A Ponta da Baía Farta é um Atropelo de Peixes Que Deslizam nas Águas Frias da Corrente de Benguela

A ponta da Baía Farta é um atropelo de peixes que deslizam nas águas frias da corrente de Benguela. Praia de renome, o centro pesqueiro da província é uma mistura de projectos novos e ruínas do que já foi.


Benguela- Projecto de Aparthotel Baía Farta


Documentário Sobre a Baía Farta

Um documentário sobre o município da Baía Farta, 25 quilómetros de litoral da cidade de Benguela, será gravado brevemente pelo realizador angolano Nguxi dos Santos, profissional da Televisão Pública de Angola (TPA).
A informação foi prestada pelo realizador, à margem da exibição de dois documentários no bairro 11 de Novembro, sobre o percurso do Caminho-de-Ferro de Benguela dos anos 60 até aos nossos dias e sobre a guerra em Angola, de 1992 a 2002, inserido no filme “Povos e Lugares”.

Adiantou que a iniciativa surgiu a pedido da administradora municipal, Maria João, visando esclarecer a sociedade sobre as culturas das regiões de Angola, a história dos Caminhos de Ferro de Benguela e causas e consequências do conflito armado que assolou o país.
Por seu lado, a administradora municipal, Maria João, considerou necessário fazer um filme que retrate o passado do município, com interesse histórico para captar as populações, principalmente a juventude, que tende a interessar-se mais pela realidade de outros países. Enquadrado nos festejos do Dia Nacional da Cultura (8 de Janeiro), os filmes de Nguxi dos Santos serão apresentados igualmente nas províncias do Namibe e da Huíla.
Jornal O País


Baía Farta-Fábrica de Peixe Inicia Exportação


Um total de 500 toneladas de farinha e 2.500 litros de óleo de peixe vão ser exportados para a República da Namíbia, na próxima semana, a partir do município da Baía Farta, a 25 quilómetros do litoral da cidade de Benguela.
Segundo o representante da empresa namibiana African Sellection Trust, Adrian Louw, a farinha e o óleo de peixe seguirão primeiro para a Namíbia, de onde serão transportados para a China, Japão, Vietname, Tailândia e às Coreias do Norte e do Sul, onde estão os potenciais mercados.


Alguns empresários angolanos das províncias de Luanda, Bié e da Huíla manifestaram, igualmente, interesse em comprar o produto fabricado na Baía Farta, principalmente a farinha de peixe, que serve para ração animal e fertilizante na agricultura e cujo valor está avaliado em 1.250 dólares por tonelada.
A fábrica, inaugurada na segunda-feira, tem capacidade para produzir uma tonelada de farinha de peixe e 500 litros de óleo por hora e esteve em funcionamento experimental desde Julho, na empresa Pesca Fresca, que investiu mais de cinco milhões dólares norte-americanos.
O projecto surge no âmbito de uma parceria entre empresários angolanos, com 51 por cento das acções, namibianos e sul-africanos, que detêm 49. A secretária de Estado das Pescas, Vitória Barros, acompanhada do vice-governador para a área de organização e serviços técnicos, Eliseu Epalanga Domingos, e da administradora municipal, Maria João, inaugurou igualmente uma nova empresa de pesca e congelação denominada Congele e oito casas sociais, sendo quatro do tipo T2 e as restantes T3, destinadas aos funcionários das pescas.
Vitória Barros considerou que a construção dos empreendimentos na Baía Farta representa o empenho dos empresários do ramo das pescas como parceiro do Governo, na luta contra a fome e a pobreza, criando novos empregos.
Segundo o sócio gerente da empresa Congele, Miguel Paim, o empreendimento, orçado em dois milhões de dólares americanos, comporta um complexo de frio com túneis de congelação, um de conservação para 30 toneladas, três embarcações para capturar 30 toneladas de peixe cada, oficina, escritórios e refeitório. O município da Baía Farta é o segundo maior parque pesqueiro de Angola, a seguir ao do Tombwa (Namibe), e o primeiro na produção de sal.

Jornal de Angola


Na Área das Pescas Novas Indústrias Para a Baía Farta


Uma nova fábrica com capacidade para produzir uma tonelada por hora de farinha de peixe está a funcionar em regime experimental no município da Baía Farta. O empreendimento, da empresa Pesca Fresca, avaliado em mais de cinco milhões de dólares, criou 15 postos de trabalho directos e deve dar empregos indirectos a pelo menos mais 50 pessoas.
A unidade fabril foi construída em dez meses e é fruto de uma parceria entre empresários angolanos, com 51 por cento das acções, e homólogos namibianos e sul-africanos, que detêm os outros 49 por cento. Além da produção de farinha de peixe, que serve para ração animal e fertilizantes na agricultura, a fábrica vai produzir óleo de peixe, destinado à indústria farmacêutica.


De acordo com Carlos Martinó, director provincial da Agricultura e Pescas, a fábrica vai contribuir para melhorar as condições sanitárias na Baía Farta, porque as vísceras do pescado eram abandonadas nas praias pelos pescadores e vendedores. “Agora há um sistema que vai dar tratamento adequado às vísceres do peixe e ao mesmo tempo levar ao mercado produtos que até agora não existiam”, disse Carlos Martinó.
O director das Pescas de Benguela informou que o sector assiste a grandes progressos no domínio da congelação do pescado e seus derivados, com a instalação de novos sistemas de congelação na província e que se encontram todos operacionais.
“Esta acção é o resultado de um projecto do Executivo no âmbito do programa para a redução da pobreza e combate à fome, particularmente no meio rural, onde existe escassez de peixe”, disse.

