Começou Hoje o Cacimbo em Angola e Vai Até 15 de Agosto

nevoa-do-cacimbo_A nova estação climática da época seca, também denominada cacimbo em Angola, que vai de 15 de Maio a 15 de Agosto, tem início oficial esta quinta-feira, com mudanças significativas nos elementos meteorológicos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET).

De acordo com a fonte, tais mudanças consubstanciam-se na descida gradual da temperatura do ar e no aumento da pressão atmosférica e da humidade relativa.

Acrescenta que o regime e padrões do vento e de nebulosidade (obscuridade) alteram, todavia como o clima não é taxativamente igual em todas as regiões de do país, obviamente em algumas províncias a época começa mais cedo e em outras mais tarde.

E como exemplos, o INAMET cita que em Cabinda o “cacimbo” prolonga-se até Outubro, no entanto em Luanda, Benguela, Malanje, Bié, Uíge, Cunene e Lunda Sul o início e fim da época seca acontece, repectivamente, de Junho a Agosto, já nas restantes províncias (Cuanza Sul, Namibe, Huambo, Huíla, Zaire, Lunda Norte, Moxico e Cuando Cubango) é de Maio a Agosto.

Explica que isto acontece porque Angola tem um território situado geograficamente na zona climática tropical (quente) onde o seu clima é fortemente influenciado por um conjunto de factores dos quais se destaca a latitude (6 a 18 graus) e a altitude.

Há ainda a destacar a geografia, a corrente fria de Benguela e as bacias hidrográficas do Zaire, Zambeze, Cuanza, Cuando Cubango e Cunene, possibilitando assim a existência de duas estações mais ou menos bem diferenciadas, esclarece o INAMET.

Angop / Novo Jornal


Chegou o Cacimbo

Fotografia: Mota Ambrósio


Jornal de Angola – Se para os amantes de sol e praia não se afigura uma mudança pacífica, a chegada do Cacimbo é vista por muitos como motivo de satisfação e alívio. As altas temperaturas que, ao longo de nove meses, se fazem sentir em Angola são apontadas como a principal motivação para o grande regozijo da chegada do tempo frio. Nesta altura, é comum redobrar os cuidados com a saúde e os agasalhos são tidos como a melhor forma de nos protegermos das gripes e de outras maleitas próprias da época. Há quem também prefira o Cacimbo porque se pode andar de fato sem os constrangimentos das altas temperaturas.

A sabedoria popular, que diz que mais vale prevenir do que remediar, está a ser tida em conta com a chegada, ontem, do Cacimbo. Nos últimos dias, Luanda tem assistido a uma correria às lojas para compra de vestuário que melhor se adapte ao frio. Apesar da oferta reduzida, as opções de compra variam e, neste aspecto, o poder financeiro exerce grande influência na decisão final.
O Jornal de Angola fez uma ronda por Luanda. A loja Brazuca Moda Brasileira, no bairro São Paulo, está razoavelmente preparada para satisfazer as necessidades da época.
“Embora não falte vontade de satisfazer todas as solicitações, a nossa capacidade fica aquém das necessidades de todos os clientes que nos procuram”, reconheceu a empregada de balcão Isabel Jaime.
Há duas semanas que a loja dispõe de variada gama de roupas para criança, homem e mulher, propositadamente importadas para o Cacimbo. O entra e sai de clientes é uma constante, numa lista que integra maioritariamente mulheres. O motivo é compreensível. Em relação aos homens, estão em vantagem nas opções. Para elas, existe de tudo um pouco. Isabel Jaime disse que o estabelecimento tem casacos feitos com três espécies de tecidos, a preços entre 1.500 e 2.690 kwanzas.
Se na Brazuca a enchente é a imagem de marca, na Moda Tuga o ambiente pouco ou nada difere. A gerência não se pode queixar de falta de clientela e as empregadas não têm mãos a medir para atender as enchentes diárias, que deixam muito pouco tempo para descanso. O movimento diário assemelha-se ao da estação quente.
No interior da loja, os pulôveres, ao preço de 3.500 kwanzas, fazem a diferença. A cultura dos saldos em algumas peças de roupa nesta fase de transição de estações ainda é irrelevante em Angola, mas o estabelecimento tem em promoção calças ao preço de 750 kwanzas.
Para fugir aos preços altos, o mercado informal pode ser uma saída e Avelino Mufuta é um exemplo. Estudante e ainda dependente do dinheiro dos pais, critica os preços, que considera elevados, praticados em algumas lojas, que o obrigam a recorrer à roupa usada vendida no Roque Santeiro, o maior mercado informal de África.
“Dizem que escolher roupa de fardo é como jogar no totoloto e que se formos lá num dia de sorte podemos encontrar roupas de marca melhores do que nas shop fashions”, disse.
A mesma ideia é partilhada por Helena Adão, embora casada e responsável pela compra do vestuário de três filhos menores. Ao Jornal de Angola contou que depois de ter feito uma ronda, sem êxito, por vários estabelecimentos à procura de agasalhos para as crianças, acabou por resolver o problema nas bancadas do mercado dos Kwanzas, no bairro da Mabor.

