Cuando Cubango, Investir Forte na Construção e Reabilitação de Infra-Estruturas Básicas

Menongue, capital do Cuando Cubango

menongue_ruaA história política do Kuando Kubango, uma das mais disputadas e arruinadas nas décadas da guerra civil, emociona ainda hoje a quem sobreviveu às angústias e incertezas da Angola do século XX.

Tomada por violentos, sangrentos e fastidiosos combates, a província chegou a tornar-se “amaldiçoada” para milhares de angolanos, que viram atrasar, sem culpa própria, o progresso de uma cidade já na rota da reconstrução e com animadores sinais de estabilidade.

Localizado na zona sudeste do país, o Kuando Kubango tardou a apresentar sintomas de crescimento económico, político e social, mas rapidamente transpôs as barreiras do subdesenvolvimento.

O clamor, as lágrimas, incertezas e angústias do seu humilde povo dão hoje lugar à esperança de um amanha vitorioso, que já começa a sentir-se, paulatinamente, em sectores estratégicos, como educação, saúde, obras públicas, transportes públicos e ferroviários.

A milagrosa transformação económica desse “território em descoberta” resulta de uma melhor política macroeconómica do Executivo, cujos frutos repercutem por vários cantos da então terra do “fim do mundo”.

O novo horizonte iniciou-se em 2002, com o fim definitivo da guerra, abrindo espaço para um “parto sangrento” que assegura o progresso na província, até então com uma das mais desaceleradas economias do país.

A desaceleração resultou de uma guerra que produziu no país, em 27 anos, quase dois milhões de mortos, 1,7 milhões de refugiados, milhares de órfãos e viúvas, 200 vítimas de fome por dia, além de 80 mil crianças, idosos, homens e mulheres mutilados por minas antipessoais.

De 1975 a 2002, o Kuando Kubango era uma típica região do mundo subdesenvolvido, com minas em abundância, um forte dispositivo militar, índices socioeconómicos e taxas de analfabetismo elevados.

Volvidos 11 anos desde a efectivação da paz, o abismo começa a dar lugar a um amplo processo de desminagem, construção e reconstrução de estradas, vias ferroviárias, escolas primárias, secundárias, do ensino médio e universidades, bem como postos de saúde, aeroporto e outras infra-estruturas no Kuando Kubango.

A estratégia passa por elevar gradualmente a qualidade de vida dos mais de 150 mil habitantes que vivem num espaço territorial de 199 mil e 49 km2, com uma política intensificada no ano eleitoral de 2008, que prevê transformar radicalmente a localidade até 2017.

Há 11 anos, os municípios de Mavinga, Dirico, Cuchi e Kuito Kuanavale eram como que cidades paradas, no tempo e espaço, sem estradas de ligação ao resto do país, com poucas escolas, pontes, hospitais e até sem transportes públicos.

O dispositivo militar, os campos minados e a falta de estabilidade política travaram claramente o desenvolvimento da província e das suas gentes, que têm hoje mais garantias de paz, direito à vida, instrução e assistência médico-medicamentosa.

Essa abertura reflecte-se também na política do Executivo, que tende a reforçar o investimento para potenciar o progresso do Kuando Kubango, hoje melhor posicionada em termos de alocação de receitas no quadro do Orçamento Geral do Estado.

Pensando no progresso e na rápida modernização da cidade e do campo, o Executivo optou por canalizar 38 mil milhões, 164 mil e 433 kwanzas para o Kuando Kubango, correspondentes a 0,57 porcento do valor global do OGE.

Em 2012, essa verba foi claramente menor, com um total de 28 mil milhões, 106 milhões, 803 mil e 870 kwanzas, equivalente a 0,62 porcento do valor global do orçamento.

Até 2017, espera-se um crescimento mais equilibrado nos cinco municípios da província, sendo que a estratégia passa por investir forte na construção e reabilitação de infra-estruturas básicas, como estradas, pontes, escolas, hospitais, postos de saúde, habitações para quadros, aumento do fornecimento de energia eléctrica e água potável, além da aquisição de instrumentos agrícolas.

No domínio social, o governo local espera concentrar-se na melhoria da repartição do rendimento nacional e combate à pobreza, promovendo a educação, saúde, cultura, protecção social e inserção dos jovens na vida activa.

A nível económico, a prioridade recai na transformação, diversificação e modernização da estrutura económica, estimular o crescimento do sector privado e a competitividade internacional, o conhecimento técnico-científico e o desenvolvimento dos recursos humanos.

É desta forma e com esses meios e recursos que o Governo central e as autoridades provinciais pensam cimentar o progresso no Kuando Kubango, dando mais vida e alternativas a um povo que habita hoje, sem medo da guerra e da fome, nas chamadas terras do progresso.

