Cuito Cuanavale na Província do Cuando-Cubango Ameaçado Por 50 Ravinas de Ser Engolido

Além de viverem preocupados com as constantes quebras de reservas de medicamentos e a quantidade reduzida de técnicos de saúde na única unidade hospitalar, os munícipes do Cuito Cuanavale, província do Cuando-Cubango, enfrentam agora o desafio de estancar as ravinas

À saída da sede da cidade do Cuito Cuanavale, no sentido que vai à vila de Sá Maria, uma enorme ravina destruiu a estrada que a liga à comuna do Lupire e aos municípios de Mavinga e de Nancova. Esta é uma das mais de 50 ravinas que surgiram em consequências das chuvas que se bateram, este ano, sobre este território da província do Cuando-Cubango. Para não impedir a circulação de pessoas e bens entre as áreas já mencionadas, abriram-se algumas picadas, onde os veículos passam com alguma dificuldade. O regedor municipal do Cuito Cuanavale, Lituai Cativa, em declarações ao jornal OPAÍS e à Rádio Mais (dois órgãos do Grupo Média Nova), disse que o assunto já é do domínio do governo provincial, pelo que aguardam que sejam tomadas as medidas adequadas. “O governador Pedro Mutindi disse-nos que só não intervieram até agora por falta de dinheiro.


Elevar a Património Mundial a Vila do Cuito Cuanavale

O Ministério da Cultura promove diligências para que a vila do Cuito Cuanavale seja elevada a Património Mundial pela Unesco, veiculou a secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade Jesus.

Segundo a secretaria de Estado da Cultura, o trabalho iniciou com a elevação do Triângulo do Tumpo a Património Nacional, no âmbito das comemorações do 30º aniversário da Batalha do Cuito Cuanavale, a 23 de Março do ano em curso. “Para tornar-se Património Mundial é necessário um trabalho científico de fundo, desde a recolha de informações biográficas e orais, dada a existência de muitas pessoas que participaram na Batalha do Cuito Cuanavale”, revelou à imprensa, na sede do Cuito Cuanavale, no final da visita por algums horas de uma delegação conjunta do Ministério angolano da Cultura e a sua congénere sul-africana, encabeçada por Nkosinathi Mthethwa.


Na Comuna do Longa Município do Cuito Cuanavale Foi Inaugurada a Primeira Bomba de Combustíveis

A primeira bomba de abastecimento de gasolina e de gasóleo, afecta a Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA), com capacidade para 60 mi litros, foi inaugurada nesse fim de semana, na comuna do Longa, muniA primeira bomba de abastecimento de gasolina e de gasóleo, afecta a Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA), com capacidade para 60 mi litros, foi inaugurada nesse fim de semana, na comuna do Longa, município do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango. cípio do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango.
A inauguração da bomba, onde vão funcionar seis trabalhadores, foi feita pelo director provincial dos Antigos Combatentes e Veteranos de Pátria, Paulo Jamba “Barata”, em representação do vice-governador do Cuando Cubango para os serviços técnicos e infraestruturas, Bento Francisco Xavier.


A Vitória do Cuito Cuanavale

A efeméride marca a derrota imposta pelas exForças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), conjuntamente com internacionalistas de Cuba, contra militares do antigo regime do apartheid sul-africano, que, na altura, invadiam Angola a partir desta região sudeste do país.

A derrota, em 1988, das então forças militares sul-africanas obrigou o regime do apartheid a promover conversações quadripartidas, que levou à assinatura do acordo de Nova Iorque (EUA) e, consequentemente, a independência da Namíbia e a democratização da África do Sul, com o fim do regime do Apartheid.

A intervenção sul-africana em Angola teve início no período colonial português, com o objectivo de ajudar os colonialistas na luta contra os grupos de guerrilheiros que na altura existiam. A principal base da África do Sul, na altura, estava localizada na região do Cuito Cuanavale.

Após a independência, estas forças voltaram a invadir o país, posicionando as suas tropas até ao sul do Ebo, província do Kwanza Sul, de onde sofreram uma derrota e tiveram de se retirar.

Após este recuo, instalaram-se na Namíbia e daí realizavam incursões no território angolano, sempre com o pretexto de que combatiam os militantes da Swapo e do ANC.

Durante quase mais de uma década, o regime sul-africano tinha como objectivo manter um território no sul de Angola, onde operariam livremente contra o exército angolano.

Ainda durante este tempo, o exército angolano realizou várias operações ao sul do território, com o objectivo de destruir as bases da Unita, e nela foram empregues quatro brigadas (16, 21, 45, 59), que avançaram até às margens do rio Lomba.

A ofensiva das FAPLA estava a ser coroada com grandes êxitos até os sul-africanos introduzirem directamente forças como a brigada 61 motorizada, batalhão búfalo e outras que conseguiram, na altura, parar a ofensiva do Governo angolano.

