Mais Humanização nas Cadeias de Benguela

O director provincial de Benguela dos Serviços Prisionais, Feliciano Soma, afirmou em entrevista ao Jornal de Angola que a humanização é a “palavra chave” para consolidar, a médio prazo, a ordem, o respeito e a disciplina na comunidade carcerária de Benguela.
Os serviços prisionais de Benguela têm uma população penal estimada em mais de dois mil elementos de ambos sexos. Segundo Feliciano Soma, as unidades prisionais já se tornaram pequenas para o universo de reclusos.
O director provincial fez saber que os serviços prisionais estão a implementar um conjunto de novas medidas para dar mais dinâmica à socialização da população penal.
“Temos a certeza que o homem tratado com dignidade, no cumprimento de dois ou três anos de prisão, não pensará em insistir no erro depois de solto. Queremos que, depois de cumprida a pena, os homens saiam com dignidade, prontos a enfrentar a sociedade sem o mínimo constrangimento”, disse.
Entre as acções voltadas para a humanização e dignificação dos presidiários, Feliciano Soma apontou a formação pedagógica permanente dos profissionais dos serviços prisionais, o trabalho comunitário e o incentivo ao estudo, leitura, lazer e desporto. “A viver com estes princípios, um homicida, traficante ou assaltante, condenado a três ou quatro anos, quando sair da cadeia pode reintegrar-se na sociedade e nunca mais pensar em cometer um delito”, assegurou.
Para o responsável, os profissionais dos serviços prisionais devem ser treinados para lidar com o detido, concedendo-lhe todos os direitos previstos nas normas jurídicas constitucionais e noutras em vigor no quadro do sistema prisional. “Torna-se necessário salientar que o programa de socialização encontra-se em fase evolutiva. As etapas percorridas até à presente data já nos permitem dizer que as condições da população penal estão a melhorar”, assinalou.
Feliciano Soma garantiu que a comunidade carcerária de Benguela é tratada “com todo o respeito”, dispondo de espaço para actividades físicas, alimentação, material de higiene e assistência sanitária.

Jornal de Angola


Mercado da Caponte em Benguela

Situado no bairro da Caponte, em Benguela, o mercado com o mesmo nome constitui a base de sustento para uma parte considerável da população local, conforme asseguraram alguns vendedores, compradores e estudantes abordados por O PAÍS, nessa espécie de grande superfície a céu aberto.

Para se evitar má interpretação dos argumentos avançados, houve mesmo quem justificasse dizendo que o mercado é um local de atracção de pessoas de vários estratos sociais.
“Aqui aparece gente de toda parte e de toda classe, a diferença maior só está no objectivo que os traz para cá” disse Manuel, realçando que “uns vêem para comprar, outros para vender, alguns ainda para constatar a fama e fazer trabalhos de investigação científica”.

Depois das afirmações que fez, Manuel revelou que estudava numa faculdade de Benguela e estava no mercado para efectuar uma pesquisa que serviria de base para um trabalho de sociologia sobre a convivência social em lugar de muita concentração de massas.
Ao estudante interessava sobretudo saber como é que pequenos grupos com diferenças bastante acentuadas conseguem forjar um padrão de convivência durante o dia e resistir às influências que isso pode criar no seio familiar.

“Como vêem, se a praça vai acabar por ser a base de alimentação para o meu estudo, quanto mais para aqueles que, diariamente, buscam aqui o salário e o pão para as famílias”, questionou o estudante. Ele adiantou que todos citadinos têm de se rever na situação de beneficiário das oportunidades de que o mercado dispõe para não parar o curso da vida.
Quem comunga das ideias do estudante e as reforçam, são as antigas vendedoras da Caponte. Uma delas é Joaquina Soares, 40 anos, que nunca trocou de negócio nos seus mais de 25 anos de ofício.
A vendedeira de farinha de milho, vulgo “fuba limpa”, diz ter começado no lado direito do mercado, de onde depois teve de sair com as companheiras para “cercar” a clientela no lado oposto, fixando-se no local até à data. Foramaram uma das maiores concentrações de venda, já que a fuba é um dos três produtos mais procurados na praça, depois do peixe e das hortícolas.

