“Ti Celito” Inicia Hoje Visita de Estado a Angola Dividida Entre Luanda Benguela e Huíla,

Foto: Luís Forra/Lusa

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, inicia hoje uma visita de Estado de quatro dias a Angola, dividida entre Luanda, Benguela e Huíla, que termina no dia em que cumpre três anos de mandato.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Luanda na terça-feira de Carnaval, 05 de março, para estar presente no aniversário do Presidente de Angola, João Lourenço, que completou 65 anos, mas o programa da sua visita de Estado só começa hoje, dia mais importante em termos de contactos políticos.

O primeiro ponto do programa é a deposição de uma coroa de flores no Memorial Agostinho Neto, de manhã, seguindo-se um encontro com João Lourenço no Palácio Presidencial, onde haverá igualmente conversações ministeriais e uma conferência de imprensa conjunta dos dois chefes de Estado.

Em cima da mesa estará certamente o tema de regularização de dívidas de Angola a empresas portuguesas, que teve avanços durante a visita do primeiro-ministro português, António Costa, a Angola, em setembro do ano passado, e na visita de João Lourenço a Portugal, em novembro.


Cooperação Económica Foi Reforçada Entre Angola e Portugal

Os governos de Angola e Portugal estão a trabalhar para reforçar a cooperação económica, colocando a capacidade de realizar investimentos do lado das empresas, afirmou nesta quarta-feira, em Luanda, o secretário de Estado da Economia portuguesa, João Neves.

Em declarações à imprensa, no final de uma reunião do Observatório de Investimentos Angola-Portugal, João Neves sublinhou que aos governos cabe a responsabilidade de criar um quadro regulatório simples, capaz de concretizar investimentos angolanos em Portugal e investimentos portugueses em Angola, com a menor intervenção do lado do Estado.  

Segundo o ministro português, a capacidade de relação das empresas e das autoridades visa precisamente construir ligações mais sólidas entre os países.

“Estamos muito aberto ao investimento angolano em Portugal e aquilo que as autoridades angolanas nos transmitiram é também o enorme interesse em ter investimento português em Angola que permita fortalecer a economia angolana”, disse.

João Neves disse que esse relacionamento económico é muito importante para o desenvolvimento económico de ambos os países, pois a intenção passa por construir um caminho em comum, que possa ajudar ambos os países a se desenvolverem.


Presidente Marcelo de Visita a Angola de 05 a 09 de Março

Foto Portal de Angola

De acordo com o Diário de Notícias que cita a Lusa, os chefes da diplomacia angolana e portuguesa afirmaram hoje, em Luanda, estarem criadas “todas as condições” para a realização da visita de Estado do Presidente de Portugal a Angola, que decorrerá de 05 a 09 de março próximo.

Numa conferência de imprensa conjunta, Manuel Augusto e Augusto Santos Silva adiantaram que Marcelo Rebelo de Sousa visitará oficialmente Angola a partir de 05 de março e que a deslocação se prolongará por quatro dias, incluindo deslocações para fora da província de Luanda, embora não as tenham especificado.

Segundo Manuel Augusto, as reuniões de trabalho mantidas hoje com o homólogo português, que se encontra em Luanda para uma visita de trabalho de 24 horas, permitiram limar todas as arestas para a criação de condições para a visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola.

“Estão criadas todas as condições para a visita e as reuniões de hoje permitiram consolidar a preparação e o respetivo programa. Até 05 de março, vamos continuar a trabalhar para que a visita constitua um ponto alto nas relações entre os dois países”, sublinhou o ministro das Relações Exteriores angolano.


João Lourenço Abre Caminho a um Segundo Mandato

Deslocação de Presidente a Portugal, marcada por uma atmosfera distendida, sela novo ciclo nas relações bilaterais. Luanda quer investidores portugueses “em força” e João Lourenço abre caminho a um segundo mandato.

Em três dias de visita de Estado a Portugal, o Presidente angolano João Lourenço assinou 13 acordos de carácter bilateral, proferiu mais de uma dezena de intervenções, e pediu aos “investidores para fazerem as malas e irem para” o seu país “em força”. Em especial “os empresários pequenos e médios, de praticamente todos os ramos da economia”.

João Lourenço disse-o vários vezes ao longo da visita e voltou a dizê-lo neste Sábado ao final da manhã num encontro com representantes dos órgãos da comunicação social portuguesa em Lisboa, insistindo em pontos fortes que foi desenvolvendo ao longo dos três dias da sua presença em Portugal. No encontro com os jornalistas portugueses, o Presidente angolano garantiu não existirem actualmente “obstáculos no caminho das relações” entre os dois países como ficou comprovado pelo número de acordos assinados durante a visita. Acordos estes a que somarão outros, já no início de 2019, quando o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, se deslocar a Angola, como fez questão de frisar João Lourenço.


Há 24 Empresas Portuguesas Credoras de 270 Milhões de Euros Disse Hoje o Ministro das Finanças de Angola

O ministro das Finanças de Angola disse hoje que o processo de certificação em curso das dívidas do Estado angolano ao sector

empresarial abrange 24 empresas portuguesas e que há 270 milhões de euros de dívidas confirmadas.

“O processo de certificação continua em curso, mas até agora temos 24 empresas portuguesas em processo de certificação,

que representam mais de 150 mil milhões de kwanzas que estão a ser reclamados, mas destes, 94 mil milhões de kwanzas, cerca de 270 milhões de euros, foram certificados”, disse Archer Mangueira em declarações à Lusa em Lisboa.

O ministro, que integra a delegação que acompanha a visita de Estado do Presidente de Angola a Portugal, João Lourenço, entre hoje e sábado, declarou que o processo de certificação continua em curso.

Por isso, “as reclamações prosseguem e, entretanto, também foi publicado um decreto executivo sobre as reclamações de dívida a estabelecer um limite”, adiantou.

“Nesse âmbito, vamos poder estabelecer uma data de corte” no processo, referiu Archer Mangueira

A atualização dos dados feita pelo ministro à Lusa mostra um aumento de 70 milhões de euros face aos números avançados pelo ministro dos Negócios Exteriores

de Angola que, na quarta-feira, disse que as dívidas às empresas portuguesas rondavam os 200 milhões de euros e que, desses, 100 milhões tinham já sido pagos antes da chegada de João Lourenço a Portugal.