Nove Anos Depois a Cidade do Dundo na Província da Lunda-Norte Volta a Ter o Aeroporto de Kamakenzo

Já foi reaberto o aeroporto de Kamakenzo, na cidade do Dundo, província da Lunda-Norte. Na ocasião, Augusto da Silva Tomás, ministro dos Transportes, enalteceu a importância daquele aeroporto na região nordeste do país.


A Partir de Outubro Começam a Entrar os Primeiros Moradores da Centralidade do Dundo

-d085b53bdf75A centralidade do Dundo, o maior projecto habitacional da Lunda Norte, começa a receber, a partir de Outubro próximo, os primeiros moradores, anunciou, na terça-feira, o administrador da cidade sede da província.

O projecto habitacional demonstra o compromisso social do Executivo em continuar a trabalhar para proporcionar aos angolanos melhores condições de vida, frisou o administrador da cidade do Dundo, no âmbito de uma visita de campo do vice-governador provincial para Infra-estruturas e Serviços Técnicos, Lino dos Santos, ao distrito urbano de Mussungue, onde está implantada a centralidade do Dundo.

A centralidade do Dundo marca o ponto de partida do processo de urbanização da cidade capital da Lunda Norte e Outubro é um momento histórico porque recebe os primeiros habitantes, disse Alteres Malenga.
A urbanização da cidade do Dundo foi concebida pelo Executivo em 2008, como um projecto estruturante, com o objectivo de solucionar o problema do défice habitacional que muitas famílias enfrentam.


Reabertura do Museu Regional do Dundo

O Museu Regional do Dundo é o mais moderno da região da África Austral e corresponde às exigências dos espaços de divulgação dos hábitos e costumes do povo de uma determinada localidade, a nível internacional, afirmou na quinta-feira Manzambi Vuvu Fernando, director Nacional dos Museus em Angola.
Em declarações ao Jornal de Angola durante a reabertura do museu, o também coordenador do Projecto de Renovação daquela instituição disse que, actualmente, o Museu Regional do Dundo não fica atrás de qualquer outro museu do mundo.
“O Ministério da Cultura cumpriu o seu objectivo, uma vez que a primeira fase do projecto de requalificação da estrutura física foi finalizado com a modernidade exigida pelo Executivo e com as condições requeridas aos museus de renome internacional”.
A reabertura do Museu Regional do Dundo reveste-se de grande importância para a Lunda e províncias circunvizinhas, por ser um espaço de divulgação e de união das suas culturas e povos.
O projecto do museu, explicou, está virado para as origens, expansão e fixação dos povos lunda, around, tchokwe e aparentados, por terem a mesma origem e história, que apesar das diversidades linguísticas ou culturais existentes pertencem a uma mesma cultura. O museu tem no seu acervo mais de 10 mil peças, sendo que 900 estão em exposição, sete mil objectos registados não estão expostos e outros três mil não registados são estudados nos próximos dias por pesquisadores angolanos.
As peças retratam a vivência dos povos da Lunda, Moxico e do noroeste do Kuando-Kubango, desde os primeiros homens. Quanto ao desaparecimento de alguns objectos, referiu que se trata de quatro importantes objectos, pelo seu valor cultural, e que a sua localização é desconhecida. Acrescentou que são imediatamente apreendidas pelas autoridades nacionais ou internacionais caso sejam postas à venda, por estarem registadas.
As mostras, com duração de seis meses a um ano, têm patentes objectos de estudo, nas salas Endiama, Pré-história, Organização Social, Organização Política, Actividades Económicas, Artes e Actividades Lúdicas, Caça, Caça doméstica, Crenças Religiosas e Resistência à Colonização. A segunda fase do projecto, cujo tempo de conclusão não foi revelado, prevê a ampliação do museu com a construção de um depósito, no primeiro piso, e de um laboratório moderno de Biologia. O primeiro espaço inclui seis salas de depósito de artefactos, uma sala de educação e animação cultural e duas salas de investigação.

O laboratório moderno de Biologia vai albergar laboratórios de investigação, depósitos, salas didácticas, anfiteatro e salas de reuniões e administrativas.

Jornal de Angola/Roque Silva


Bairro Samakaka no Dundo

No bairro Samakaka ergue-se a nova centralidade que vai transformar a antiga vila mineira do Dundo numa cidade na verdadeira acepção da palavra. O projecto de execução das obras enquadra-se no programa nacional de habitação traçado pelo Executivo central.
A actual foi herdada da desanexação da antiga Lunda, em 1978, transformando-a numa nova província que perdeu entretanto as infra-estruturas que caracterizam uma cidade para Saurimo, urbe que saiu beneficiada. De acordo com o projectado para aquela cidade, estão a ser construídos 404 edifícios para acolher mais de 30 mil habitantes, numa área de 500 hectares, com equipamentos sociais como centro de saúde, campo de futebol, centro comercial, área de lazer, e outras. Os edifícios têm 12, 9, 6 e três andares, respectivamente, comportando casas dos tipos T 5, T4, T 3 e T 2. O palácio do governo deverá mudar-se igualmente para a nova centralidadde.
A primeira fase deste ambicioso projecto para a cidade de Samanyonga, como será conhecida, vai ser concluída até Setembro de 2012.
O grau de execução decorre a bom ritmo, conforme asseguram os responsáveis da construtora chinesa Pan-China, com experiência em Fachada de edificios da centralidade que está a ser erguida no Dundo vários países africanos, entre eles a Zâmbia, onde construíram um estádio de futebol e um aeroporto.
Dundo dista mil e 300 quilómetros de Luanda, facto que implica um grande esforço em termos logísticos para a Pan-China, que diariamente faz deslocar um comboio de 150 camiões entre Luanda e Dundo para transportar matéria-prima diversa para as obras.
No domínio do fornecimento de água potável, fruto de um investimento significativo nesse domínio, 80 por cento da população do Dundo beneficia de água potável.


Atenção á Cidade do Dundo

Quando em Julho do próximo ano o Dundo receber os primeiros cinco mil apartamentos residenciais, de um total de 24 mil que estão a ser erguidos na Nova Centralidade(NC), situada no bairro da Samakaka, à entrada da cidade, para quem vem de Saurimo, capital da vizinha Lunda Sul, terá uma nova imagem infra-estrutural que normalizará a situação habitacional dos munícipes desta pequena, mas bonita urbe que tem o verde como o seu cartão de visita.
Do conjunto desta portentosa obra arquitectónica que começou a ser construída em 2009, por uma empresa Chinesa, ressalta o edifício de dezoito andares, o que facilitará o leque de opções em termos de aquisição de residências para os que pretenderão viver nesta nova cidade, que, seguramente, será entregue dentro dos prazos acordados, entre o dono da obra, Governo Provincial da Lunda Norte e a empreiteira, segundo apurou O PAÍS.

As obras caminham a passos largos, conforme constatámos a poucos metros do local, embora não tivéssemos o privilégio de falar com os construtores chineses, que se recusaram a prestar quaisquer tipos de declarações à nossa reportagem, alegando falta de autorização dos seus superiores hierárquicos. Nesta empreitada os “amigos asiáticos” contam com a mão de obra barata de angolanos, alguns dos quais encontraram aqui o seu primeiro emprego.

Mas o que mais atrai mesmo qualquer ser mortal é, honestamente a forma como estão a ser feitos os edifícios.

É fantástico! Só se acredita vendo os primeiros edifícios altos, que num futuro breve mudarão a imagem da actual cidade do Dundo, que é caracterizada por casas térreas, com a excepção do Hotel Diamante, o mais recente da cidade. Os munícipes mostram-se já satisfeitos com a conclusão da primeira fase das obras.

Aliás, é muita a curiosidade de querer ver já nascer a sua nova cidade que, certamente, dará uma outra roupagem ao que já existe. Ou seja, juntar o útil ao agradável.

E COMO ESTÁ O ACTUAL DUNDO?