Angop/Elias Tumba


Os Animais Selvagens Mantêm Cerco Apertado a Rivungo

O município do Rivungo está situado a 850 quilómetros da cidade de Menongue, a capital do Kuando-Kubango. É a última paragem antes do fim do mundo, tantas são as dificuldades de acesso. O isolamento cria dificuldades acrescidas às populações. Mas acaba de ser anunciado que foi adjudicada a empreitada de construção da estrada que liga a Mavinga. É uma página histórica na vida das populações da região, que devido ao isolamento secular foi chamada de “terras do fim do mundo”.
A circulação rodoviária entre a cidade de Menongue e Rivungo, passando por Mavinga, é quase impossível porque a estrada de areia atravessa uma floresta densa e fora dos trilhos podem estar minas.
Com uma população de 77.771 habitantes, distribuídos entre a sede do município, comuna de Chipundo, Luiana, Jamba e N’riquinha, o município do Rivungo desde tempos remotos que é uma zona de difícil acesso e segundo relatos de populares, foram as longas distâncias e o isolamento que levaram a chamar à província, “terras do fim do mundo”.
Chambinga, Lomba, Kúbia, Namoma, Vezi Vezi, Efo e Vukanga são “obstáculos” que ficam na rota de Menongue para o município de Rivungo. A viagem, mesmo com viaturas todo-o-terreno, leva dias, se tudo correr bem. Só para se ter uma ideia das dificuldades, uma viatura da Polícia de Guarda Fronteira está encalhada na zona do Efo há quase um ano.
A nossa reportagem foi ao Rivungo, mas o trajecto até Mavinga foi feito de avião. A partir daí, embarcámos em viaturas todo-o-terreno e com agasalhos reforçados porque à noite o frio é mesmo de rachar. A coluna avança com dificuldades pelos trilhos feitos na areia de uma estrada que nunca foi nada parecido com estrada. Os motoristas temem que se atravessem no caminho as manadas de elefantes que abundam nestas paragens.
A velocidade varia entre os dez e os 20 quilómetros por hora. A chuva caía sobre a picada e as viaturas enterravam-se. Mas fomos vencendo os obstáculos. Depois de 15 horas de viagem, a coluna chegou ao Rivungo, estava o sol a nascer. Apesar de ser ainda muito cedo, dezenas de pessoas vieram saudar-nos. É raro chegar gente de fora e todos querem saber o que se passa lá longe, na capital da província.

Luta pela sobrevivência

A população de Rivungo está a travar uma verdadeira luta pela sobrevivência. Os animais selvagens mantêm um apertado cerco sobre as zonas habitadas, onde procuram alimentos para saciar a fome. O administrador municipal adjunto, António Simão Capanga, diz que o povo não baixa os braços porque tem a certeza de que estão a chegar dias melhores.
Os problemas mais graves na convivência entre animais selvagens e pessoas estão concentrados na comuna do Chipundo, onde manadas de elefantes e hipopótamos arrasam os campos de cultivo remetendo a população para uma situação de penúria alimentar. Muitas famílias abandonaram tudo e foram viver para a sede municipal, em busca de segurança e de sustento. “Na comuna de Luiana, em N’riquinha e na Jamba também há devastação das culturas, mais não com tanta intensidade como no Chipundo. Os camponeses guardam dia e noite as suas lavras para se defenderem da invasão dos animais, chegando mesmo a colocar em risco as suas próprias vidas”, disse António Simão Capanga. Ler Mais


Território Angolano Invadido por Fazendeiros Namibianos

Cerca de uma centena de fazendeiros namibianos estão a invadir, de forma clandestina, o território angolano, nas localidades de Olupale, província do Kuando Kubango, e Oshimolo, no Cunene, junto à fronteira comum entre os dois países, aproveitando-se da vulnerabilidade do traçado e da ausência dos serviços do Estado naquela região.
Criadores de gado tradicionais e fazendeiros da Namíbia infiltram-se com as suas manadas no território angolano, através do corredor que compreende os marcos fronteiriços 34 e 35 e atingem as localidades de Olupale e de Oshimolo, ricas em pastos, a última situada a cerca de 50 quilómetros da fronteira, onde permanecem por longos períodos, sobretudo na época seca.
A região de Oshimolo é, desde há centenas de anos, zona de transumância para os criadores de gado de algumas zoans do Cunene, Kuando Kubango e da Namíbia. Ali, os povos dos dois países partilhavam os espaços de pasto quando houvesse ausência das chuvas.
Mas essa prática hoje faz parte do passado. Cada país tem as suas fronteiras e guia-se por leis próprias, o que obriga os seus povos a observarem os procedimentos migratórios sempre que se propuserem a atravessar a fronteira.
Nos últimos tempos, os criadores de gado da Namíbia fixam-se nessas zonas e vedam espaços de pasto comum para acondicionar o seu gado. O mais preocupante é o facto de esses mesmos indivíduos, depois do fim da crise da seca, de regresso para as suas zonas de origem, roubarem o gado dos angolanos, que levam junto com as suas manadas para o seu território.
A situação assume contornos alarmantes, o que motivou a deslocação, terça-feira última, àquela região de importantes delegações das províncias do Cunene, do Kuando Kubango e de Ohangwena (Namíbia), chefiadas pelos respectivos governadores, para averiguar gravidade do problema.
O administrador municipal adjunto do Kuangar, província do Kuando Kubango, Heralde Mateus Camahia,explicou que cerca de 100 fazendas de pequenas dimensões, pertença de cidadãos namibianos, estejam instaladas ilegalmente no nosso território Uma vez que neste espaço fronteiriço não existe grande controlo de entrada e saída de cidadãos, tanto angolanos como namibianos, esta área tornou-se uma área livre”, explicou Heralde Camahia.
Os namibianos, acrescentou, entram em Angola, onde aproveitam os recursos de pasto para o seu gado, porque, nas suas terras, não existem terrenos favoráveis à pastorícia, sobretudo na época seca.
Heralde Camahia referiu que este quadro levou os três governadores a convocarem a reunião de concertação para analisar a gravidade da situação e pôr termo ao ambiente de desordem instalado na fronteira comum.
O administrador adjunto do Kuangar afirmou que muitos desses fazendeiros têm utilizado crianças angolanas em idade escolar nas actividades de pastorícia, o que torna a situação mais preocupante.

Heralde Camahia adiantou que a fronteira possui forças de guarda, mas, por falta de vedação, transportes suficientes e comunicações, esta tarefa de controlo tem sido difícil de desenvolver, muito por causa da sua vasta extensão. “Precisamos de mais meios materiais para melhor patrulhamento da vasta fronteira ”, explicou o administrador municial adjunto de Kuangar.

Respeito pela lei

O governador do Cunene, António Didalelwa, lembrou que as leis angolanas devem ser respeitadas.
“Todo o cidadão estrangeiro só pode entrar no nosso país com o passaporte, salvo-conduto ou passe de travessia”, disse o governante.

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Cuando-Cubango Acelera Construção de 1.400 Casas

No primeiro trimestre deste ano arrancam as obras de grande impacto social, na província do Kuando-Kubango, com destaque para a construção de 1.400 casas, sendo 200 para cada um dos sete municípios.
O governador da província, Eusébio de Brito Teixeira, que anunciou o facto, disse que está igualmente prevista a construção de mais 3.500 casas para o município de Menongue e 500 para o Cuito Cuanavale.
As autoridades aguardam apenas pelo pronunciamento da Comissão Nacional para a execução do Programa de Urbanismo e Habitação em relação à concretização das quotas que foram contempladas para a província.
O governador disse que para este trimestre está ainda agendada a construção da primeira fase do pólo universitário, o palácio municipal de Justiça em Menongue, entre outras estruturas sociais que vão conferir maior dignidade à população.
“Entremos para este novo ano com muita determinação, sentido de dever, espírito de saber fazer e observância da disciplina, assente nos padrões cívicos universalmente aceites, para que possamos alcançar as metas contidas no programa de governação de 2009/2012 e não só”, disse o governador.
O maior desafio recai para o alcance das metas contidas no programa de governação de 2009/2012, que visam o desenvolvimento social e económico acelerado da província e, consequentemente, a melhoria das condições de vida da população.

Jornal de Angola/Carlos Paulino


Terras do Fim do Mundo

O nome por que ficou conhecido o Kuando-Kubango depois do conflito armado, “Terras do fim do Mundo”, deixou de fazer sentido. Nos últimos três anos, o esforço de desenvolvimento da província transformou radicalmente a imagem que hoje possui. Quem a visitou em 2008 tem agora dificuldade em reconhecer os sítios por onde então passou. O progresso está a passar por aqui.
No início de 2008, a província, que foi das mais assoladas pela guerra, tinha apenas um hotel, ocupado por uma equipa de empreiteiros da Odebrecht, uma vez que pensões ou residenciais eram apenas uma miragem. Para o grupo de jornalistas que, em Fevereiro desse ano, visitou o Kuando-Kubango para avaliar no terreno o projecto de Reconstrução Nacional a que o Executivo estava a dar início, nenhuma classificação se adequava tão bem como a dada à província: estávamos, de facto, “nas terras do fim do mundo”.
Durante os 15 dias de trabalho que ali permanecemos, cada um tentou solucionar o seu alojamento conforme pôde. A boa vontade da população permitiu a cada um de nós arranjar um tecto, a maioria de chapa. A escassez de lojas era evidente. Compras só no mercado ou no “Nosso Super”. Se queríamos fazer um mata-bicho razoável, tínhamos de acordar cedo e procurar uma barraca.