Animados com este resultado, resolveram realizar outra operação denominada “Hooper”, cujo objectivo era destroçar as brigadas das FAPLA e tomar o Cuito Cuanavale.

As forças governamentais decidiram então abrir duas frentes, sendo uma no Kuando Kubango e outra no Cunene, com o objectivo de realizar uma ofensiva em direcção à fronteira namibiana.

Após grandes combates de artilharia, tanques e bombardeamentos aéreos, que duraram oito horas, as FAPLA conseguiram derrotar as tropas sul-africanas, obrigando-as a se retirar. Nesta batalha, segundo fontes militares, foi quebrado o mito da invencibilidade do exército racista da África do Sul e alterou, “de uma vez por todas”, a correlação de forças na região austral do continente.

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Ravinas Ameaçam População do Cuito Cuanavale

A população da sede municipal do Cuito Cuanavale vive sob a ameaça das ravinas, com alguns populares a porem de parte as actividades do dia-a-dia para se ocuparem exclusivamente deste fenómeno natural, que ameaça apagar do mapa as “terras do rei Bingo Bingo”.
A autoridade tradicional já “atirou a toalha ao tapete”, cansada das lamentações dos que lhe pedem para recorrer aos poderes sobrenaturais, que lhe atribuem, para conterem a fúria das ravinas.
“Esta situação ultrapassa as minhas capacidades, converti-me ao catolicismo, e as questões tradicionais foram relegadas para segundo plano e, por isso, não esperem nada de mim”, advertiu.
A população, face à nova fé do “rei mágico”, arregaçou as mangas e, com os meios terrenos de que dispõe, procura defender casas, cantinas, barracas, ruas, becos, árvores, qualquer bem comum, da fúria das ravinas. E o pior está para vir, quando as chuvas começarem a cair com mais força. Tudo por a vila ter sido erguida em terras movediças.
Uma ravina, que começa nas margens do rio Cuito, com 12 metros de largura e sete de profundidade, atingiu o centro da vila e progride na direcção de outra que nasce nas proximidades do rio Ntiengo. Ambas, com várias ramificações, caminham ameaçadoramente em direcção ao aeroporto, ao monumento histórico e a outras infra-estruturas.
Armando Mandume e Sara Mateus, deputados do MPLA, pelo círculo do Kuando-Kubango, não ficaram insensíveis ao drama e foram ver a força da natureza. Repórteres do Jornal de Angola acompanharam-nos.Cerca de 188 quilómetros, percorridos em aproximadamente cinco horas devido ao estado das estradas, a comitiva, debaixo de chuva, chegou, já noite, à sede do Cuito Cuanavale.
Na manhã seguinte, deputados, jornalistas e elementos da administração municipal verificaram os danos provocados pela chuva do dia anterior: famílias desalojadas, casas e tectos derrubados, aumento das ravinas e estradas devastadas.
Apesar do cenário, a população sentia-se, de certo modo, reconfortada com a presença de deputados e de representantes da administração, a quem pediam maior celeridade nas ajudas. Sobre as ravinas não mencionava culpados “porque é um fenómeno natural, não é?”. E ficou a saber já terem sido disponibilizados cerca de 16 milhões de dólares e que equipas de uma empresa e do Instituto Nacional de Estradas de Angola já trabalham e esperam que a chuva termine para construírem valas de drenagem em betão armado.
Os deputados prometeram interceder junto do governo provincial e do Executivo para o envio urgente de chapas de zinco, roupas usadas, utensílios de cozinha e bens alimentares.

Ravinas devastadoras

O administrador municipal, Joaquim Cantema, mencionou as obras de reparação do aeroporto e do memorial aos heróis do Cuito Cuanavale como causadoras do agravamento da situação, pois “quando começa a chover o maior volume de água vem de lá, pela rua principal, e espalha-se pela cidade e arredores”.
O problema das ravinas no Cuito Cuanavale, recordou, começou em 1991, mas “nunca atingiu tamanha gravidade”.
Desde 2010, continuou a lembrar, as ravinas já desalojaram cera de sete mil pessoas e destruíram mais de três mil casas, algumas de construção precária, escolas e igrejas.
A administração municipal comprou blocos e cimento e mobilizou os populares que levantam barricadas ao longo das bermas da estrada principal para tentar que as águas sigam para o rio Ntiengo.
Outra parte da estrada está a ser protegida por uma barreira de terra e de sacos de areia colocados nas bermas que, devido à força da água, são arrastados.
Tchinoia Jamba, ancião do bairro Ngombe, disse, ao Jornal de Angola, que na sua circunscrição, a maior parte da população fugiu para as lavras e apenas se sente segura quando a chuva cai de dia, pois de noite dorme

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