Vencedor do Nobel da Paz Diz em Luanda Que África Está à Beira de Sofrer a Terceira Colonização

O médico ginecologista, que se tornou conhecido quando fundou o Hospital Panzi, na República Democrática do Congo (RDCongo), onde já foram tratadas milhares de vítimas de crimes sexuais, criticou a “regressão” das novas formas de organização social e afirmou que África está “à beira de sofrer a terceira colonização”.

“Depois dos tempos da escravatura e da colonização dos países ocidentais, hoje em dia as empresas asiáticas estão em vias de tudo monopolizar, no quadro de uma globalização inclusiva que não respeita nem mesmo o ambiente”, disse Denis Mukwege, durante a abertura da Bienal de Luanda-Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz.

A crítica foi estendida aos próprios africanos, mais interessados em zelar pelos interesses pessoais do que pelos do povo, questionando: “Onde está a nossa solidariedade? Onde está a nossa fraternidade? Onde está a nossa dignidade?”

Para Denis Mukwege, a cultura da paz “deve estar no centro das preocupações” individuais e coletivas e cabe aos africanos encontrar soluções para o caminho da paz e da prosperidade, com base nas suas culturas e tradições.


No Corno de África 15 Milhões de Pessoas Correm Perigo de Vida Devido à Seca

As vidas de mais de 15 milhões de pessoas estão em perigo devido à seca em várias regiões do Quénia, Etiópia e Somália (Corno de África), alertou a organização humanitária Oxfam.

“A contínua escassez de chuvas estragou as plantações e, com elas, os meios de subsistência de muitas pessoas, o que deixou 7,6 milhões de pessoas em risco de fome extrema em três países [Quénia, Etiópia, e Somália]. Devido a secas e conflitos, milhões de pessoas na região foram forçadas a fugir das suas casas”, refere a Oxfam num comunicado hoje divulgado.

No mesmo documento, a Oxfam apela aos Governos que apoiem a resposta humanitária, que actualmente tem apenas um terço dos recursos de que necessita, impossibilitando a assistência a todas as pessoas afectadas.

“As lições aprendidas com a fome que devastou a região em 2011, que vitimou mais de 260.000 pessoas, ajudaram a evitar outra [crise] em 2017, quando o financiamento em larga escala foi rapidamente fornecido para garantir uma resposta humanitária eficaz”, acrescenta a organização.

A Oxfam salienta que os milhões de pessoas que ainda estão a recuperar dos efeitos da seca de 2017 encontram-se agora numa situação de grande vulnerabilidade aos efeitos da actual seca.

Refere, no entanto, que há dois anos, na mesma época, a resposta humanitária já tinha três quartos do financiamento necessário.


Derrubar os Muros e Abolir os Vistos Para as Viagens em África, Diz Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento

Foto de Paulo_Pinto_fotospublicas

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defende a abolição

dos vistos nas viagens entre os países africanos, considerando que isso será “crucial” para aumentar a integração regional e potenciar o desenvolvimento económico.

“É preciso derrubar os muros entre nós, o movimento livre de pessoas, e especialmente a mobilidade laboral, são cruciais para promover os investimentos”, disse Akinwumi Adesina durante o discurso de abertura oficial dos Encontros Anuais do BAD, que decorrem até sexta-feira em Malabo, a capital da Guiné Equatorial.

O tema do encontro deste ano, a integração regional, ocupou grande parte do discurso do presidente, que apresentou o BAD como “o banco de África” e reforçou a necessidade de aumentar o capital social desta instituição para fazer face aos desafios de financiamento que o continente enfrenta.

“Estou absolutamente confiante que os acionistas irão pôr o interesse dos africanos primeiro e dar ao banco dos africanos o financiamento necessário para atingirmos os objetivos do desenvolvimento”, disse Adesina, acrescentando que “os grandes resultados requerem grandes ambições, por isso o banco de África não deve pensar pequeno, e os acionistas também não devem pensar pequeno”.


Hoje Estamos a 25 de Maio, Dia de África

As ilhas Maurícias despertaram mais cedo, em Cabo Verde são os que, tardiamente, com base no fuso horário, vislumbram o sol. Por cá, em Angola, já estamos a 25 de Maio, Dia de África.

O continente “berço da humanidade” não está rodeado, apenas, de problemas. Os africanos têm, também, motivos vários de alegria por terem gerado ilustres figuras que deram à humanidade feitos científicos, e lições de sapiência de referência obrigatória ao nível dos quatro cantos do Mundo. 

A lista pode não ser tão vasta, mas merecedora de referência: O senegalês Cheikh Anta Diop, historiador, antropólogo, físico e político, que estudou as origens da raça humana e cultura africana pré-colonial.

Embora, às vezes, Cheik Anta Diop seja referido como afrocêntrico, ele antecede o conceito e, portanto, não era um intelectual afrocêntrico – transcendia África.

Formado na Universidade de Paris, nasceu a 29 de Dezembro de 1923, em Thieytou, Diop morreu a 7 de Fevereiro de 1986, na capital senegalesa, em Dakar.
Em 1951, Diop apresentou a tese de doutoramento na Universidade de Paris, em que defendeu que o Egipto antigo havia sido uma cultura negra, a tese foi rejeitada. Nos nove anos seguintes, trabalhou mais e apresentou provas mais precisas.

Em 1960, teve êxito e obteve o doutoramento.
Em 1955, a tese havia sido publicada na imprensa popular, como um livro intitulado “Nations nègres et culture” (Nações negras e cultura). Este trabalho fez dele o historiador mais polémico da sua época.

Em 1974, publicou o livro “The African Origin of Civilization: Myth or Reality” (A origem africana da civilização: mito ou realidade), resultando numa ampla audiência do seu trabalho. Na obra, proclamou que evidências arqueológicas e antropológicas apoiavam a sua posição afrocêntrica de que os faraós eram de origem negra.


O Zimbabué Avançou Com a Saída de Mugabe?

Há um ano, o Zimbabué aguardava com expetativa a renúncia do então Presidente Robert Mugabe. A 15 de novembro, os tanques do exército invadiram as ruas da capital Harare, no que foi descrito como uma intervenção militar.

Mugabe tentou resistir, mas, seis dias depois, após várias tentativas de negociação falhadas e uma ameaça de impedimento, o chefe de Estado há 37 anos no poder acabou mesmo por ser forçado a renunciar no dia 21 de novembro.

A chegada ao poder do seu sucessor, Emmerson Mnangagwa veio, na altura, acompanhada de uma grande dose de euforia e esperança num futuro melhor para o Zimbabué. Mas agora, um ano depois, as opiniões dividem-se.

O sucessor de Mugabe, Emmerson Mnangagwa, tem em mãos uma crise económica que é já considerada por muitos como a pior dos últimos dez anos.

A oposição, que há um ano atrás apoiou a saída de Mugabe, entende que a população foi enganada. É o que diz Jacob Mafume, principal porta-voz da oposição.