Para Honrar os Soldados Portugueses Mortos na Guerra Colonial Foram Iniciados Contactos Entre Angola e Portugal

Os governos angolano e português iniciaram hoje contactos para honrar os soldados portugueses que morreram em território angolano durante a guerra colonial e que “não foram devidamente reconhecidos”, informou hoje o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho.

O governante português, que se encontra em Luanda para uma visita de três dias, no âmbito da sua participação na 19.ª reunião de ministros da Defesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), foi hoje recebido pelo ministro angolano dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto “Liberdade”.

À saída do encontro, João Gomes Cravinho referiu que não há ideia do número de soldados portugueses tombados em Angola, salientando que o objetivo “não é o de distinguir entre portugueses e angolanos”, mas, sim, “honrar aqueles que morreram no cumprimento dos seus deveres”.

“Temos aqui em Angola seguramente muitos soldados portugueses do período da guerra colonial e até de períodos mais antigos em que não foram devidamente reconhecidos”, disse João Cravinho.

Segundo o ministro, é uma responsabilidade de Portugal reconhecer aqueles que morreram no cumprimento dos seus deveres e, nesse sentido, agradeceu a abertura do Governo angolano “para acolher o interesse português em dignificar os cemitérios onde se encontram enterrados esses mortos”.

“Vai agora começar esse trabalho e ao longo dos próximos tempos. Já em junho virá uma equipa da Liga dos Combatentes, para começar a fazer o levantamento e organizar um plano, e ao longo dos próximos anos iremos fazer esse trabalho de dignificação dos cemitérios”, frisou.


Francisca Van-Dúnem Diz em Luanda Que Está na Hora de Angola e Portugal “Porem a Mão na Massa”

A ministra da Justiça de Portugal, que iniciou terça-feira uma visita de três dias a Angola, diz que é preciso avançar com os protocolos de cooperação bilateral e que as relações entre os dois países estão “mais fortes”.

“O que vai mudar [com a visita], do ponto de vista prático, é que vamos passar a ter aquilo que se chama pôr as mãos na massa. Vamos passar das proclamações à acção concreta, com as equipas a trabalharem em concreto”, afirmou Francisca Van-Dúnem, após um encontro com o homólogo angolano, Francisco Queirós. Segundo a governante, objectivo é melhorar a relação no que se refere à área dos registos e notariado, em que já há protocolos estabelecidos.

No primeiro dia de trabalhos, na capital angolana, Luanda, onde nasceu, a ministra da Justiça de Portugal viu no terreno como funcionam os serviços de registos e notariado de Angola. “Tivemos oportunidade não só de trocar impressões para concretização de muitos pontos que estão estabelecidos em protocolos que Angola e Portugal têm celebrado e tivemos oportunidade de verificar in loco os progressos que já foram feitos nomeadamente nessas áreas do registo criminal e do registo civil”, disse.

Em declarações à DW África, o analista político Augusto Báfuabáfua diz que Angola deve aproveitar a experiência portuguesa no capítulo dos registos e notariado, daí a importância desta visita. “Os acordos são para serem cumpridos. Angola tem múltiplos acordos no âmbito da justiça com Portugal, inclusive na reforma de algumas leis e na prática do nosso Estado, e Angola pode muito bem beber da experiência portuguesa e pôr em prática”, defende.

“Irritante” ficou para trás


Ministra Portuguesa Francisca Van Dunem Considera Que Relações Entre Angola e Portugal Estão a Caminho da Excelência

A ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van Dunem, considerou hoje, em Luanda, que as relações entre Angola e Portugal “estão mais fortes e caminham para a excelência”, manifestando-se “feliz e emocionada” por regressar à terra natal.”O que passou ficou para trás, esse assunto (o irritante) está encerrado. O importante agora é que eu esteja aqui, que as relações entre Angola e Portugal estão mais fortes e que se reforcem ainda mais no futuro, penso que é esse o ponto-chave”, disse.

Falando esta manhã aos jornalistas, no aeroporto internacional 4 de Fevereiro, após a sua chegada a Luanda para uma visita de três dias, a ministra portuguesa assinalou que as relações entre Luanda e Lisboa “caminham para excelência”.

Para Francisca Van Dunem, as relações entre ambos os países estão num excelente nível e caminhando para a excelência com as constantes visitas de membros do Governo português à Angola e vice-versa.

“Estamos a caminhar para a excelência, é bom que essas visitas ocorram entre membros dos ambos os países que é uma relação histórica porque a relação os países é um instrumento importantíssimo de projeção de países a escala mundial”, referiu.
Francisca Van Dunem inicia hoje na capital angolana, onde nasceu, uma vista de três dias, estando ainda agendada para hoje uma reunião com o seu homólogo angolano, Francisco Queirós, e um encontro de trabalhos entre delegações dos dois países.


Como É Recordar Portugal em Benguela

Desde os que vivem por cá há décadas, aos que viveram em Benguela a maior parte das suas vidas, passando pelos que aqui chegaram há meros meses, as saudades de Portugal são sentidas e contidas em diferentes escalas, mas, sempre presentes. A chegada a Benguela do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, é assim, a visita de um grande pedaço de casa longe dela…

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa chegou ontem à província de Benguela, no seu terceiro dia em Angola. Para muitos portugueses residentes na “cidade mãe de cidades”, esta visita traz afectos, traz saudades, traz “casa”. A sua agenda foi ontem divulgada à imprensa local, sabendo-se que, três horas após chegada, o estadista português teve um jantar com a comunidade portuguesa, complementado com um almoço hoje, 8 de Março de 2019. Como estrangeiros residentes, ou mesmo para os que tenham dupla nacionalidade, há sempre uma parte da terra dos seus ancestrais que lhes faz falta no quotidiano, seja a família, a cultura, ou até o Inverno.

“casa” é onde se é feliz ,mas como Portugal, não há…

Liliana Ferreira é voluntária na ONG “Leigos para o Desenvolvimento”, existente em Benguela desde 1996. Convidados pelo Consulado Português, para fazer parte da recepção do Presidente, espera que a oportunidade dê mais visibilidade à ONG. Liliana está em Angola, residindo em Benguela, há meros 5 meses, durante os quais, teve fases significativas de saudades do seu Portugal, embora, como voluntária, “casa” é qualquer parte do mundo onde esteja a trabalhar. Nessas alturas melancólicas, a cidadã de Mafra encontrou refúgio no teatro, actividade cultural que aprecia, e inúmeras são as salas de teatro em Portugal que foram por si visitadas para assistir às peças em exibição.


Governo de Angola Apela aos Empresários Portugueses Para Investirem em Força Naquele País

Em declarações aos jornalistas em Benguela, no litoral-centro do país, onde decorre o Fórum Empresarial Angola/Portugal, o ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social angolano, Manuel Nunes Júnior,

lembrou que o Governo de Luanda está a combater “seriamente” a dependência excessiva do petróleo nas exportações, equivalente a mais de 90% do valor global e 70% das receitas tributárias.

“Todos os problemas que se colocam em Angola têm sempre a ver com os preços do petróleo no mercado internacional, que é sempre imprevisível. Estamos a lutar seriamente para combater essa dependência e Portugal pode ajudar muito e ter um papel crucial nesse caminho”, sublinhou Manuel Nunes Júnior,

à margem do evento, realizado no âmbito da visita que o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, está a realizar a Angola.

O governante angolano destacou sobretudo as áreas da agricultura e da agroindústria, setores sobretudo do ramo alimentar, com o qual Angola “gasta anualmente recursos bastante acentuados”, para importar.