade de Londres, lembrou que, antes do início do conflito em Angola, as condições na antiga colónia portuguesa eram “péssimas”, dando como exemplo o caso das práticas de trabalhos forçados.


54 Anos Depois Paraquedista Português Morto em Angola Regressa a Portugal

A trasladação para Portugal dos restos mortais do soldado paraquedista António Silva, morto em 1963 em Angola, deve relançar a questão do regresso dos militares sepultados em solo angolano, disse à Lusa Isidro Esteves.

Sargento paraquedista na reserva, Isidro Esteves construiu, na sua página no Facebook, um “álbum” com as fotos das “quase 300 campas” de soldados portugueses que se mantêm no talhão militar do antigo Cemitério Novo, atualmente Santana, situado na estrada de Catete, em Luanda, fotografadas a seu pedido por um amigo, em 2012.


Bié e a Guerra dos Nove Meses, 45 Mil Mortos e 50 Mil Feridos

bié_2Um retrato que atravessou o mundo e ficou para a história. Entre matas e aldeias ensanguentadas, um povo faminto, doente e desorientado em busca de forças para sobreviver. A imagem desoladora repercutiu em cada pedaço de chão de um extenso território, com 70.314 quilómetros quadrados. Ilustrou um duro acontecimento que deixou perto de 45 mil mortos e 50 mil feridos: a guerra dos nove meses.

Era o conflito pós-eleitoral de 1993, que relegou 516 mil cidadãos à dura condição de deslocados, no município do Cuito, capital da província do Bié. O confronto brutal ceifou milhares de mulheres, crianças e idosos. Fez centenas de órfãos e viúvas, ávidos de pão e já sem lágrimas para chorar.


Documentário Sobre a Guerra Colonial “Guerra ou Paz” na Cinemateca Portuguesa em Lisboa

guerra-ou-paz-580A Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, vai ser palco da ante-estreia do documentário “Guerra ou Paz”, de Rui Simões. A longa-metragem debruça-se sobre a época de guerra colonial e conta com testemunhos de portugueses e angolanos que viveram ou estudaram o conflito.

“Entre 1961 e 1974, 100.000 jovens portugueses partiram para a guerra nas ex-colónias. No mesmo período, outros 100.000 saíram de Portugal para não fazer essa mesma guerra. Em relação aos que fizeram a guerra, já muito foi dito, escrito, filmado. Em relação aos outros, não existe nada, é uma espécie de assunto tabu na nossa sociedade. Que papel tiveram esses homens que ‘fugiram à guerra’ na construção do país que somos hoje? Que percursos fizeram? De que forma resistiram?”, assim é apresentada a obra de Rui Simões.

O lançamento, que acontecerá no próximo dia 4 de Abril, insere-se nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução dos Cravos. A temática inside sobre os refractários e desertores da guerra colonial. Poderão ser ouvidos testemunhos tanto de portugueses como de angolanos, sendo que não faltará o cunho do próprio realizador. Outros nomes de destaque são o do arqueólogo Cláudio Torres, do cartoonista Vasco de Castro, do músico Luís Cila e do escritor angolano António Setas. Arlindo Barbeiros, João Freire, José Mena Abrantes, Manuel dos Santos Lima e Manuela Torres deixam também o seu testemunho. Eduardo Lourenço e Myriam Zaluar são contemplados com uma participação especial.

Após a ante-estreia o documentário estará em exibição no Teatro do Bairro, também na capital portuguesa, de 21 a 25 de Abril. O dia 15 marcará o seu lançamento em DVD nas lojas FNAC.

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O Dia dos Mártires da Repressão Colonial é Assinalado Hoje em Angola

46176Há 53 anos o exército português bombardeou a região da Baixa de Cassanje, na província de Malanje, gerando a revolta angolana que originou, a 4 de fevereiro de 1961, o início da luta armada pela libertação do regime colonial luso.

Angola assinala este sábado, 4 de janeiro, o 53º aniversário do Dia dos Mártires da Repressão Colonial, data instituída em homenagem aos compatriotas angolanos assassinados pelo exército português na região da Baixa de Cassanje, província de Malanje.

A 4 de Janeiro de 1961, o regime colonial português massacrou milhares de camponeses da zona da Baixa de Cassanje, nordeste do país. Estas violências ocorreram num contexto de greve dos trabalhadores da fazenda de algodão Cotonang.

Cansados de tanta exploração e humilhação, os camponeses decretaram uma greve geral na Baixa de Cassanje e, em resposta, a aviação portuguesa bombardeou-os com bombas de Napalm, matando cerca de 20 mil pessoas.

Este acontecimento despertou a consciência dos nacionalistas angolanos e acabou por ser o germe do movimento que a 4 de fevereiro de 1961, proporcionou o início da luta armada de libertação nacional em Luanda, a qual culminou com a proclamação da independência nacional, em 11 de novembro de 1975.

Apesar de esta data ser considerada um marco importante da história de Angola, à luz de uma lei adoptada em 2011 pela Assembleia Nacional, o dia 4 de janeiro deixou de ser feriado e passou a ser uma data de Celebração Nacional.

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