Fábrica de embarcações

De acordo com o director das Pescas, foi igualmente restaurado um estaleiro de construção de embarcações de pequeno porte, localizado na Caota. A construção naval proporcionou emprego a vários jovens e já produz chatas de fibra, que têm sido distribuídas pelo país no âmbito do programa da pesca continental.
O director das Pescas de Benguela revelou que a província também recebeu chatas de fibra fabricadas na Caota, que foram distribuídas a pescadores do município da Ganda e do Cubal, dando resultados satisfatórios no programa de combate à pobreza no meio rural.
Carlos Martinó disse que no passado houve alguns problemas com a iodação do sal, mas com a intervenção do Executivo na subvenção da compra do iodeto de potássio, deixou de haver problemas: “os produtores têm iodo suficiente para refinação de sal e proporcionar a qualidade aos seus produtos conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde”, assegurou.
O responsável provincial das Pescas admitiu que com a proibição da pesca do carapau, para permitir a sua reprodução, o mercado sofreu uma quebra, mas os armadores para colmatar esta falta viraram-se para a pesca da sardinha, que embora venda menos vai minorando as dificuldades em termos de pescado no mercado.
Segundo estimativas da Direcção das Pescas, os armadores na Baía Farta têm uma produção por trimestre de 19 mil toneladas de sardinha, o que na óptica de Carlos Martinó, “já é muito bom”, porque esta espécie de peixe é a que mais contribui para a dieta alimentar da maior parte população em Benguela e noutras regiões do país.

Protecção do carapau

A sardinha é um peixe de pequenas dimensões, atingindo entre 10 e 15 centímetros de comprimento, e caracteriza-se por possuir apenas uma barbatana dorsal sem espinhos, ausência de espinhos na barbatana anal, cauda bifurcada, boca sem dentes, maxilas curtas e com as escamas ventrais em forma de escudo. Formam frequentemente grandes cardumes e alimentam importantes pescarias. As sardinhas assadas são um prato tradicional na cozinha angolana.
A pesca do carapau continua proibida para a preservação da espécie. Pescadores artesanais contactados pela nossa reportagem garantiram que têm encontrado enormes cardumes de carapau ao longo da costa, o que significa que a proibição está a ter efeitos positivos na reprodução: “o mercado, finda a proibição, vai ter muito peixe para consumo interno e até para exportação”, afirmou o director das Pescas de Benguela.
Carlos Martinó assegurou que os arrastões deixaram de fustigar o nosso mar, desde que foram detidos e julgados pelo Tribunal da Baía Farta alguns armadores que pescavam sem autorização.Também acabaram os casos de pesca ilegal. A Direcção das Pescas deixou de receber queixas dos pescadores alegando destruição das redes de pesca artesanal feitas por barcos arrastões de grande porte: “as medidas tomadas pela fiscalização do sector, em cooperação com a Polícia Fiscal e a Marinha de Guerra Angolana, têm trazido bons resultados”, afirmou.
O director das Pescas de Benguela afirmou ainda que a estreita colaboração entre as direcções das Pescas e do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) permitiu a destruição de toneladas de sal não iodizado, que estavam para ser comercializadas às populações por comerciantes sem escrúpulos: “a acção foi abortada graças ao trabalho da fiscalização, que detectou a mercadoria imprópria para consumo, roubada das salinas e que estava pronta para ser vendida à população. Os comerciantes estão já a contas com a justiça”, declarou Carlos Martinó.

Novo mercado

A administradora Municipal da Baía Farta, Maria João, assegurou que os feirantes do município vão ter um novo mercado para venderem os produtos com melhores condições e para evitar lixo no centro da cidade.
O actual mercado está no centro da Baía Farta e contrasta com o programa de embelezamento que se pretende dar à cidade, que se situa na zona costeira num local propício ao turismo, outro importante sector económico, “daí que esta promiscuidade estava a tornar-se insuportável”, disse Maria João.
“Já escolhemos um local onde vai ser instalado o futuro mercado da Baía Farta, os feirantes foram notificados e aguardam apenas pelo dia em que a administração vai anunciar o encerramento do actual mercado e a sua deslocação para o novo espaço”, disse a administradora municipal.
Para Maria João, “a Baía Farta e o país não podem, nesta altura em que a preservação do ambiente é prioridade mundial, admitir que as vendas de produtos alimentares se façam à custa da saúde pública e de agressões ambientais. Temos de preservar o ambiente que nos rodeia”, disse.
A responsável admitiu que haverá sempre alguma resistência durante a mudança para o novo mercado, sob as mais diversas alegações, mas as pessoas têm de mentalizar-se que o que está a ser feito é para presrvação da saúde delas e das comunidades. Acrescentou que não se justifica que se continue a comercializar no país em locais impróprios, colocando em risco a saúde pública.
“As pessoas nem sempre aceitam as mudanças de ânimo leve, criam sempre alguma resistência, apontando razões de ordem económica, afectiva e outras, mas com o tempo acabam por aceitar e reconhecer que o passo dado foi o melhor”, disse.
No quadro do programa de melhorias das condições sociais das populações, o Executivo angolano tem levado a cabo em todo o paísa construção de vários empreendimentos económicos e sociais , incluindo mercados municipais e regionais.
Desde o arranque do programa, segundo fontes do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) já foram construídos mercados nos principais centros municipais e em todas as 18 sedes capitais de província. Na capital do país, Luanda, o mercado do Panguila, onde foram transferidos na semana passada os antigos feirantes do Roque Santeiro, é o maior construído até agora, com capacidade para acolher mais de 10 mil vendedores, em condições dignas.
Com um parque de estacionamente para dois mil carros, o mercado do Panguila está situado no município de Cacuaco.

Sampaio Júnior/Jornal de Angola