O Petróleo Caiu Hoje de Forma Dramática nos Principais Mercados Mundiais

O barril de petróleo caiu hoje de forma dramática nos principais mercados mundiais, com o Brent de Londres, que serve de referência às exportações angolanas a descer quase cinco USD em menos de 24 horas, numa “prenda” tão negativa quanto inesperada para o Executivo de João Lourenço que hoje leva ao Parlamento a sua proposta de Orçamento Geral do estado (OGE) para 2019.

A aritmética que demonstra o imbróglio em que o Governo pode estar é simples: o OGE para 2019 foi elaborado com base num preço médio do barril nos 68 dólares norte-americanos e às 08:30 (hora de Luanda) de hoje, no Brent londrino, estava a ser vendido a menos 3, 29 USD que o valor estimado para 2019 pela equipa económica do Executivo angolano.

A razão para esta situação, como o NJOnline antecipava ontem, é que o conjunto das economias globais, especialmente as grandes economias norte-americana, chinesa e indiana, estavam a acumular stocks enormes devido ao aumento da oferta gerada com o crescimento da produção efectivada em Junho pela Arábia Saudita, deixando, como não acontecia há pelo menos dois anos, a procura aquém do disponível.

Em Junho, a Arábia Saudita e a Rússia, que integram a denominada OPEP+, nascida do acordo assinado em finais de 2016 entre a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e 11 produtores não-membros liderados pela Rússia como forma de controlar a produção e os preços que, na época, estavam extremamente baixos, decidiram aumentar a produção em mais de 500 mil barris por dia, como exigia o Presidente dos EUA, Donald Trump.


Fim do Défice das Contas Públicas Ainda em 2018 é Previsão do Governo Angolano

O Governo angolano estima um crescimento económico de 2,8% no próximo ano e um superavit de 0,6% em 2018, que aumenta para 1,5% do Produto Interno Bruto em 2019, segundo a proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE).

De acordo com o relatório de fundamentação do OGE para 2019, a proposta governamental, entregue na quarta-feira na Assembleia Nacional, assenta num crescimento impulsionado pelo setor petrolífero, de 3,1%, enquanto o setor não petrolífero deverá crescer 2,6%.

A proposta do OGE para 2019 contempla despesas e receitas no montante de 11,345 biliões de kwanzas (32.340 milhões de euros), um aumento absoluto de 17,1% relativamente ao documento de 2018.

O Governo prevê atingir em 2019 um Produto Interno Bruto (PIB) – toda a riqueza produzida no país – de 34,807 biliões de kwanzas (99,2 mil milhões de euros), e um saldo positivo – superavit – de 1,5%, equivalente a mais de 500 mil milhões de kwanzas (1.425 milhões de euros).

Na proposta de OGE para 2019 são ainda revistas as previsões macroeconómicas para 2018, com o Governo a estimar a “retoma” de saldos positivos, com um superavit de 0,6% do PIB, contrariamente à previsão inscrita no documento em vigor, que é de um défice de 3,2%.


Crescimento Económico em Angola Vai Ser Liderado Pelo Sector Não Petrolífero

Angola prevê até 2022 um crescimento médio anual em termos reais de 3%, indicam as projeções do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, com o setor não petrolífero (5,1%) a liderar as receitas face às perspetivas negativas do petrolífero (-1,8%).

O PDN foi esta terça-feira apresentado, em Luanda, pelo ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, numa cerimónia presidida pelo ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior.

No discurso de abertura do ato, Manuel Nunes Júnior disse que está previsto que, até 2022, o setor petrolífero venha a conhecer um crescimento médio anual negativo a rondar 1,8%.

“Isto significa que o setor não petrolífero terá de ter um crescimento suficientemente forte para contrabalançar este sinal negativo do setor petrolífero”, sublinhou.

Manuel Nunes Júnior destacou que, no domínio não petrolífero, os principais motores do crescimento serão os setores da agricultura, com uma taxa média de crescimento de 8,9%, pescas (4,8%), indústria transformadora (5,9%), serviços, incluindo o turismo (5,9%) e a construção (3,8%).


“Severos Ventos Contrários” Para a Recuperação Económica em Angola

O Standard Bank aponta a redução na produção de petróleo como um “fator fundamental que está a complicar a recuperação económica e a normalização da oferta de moeda estrangeira no país”.

O departamento de estudos económicos do Standard Bank considerou esta terça-feira que Angola está a enfrentar “severos ventos contrários” e apontou que a redução na produção petrolífera está a complicar a recuperação económica.

“A economia angolana continua a enfrentar severos ventos contrários, contraindo 7,4% no segundo trimestre deste ano, depois de uma contração de 4,7% no primeiro trimestre em termos homólogos”, escrevem os analistas.

Na nota de imprensa sobre a evolução do PIB (toda a riqueza produzida no país), com base em dados do Departamento de Contas Nacionais e Coordenação Estatística, a atividade económica caiu 4,6% no primeiro trimestre do ano, e agravou a queda para 7,4% no segundo trimestre face aos trimestres homólogos do ano passado, resultando numa quebra semestral de 6,05%.


No Segundo Trimestre Deste Ano Aumentou a Recessão da Economia Angolana

A economia angolana agravou o cenário de recessão no segundo trimestre, com uma queda de 7,4% no Produto Interno Bruto (PIB) face ao período homólogo de 2017, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola.

De acordo com a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgada terça-feira (16), sobre a evolução do PIB (toda a riqueza produzida no país) angolano, com base em dados do Departamento de Contas Nacionais e Coordenação Estatística, este desempenho foi afetado sobretudo por setores como as pescas (-10,0%), indústria transformadora (-8,8%), extração e refinação de petróleo (-8,4%) e extração de diamantes e outros minerais (-6,1%).

Trata-se da terceira quebra homóloga (-7,4%) no PIB angolano mais acentuada no histórico disponibilizado pelo INE, desde 2010, apenas ultrapassada pela queda de 11,33% no quarto trimestre de 2015 e pela descida de 7,55% no terceiro trimestre de 2016.

É também o terceiro trimestre consecutivo de queda da economia angolana, que se mantém em recessão (pelo menos dois trimestres consecutivos em quebra).

No mesmo documento, a que a Lusa teve acesso, o INE agravou a previsão anterior de queda do PIB no primeiro trimestre de 2018, que passou dos -2,2% divulgados em agosto para os atuais -4,66%.