“O negócio aqui rende mais, porque a maioria das compradoras entra por esse lado da praça. Compram para revender o produto nos mercados do Cassoco, Cotel, da Fronteira e Calomanga”, explicou.
Apesar de ser um dos negócios mais lucrativos, num colectivo composto por mais de 40 pessoas a nossa reportagem não registou a presença de um homem sequer. Questionada sobre o assunto, Joaquina Soares referiu a “vergonha” e a “falta de paciência” como os factores que inibem os rapazes a venderem fuba.

“Há dias em que a pessoa sai daqui toda pintada de branco, até parece uma maluca, por isso os homens não aguentam esse tipo de negócio”, explicou a veterana, acrescentando pormenores sobre o trabalho que ela e suas colegas têm desde o tratamento do milho até se ter a fuba nos recipientes, que variam entre bacias grandes e cangulos (os conhecidos carros de mão).
Segundo este jornal, a venda de fuba exige muita paciência, porque são as próprias vendedoras que executam as fases que antecedem a transformação industrial.
“Primeiro compramos o milho e pisamo-lo para o separar do farelo, a seguir colocamo-lo na água onde deve ficar até amolecer, saindo daí para a secagem. Só depois é que levamos o cereal para a moagem”, detalhou uma vendedoura, informando que a operação completa pode levar entre de três a cinco dias.

Nesta secção, a fuba é vendida a 80 ou 90 Kwanzas o quilo, o que demonstra claramente a intenção de a despachar para outros comerciantes, que a vão comercializar noutras paragens, acrescendo 20 ou 30 kuanzas ao valor da aquisição.
O dinheiro das vendas é dividido:uma parte para o sustento da família e outra para manter o negócio em dia, como fez questão de referir Joaquina Soares, que não tem dúvida do poder de sustentabilidade que lhe oferece a sua actividade.
Ainda assim, queixou-se do facto de o mês de Janeiro ser o menos produtivo, por causa dos gastos exagerados que as pessoas fazem durante a quadra festiva no fim de ano.

“Em dias normais, até às 12 horas (período em que conversava com O PAÍS) teria vendido cinco ou seis sacos de 50 quilogramas, mas só vendi um”, reclamou, tendo informado que os dias de mais procura são Sexta-feira e Sábado de cada semana, devido ao famoso prato típico da terra: o calulú.
Intervindo, Dona Maria, outra comerciante, alegou ser por isso que a sua colega defendeu o peixe, as verduras e a fuba como os negócios mais rentáveis da Caponte. Segundo ela, “todo mundo quer comer calulú duas ou três vezes por semana, principalmente aos sábados”.

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Vai Reabrir em Benguela o Cinema Monumental

O director provincial da Cultura, Cristóvão Mário Kajibanga, anunciou que a reabertura do Cine Benguela está prevista para breve, sem, no entanto, apontar a data provável.
Segundo o responsável, uma das áreas daquele marco do cinema benguelense está a ser melhorada para a projecção de filmes em pequena escala, numa primeira fase, tendo frisado que técnicos da direcção provincial da Cultura já avaliaram as condições para a reabertura de uma das alas do Cine Benguela para a projecção de filmes.
De acordo com Cristóvão Mário Kajibanga, enquanto se aguarda pelo material para apetrechar a sala maior, a ala disponível vai entrar em funcionamento.
A reabilitação do cinema foi possível graças a uma entidade privada que está empenhada em alterar a actual situação de ausência de locais para a projecção de filmes.
Os agentes privados, com capacidade financeira e interesse pela sétima arte podem, segundo referiu o director provincial da Cultura, contactar a Empresa Nacional de Distribuição do Cinema (Edicine) para estabelecer contratos de exploração de outras salas paralisadas na província.
O Cine Monumental Teatro, um edifício amplo com palco, camarins e plateia para 884 lugares, é o único a funcionar na cidade de Benguela e tem sessões de projecção às sextas e aos domingos. Sábado está reservado para o teatro.