Sugestão de moda

O Cacimbo está intrinsecamente ligado à maneira de vestir. A estilista Lizete Pote considera que a estação é, por norma, a mais adequada para o uso de “roupas de cores frias”.
“Como temos um frio alegre, este ano, a tendência de cores para homens vai para o azul, preto e castanho, que podem contrastar com camisas de outros tons, enquanto para senhoras há muita variedade”, disse.
As cores têm relação com o clima e o próprio corpo. Lizete Pote lembrou que o preto tem a particularidade de absorver muito calor e que no frio as vantagens são visíveis.
As cores, referiu, também têm muito a ver com o criador de moda, que dentro das inovações consegue despertar o interesse do público.
Ao contrário do que sucede nas províncias mais a sul, onde as temperaturas são mais baixas, afirmou, em Luanda, por ter um clima mais moderado, as pessoas podem continuar a vestir roupas de Verão.
Mas, realça, é indispensável vestir um agasalho por cima para evitar resfriados.
“O frio que faz em Luanda não é tão rigoroso que nos obrigue a vestir roupas de Inverno, mas é preciso algum cuidado para evitar as gripes”, alertou.
Lizete Pote referiu a pouca diferença nas temperaturas registadas nas duas estações de Angola como motivo para os comerciantes não alterarem significativamente a variedade de artigos. “Há pessoas que sentem mais frio do que outras, mas não devemos imitar tudo o que vimos noutros países, sob pena de cairmos no ridículo”, disse.

Mudança de atitude

Além de despertar a atenção pela maneira como as pessoas se vestem, a estação do Cacimbo tem também influência nas atitudes.
Filipe Lukeny, 28 anos, diz que nos últimos dias tem sentido dificuldade para se levantar cedo, quando no calor o faz facilmente antes das 5h00.
O jovem, que vive em Viana e trabalha no bairro Maculusso, conhece bem a importância de sair de casa cedo para fugir ao engarrafamento de trânsito. Afirmou, ao Jornal de Angola, que “a chegada do frio veio dificultar mais essa tarefa”.
“Dá a impressão que a madrugada encurtou, pois deito-me cedo, mas acordo com muito sono”, lamentou.
As manhãs estão mais frias e se não for tida alguma cautela podem provocar alguns problemas de saúde. Por isso, Paula Gomes afirmou que vai “redobrar os cuidados para melhor conviver com os riscos da mudança do clima”, pois, no início da semana, febres altas, voz afónica e irritabilidade na garganta deixaram-na acamada e sob medicação.

Doenças sazonais

À semelhança daquilo que acontece durante a estação quente, a chegada do Cacimbo facilita o surgimento de determinadas doenças, as mais comuns das quais são infecções respiratórias.
A médica Brígida Santos recordou que crianças e idosos fazem parte do grupo mais vulnerável a infecções respiratórias.
A esses dois grupos junta o das pessoas que sofrem de sinusite, asma e tuberculose.
Antes de atingir os sete meses, o sistema imunitário de uma criança não está suficientemente desenvolvido. A médica lembrou que a partilha de objectos entre crianças facilita a propagação de doenças. O aglomerado de pessoas nas instituições de ensino, a convivência em casas pouco arejadas ou com fumadores foram também referidos por Brígida Santos como factores que contribuem para infecções respiratórias.
“As infecções são virais e facilmente se propagam de uma pessoa para outra, através das gotículas de saliva expelidas durante a tosse, expiro ou fala”, advertiu.
Atitudes simples e fáceis de ter no quotidiano, frisou, podem prevenir desconfortos típicos da nova estação. Manter as roupas de cama limpas, especialmente os cobertores, retirar o pó da mobília, limpar o chão com pano húmido para evitar o levantamento de poeira são alguns dos conselhos da médica para evitar incómodos de doenças e melhor conviver com o frio e com os problemas respiratórios.
Brígida Santos aconselhou também que se aproveitem os dias de sol para arejar a casa e a não usar carpetes nos quartos de pessoas alérgicas.

Adalberto Ceita


Cacimbo Terminou: Tempo de Mudar o Estilo e a Roupa

Jornal de Angola-Com o calor a reinar, conforme apurou a reportagem do Jornal de Angola em conversa com alguns luandenses, “a chatice vai começar”, principalmente para aqueles que fazem uso de táxis, ou para aqueles que têm viaturas sem ar condicionado.
“Nós que andamos de candongueiro vamos sofrer, porque os cobradores e os motoristas não deixam que as pessoas viajem comodamente”, disse Maria José, funcionária pública, residente no bairro Cassequel e que trabalha nas imediações do Kinaxixe.
Mas não é só Maria José que reconhece que o calor “veio para atrapalhar tudo”. As pessoas ouvidas pela nossa reportagem pensam como ela.
E têm razão. Porque constatamos em várias zonas de Luanda onde há barracas de comes e bebes uma certa calma, por culpa do frio. Porque é o período em que as pessoas se recolhem mais cedo.
Com a chegada do calor, marcada para hoje, a Ilha de Luanda, principalmente aos fins-de-semana e às noites vai registar enchentes. “Assim que estamos no calor, muitas pessoas vão começar a vir à praia e a Ilha vai ficar bonita e muito movimentada ”, disse uma anciã.
Durante o tempo de calor as doenças mais frequentes são a cólera, o paludismo, a febre tifóide e as doenças respiratórias. E esse problema também faz sentir saudades do cacimbo.

