A Degradação de Terras em Angola Já Atinge Mais de 300 Quilómetros

A degradação de terras em Angola resulta da enorme pressão humana sobre os recursos, motivada por décadas de violência e pelo fenómeno da desertificação, segundo o chefe de departamento de Seca e Desertificação do Ministério do Ambiente, Luís Constantino, no dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação, celebrado anualmente a 17 de Junho, desde 1995, ano em que foi proclamado pelas Nações Unidas.


Estudo do Ministério do Ambiente dá 13 Províncias Angolanas Com Sérios Problemas de Desertificação

desertificacaoTreze das 18 províncias de Angola apresentam sérios problemas de degradação de terras e de seca, de acordo com estudo do ministério angolano do Ambiente.

As províncias afetadas são as do Bengo, de Benguela, do Bié, do Cuanza-Sul, do Cuando Cubango, do Cunene, do Huambo, da Huíla, da Lunda-Norte, da Lunda-Sul, de Malanje, do Moxico e do Namibe.


O Combate à Desertificação Arranca no Namibe por Escolha do Governo Angolano

37150O município do Tômbua, na província do Namibe, gravemente afectado pela desertificação, foi escolhido para o arranque de um projecto-piloto de combate àquele fenómeno, que afecta várias regiões de Angola, noticiou hoje o Jornal de Angola.

O projecto estimado em 960 milhões de kuanzas (7,2 milhões de euros) resulta de um acordo, assinado em 2011, entre o Governo de Angola e uma empresa israelita, Mitrel, com vista a combater o fenómeno.

Segundo o director do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), no Tômbua, Pedro Caetano, aquele município beneficiará de uma nave para processamento de plantas, com uma área calculada em mil metros quadrados, equipada com sistema de rega por prospecção, fornecimento de adubos e fertilizantes, plantas, trabalho de manutenção de terras e meios de transporte.

O projecto inclui ainda a construção de um centro de formação de quadros, com quatro salas, escritório e uma residência e a deslocação, em breve, de quadros angolanos para o Israel para a sua formação e especialização no combate à desertificação.

A cerimónia de lançamento contou ainda com a presença do Secretário de Estado para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, André de Jesus Moda, que atribuiu o fenómeno da desertificação a causas naturais e à intervenção humana.

O Governo angolano pretende elaborar um plano pormenorizado para cinco províncias afectadas pela desertificação, que incluirá a criação de zonas verdes, com cerca de oito quilómetros e a instalação de um sistema de captação independente de água, que será gerenciado durante 18 meses – tempo de duração do projecto – pela parte israelita.

Em Junho deste ano, o Ministério do Ambiente de Angola, por ocasião do dia mundial de Combate à Desertificação, divulgou que cerca de 31 por cento do território angolano é susceptível à desertificação, principalmente as regiões de clima semiárido e sub-húmido, localizados ao longo da orla costeira, zonas de exploração mineira e áreas de elevada exploração da cobertura florestal e de grande concentração de efectivos pecuários.

Lusa / Novo Jornal


A Desertificação, Seu Impacto Socioeconómico e Ambiental

A directora do Centro de Botânica da Universidade Agostinho Neto, Esperança da Costa, defendeu na quarta-feira, em Luanda, a recuperação da Floresta da Bibala, na província do Namibe, no quadro da preparação dos países para as Alterações Climáticas.
Esperança Costa, que dissertava sobre “A desertificação, seu impacto socioeconómico e ambiental”, nas jornadas técnico-científicas sobre florestas e segurança alimentar, que decorrem até hoje, na Escola Nacional de Administração Pública, sublinhou que se deve fomentar e alinhar a pesquisa e conservação da biodiversidade aos esforços do Executivo na construção do grande pilar de Desenvolvimento Sustentável.
“Segundo investigações conduzidas pelo Centro de Botânica e pela Faculdade de Ciências, a Floresta da Bibala tem sido muito devastada.


>A Desertificação, Seu Impacto Socioeconómico e Ambiental

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A directora do Centro de Botânica da Universidade Agostinho Neto, Esperança da Costa, defendeu na quarta-feira, em Luanda, a recuperação da Floresta da Bibala, na província do Namibe, no quadro da preparação dos países para as Alterações Climáticas.
Esperança Costa, que dissertava sobre “A desertificação, seu impacto socioeconómico e ambiental”, nas jornadas técnico-científicas sobre florestas e segurança alimentar, que decorrem até hoje, na Escola Nacional de Administração Pública, sublinhou que se deve fomentar e alinhar a pesquisa e conservação da biodiversidade aos esforços do Executivo na construção do grande pilar de Desenvolvimento Sustentável.
“Segundo investigações conduzidas pelo Centro de Botânica e pela Faculdade de Ciências, a Floresta da Bibala tem sido muito devastada.

Por outro lado, a vegetação de mangal no Norte de Angola e ao longo do Kwanza já mostra sinais acentuados de stress”, disse.
De acordo com a bióloga, a seca e a desertificação afectam directamente o ambiente, pois modificam o habitat de vários seres vivos, interfere no ciclo hidrológico da água, impede o sequestro do carbono pela vegetação e aumenta a radiação e os gases de efeito estufa que atingem a atmosfera. Este fenómeno, segundo explicou, aumenta a concentração de dióxido de carbono e a temperatura, com efeito imediato nas alterações climáticas.
Embora África não seja das regiões com maiores alterações climáticas, devido à sua vulnerabilidade é o continente que mais vai sofrer as consequências disso.“Resultados da investigação revelam que, em quase todo o mundo, a devastação de áreas de mangal para diferentes usos ao longo das duas últimas décadas tem sido alarmante.

Situação preocupante

Só em África, perderam-se cerca de 400 mil áreas de mangais num período de 25 anos, entre 1980 e 2006, tendo as maiores perdas ocorrido no Gabão, Serra Leoa, Guiné-Bissau, Senegal e na República Democrática do Congo. Embora Angola não esteja incluída neste grupo de países, a situação actual já é preocupante”, afirmou.
Professora titular da Universidade Agostinho Neto, Esperança da Costa recomendou a redução da vulnerabilidade e o aumento da resistência dos países, diminuindo a devastação das florestas, o aumento e a eficiência na utilização de fogareiros melhorados para a população, a melhoria das condições sociais da população, a redução das zonas semi-áridas, experimentando culturas autóctones que possam ser adaptadas à região, a continuação da investigação na formação técnica especializada e o fomento da investigação científica na Área da biodiversidade.
As jornadas técnico-científicas sobre florestas e segurança alimentar são organizadas pelo Ministério da Agricultura do Desenvolvimento Rural e Pescas.

António Bequengue/Jornal de Angola