Com a Crise Angolana Regressou a Portugal um Terço dos Trabalhadores Portugueses Expatriados

Estimativa foi feita por responsáveis de Portugal e Angola, nas vésperas da visita do primeiro-ministro português, António Costa, a Luanda.

Pelo menos um terço dos trabalhadores portugueses expatriados em Angola regressou a Portugal no pico da crise económica que assola Angola desde 2014, altura em que baixaram significativamente os preços do crude nos mercados internacionais.

A constatação foi feira à agência Lusa por responsáveis oficiais de Portugal e de Angola em vésperas da primeira visita de um primeiro-ministro português, a de António Costa, desde a efetuada em 2007 pelo então chefe do Governo de Lisboa, José Sócrates, que admitiram, porém, haver uma expectativa de regresso.

Números oficiais não há, reconheceram as fontes dos dois países, que pediram para não serem identificadas, pelo que se trata de uma mera estimativa, “por baixo”, uma vez que foram muitas as micro, pequenas e médias empresas que, face ao diminuto volume de negócios, acabaram por não resistir à crise, fechar portas e regressar a Portugal.

Por outro lado, as empresas portuguesas sofreram com o atraso no pagamento pelo Estado angolano, nalguns casos desde 2013/2014 e pela dificuldade, mais tarde, em transferir os lucros para as “casas-mãe” em Portugal, “questão sensível” que fonte diplomática angolana vê como “reflexo natural” da crise económica em Angola.


Em Angola os Preços Estão a Subir Menos

Os preços estão a subir menos, com a inflação ainda acima dos 18,5% em Agosto, apesar da depreciação do Kwanza, traduzindo, ao mesmo tempo, a quebra registada no crescimento da economia

Os preços continuam a descer de uma forma sustentada. A inflação registada em Agosto foi, segundo o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o índice de preços no consumidor, em comparação com o mesmo mês do ano passado, de 18,56% (em Agosto de 2017 a inflação nacional ainda se situava em 25,18%), descendo a variação mensal pelo quarto mês consecutivo.

O ano arrancou com a inflação em 23,67%, valor apurado em Dezembro, verificando-se assim, até agora, uma descida superior a cinco pontos. A variação mensal dos preços tem registado um ou outro recuo, mas observa-se, desde o início de 2017, uma inversão de marcha na subida dos preços.

Este abrandamento no aumento do custo de vida é tanto mais significativo quanto ocorre paralelamente à depreciação do kwanza, com a adopção, no início do ano, de um novo modelo cambial, em que se admite uma banda de variação para o valor da moeda nacional.

O governado do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, disse a OPAÍS, num primeiro balanço do novo regime cambial, que ‘haveria que esperar’ pela reposição de stocks para se sentir o efeito que a depreciação, tornando as importações mais caras, teria sobre os preços. Se a descida da inflação traduz o acerto da política seguida nos planos monetário e cambial, reflecte também a desaceleração da economia, que caiu 2,2% no primeiro trimestre deste ano, mesmo assim menos, é certo, que nos últimos três meses de 2017.


Isabel dos Santos-Continuamos Mergulhados Numa Profunda Crise e Com o Petróleo em Alta

Na sua conta do Twitter, a empresária angolana Isabel dos Santos questiona a morosidade do país sair da “crise profunda” quando o petróleo está na casa dos USD 80.

Afastada dos comandos da petrolífera estatal Sonangol, depois de o pai ter deixado a presidência de Angola, a filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos recorreu ao twitter para lançar farpas ao atual presidente do país. Junto com uma imagem do preço do barril de petróleo nos mercados financeiros, Isabel dos Santos pergunta “qual a estratégia” do executivo para reverter a “profunda crise económica” em que Angola continua mergulhada.

“Preço do barril está atingir barra de USD 80/barril. Faz quase 1 ano de “petróleo está em alta”, continuamos mergulhados numa profunda crise econômica, Angola está em recessão. Empresas angolanas com perdas financeiras enormes. Qual a estratégia”, questiona.

No primeiro trimestre deste ano, a economia angolana arrecadou 8.350 milhões de dólares (6.800 milhões de euros), com uma produção abaixo do previsto mas com receitas acima daquilo que o Governo tinha fixado para esse mesmo período, devido ao elevado preço a que o barril estava a ser negociado (e que ainda era inferior ao atual). Entre janeiro e março, entraram mais 1,3 mil milhões de euros nos cofres do Estado


Nos Últimos Três Anos Mais do Que Duplicou o Crédito Mal Parado em Angola

O volume de crédito malparado na banca angolana mais do que duplicou nos últimos três anos, chegando a 26% do total concedido até Junho último.

O volume de crédito malparado na banca angolana mais do que duplicou nos últimos três anos, chegando a 26% do total concedido até Junho último.

O anúncio foi feito esta quinta-feira pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, quando proferia, em Luanda, o discurso de abertura da 13.ª edição do estudo “Banca em Análise 2017”, elaborado pela Deloitte Angola.

“Este aumento das dificuldades de reembolso dos empréstimos por parte das famílias e empresas é mais sentido nos sectores do comércio, da construção e actividades mobiliárias, reflexos do ritmo de crescimento da economia nos anos mais recentes”, acrescentou.

Face ao “cenário preocupante”, o responsável deu a conhecer que decorrem trabalhos juntamente com a associação do setor bancário em busca de “melhores soluções para o aumento da concessão de crédito à economia em condições de maior segurança”.


Actual Director da Educação na Huíla e o Antigo Director das Finanças Detidos por Roubo Milionário

Actual director da Educação na Huíla Américo Chicoty e o antigo director das Finanças, Sousa Dala (na foto) agora no Huambo) estão detidos nas instalações da SPIC Huila, no Lubango, desde a manhã de hoje.

Em causa, o desvio de milhões de Kwanzas que serviriam para pagar aos professores da província.

No mesmo processo, foram detidos ainda na semana passada dois responsáveis da empresa CIKO SOLUÇÕES GESTÃO E EMPREENDIMENTOS, com sede em Luanda, representada por Costa de Oliveira, à qual tinha a responsabilidade da aquisição de laboratórios orçados em 199 milhões, 999 mil, 999 Kwanzas e 96 cêntimos.

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