A Brutalidade dos Acidentes de Viação em Angola Mostrada na Feira do Acidente

 

Os números da sinistralidade rodoviária aumentam anualmente e provocam milhares de mortos e feridos graves que muitas vezes ficam paralíticos. Os acidentes de viação estão na ordem do dia em Angola e já são a segunda maior causa de morte depois da malária. Esta autêntica catástrofe obriga as forças policiais e a sociedade a redobrarem esforços para inverter o quadro.
Imagens chocantes de viaturas acidentadas, fotografias com pessoas estendidas no chão, alguns com a cabeça decepada, chamam à atenção de centenas de visitantes à Feira do Acidente, no Largo da Independência.
António Domingos leva as mãos à cabeça, em silêncio, como sinal de terror face àquelas imagens chocantes que substituem mil palavras. Mais adiante, os restos de um táxi. Quem viajava no seu interior teve morte imediata. Os especialistas da Direcção Nacional de Viação e Trânsito têm uma certeza: a esmagadora maioria dos acidentes teve como origem o excesso de velocidade e álcool ao volante. A província de Luanda é a que regista maior número de acidentes mortais.
A primeira impressão que José Morais teve ao tomar contacto com as imagens foi de medo. O gráfico da sinistralidade rodoviária aumenta em flecha e, é necessário que todos reflictam sobre este grave problema de saúde pública. Para José Morais, muitos automobilistas não têm responsabilidade na condução, nem estão habilitados para o efeito: Hoje devemos pensar duas vezes antes de pegarmos no volante de uma viatura, isto porque um automobilista sem responsabilidade pode matar e destruir a felicidade de uma família”.
Muitos automobilistas não têm perfil para conduzir porque violam conscientemente as normas do Código de Estrada, disse Pinto Fernandes, que visitou a feira. Considerou mesmo “muito negativa” a condução em Luanda, porque não se respeita o peão nas passadeiras, nem as regras de prioridade, com realce para os taxistas.
António Coxi Capingala abanava a cabeça em sinal de repúdio face às brutais imagens que mostram o sangue derramado nas excelentes estradas angolanas. Esta tragédia deriva do facto de alguns automobilistas conduzirem em estado de embriaguês e excesso de velocidade. António Coxi Capingala considera a feira do acidente muito importante porque leva os visitantes a uma profunda reflexão sobre o comportamento que devem ter quando conduzem.
Em sua opinião, a Polícia Nacional deve ser mais rigorosa para com os automobilistas que desrespeitam o Código de Estrada, com realce para os taxistas, que infringem todas as regras na maior impunidade.

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Muitas Vítimas Fatais nas Estradas Devem-se a Negligência

As estatísticas da Direcção Nacional de Viação e Trânsito mostram que no ano passado um grande número de pessoas perdeu a vida em acidentes de automóvel. Nos últimos cinco anos, houve em todo o país 55.305 acidentes, que causaram 52.498 feridos e 12.150 mortos.

Jornal de Angola

O director nacional adjunto da Viação e Trânsito, subcomissário Conceição Gomes, disse que os acidentes de viação continuam a ser umas das grandes preocupações da sociedade e especialmente do Executivo. “Estes dados continuam a ser preocupantes pelo facto de os níveis de sinistralidade rodoviária apontarem para um aumento no primeiro semestre deste ano”, disse Conceição Gomes.
O alto índice de sinistralidade no nosso país, apontado pelo Director Nacional Adjunto da Viação e Trânsito, deve-se a defeitos em grande parte das estradas do nosso país. Elas não garantem nenhum amparo no caso de um acidente. “Como exemplo, temos o morro do Chingo, Chela e o do Binda”, disse o Director Nacional Adjunto.
O subcomissário Conceição Gomes afirmou que o tapete asfáltico das estradas nacionais foi projectado para a locomoção tranquila e fluida dos automobilistas. Os eixos rodoviários foram feitos ainda no tempo antigo, as dimensões dessas estradas já não se compadecem com os veículos actuais, que são de maior potência e velocidade. “Muitos motoristas se esquecem da real capacidade de uma estrada e ultrapassam o seu limite de velocidade. E nestes casos não levam em conta a via e os factores climáticos, que podem trazer constrangimentos na locomoção do veículo”, afirmou.
As estatísticas indicam que o número de acidentes causados por motoristas sonolentos e por fadiga está a aumentar significativamente.
O subcomissário Conceição Gomes explicou que o motorista com sono pode ser tão perigoso como o motorista bêbado ou que está sob efeito de estupefacientes.
“Recentemente, num estudo realizado vimos que num único ano, um em cada 12 motoristas em Luanda admitiu que já tinha dormido ao volante. E um terço dos choques na província de Luanda é causado por motoristas cansados e extremamente tensos. Tudo isso é reflexo da vida de corrida que levamos hoje”, frisou Conceição Gomes.
A condução sob efeito de estupefacientes traz muitos riscos tanto para o condutor como para os outros envolvidos. Nestes casos, disse o sub-comissário Conceição Gomes, os motoristas suspeitos de dirigir sob efeito de drogas geralmente apresentam vários sintomas como sonolência, olhos vermelhos, pupila contraída, pupila dilatada, alteração da fala, com fala rápida, alteração do equilíbrio, dificuldade de raciocínio, alteração da gesticulação e transpiração excessiva.
“Queremos que os motoristas passem a ter outra consciência e evitem beber ao conduzir. Temos cerca de 100 casos de embriaguez ao volante por mês e em média dez por dia. Daí a importância da aplicação da lei com todo o seu rigor. Se um motorista sabe que vai ter a carta de condução apreendida e que também vai ser punido e responder a um processo na Justiça, vai pensar duas vezes. Acredito que essa medida vai impedir a combinação perigosa de bebida e volante”, afirma o sub-comissário Conceição Gomes.

