Apagão nos Combustíveis Deve-se a “Falta de Diálogo” Entre Sonangol e Governo, Admite João Lourenço

O Presidente angolano admitiu hoje (7) que “falta de diálogo” entre a petrolífera estatal Sonangol e o Governo “contribuiu negativamente” para o processo de importação de combustíveis e consequente escassez do produto no mercado em todo o país.

Numa nota oficial, a Casa Civil do Presidente angolano refere que esta foi a conclusão que saiu da reunião que o chefe de Estado angolano, João Lourenço, manteve, de manhã, com a equipa económica do Governo, que decorreu à porta fechada e sem declarações à imprensa, apesar de os jornalistas terem sido convocados para o local.

“Da análise feita, concluiu-se ter havido falta de diálogo e comunicação entre a Sonangol e as diferentes instituições do Estado, o que terá contribuído negativamente no processo de importação de combustíveis.

Foram, no entanto, tomadas as medidas e mobilizados todos os recursos necessários para a completa estabilização do mercado de abastecimento dos combustíveis nos próximos dias”, lê-se na nota.

“Apela-se à compreensão dos utentes e da população em geral, não obstante reconhecermos os constrangimentos a que estão sujeitos com a situação criada”, termina a curta nota sobre a reunião, que durou cerca de hora e meia.


Filas Enormes de Viaturas Motorizadas e Cidadãos Com Bidões nos Postos de Abastecimento em Luanda

Foto Lusa

Angola está a registar escassez de combustíveis, com dificuldades maiores vividas na capital do país, onde filas enormes de viaturas, motorizadas e cidadãos com bidões marcam o cenário nos postos de abastecimento no meio de “várias reclamações”.

Em Luanda, desde as primeiras horas da manhã, automobilistas suportam “filas intermináveis” de mais de três horas, para conseguirem abastecer as viaturas, enquanto outros, “cansados de esperar”, recorrem ao mercado paralelo.

A escassez de combustível regista-se em grande parte da capital angolana desde a última sexta-feira, apesar de, no fim de semana, alguns postos terem sido reabastecidos. Mas, devido à demanda, muitos optaram por encerrar.

As filas intermináveis ocupam as ruas, complicando o já de si caótico trânsito automóvel, como o registado hoje de manhã na Avenida Comandante Gika, no centro da cidade.

O conhecido posto de abastecimento da Sonangol em frente às instalações da Rádio Nacional de Angola estava encerrado por falta de combustível, o que aumentou a procura na bomba do lado oposto da rua, da Sonangalp, que viu evaporar os 7.500 litros de gasolina que lhe foram disponibilizados no fim-de-semana.


Num Ano Angola Importa Mais de 4.000 Milhões de Dólares em Combustíveis

Angola vai gastar mais de 4.000 milhões de dólares durante um ano para importar combustíveis refinados, segundo uma autorização para o negócio, envolvendo o grupo da petrolífera estatal Sonangol, a que a Lusa teve acesso esta sexta-feira.

Em causa está o despacho presidencial n.º 61/18, de 24 de maio, em que o Presidente angolano, João Lourenço, autoriza a abertura do procedimento de contratação simplificada para o fornecimento de derivados do petróleo, nomeadamente gasolina, gasóleo e gasóleo de marinha, à Sonangol Logística.

O contrato é referente ao período de 01 de abril de 2018 a 31 de março de 2019 e “autoriza a realização de despesa inerente aos contratos a celebrar” no valor global de 4.030.734.000 dólares (3.430 milhões de euros).

A petrolífera angolana Sonangol anunciou a 16 de março a contratação de duas empresas internacionais de trading e refinação para fornecimento de combustíveis, o que representa o fim do monopólio da Trafigura.


Solicitação ao Governo Por Parte da Sonangol Para Aumentar o Preço dos Combustíveis

A petrolífera nacional já solicitou ao Executivo o aumento do preço dos combustíveis, para reduzir o “esforço que a Sonangol faz em prol da economia e da satisfação da população”.

Segundo o presidente do conselho da administração da companhia estatal, a exemplo do que fez o Banco Nacional de Angola (BNA), dever-se-ia estudar “um mecanismo para os preços dos combustíveis também num intervalo flutuante e variável”.

A proposta de Carlos Saturnino foi partilhada com os jornalistas na conferência de imprensa da passada quarta-feira, 28 de Fevereiro.


A Companhia Aérea Angolana Tem o Preço Mais Alto do Mundo em Combustível Para Aviões

Os custos da TAAG com o abastecimento de combustível representam cerca de 28% dos custos operacionais, revelou o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, adiantando que a companhia aérea angolana tem o preço mais alto do mundo em jet fuel (combustível para aviões).

“Isto tem um reflexo imediato no tarifário que é praticado pela companhia”, disse ontem, 15, o governante, em resposta às preocupações apresentadas por empresários nacionais, no âmbito do seminário de auscultação sobre o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI).