O Maior Risco de Segurança Para Empresas em Angola São a Criminalidade e Delinquência

A criminalidade violenta e a pequena delinquência representam a maior ameaça em termos de segurança para as empresas que atuam em Angola, um risco exacerbado pela incapacidade da polícia em lidar com o problema, segundo a consultora Fitch.

De acordo com um relatório que apresenta os riscos operacionais em Angola para o primeiro trimestre de 2020, produzido pela consultora Fitch e a que a Lusa teve acesso, a história violenta de Angola, a desigualdade e os altos níveis de pobreza são fatores que contribuem para o elevado nível de crimes com motivação económica no país.

Um risco “exacerbado pela falta de capacidade das forças policiais em investigar e lidar com o crime, por estarem mal equipadas, receberem salários baixos e serem consideradas altamente corruptos pela maioria da população”, indica o documento.

Angola – que está classificada em 10.º lugar num conjunto de 13 países do sul de África analisados pela Fitch quanto ao risco de vulnerabilidade ao crime, e em 11.º no que respeita à criminalidade e delinquência – implica assim custos adicionais para as empresas que terão de gastar “recursos significativos” em medidas de segurança privadas para garantir a segurança dos seus trabalhadores e bens.

Segundo a Fitch, as empresas do setor logístico e de abastecimento enfrentam riscos particularmente elevados de roubo de mercados e perdas financeiras devido à subida da criminalidade, associada ao aumento dos níveis de pobreza e escassez de alimentos.

“Os altos níveis de pobreza, desigualdade e corrupção presentes no país, sugerem que a taxa de criminalidade aumentou nos últimos anos” o que, associado ao “passado violento do país e à histórica falta de responsabilização democrática entre as instituições do Estado” colocam riscos significativos para as empresas que atuam em Angola, continua a consultora.

A Fitch refere que Luanda, a capital, é particularmente afetada pelo crime, indicando que os roubos praticados por motocicletas armados são comuns e apontado os riscos para os estrangeiros, que são frequentemente vistos como alvos ricos e, por isso, com maior probabilidade de serem escolhidos como vítimas.

O crime violento representa também uma ameaça às operações em Angola, pois embora as taxas de homicídio sejam relativamente baixas, em termos regionais, os conflitos separatistas no norte e as fronteiras relativamente porosas de Angola facilitam o acesso a armas de fogo que estão generalizadas entre a população.

Além disso, embora os grupos separatistas que atuam na província de Cabinda tenham como alvo preferencial as forças armadas angolanas e não as empresas, os investidores devem tomar precauções em caso de escalada de conflitos ou aproximação de um ataque.

Os riscos de criminalidade organizada são também altos, particularmente para empresas envolvidas em atividades de importação e exportação ou outras onde as mercadorias estão em circulação por longos períodos. O que se justifica em parte devido à incapacidade do governo de garantir a segurança marítima, especialmente na indústria de petróleo ‘offshore’, alerta a Fitch.

Os custos económicos do crime organizado em Angola são por isso percebidos como “muito altos”, colocando o país acima dos seus vizinhos, Namíbia, Botsuana e Zâmbia.

O crime organizado é particularmente prevalente entre alguns segmentos da população chinesa em Angola, refere o relatório, apontando os casos de gangues acusado de extorsão e ataques violentos contra trabalhadores angolanos, perante a impotências das forças policiais angolanas que esbarram na barreira da língua e na autossuficiência de muitas comunidades chinesas.

A consultora alerta ainda para as alegações de corrupção em torno da polícia, salientando que “a coerção policial nas principais estradas urbanas é comum”, sendo os “trabalhadores estrangeiros frequentemente aconselhados a evitar o confronto policial” e associa as práticas de extorsão, o suborno e o crime aos baixos salários dos polícias e à fraca estrutura de comando destas forças.

Sapo Notícias/Lusa

 

 

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