Medidas policiais

O director nacional adjunto de Viação e Trânsito informou que os motoristas mais velhos em geral são os mais experientes na estrada. Eles arriscam-se menos e conhecem as suas limitações. Porém, isso não significa que sejam imunes a acidentes. Na realidade, à medida que ficam mais velhos, podem ficar mais vulneráveis aos acidentes. “Mas uma coisa podemos aprender deles, são mais responsáveis na condução e conduzem com cautela”.
Para baixar o alto índice de sinistralidade nas estradas a Direcção Nacional de Viação e Trânsito vai intensificar a realização de operações stop para fiscalizar o cumprimento das normas do Código de Estrada e dotar os órgãos operativos de fiscalização do trânsito com instrumentos auxiliares da actividade como radares, alcoolímetros, esteiras, barreiras e cones. Acrescentou que não se deve esquecer o desenvolvimento de acções sistemáticas de educação rodoviária e a consciencialização dos utentes da via pública.
“Por isso, vamos fiscalizar a efectiva formação dos condutores em escolas de condução e o rigor das provas de exame, bem como alertar os tribunais da importância do seu papel na concretização do Código de Estrada com a aplicação das sanções”, destacou o Director Nacional Adjunto da Viação e Trânsito.
Outra medida importante que entra em vigor dentro em breve em parceria com o Ministério da Educação consiste em que “nos próximos tempos o Código de Estrada vai fazer parte do plano curricular. O projecto do Código de Estrada consagra isso, que o estudante da escola primária saiba identificar os sinais de trânsito”, afirmou Conceição Gomes.


Código de Estrada ignorado

De acordo com o subcomissário Conceição Gomes, todo o cidadão deve rever-se nas leis vigentes no seu país. Mas nós temos uma sociedade que ainda gosta de ignorar o nosso Código de Estrada.
“É notório nas artérias da cidade os peões não tomarem precauções ao atravessar a estrada, querem passar a três ou quatro metros da passadeira, o que resulta em tragédias”, disse Conceição Gomes.
No exercício da condução de veículos motorizados e ciclomotores, a grande preocupação da Direcção Nacional de Viação e Trânsito consiste na desobediência do Código de Estrada por parte dos motociclistas. Eles muitas vezes andam em contra-mão, o que é uma afronta à sociedade, não à Polícia, porque os agentes policiais também fazem parte da sociedade. O subcomissário Conceição Gomes garantiu que a Polícia faz a segurança geral, não a segurança individual, que é a melhor e que deve ser feita individualmente por cada integrante da sociedade. O capacete pode evitar uma fractura craniana. Quando um indivíduo bate com a cabeça no chão a primeira coisa a estalar é o capacete e não o crânio. “O que temos visto é que quando não se usa o capacete o primeiro toque tem sido fatal.”
“Visto que esta indisciplina tem causado acidentes fatais constantemente, a Polícia vai realizar acções intensivas de fustigamento e de contínua sensibilização para normalizarmos esta situação”, disse o sub-comissário.
Preocupado pelo facto do nosso país estar entre os países com maior índice de sinistralidade, o sub-comissário mostrou que para minimizar os acidentes tem de ser levada em conta uma série de factores. “Como angolanos, independentemente da nossa classe social, temos de ter consciência de que a vida é só uma e quem a deve proteger não é só a Polícia mas também o próprio cidadão, com o cumprimento escrupuloso do Código de Estrada”, finalizou o subcomissário.