Falta de respeito

As pessoas que usam os táxis disseram à reportagem do Jornal de Angola que os candongueiros, nessa época, se vestem indecentemente. “Muitos deles vestem os vulgares partes corno, deixando o suor escorrer. E ai daquele que repudiar a atitude do candongueiro!”, exclamou um cidadão, que pede aos agentes reguladores de trânsito para numa primeira fase sensibilizarem os motoristas de táxis e posteriormente punir, porque “vamos receber muitos turistas durante o Campeonato Africano das Nações, logo temos que mostrar as boas maneiras”.

Outra forma de vestir

O tempo do frio que termina, oficialmente, hoje, e vai forçar as pessoas a mudar a sua forma de vestir. Se homens, mulheres, crianças e anciãos trajam roupas para “travar” o frio, que ainda está a “bater”, mais dia menos dia, vamos ver as pessoas a circularem com vestes leves, excepto aqueles que por força do serviço ou dos negócios têm que vestir fatos.

Lojas de roupas estão prontas

As mudanças climáticas geram rendimentos, naturalmente para aqueles que comercializam roupas. A reportagem do Jornal de Angola espreitou algumas casas de moda, situadas na Baixa de Luanda, como a Super Market, a Samirana Comercial e a loja Brasuca. Estão prontas a vestir os seus clientes na época do calor que, oficialmente, começam hoje.
Zacarias Joaquim, gerente da Super Market, disse que “já estamos a vender roupas para a época de calor, como camisas de mangas curtas confeccionadas com tecido de algodão e gravatas leves. Temos também à venda, roupas apropriadas para mulheres e crianças”.
Disse mais, na mudança de estação, há quase sempre, uma quebra nos preços. “Quase ninguém, nesta última semana, veio comprar roupas para o frio, logo temos que baixar os preços para ver, pelo menos, se conseguimos recuperar parte da verba gasta na sua aquisição. Como o tempo de calor só agora começa, temos que vender as roupas apropriadas para esta época num preço atraente e não o real”, explicou.
Virgílio António, gerente da Samirana Comercial, disse que a casa está preparada para a nova moda. “Para senhoras já temos blusas de alças, em algodão, bermudas, vestidos confeccionados com tecidos leves, calções, saias curtas e alguns vestidos compridos com cores suaves, mas apropriadas para usar no tempo de calor.
Para homens, garantiu Virgílio António, a loja tem à disposição dos clientes camisas com mangas curtas em tecido de algodão, calças feitas com tecidos leves, e gravatas com cores menos quentes.
Os sapatos para as senhoras, que estão a ser comercializados na loja, são abertos e rasos. Há, também, sandálias de vários feitios, que permitem um certo à vontade a andar. Para homens, há também vários tipos de sapatos apropriados para a época.
Na loja Infantil Brasuca, encontrámos expostos vários tipos de roupas, que se adaptam à época, para crianças. No que se refere aos sapatos, há de tudo um pouco que “as crianças devem usar durante essa época”, disse Isabel Augusto, gerente da loja.

A voz de quem sabe

A estilista Elisabete Santos disse à nossa reportagem que a colecção para a época de calor está praticamente na fase final, e as encomendas continuam a ser feitas. Porque muita gente sabe que na estação quente temos de mudar o tipo de vestuário.
Se na estação fria, prosseguiu a estilista, nós usávamos roupas mais pesadas e com cores quentes, nesta época de calor devemos usar roupas de tecidos leves como algodão, seda e outros tecido frescos e de cores claras.
Elisabete Santos aconselha as mulheres a usarem nesta época quente, saias leves, de preferência até ao joelho, vestidos e calças de cores claras, blusas com mangas curtas e de tecidos suaves. E para as mulheres que gostam muito de usar roupas de cores quentes como o vermelho e o lilás, neste tempo de calor devem usar o lilás mais claro, e a cor vermelha deve ser num tecido muito fresco, evitando assim o aquecimento.
Quanto aos homens, a estilista aconselha a usarem camisas de mangas curtas e de tecidos leves e com cores muito claras como o azul claro, rosa, creme e branco.
No que toca aos sapatos, homens e mulheres devem usar calçado leve. As senhoras podem usar sandálias altas. Nos fins-de-semana podem usarem chinelas e ténis leves.
Para os homens, os sapatos são os comuns do dia-a-dia e aos fins-de-semana podem usar os relaxantes, ou chinelas se preferir.
O importante mesmo é que homens e mulheres saibam vestir-se de acordo com a estação, ocasião, idade e acima de tudo usar roupas que não desrespeitem o corpo. Porque algumas mulheres nesta época de calor vestem-se muito mal. Porque estar na moda não significa cair no ridículo.