Mesmo com Medidas Tomadas Pelas Autoridades Sul-Africanas, Neste Ano Foram Mortos 1.020 Rinocerontes

Foto de Mário Rui Ribeiroangola_rinoceronte_fim_diaA caça furtiva atingiu um novo recorde com 1.020 rinocerontes mortos desde o início do ano apesar de importantes medidas tomadas pelas autoridades, segundo dados divulgados quinta-feira (20) pelo Ministério do Ambiente sul-africano.

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Combate aos Caçadores Furtivos no Parque Nacional do Bicuar, na Huíla

caça_ilegalA acção dos caçadores furtivos no Parque Nacional do Bicuar, na Huíla, está mais dificultada depois da captura, no primeiro semestre deste ano, de 55 armas de fogo de calibres diversos pelos fiscais, anunciou no Lubango o administrador da reserva natural.

José Maria Kandungo disse que a apreensão das armas de fogo resultou de várias operações de patrulhamento realizadas ao longo deste período pelos fiscais e lembrou que cerca de 90 por cento, dos 7.900 quilómetros quadrados de extensão do parque, é fiscalizada para evitar que os malfeitores abatam indiscriminadamente os animais, numa altura em que cresce a reprodução de diferentes espécies.
Nos últimos tempos, várias manadas de animais regressaram massivamente à reserva natural do Bicuar e estão a multiplicar-se, com destaque para elefantes, búfalos, palancas, zebras, olongos, onças, mabecos, bambis, impalas e outros de pequeno porte.
O facto de ter havido grandes melhorias no acesso ao Parque Nacional do Bicuar, facilitou o trabalho dos fiscais.
“Vamos continuar a combater a caça furtiva com o objectivo de garantir a protecção e preservação da vida das espécies que habitam no parque e que abrangem os municípios da Matala, Quipungo e Chibia.
O administrador da reserva natural, José Maria Kandungo, esclareceu que em função das acções levadas a cabo pela equipa de fiscais regista-se uma certa normalização e a estabilidade no reino animal e prometeu continuar com as operações de fiscalização no Parque Nacional do Bicuar para desencorajar a caça furtiva.
Apesar dos esforços das autoridades locais, os caçadores furtivos teimam em continuar com as suas acções, disse o responsável, que acredita na mudança de comportamento destes indivíduos, sob pena de serem levados a tribunal.
A administração do Parque Nacioanl do Bicuar está a promover encontros e palestras dirigidas aos habitantes que residem no corredor dos animais, de modo a evitar acidentes, devido à pressão dos bichos que se sentem ameaçados pela invasão dos humanos.
José Maria Kandungo disse que os indicadores de reprodução actuais entre espécies permite perspectivar, para um período de cinco anos, o repovoamento animal e a recuperação de riqueza da fauna no Parque Nacional do Bicuar.

Jornal de Angola/Domingos Mucuta


O Desenvolvimento do Turismo Africano é Afectado pela Caça Furtiva

caça_furtivaA caça furtiva é um dos factores que afecta o desenvolvimento do turismo africano, particularmente na região austral, informou hoje, quinta-feira, o ministro do Turismo de Moçambique, Carvalho Muária.

O governante falou no final dos trabalhos da 56ª reunião da Organização Mundial do Turismo (OMT), realizada de 28 a 30 de Abril, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda.

Segundo o responsável, se “olharmos para a pré-história do continente africano, a caça ilegal já existia” e tem prejudicado o sector em termos de crescimento turístico.

Para se colmatar esta situação, defendeu a necessidade de se encontrar uma estratégia comum entre os países africanos, porquanto nas fronteiras verificam-se casos de caçadores a praticarem tal acção ilegal.

O representante moçambicano realçou que apesar de já existir um sindicato organizado para o crime a caça furtiva, é necessário trabalhar-se cada vez mais.

Sobre o encontro, disse que serviu para a troca de experiência entre os países para o fortalecimento do sector turístico no continente africano.

No que toca a realidade do seu país, afirmou estar satisfeito com as acções realizadas nos últimos 10 anos pelo pelouro, apesar de ainda haver muito por se fazer.

“Precisamos de desenvolver cada vez mais, para estarmos a nível dos outros países da região”, concluiu.

Angop


É Dramático e Preocupante a Quebra na População de Elefantes na África Central

elephantsA população de elefantes nos países da África central desceu 62 por cento na última década, alertou um grupo de organizações não-governamentais, que descreve o cenário como “dramático e preocupante”.

Na origem deste decréscimo está a caça furtiva de elefantes por causa do marfim, sustentaram oito organizações num encontro em Brazaville.

“A situação é dramática e preocupante. É muito perigosa”, referiu Jerome Mokoko, director da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem.