João Pedro/jornal de Angola

Angola e os Acidentes de Viação

Angola é o terceiro país do mundo que mais acidentes e mortes regista pelo mau uso das estradas, revelou, ontem, em Luanda, o comandante-geral da Polícia Nacional, comissário geral Ambrósio de Lemos, quando participava num encontro sobre a sinistralidade rodoviária em Angola. Os dois primeiros países com a mais alta taxa de acidentes e mortes nas estradas são a Serra Leoa e o Irão.

Ambrósio de Lemos afirmou que “as infra-estruturas rodoviárias têm sido usadas por muitos automobilistas de pouca consciência e responsabilidade para levarem o luto e muito sofrimento a inúmeras famílias”.
A Polícia Nacional, disse, tem estado a redobrar esforços com vista à redução dos acidentes e as suas consequências. “Estas acções não são suficientes, pelo que se torna urgente um esforço conjugado de outros organismos na elaboração e execução de programas de educação rodoviária”, acentuou Ambrósio de Lemos.
O comandante-geral da Polícia Nacional sublinhou que os temas abordados ontem no encontro sobre a sinistralidade rodoviária em Angola vão contribuir para que a corporação e a sociedade tracem estratégias no domínio da prevenção de acidentes.

Causas dos acidentes

O chefe do Gabinete de Comunicação e Imagem da Direcção Nacional de Viação e Trânsito, Angelino Sarrote, informou, na ocasião, que os acidentes em Angola têm como causas fundamentais o excesso de velocidade, o consumo de bebidas alcoólicas, as ultrapassagens irregulares, o excesso de lotação e o transporte de pessoas em veículos de mercadorias.
Angelino Sarrote sublinhou que foi traçado um Plano Estratégico Nacional de Prevenção Rodoviária, que determina as bases para fazer descer drasticamente os índices de sinistralidade rodoviária.
Vão estar envolvidos no plano os ministérios da Saúde, dos Transportes e do Ambiente, de acordo com Angelino Sarrote. “O Ministério da Saúde vai intervir pelo facto de prestar socorro a sinistrados, o Ministério dos Transportes entra no projecto por causa dos veículos de transporte de passageiros, o Ministério do Ambiente por causa da poluição sonora, e o Serviço Nacional dos Bombeiros vai intervir porque socorre permanentemente os sinistrados no local do acidente”.
O Plano Estratégico Nacional sobre Prevenção Rodoviária, disse, começa a vigorar em 2011 e termina em 2013. “Esperamos que este modelo de prevenção possa diminuir consideravelmente os acidentes de viação e o número de mortes”, sublinhou Angelino Serrote.
Até ao terceiro trimestre foram registados em Angola, de acordo com Angelino Sarrote, 10.529 acidentes, que causaram a morte a 2.493 pessoas e ferimento a 9.915 outras.

Alexa Sonhi/Jornal de Angola

A segunda Causa de Morte em Angola

Viaturas sem recuperação foram expostas no
Largo da Independência durante a feira dos
acidentes organizado pela Polícia
Foto:Santos Pedro

A Direcção Nacional de Viação e Trânsito informou que os acidentes de viação constituem a segunda causa de morte em Angola, depois da campeã malária ou paludismo. A construção e reabilitação da rede viária, um pouco por todo o país, melhoraram a vida dos angolanos, sobretudo no mundo rural. Mas nas novas estradas, milhares de angolanos fazem a última viagem com destino à morte. É uma tragédia que está a enlutar as famílias e o país.

