Estão Interessadas em Ir Para Angola Mais de Mil Empresas Chinesas

Foto o PAÍS

Mais de mil empresas privadas chinesas de vários sectores estão interessadas em investir no país. A intenção foi manifestada, ontem, Segunda-feira, 10, durante uma reunião de empresários chineses, fez saber o presidente da CAC (Câmara de Comércio Angola-China), Arnaldo de Sousa Calado, em exclusivo ao OPAÍS

As empresas privadas da China têm mostrado um interesse crescente em expandir os seus negócios em África, escreveu a agência noticiosa Xinhua, citando empresários que participaram num recente encontro económico sino- africano. Segundo o presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Arnaldo Calado, que foi ouvido em exclusivo pelo OPAÍS, logo após a reunião que teve lugar ontem, “é cada vez mais visível o interesse de empresas chinesas em investir no país, mas é preciso aumentar o volume de capital e acompanhar as negociações”, sublinhou.

Calado avançou que as referidas empresas também têm algumas exigências para poderem investir no país. Por esse motivo, prosseguiu, “ há a necessidade de melhorar o ambiente de negócios. Vamos negociar consoante os projectos apresentados, depois de passarem pela negociação com o Governo angolano”, disse.

Em sua opinião, esse interesse dos empresários chineses é um bom sinal, porque Angola precisa de investimentos, no entanto, é preciso que estes fiquem associados aos empresários angolanos, “porque queremos alavancar a economia angolana e os empresários nacionais”, referiu, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China.


Chineses Zangados com Governo Angolano por Uso Indevido da Linha de Crédito

O Governo utilizou 760 milhões USD da linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China (BDC) para pagar salários de Março e serviço da dívida interna, o que levou os chineses a ameaçarem suspender a linha de crédito caso a situação se repetisse, de acordo com um Memorando do Ministério das Finanças (MinFin) a que o Expansão teve acesso.

Datado de 28 de Abril e assinado pelo ministro das Finanças, Archer Mangueira, o documento intitulado “Pagamento da Folha Salarial de Abril e Serviço da Dívida Interna de Maio” justifica o recurso à linha de crédito do BDC com o impacto “severo” nas finanças públicas das alterações “dramáticas e abruptas” nas receitas petrolíferas na sequência do choque petrolífero.

Como referido mais abaixo neste texto, no ponto 13, na página 10 do Memorando, o inquilino da Mutamba chega mesmo a classificar a actual posição do Estado como de “insolvência”.

Desde a segunda metade de 2014 as receitas petrolíferas passaram a servir apenas como o “garante do serviço da dívida externa” enquanto as receitas não petrolíferas tem desempenhado um “papel cimeiro no que respeita as obrigações internas do País”, explica o MinFin.

E desde o início de 2018 que as receitas não petrolíferas não têm chegado para pagar as despesas correntes e a dívida titulada, o que obrigou o Governo a “socorrer-se das reservas do País em moeda externa” para colmatar as insuficiências, admite o Memorando.


Uma Nova Linha de Crédito Está a Ser Negociada pelo Governo Angolano e a China

Foto Portal de Angola

O Governo angolano está a negociar uma linha de crédito com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) no valor de 11,7 mil milhões de dólares norte-americanos, para projectos de infra-estruturas, anunciou o site de notícias CLBrief (Breves sobre China e Lusofonia), retomado no website oficial sobre o Fórum de Cooperação China-África (FOFAC), que decorre de 3 a 4 de Setembro.

O Governo angolano, de acordo com o sítio CLBrief, está ainda a negociar os termos para um empréstimo de 1,281.9 milhões de dólares, para pagar até 85 por cento do valor do contrato para a concepção, construção e acabamento do novo aeroporto internacional que está a ser erguido em Luanda.

O aeroporto está a ser construído a 30 quilómetros da cidade de Luanda por várias empresas chinesas, sendo o principal empreiteiro o CIF (Fundo Internacional da China). Através do banco estatal chinês, que apoia a importação e exportação do país (Exim Bank), Angola negoceia também um em-préstimo de cerca de 690.2 milhões de dólares, para a construção da marginal da Corimba (Luanda), do sistema de transporte de energia eléctrica do Luachimo, no valor de 760.4 milhões de dólares, e para a construção de uma academia naval em Kalunga, Porto Amboim (Cuanza-Sul), no valor de 1,1 mil milhões de dólares.

Segundo o site, a recente emissão de Eurobonds, no valor de 3 mil milhões de dólares, pelo Estado angolano este mês indica que a China é a fonte principal de “diversas facilidades de novos créditos” que as autoridades já estão a negociar.


Governo Angolano Pede Mais 15,5 Mil Milhões de Dólares de Empréstimo à China

A dívida de Angola à China prepara-se para sofrer um agravamento de 15,5 mil milhões de dólares, valor que o Executivo pretende obter com mais um empréstimo junto do parceiro asiático, a fim de financiar projectos de desenvolvimento, nomeadamente nos sectores da Energia e Infraestruturas.

Os planos do Governo angolano de pedir mais 15,5 mil milhões de dólares de empréstimo à China constam de uma nota enviada aos investidores, a propósito de uma nova emissão de dívida pública.

De acordo com essa informação, o crédito chinês será disponibilizado através de duas instituições financeiras: o Banco Internacional e Comercial da China, de onde sairá a maior fatia, no valor de 13 mil milhões de dólares; e o Banco Chinês de Export-Import, que cederá os restantes 2,5 mil milhões de dólares.

Neste segundo caso, o dinheiro permitirá financiar a construção da estrada da Corimba, obra orçada em 690,2 milhões de dólares; o sistema de transporte de electricidade da Barragem de Luachimo, na província da Lunda-Norte, despesa estimada em 760,4 milhões de dólares; e a edificação da futura Academia Naval de Kalunga, Porto Amboim, avaliada em 1,1 mil milhões de dólares.


754 Dólares é Quanto Cada Angolano Deve à China

 

Documento do MinFin distribuído aos investidores nos “eurobonds” confirma a China como o principal banqueiro de Angola. No final de 2017, o País devia à China 21,4 mil milhões USD correspondentes a 55,6% dos 38,3 mil milhões USD da sua dívida externa. Quase 60% das dívidas ao estrangeiro era garantida por petróleo.

Em 31 de Dezembro de 2017, cada angolano devia à China 754 USD, de acordo com cálculos do Expansão, que dividiu a dívida total de Angola à China naquela data, avaliada em cerca de 21,4 mil milhões USD, pela população do País, estimada em 28,4 milhões pessoas na mesma altura.

A dívida à China representava 55,6% da dívida pública externa de Angola, que ascendia a 38,3 mil milhões USD no final do ano passado, o equivalente a 1.348 USD por habitante. Quase 60% da dívida de Angola ao exterior era garantida por petróleo.

As informações sobre a dívida pública externa a que o Expansão teve acesso constam do “Prospecto Preliminar” que o Ministério das Finanças apresentou aos investidores, no âmbito do processo de emissão dos “eurobonds”, através do qual o País encaixou três mil milhões USD.