Continua a ser uma cidade pacata e acolhedora, de gente de sorriso nos lábios e muito simpática. Ela continua igual a si mesma, perdão notamse-lhe melhorias significativas em vários sectores da vida quotidiana, começando pelo abastecimento de água, energia eléctrica, saúde, comércio, hotelaria e turismo, agricultura e outros não menos importantes.

No capitulo da água a cidade é abastecida por duas estações de captação e distribuição de Mussungue e Kazunda, que bombeiam água também para a periferia.

Os beneficiários são as populações de Caxinde, Kamacuenzo 1 e 2, Samakaka, Kamatundo, Bairro Benfica, Aeroporto, 4 de Abril e outros, nos quais foram instalados cinquenta e três fontenários, prevendo nos próximos tempos a instalação de mais outros para alargar o raio e contemplar outros que ainda não estão. A água jorra vinte e quatro horas ao dia ininterruptamente, à excepção dos dias em que as estações devem parar para serviços de manutenção.

ENERGIA ELÉCTRICA

Em termos de energia eléctrica, a cidade é abastecida a partir da velha barragem hidroeléctrica de Luachimo, instalada no rio com o mesmo nome, mas por fases, aliadas à sua antiguidade. Foi construída há sessenta e cinco anos e, segundo informações apuradas de fonte do Governo local, a mesma deverá paralisar, por algum tempo, para reabilitação.

A sua paralisação está condicionada à inauguração de uma subestação eléctrica, que assumirá o abastecimento do Dundo e arredores, enquanto decorrer a manutenção. É ela quem abastece também às áreas diamantíferas.

Durante a nossa estada, constatou-se que há um forte empenho das autoridades locais em avançar com a implementação de mais projectos para alargar o fornecimento da energia eléctrica, um pouco em toda a extensão do município do Chitato, que tem o Dundo como a sua sede, segundo ainda uma fonte do Governo. A única resistência que o projecto está a encontrar é a componente financeira. “Como deve compreender, tudo está orçamentado, e projectos desses género requerem um sério investimento”, afirmou a fonte que pediu o anonimato.

REDE SANITÁRIA

A rede sanitária poderá ser alargada num horizonte temporal mais curto. Está em construção um Hospital Regional, também no bairro da Samakaka, para reforçar a capacidade do já existente Hospital Central do Dundo, com apenas 100 camas. As obras estão paralisadas, faz tempo, por falta de dinheiro, mas a boa nova veio do Governo Central que vai assumir o financiamento até à conclusão da mesma, disse a fonte, citando garantias do Vice-Presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos, aquando da sua recente visita às terras de “Samanyonga”.

Para além do Hospital Regional, o município do Chitato conta ainda com outros centros de saúde, distribuídos por alguns bairros, para atender a população circunvizinha em casos de necessidade de primeiros socorros, e os de especialidade são encaminhados para o Dundo, onde estão concentrados os demais serviços para atender à população que aí acorre. Médicos angolanos e estrangeiros asseguram o funcionamento da rede sanitária.

O PAÍS sabe que a província controla mais de cinquenta médicos, segundo dados avançados pelo director provincial da saúde, aquando da inauguração do Hospital municipal de Cambulo, no Nzagi, antiga vila Andrada, “Doutor Eduardo Nelumba” em homenagem ao malogrado médico e nacionalista angolano, falecido no ano passado, por doença. Na altura, o responsável apelava à sensibilidade dos médicos para que fossem trabalhar na província, para engrossar o número dos que já lá existem, que considerava irrisório para atender à demanda.

EDUCAÇÃO E ENSINO

No sector educacional, notam-se também melhorias muito significativas, desde a abertura da Escola Superior Pedagógica(ESPLN), adstrita à Universidade Lueji Ankonda, que engloba ainda as províncias da Lunda Sul e Malanje, tendo a sua sede na capital da Lunda Norte, Para lá da Escola Superior, conta com outras de nível médio, destacando-se o mais recente, o Instituto Médio Politécnico “28 de Agosto”, no popular bairro Samakaka.

