Oposição Angolana Pede Esclarecimentos ao Presidente da República Sobre Dívida à China

A oposição espera que o Presidente da República, João Lourenço, esclareça, na segunda-feira, 15, no seu segundo discurso sobre o Estado da Nação, o endividamento de dois mil milhões de dólares que o Executivo fez, esta semana, à China.

O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, entende que a soberania do país está a ser hipotecada devido a estes empréstimos, pelo facto de a população desconhecer as condições do seu pagamento. “Este endivida- mento à China ainda não foi devida- mente esclarecido, e pelos montantes envolvidos, em certa medida, hipoteca a nossa soberania”, afirmou Alcides Sakala em declarações ao Novo Jornal, reiterando que “os deputados têm o direito de saber o que é que está em jogo”.

Ainda sobre a mensagem de João Lourenço à Nação, o presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, espera que o estadista angolano explique aos cidadãos como está o processo de repatria- mento de capitais, cuja lei foi aprova- da em Maio. “A lei foi aprovada, e ainda não completámos os 180 dias.

Está quase. Portanto, esperamos que ele venha dizer se o processo está a correr bem ou se está a encontrar entraves”, disse o político.

 


Ministro das Finanças Angolano Informa Que do Novo Empréstimo da China Parte é Para Pagar Dívidas aos Credores Chineses

O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, garantiu, em Pequim, que “parte” dos 2.000 milhões de dólares que serão financiados pelo Governo da China “servirá para regularizar” a dívida com os credores chineses.

Em declarações à imprensa, a propósito dos acordos rubricados na terça-feira entre os governos de Angola e da China, Archer Mangueira, citado pela agência noticiosa Angop, disse ser pretensão das autoridades angolanas concorrer, com esse novo crédito, para a amortização da dívida, a médio e longo prazos.

A linha de crédito é parte de um acordo assinado entre o Ministério das Finanças de Angola e o Banco de Desenvolvimento da China, no quadro da visita oficial que o Presidente angolano, João Lourenço, terminou hoje na China.

Sem especificar a taxa de juro a aplicar no âmbito desta nova linha de crédito e os termos do reembolso, Archer Mangueira indicou que o novo financiamento da China também se destina à execução de projetos capazes de criar rendimentos para o país.

“Será destinado a financiar projetos que possam alavancar o setor produtivo de tal maneira que possam, a médio e longo prazos, aumentar o volume de receitas, principalmente as voltadas para a exportação”, sublinhou o ministro das Finanças angolano.


Mais Dívida Para Angola Com Novo Empréstimo da China

Dois mil milhões de dólares para projectos de infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento é o resultado directo da visita de dois dia de João Lourenço à China.
O instrumento jurídico foi assinado pelo ministro das Finanças, Archer Mangueira, que afirmou que o empréstimo do Banco de Desenvolvimento da China vai servir para apoiar a economia nacional e pagar a credores.

As autoridades angolanas assinaram ainda um acordo de promoção e protecção recíproca de investimentos e outro para eliminar a dupla tributação em matérias de impostos sobre rendimento e prevenir a fraude e evasão fiscal.

Foi ainda rubricada um memorando de entendimento entre o Ministério do Comércio da China e o Ministério das Relações Exteriores de Angola.

Esta quarta-feira, último dia da visita, o chefe de Estado angolano desloca-se a Shenzen, ao centro de pesquisas da Huawei, o terceiro maior fabricante de smartphones depois da Samsung e da Appel, onde vai inteirar-se do funcionamento da empresa de telecomunicações.


Estão Interessadas em Ir Para Angola Mais de Mil Empresas Chinesas

Foto o PAÍS

Mais de mil empresas privadas chinesas de vários sectores estão interessadas em investir no país. A intenção foi manifestada, ontem, Segunda-feira, 10, durante uma reunião de empresários chineses, fez saber o presidente da CAC (Câmara de Comércio Angola-China), Arnaldo de Sousa Calado, em exclusivo ao OPAÍS

As empresas privadas da China têm mostrado um interesse crescente em expandir os seus negócios em África, escreveu a agência noticiosa Xinhua, citando empresários que participaram num recente encontro económico sino- africano. Segundo o presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Arnaldo Calado, que foi ouvido em exclusivo pelo OPAÍS, logo após a reunião que teve lugar ontem, “é cada vez mais visível o interesse de empresas chinesas em investir no país, mas é preciso aumentar o volume de capital e acompanhar as negociações”, sublinhou.

Calado avançou que as referidas empresas também têm algumas exigências para poderem investir no país. Por esse motivo, prosseguiu, “ há a necessidade de melhorar o ambiente de negócios. Vamos negociar consoante os projectos apresentados, depois de passarem pela negociação com o Governo angolano”, disse.

Em sua opinião, esse interesse dos empresários chineses é um bom sinal, porque Angola precisa de investimentos, no entanto, é preciso que estes fiquem associados aos empresários angolanos, “porque queremos alavancar a economia angolana e os empresários nacionais”, referiu, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China.


Chineses Zangados com Governo Angolano por Uso Indevido da Linha de Crédito

O Governo utilizou 760 milhões USD da linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China (BDC) para pagar salários de Março e serviço da dívida interna, o que levou os chineses a ameaçarem suspender a linha de crédito caso a situação se repetisse, de acordo com um Memorando do Ministério das Finanças (MinFin) a que o Expansão teve acesso.

Datado de 28 de Abril e assinado pelo ministro das Finanças, Archer Mangueira, o documento intitulado “Pagamento da Folha Salarial de Abril e Serviço da Dívida Interna de Maio” justifica o recurso à linha de crédito do BDC com o impacto “severo” nas finanças públicas das alterações “dramáticas e abruptas” nas receitas petrolíferas na sequência do choque petrolífero.

Como referido mais abaixo neste texto, no ponto 13, na página 10 do Memorando, o inquilino da Mutamba chega mesmo a classificar a actual posição do Estado como de “insolvência”.

Desde a segunda metade de 2014 as receitas petrolíferas passaram a servir apenas como o “garante do serviço da dívida externa” enquanto as receitas não petrolíferas tem desempenhado um “papel cimeiro no que respeita as obrigações internas do País”, explica o MinFin.

E desde o início de 2018 que as receitas não petrolíferas não têm chegado para pagar as despesas correntes e a dívida titulada, o que obrigou o Governo a “socorrer-se das reservas do País em moeda externa” para colmatar as insuficiências, admite o Memorando.