Jornal de Angola


Benguela Recebe Visita de Empresários Sul-Africanos

Um grupo de empresários sul-africanos, convidado pela Agência de Comércio e Investimento da província do KwaZulu-Natal (TIKZN na sigla em inglês), efectua desde quarta-feira uma visita a província de Benguela, numa missão de prospecção de oportunidades de negócios e contactos com potenciais parceiros, com o propósito de alargar a sua actividade a um novo mercado.
Trata-se de empresários das áreas de construção e engenharia civil, comércio, produção de bebidas, informática, consultoria e gestão, pescas e turismo que estão em Benguela para identificar oportunidades de investimento nestas áreas e estabelecer contactos comerciais com empresas e entidades locais.
Falando a jornalistas, o director-geral da agência para o sector de exportação e promoção do desenvolvimento, Neville Matjie, disse que a missão decorre no âmbito do protocolo de intenções rubricado em 2010 entre a província do KwaZulu-Natal e a de Benguela, com vista a estimular e incentivar o comércio entre ambas regiões.
De acordo com o director-geral, a maioria dos empresários sul-africanos que integra esta comitiva visita pela primeira vez a província de Benguela, estando previsto um encontro de negócios envolvendo representantes locais.


>Benguela Recebe Visita de Empresários Sul-Africanos

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Um grupo de empresários sul-africanos, convidado pela Agência de Comércio e Investimento da província do KwaZulu-Natal (TIKZN na sigla em inglês), efectua desde quarta-feira uma visita a província de Benguela, numa missão de prospecção de oportunidades de negócios e contactos com potenciais parceiros, com o propósito de alargar a sua actividade a um novo mercado.
Trata-se de empresários das áreas de construção e engenharia civil, comércio, produção de bebidas, informática, consultoria e gestão, pescas e turismo que estão em Benguela para identificar oportunidades de investimento nestas áreas e estabelecer contactos comerciais com empresas e entidades locais.
Falando a jornalistas, o director-geral da agência para o sector de exportação e promoção do desenvolvimento, Neville Matjie, disse que a missão decorre no âmbito do protocolo de intenções rubricado em 2010 entre a província do KwaZulu-Natal e a de Benguela, com vista a estimular e incentivar o comércio entre ambas regiões.
De acordo com o director-geral, a maioria dos empresários sul-africanos que integra esta comitiva visita pela primeira vez a província de Benguela, estando previsto um encontro de negócios envolvendo representantes locais.

Neville Matjie referiu que, do KwaZulu-Natal, vieram companhias interessadas na promoção de negócios com empresas da província de Benguela, como forma de criar condições para a aprovação de projectos que contribuam para a geração de emprego e a melhoria das condições de vida da população. O director-geral afirmou ser objectivo da missão assegurar que as empresas das duas regiões mantenham a partir de agora contactos bilaterais permanentes no ramo dos negócios, conheçam a realidade local, os parâmetros e as vantagens para entrar num novo mercado.
Segundo afirmou, a Agência de Comércio e Investimento do KwaZulu-Natal encoraja desta forma as empresas daquela região da África do Sul a investirem em Benguela, daí que seja necessário conhecer o ambiente de negócios existente.
Neville Matjie disse que, durante os encontros agendados com as empresas e entidades benguelenses, de acordo com os interesses pré-identificados por cada interveniente da missão, a agência vai convidar os potenciais parceiros desta região a visitarem a província do KwaZulu-Natal, em busca de oportunidades de investimentos.

O director-geral sustentou que as áreas prioritárias desta missão de prospecção de oportunidades de negócios são a construção civil, engenharia de construção e fomento da habitação e tecnologia, que regista grandes avanços e pode ser fundamental no âmbito do protocolo de intenções.
O responsável destacou que entre as companhias convidadas está uma pertencente à multinacional sul-africana Spar, presente em muitos países de África, Europa e Ásia e que agora se quer estabelecer na província de Benguela, devendo por isso encontrar parceiros. Esta missão abriu as portas do protocolo de entendimento assinado entre o Governo Provincial de Benguela e as autoridades regionais do KwaZulu-Natal, em Janeiro de 2010.

Jornal de Angola