O Zimbabué Avançou Com a Saída de Mugabe?

Há um ano, o Zimbabué aguardava com expetativa a renúncia do então Presidente Robert Mugabe. A 15 de novembro, os tanques do exército invadiram as ruas da capital Harare, no que foi descrito como uma intervenção militar.

Mugabe tentou resistir, mas, seis dias depois, após várias tentativas de negociação falhadas e uma ameaça de impedimento, o chefe de Estado há 37 anos no poder acabou mesmo por ser forçado a renunciar no dia 21 de novembro.

A chegada ao poder do seu sucessor, Emmerson Mnangagwa veio, na altura, acompanhada de uma grande dose de euforia e esperança num futuro melhor para o Zimbabué. Mas agora, um ano depois, as opiniões dividem-se.

O sucessor de Mugabe, Emmerson Mnangagwa, tem em mãos uma crise económica que é já considerada por muitos como a pior dos últimos dez anos.

A oposição, que há um ano atrás apoiou a saída de Mugabe, entende que a população foi enganada. É o que diz Jacob Mafume, principal porta-voz da oposição.


Jovens Futebolistas Africanos Abandonados na Europa Muitos Acabando na Pobreza

Futebolistas africanos são muito procurados na Europa: são talentosos, motivados e baratos. Mas por trás de cada atleta que singra, escondem-se dezenas ou centenas que acabam na pobreza.

Seraphin Fodjo é frequentemente visto fora das quatro linhas num campo de futebol degradado em “La Roue”,  na região de Anderlecht, na Bélgica. Fodjo é dos Camarões e treina jovens jogadores que vieram para a Europa atrás de um sonho e acabaram por ali. “A maioria vem dos Camarões, Costa do Marfim e Burkina Faso”, conta.

As histórias deles são parecidas: “Impostores que se fazem passar por agentes desportivos, que nada sabem sobre desporto, encontram-se com as famílias e prometem que o filho tem um contrato à espera na Europa”, diz Fodjo. E “os pais fazem o impossível para arranjar dinheiro para o filho realizar o sonho que foi transmitido pelo agente.”

De forma a tornar o esquema ainda mais credível, alguns “agentes” incluem parceiros europeus na equação. Tratam do passaporte e de todos os documentos necessários para a viagem. Algumas famílias chegam a a pagar €10.000 por este serviço.


Ossadas, Caveiras e a Reconciliação Com o Passado Colonial

Durante o período colonial, milhares de restos humanos foram enviados de África para a Europa. Descendentes africanos aguardam que sejam devolvidos à origem, mas o processo é lento.

Quando se tornou assistente de direção no Museu de Etnologia de Berlim, em 1885, o antropólogo Felix von Luschan deu luz verde a uma grande “campanha de coleção”. Pelas várias colónias, europeus juntaram milhares de caveiras e ossos que enviaram para Berlim. Como outros cientistas do seu tempo, Luschan queria usá-los para estudar o desenvolvimento humano. Mas muitas destas relíquias humanas acabaram a ganhar pó em armazéns durante décadas.

Cerca de 5500 restos humanos da coleção de Luschan pertencem agora à Fundação de Herança Cultural da Prússia, que gere um número variado de museus, arquivos e bibliotecas na Alemanha. Para Hermann Parzinger, diretor da Fundação, este é um “legado difícil”.

Na maior parte das vezes, os colecionadores não se preocuparam em obter o consentimento devido quando levaram os restos humanos. Bernhard Heeb, arqueólogo encarregado de investigar as histórias das caveiras, descreve que houve uma “febre da coleção”.


João Lourenço e Outros Líderes Africanos Assinam Acordo de Livre Comércio em África

Foto O PAÍS

O Presidente de Angola, João Lourenço, esteve entre os primeiros líderes africanos a assinar o acordo de livre comércio em África, no quadro da décima cimeira extraordinária da União Africana (UA), consagrada esta Quarta-feira, 21, na capital rwandesa, ao lançamento formal da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

No poder desde 26 de Setembro de 2017, João Lourenço chegou Terça-feira a Kigali, para se juntar aos demais chefes de Estado e de Governo africanos que aí se deslocaram para proclamar a ZCLCA, com a assinatura dos três instrumentos jurídicos que a integram. Entre os primeiros signatários dos três documentos (Zona de Livre Comércio, Livre Circulação de Pessoas e Declaração de Kigali) estiveram igualmente o Presidente Mahamadou Issoufou, do Níger e na qualidade de coordenador do processo da ZCLCA, e o anfitrião Paul Kagamé. A ZCLCA, que entrará em vigor após a sua ratificação por metade dos Estados signatários, visa criar um único mercado continental de bens e serviços, estabelecer a livre circulação dos homens de negócios e abrir a via à aceleração da união aduaneira em 2022 e de uma comunidade económica africana até 2028.


Conflitos nos Últimos 65 Anos em África Afectaram os Parques Naturais e Dizimaram as Respectivas Faunas e Florestas

DAI KUROKAWA/EPA

Os conflitos nos últimos 65 anos em África afetaram 70% dos parques naturais no continente e dizimaram as respetivas faunas e florestas, indica esta segunda-feira um estudo sobre biodiversidade nas reservas africanas, Moçambique e Angola incluídos, liderado por investigadores norte-americanos.

No trabalho, que analisa o período entre 1946 e 2010, Robert Pringle e Joshua Daskinos, especialistas em ecologia nas universidades de Princeton e de Yale, é vincado que mais de 70% das áreas protegidas foram diretamente afetadas por guerras que obrigaram a um decréscimo de praticamente todas as 253 populações analisadas (de 36 espécies em 126 reservas), dados publicados na revista Nature.