Para o alargamento da rede escolar, as antigas instalações da Sociedade Mineira do Luzamba (SML), no Cuango, Sudeste da província, serão transformadas em Instituto Superior Politécnico do Luzamba, segundo anunciou o vice-ministro da educação para a reforma, Narciso Benedito, que foi um dos prelectores do “Fórum de Empreendedorismo” realizado de 30 de Junho a 1 de Julho, quando respondia à pergunta sobre a construção de uma escola agrícola nesta região do Leste solicitada por um dos participantes ao encontro.

O PAÍS soube ainda de fonte segura que, embora haja escolas de todos os níveis no Dundo, ainda existem crianças fora do sistema de ensino, por falta de salas suficientes em alguns bairros distantes desta antiga vila diamantífera, agora transformada em capital de província, depois de ter sido primeiro a minúscula Chitato, situada do outro lado do rio, logo após a divisão administrativa ocorrida em 4 de Julho de 1978 com base no decreto presidencial nº 84/78, assinado pelo primeiro presidente, António Agostinho Neto.

CIRCUITO COMERCIAL

Não é lá tão famoso como era de esperar, pelo mau estado das principais vias de acesso dos diversos pontos à capital da província, impedindo que empresários atinjam a localidade com mercadoria diversificada. É o caso do trajecto Saurimo-Kamissombo Dundo, um percurso de 95 quilómetros altamente degradado, na estarada nacional 230. A maior unidade comercial da cidade é o “ Nosso Super” do grupo PRESILD, situado no bairro Caxinde, implementado pelo Governo Central, mas a sua eficácia pouco tem que se diga. Há por estas paragens, tal como noutras, lojas e cantinas detidas geralmente por comerciantes estrangeiros, sobretudo oeste-africanos.

Nelas pode-se encontrar de tudo um pouco, desde produtos de consumo básico como arroz, feijão, açúcar, produtos farináceos, de higiene, utensílios de cozinha e outros por aí além, isto é, no comércio a retalho, o que localmente é conhecido por “comércio precário”. Mesmo a venda a grosso é detida também por estrangeiros, porque os comerciantes e empresários nacionais reclamam da falta de crédito. Como exemplo, em toda a província só existem seis agências bancárias, sendo a última inaugurada no Dundo nesta segunda-feira, 11, pelo governador Ernesto Muangala.

Crê-se que com a abertura de mais agências se poderá dar um impulso aos bancos para apoiar o empresariado local, que antes da crise económica e financeira internacional socorria-se da exploração e venda de diamantes, obtendo avultadas somas para fazer funcionar o comércio não só no Dundo, mas também em toda a região. Embora em pequena proporção, o bairro Ngakumona, onde está situado o Estádio de Futebol do clube Sagrada Esperança, é tido como a zona comercial da cidade, segundo nos contou o jovem Uzias, que foi o nosso motorista e cicerone, já no segundo dia da nossa reportagem.

HOTELARIA E TURISMO

São dois “monstros adormecidos” e que precisam de ser acordados para exercerem o seu verdadeiro papel.

Existem duas unidades hoteleiras: o Diamante e o Chitato, este último reclama por uma intervenção urgente, por causa da sua acentuada degradação, com todos os riscos que impõe.

Mas os seus proprietários alegam que não têm dinheiro para o fazer, daí continuar a funcionar como está, não se pode fazer “omoletes sem ovos”, desabafou um deles ao nosso jornal.

Quanto ao turismo, a história não difere dos demais sectores: existem pontos atraentes tais como no Kondueji a três quilómetros da cidade, Kachipingi e Kamundembele todos à beira de rios, mas estão subaproveitados por razões várias. Quanto à actividade agro-pecuária, o Dundo conta com um projecto denominado “Kakanda” situado nas imediações da Nova Centralidade, que começará a dar os seus primeiros frutos nos próximos tempos, segundo garantiu um técnico ligado ao projecto.

Ireneu Mujoco/Jornal O País