As excelentes ligações rodoviárias entre várias províncias, são encaradas por alguns automobilistas como pistas de corridas. Ignoram os limites de velocidade, desconhecem o que significa prudência e responsabilidade.
A condução em estado de embriaguês aliada ao mau estado técnico das viaturas, a falta de sinalização, o desrespeito pelas normas do Código de Estrada são aspectos que semanalmente são referenciados nos relatórios e balanços das autoridades policiais como as causas mais frequentes de acidentes rodoviários.
Apesar dos avisos, da fiscalização, da repressão, das campanhas, da mobilização geral contra o sangue no asfalto, a sinistralidade rodoviária aumenta todos os dias. Os carros são a “última morada” para quem pensava fazer apenas mais uma viagem de trabalho ou de lazer.
Os acidentes rodoviários, para além de se alimentarem de vidas humanas, deixam também lesões graves, às vezes para toda a vida. Só há uma maneira de acabar com esta tragédia: prudência e responsabilidade ao volante.
Virgílio Vire, 32 anos, músico, autor do sucesso “estamos sempre a subir”, é um dos rostos mais visíveis da sinistralidade rodoviária em Angola. Sofreu acidente de viação há seis anos quando regressava de um espectáculo no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, no município do Rangel, por volta das duas horas da madrugada.
Conta que naquela madrugada circulava a 80 quilómetros por hora: “de repente surgiu um camião e para me desviar dele subi um passeio e bati numa parede. Fiquei encarcerado dentro da viatura. As pessoas que me socorreram desconheciam o meu estado e retiraram-me de uma forma incorrecta, fiquei paralisado, mas estou em reabilitação, em Cuba, e já recuperei 90 por cento”. Apesar da situação agradeceu o apoio prestado pelas pessoas naquela madrugada “porque só queriam o ajudar”.
“A juventude não deve consumir álcool e todos os automobilistas devem evitar a sonolência ao volante depois de saírem das festas”. A sociedade deve mobilizar-se para combater os acidentes de viação que matam e deixa feridas para toda a vida. Para Virgilho Fire, “muitos condutores de camiões não respeitam os turismos, o que é mau porque isso contribui para a ocorrência de acidentes”. Apelou aos jovens para nunca fazerem corridas de carros e ultrapassagens irregulares, “como vemos tantas vezes acontecer nas ruas e estradas”. Apesar do seu estado de saúde, o músico diz que no próximo ano vai entrar em cheio e promete muita cazucuta, rebita e semba.
Martins Lisboa perdeu o irmão, Augusto Lisboa, 37 anos, no dia 18 de Outubro do ano passado. Teve um acidente na auto-estrada entre o Zango e o Cacuaco. Desde este dia, passou a assumir as despesas dos cinco filhos e da mulher do irmão, “o que é muito difícil”.
Rosa Mangueira perdeu dois familiares em acidentes de viação. Um dos familiares perdeu a vida quando circulava de motorizada e tentava ultrapassar um camião. A roda do camião passou-lhe por cima da cabeça. O outro familiar seguia ao volante de um táxi na estrada de Cacuaco e colidiu com uma carrinha acabando por falecer no local, assim como o condutor da carrinha e os passageiros do táxi.

Associação dos motoristas

Formar, educar e sensibilizar os motoristas para cumprirem com as regras do Código de Estrada e contribuir para o combate à imoralidade durante a condução, é o propósito da recém criada Associação dos Motoristas de Angola VOLANG. O seu presidente, João de Barros, reconhece que a sinistralidade rodoviária está a matar muitas pessoas pelo que a associação tem pela frente um árduo trabalho para ajudar a diminuir os números da sinistralidade e a mudança de mentalidade dos automobilistas.
Fundada no dia 30 de Setembro passado, a associação pretende trabalhar em parceria com os órgãos policiais para a redução da sinistralidade rodoviária. Tem âmbito nacional e a sua sede social é no município de Viana, contando com mais de 500 associados.
Considera que o comportamento dos automobilistas é negativa: “a desordem de um automobilista acaba por contaminar todos os outros. Nós vemos um automobilista subir o passeio para fugir ao engarrafamento de trânsito e este mau exemplo é logo seguido por outros automobilistas”.
O trabalho a desenvolver pela associação visa educar os condutores para cumprirem as regras do trânsito nem que seja necessário voltarem para uma escola de condução. “Isto porque existem pessoas a conduzir sem carta e outros têm carta mas não passaram pelas escolas de condução. Aos automobilistas, motociclistas e peões a associação pretende incutir o espírito de responsabilidade moral”, disse João de Barros.

Formação aos motoqueiros

A Associação dos Motoqueiros e Carregadores de Angola pretende apoiar e legalizar os motoqueiros que exercem actividade de táxi.
João Amaral dos Santos, delegado da associação em Luanda, disse que a instituição vai dar formação a todos os motoqueiros analfabetos, para depois apostar numa formação profissional nas especialidades de mecânica, bate chapas, electricista de automóveis e outras profissões do ramo.
A associação foi fundado em 2006, tem 17.720 motoqueiros registados e representação em todo o país. A Associação dos Motoqueiros e Carregadores de Angola abriu duas escolas de condução para formação de motoqueiros nos municípios do Cacuaco e na zona do Mulenvo. João Amaral dos Santos revela que os motoqueiros que usam motorizadas rápidas não são membros da associação, uma vez que apenas motorizadas de 125 centímetros cúbicos fazem serviço de táxi porta a porta.
Revelou que a Associação dos Motoqueiros e Carregadores de Angola surgiu para enquadrar muitos desmobilizados que optaram pela aquisição de motorizadas a fim de exercerem actividade de táxi. Reconheceu que boa parte dos motociclistas não fazem o uso do capacete de protecção, o que constitui uma inquietação para a associação, que tem participado nas campanhas de prevenção rodoviária a nível nacional, organizados pela Direcção Nacional de Viação e Trânsito.

