Jovens Futebolistas Africanos Abandonados na Europa Muitos Acabando na Pobreza

Futebolistas africanos são muito procurados na Europa: são talentosos, motivados e baratos. Mas por trás de cada atleta que singra, escondem-se dezenas ou centenas que acabam na pobreza.

Seraphin Fodjo é frequentemente visto fora das quatro linhas num campo de futebol degradado em “La Roue”,  na região de Anderlecht, na Bélgica. Fodjo é dos Camarões e treina jovens jogadores que vieram para a Europa atrás de um sonho e acabaram por ali. “A maioria vem dos Camarões, Costa do Marfim e Burkina Faso”, conta.

As histórias deles são parecidas: “Impostores que se fazem passar por agentes desportivos, que nada sabem sobre desporto, encontram-se com as famílias e prometem que o filho tem um contrato à espera na Europa”, diz Fodjo. E “os pais fazem o impossível para arranjar dinheiro para o filho realizar o sonho que foi transmitido pelo agente.”

De forma a tornar o esquema ainda mais credível, alguns “agentes” incluem parceiros europeus na equação. Tratam do passaporte e de todos os documentos necessários para a viagem. Algumas famílias chegam a a pagar €10.000 por este serviço.


Ossadas, Caveiras e a Reconciliação Com o Passado Colonial

Durante o período colonial, milhares de restos humanos foram enviados de África para a Europa. Descendentes africanos aguardam que sejam devolvidos à origem, mas o processo é lento.

Quando se tornou assistente de direção no Museu de Etnologia de Berlim, em 1885, o antropólogo Felix von Luschan deu luz verde a uma grande “campanha de coleção”. Pelas várias colónias, europeus juntaram milhares de caveiras e ossos que enviaram para Berlim. Como outros cientistas do seu tempo, Luschan queria usá-los para estudar o desenvolvimento humano. Mas muitas destas relíquias humanas acabaram a ganhar pó em armazéns durante décadas.

Cerca de 5500 restos humanos da coleção de Luschan pertencem agora à Fundação de Herança Cultural da Prússia, que gere um número variado de museus, arquivos e bibliotecas na Alemanha. Para Hermann Parzinger, diretor da Fundação, este é um “legado difícil”.

Na maior parte das vezes, os colecionadores não se preocuparam em obter o consentimento devido quando levaram os restos humanos. Bernhard Heeb, arqueólogo encarregado de investigar as histórias das caveiras, descreve que houve uma “febre da coleção”.


João Lourenço e Outros Líderes Africanos Assinam Acordo de Livre Comércio em África

Foto O PAÍS

O Presidente de Angola, João Lourenço, esteve entre os primeiros líderes africanos a assinar o acordo de livre comércio em África, no quadro da décima cimeira extraordinária da União Africana (UA), consagrada esta Quarta-feira, 21, na capital rwandesa, ao lançamento formal da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

No poder desde 26 de Setembro de 2017, João Lourenço chegou Terça-feira a Kigali, para se juntar aos demais chefes de Estado e de Governo africanos que aí se deslocaram para proclamar a ZCLCA, com a assinatura dos três instrumentos jurídicos que a integram. Entre os primeiros signatários dos três documentos (Zona de Livre Comércio, Livre Circulação de Pessoas e Declaração de Kigali) estiveram igualmente o Presidente Mahamadou Issoufou, do Níger e na qualidade de coordenador do processo da ZCLCA, e o anfitrião Paul Kagamé. A ZCLCA, que entrará em vigor após a sua ratificação por metade dos Estados signatários, visa criar um único mercado continental de bens e serviços, estabelecer a livre circulação dos homens de negócios e abrir a via à aceleração da união aduaneira em 2022 e de uma comunidade económica africana até 2028.


Conflitos nos Últimos 65 Anos em África Afectaram os Parques Naturais e Dizimaram as Respectivas Faunas e Florestas

DAI KUROKAWA/EPA

Os conflitos nos últimos 65 anos em África afetaram 70% dos parques naturais no continente e dizimaram as respetivas faunas e florestas, indica esta segunda-feira um estudo sobre biodiversidade nas reservas africanas, Moçambique e Angola incluídos, liderado por investigadores norte-americanos.

No trabalho, que analisa o período entre 1946 e 2010, Robert Pringle e Joshua Daskinos, especialistas em ecologia nas universidades de Princeton e de Yale, é vincado que mais de 70% das áreas protegidas foram diretamente afetadas por guerras que obrigaram a um decréscimo de praticamente todas as 253 populações analisadas (de 36 espécies em 126 reservas), dados publicados na revista Nature.


Pelo Menos 83 Crianças Foram Usadas Como “Bombas Humanas” no Nordeste da Nigéria,

Foto UNICEF

Pelo menos 83 crianças foram usadas como “bombas humanas” este ano no nordeste da Nigéria, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).