Com Respeito à Corrupção, Angola Melhora a Sua Imagem Internacional

Foto OPAÍS

Mantendo embora a pontuação de 2017 no índice global que avalia a percepção da corrupção, Angola melhorou o seu lugar entre os 180 países listados, mostrando progressos desde 2015, sendo, para a Transparência Internacional, um país cuja evolução deve ser acompanhada

A corrupção em Angola manteve a mesma incidência, pelo menos a percepção que dela se tem e é classificada num relatório anual pelo principal índice mundial, elaborado pela

Transparency International (Transparência Internacional), que observa localmente 180 países e conta com um secretariado internacional sediado em Berlim, capital da Alemanha. Tanto em 2017 como em 2018 Angola recebe um CPI (Corrupcion Percepcion Index – Índice da Percepção da Corrupção) de 19 pontos, embora a sua posição relativa melhore, subindo dois lugares, de 167 para 165 entre os países listados.

Quanto mais elevada é a corrupção menor a pontuação atribuída, pelo que é de registar que Angola vem reduzindo a pontuação desde 2015, ano em que obteve apenas 15 pontos, passando a registar 18 pontos em 2016 e 19 nos dois últimos anos.

Nos últimos sete anos de existência do índice da Transparência Internacional, criado em 1995 e que assenta em 13 bases de dados de 12 instituições independentes, apenas 20 países melhoraram consideravelmente as suas pontuações. O combate à corrupção, definido como uma prioridade pelo Executivo presidido por João Lourenço, e uma das ‘bandeiras’ que atraiu simpatias internacionais para o novo estilo introduzido por João Lourenço, não tem assim produzido até agora efeitos espectaculares na percepção internacional sobre a persistência do fenómeno, sendo certo que têm sido feitos progressos. Entre os países da África Subsariana, a pior região quanto à pontuação obtida, Angola foi um dos países com melhor desempenho, o qual, entre os países africanos de língua portuguesa, só superado pelos marcantes sucessos de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe., que registaram pontuações acima da média da região.

Cabo Verde obteve 57 pontos, somando dois aos conseguidos em 2017 e subindo três lugares, de 48º para 45º, figurando no pódio dos menos corruptos da África subsariana, a seguir às Seicheles e ao Botswana. Já S. Tomé e Príncipe, tal como Angola, não viu alterada a sua pontuação (mantendo um CPI de 46 pontos), bem como a sua posição no ranking de 2017, onde surge no 47º lugar. No que toca aos países de língua portuguesa há a referir o facto de Portugal obter 64 pontos (os mesmos de 2017), sendo o que detém a melhor posição no grupo (30º lugar), ficando, todavia, abaixo da média europeia (66 pontos). O país onde a percepção sobre a corrupção é menor continua a ser a Dinamarca (que atinge 88 pontos num máximo de 100), país também conhecido pelo bom funcionamento do seu Estado social, suportado por elevados impostos que são, no entanto, bem aplicados e o país que apresenta o maior índice de Felicidade do planeta.

Seguem-se a Nova Zelândia (87 pontos). Na cauda da tabela surgem o Sudão do Sul e a Síria (13 pontos) e, na pior posição mundial, a Somália, com magríssimos 10 pontos. Aliás, o facto de aparecerem dois países africanos entre os piores do mundo no que trata à percepção da corrupção não surpreende, atendendo a que a África Subsaariana, registando uma média de 32 pontos, é a região menos pontuada. Em Agosto de 2017, na sua análise sobre Angola, a Transparência Internacional apontava a necessidade de mudanças no país, criticando a corrupção entre o que classificava como uma “pequena elite no poder”. Antes, em 2013, a organização atribuiu ao activista Rafael Marques o prémio Integridade.

Angola em observação

Os mais recentes progressos de Angola colocam-na como ‘um importante país a observar’ para os autores do relatório ontem divulgado. Os outros países do continente cuja evolução merece ser observada são a Nigéria, o Botswana, a África do Sul e o Quénia. A Transparência Internacional considera ser muito importante que a actual liderança do país mostre ‘consistência’ na luta contra a corrupção, assinalando as acções tomadas pelo poder judicial, mas alertando que ‘o problema da corrupção em Angola vai mais além que a família dos Santos’. Este ano, a organização internacional assinala, no que respeita ao continente africano, que a despeito o compromisso dos dirigentes do continente com o combate à corrupção, tendo declarado 2018 como o Ano Africano Anti-corrupção, as intenções declaradas ainda não evidenciaram progressos concretos.

Apenas oito dos 49 países considerados conseguiram mais de 43 pontos, muito longe do tecto de 100 fixados como a meta ideal do índex. Nos últimos anos vários países da região experimentaram acentuadas descidas nas respectivas pontuações, como é o caso do Burundi, Congo, Moçambique, Libéria e Gana. Moçambique, por exemplo, perdeu nos últimos sete anos 8 pontos. O índice respeitante à percepção da corrupção em 180 países ontem divulgado revela, para a Transparência Internacional, que ‘o continuado falhanço do controlo significativo da corrupção em maior parte dos países está a contribuir para a crise da democracia em todo o mundo

O PAÍS/Luís Faria

 

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