Excesso de velocidade

Os números de acidentes na estrada são preocupantes na medida em que continuam a morrer muitos cidadãos pelo que é urgente inverter o quadro. A afirmação é do director nacional de Viação e Trânsito, comissário Inocêncio de Brito.
Afirmou que os órgãos encarregados de fiscalizar e regular o trânsito têm um papel preponderante, mas é importante que os automobilistas cumpram as normas de trânsito. Disse que toda a sociedade deve contribuir para a segurança nas estradas como veículos em bom estado técnico e respeito pelas regras do Código de Estrada.
Inocêncio de Brito apontou algumas “causas crónicas” que estão na origem dos inúmeros acidentes: excesso de velocidade, condução sob o efeito do álcool, mau estado técnico dos automóveis, uso do telemóvel durante a condução e o desrespeito generalizado pelo Código de Estrada.
Inocêncio de Brito frisou que “o problema do trânsito não é exclusivamente da polícia mas sim de toda a sociedade, pelo que outras instituições devem igualmente contribuir para a paz nas estradas”.
Defende que é importante a introdução de material sobre educação rodoviária no currículo escolar para que desde a infância, os cidadãos tenham conhecimento de que o respeito pela legislação rodoviária não incumbe apenas os condutores, mas também aos passageiros e peões. “As crianças devem saber que a rua não é local para jogar à bola”.
Outra questão que preocupa a Direcção Nacional de Viação e Trânsito é o apoio à vítima dos acidentes na estrada. Inocêncio de Brito revela que muito gente morre de acidente porque não é atendida imediatamente depois do sinistro.
“Até chegar ao hospital, perde sangue, é transportado inadequadamente e pode ficar com leões para toda a vida. Por exemplo alguém que tem a coluna vertebral partida, se for mal transporta, vai ter sequelas para toda vida” revelou.

Estatística preocupante

Dados da Direcção Nacional de Viação e Trânsito revelam que de 1990 até ao primeiro semestre deste ano foram registados 134.540 acidentes de viação que provocaram 28.047 mortos e 110.334 feridos graves.
A província de Luanda foi a que registou mais acidentes, com um total de 6.744, dos quais resultaram 1.582 mortos e 6.447 feridos.

André da Costa/Jornal de Angola


Baixa de Acidentes Rodoviários Promessa da Polícia


A Estrada Nacional 230, que liga Luanda ao Kwanza-Norte, foi a que mais acidentes registou, com um total de 160, durante o terceiro trimestre do presente ano, segundo dados da Direcção Nacional de Viação e Trânsito do Comando Geral da Polícia Nacional.

O documento sobre a sinistralidade rodoviária durante o terceiro trimestre, distribuído na quinta-feira à imprensa pelo director nacional DNVT, subcomissário Inocêncio de Brito, indica que a Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem foi a segunda, em Luanda, com mais casos de acidentes registados, com 142, seguida da Avenida Deolinda Rodrigues, com 49. A estrada da Samba foi a quarta com mais acidentes registados, com um total de 85.
As províncias de Luanda, Benguela, Huíla, Huambo, Bengo, e Kwanza-Sul foram as que mais acidentes registaram. A capital do país teve 818 colisões entre veículos automóveis, 723 atropelamentos e 275 acidentes envolvendo motorizadas. A província de Benguela, por seu lado, registou 288 colisões entre veículos automóveis, 490 atropelamentos, 592 acidentes entre veículos e motorizadas. Os municípios de Benguela, Lobito, Caimbambo, Bocoio e Balombo foram aqueles onde houve mais acidentes. Excesso de velocidade, condução sob influência do álcool, falta de precaução e de iluminação, ultrapassagem irregular, travessia irregular de peões, mudança de direcção irregular, falta de travões e condução ilegal são as razões apontadas para a ocorrência dos acidentes.
As principais infracções registadas neste terceiro trimestre foram a falta de licença de aluguer, estacionamento em locais proibidos, ultrapassagens irregulares, uso do telemóvel durante a condução, mudança de direcção irregular, não uso do cinto de segurança.
Segundo o documento, os sábados, domingos e terças-feiras são os dias da semana em que mais acidentes ocorreram
Ambrósio de Lemos, comandante geral da Polícia Nacional, advogou que a Polícia com os novos meios que vai receber, irá tomar medidas no sentido de alterar o quadro da sinistralidade rodoviária no país.

André da Costa/Jornal de Angola