Só na região norte da República do Congo morreram cerca de 5.000 elefantes entre 2009 e 2011, especificou.

Na República Centro-Africana, há trinta anos estavam identificados cerca de 80.000 elefantes, número que desceu drasticamente para “alguns milhares”.

No caso da República Democrática do Congo, país onde vivia 70 por cento dos elefantes de toda a África central, restam entre 7.000 e 10.000 animais.

Citado pela agência France Presse, Jules Caron, responsável pelo Fundo Mundial da Vida Selvagem (WWF) naquela região africana, denunciou que a caça furtiva de elefantes é protagonizada por “grupos de criminosos internacionais muito bem organizados e armados”.

O comércio ilegal do marfim acontece no sudeste asiático, em particular na China e Tailândia, explicou Caron.

África 21


Por Caça Furtiva de Rinocerontes Foram Mortos 289 Moçambicanos e 300 Ficaram Detidos

rinoMais de metade dos detidos por caça de rinocerontes em 2012 são moçambicanos. De 2008 a 11 de Fevereiro de 2013, foram mortos 289 moçambicanos e 300 detidos por caça de rinocerontes nos parques sul-africanos.

Os dados em nosso poder são claros: 589 cidadãos moçambicanos caíram nas mãos das autoridades sul-africanas – entre mortos e detidos – em consequência de caça furtiva de rinocerontes. Deste número, 279 foram mortos e os restantes 300 foram detidos no período de 2008 até 11 de Fevereiro de 2013.

Analisando os dados, verifica-se que há cada vez mais moçambicanos que se dedicam à caça de rinocerontes nos parques sul-africanos, nomeadamente Kruger Park, Mpumalanga, Limpopo, entre outros. O crescimento de caçadores furtivos acaba reflectindo-se também no crescimento do número de mortos e detidos e do número de rinocerontes mortos para a posterior extracção de corno, para a venda no mercado. Os vietnamitas e chineses são os maiores compradores do produto para efeito medicinal.

Só no ano passado, mais de metade dos caçadores furtivos detidos na África do Sul eram moçambicanos. isto é, de um total de 246 caçadores neutralizados, 132 eram de nacionalidade moçambicana. Em 2010, o número de moçambicanos detidos era muito superior comparativamente aos dois últimos anos. Só para elucidar, em 2010 foram detidos apenas 35 moçambicanos, de um total de 165 neutralizados nos parques sul-africanos. Este número viria a registar um substancial crescimento em 2011, tendo atingido 101 detidos, de um número global de 232 furtivos detidos.

 O nosso jornal sabe que igualmente foram recuperadas 14 armas de fogo, oito de tipo Mauser 458 e 375, e seis AKM nos últimos três anos, a maioria das quais eram retidas do Comando Distrital de Massingir (ver edição do jornal O País de 8 de Agosto de 2012).

Por outro lado, o número de rinocerontes que são abatidos anualmente tem vindo a crescer. A título de exemplo, em 2007 foram apenas mortos 13 animais. No ano seguinte, o número viria a atingir 83 e em 2009 teriam sido abatidos 122 rinocerontes. Este número foi crescendo a cada ano que passa. Em 2010, o número de rinocerontes abatidos pelos caçadores furtivos subiu para 333 rinocerontes e em 2011 foram 448 rinocerontes mortos por caçadores furtivos. No ano passado, foram 588 rinocerontes. Feitas as contas, de 2007 a esta parte foram caçados pouco mais de 1 587 rinocerontes.

Dos 588 rinocerontes abatidos em 2012, 362 foram no Kruger Park, 52 na Província de Limpopo, 75 em North West, e 59 em KwaZulu-Natal. 27 rinocerontes foram mortos em Mpumalanga, província vizinha de Moçambique, e os restantes noutros parques.

 Custo e utilidade dos cornos

 A caça furtiva de rinoceronte era uma actividade quase desconhecida pelos moçambicanos. Mas a procura de cornos pelos chineses, vietnamitas e iemenitas mediante ofertas aliciantes criou condições para que crescesse a caça aos mesmos. Os valores envolvidos variam. Em Moçambique, um corno chega a custar mais de dois milhões de meticais (mais de 75 mil dólares americanos). Ao nível da África do Sul, 1 kg de corno custa 500 mil randes, cerca de 1.750.000 MT.

Um documentário contundente, produzido por uma equipa liderada por Dan Rather, jornalista da televisão americana de HDNet e exibido nos Estados Unidos e no Canadá, no ano passado, revelava a extensão do comércio do corno de rinoceronte no Vietname e como ela está alimentar uma crise de caça ilegal de rinoceronte na África Austral.

O País Online