Cabo Verde Passa a Contar Com Mais Duas Centrais de Dessalinização da Água do Mar

Cabo Verde passou a contar com mais duas centrais de dessalinização da  água do mar, nas ilhas de São Vicente e do Sal, uma das alternativas  implementadas há 50 anos, para resolver o problema da seca e da escassez de recursos hídricos no arquipélago.

As duas novas unidades, com capacidade de produção e distribuição de água de 10 mil metros cúbicos por dia, foram inauguradas segunda-feira pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva.

Foram  financiadas pela Agência Francesa de Desenvolvimento, no âmbito de um projeto orçado em mais dois biliões 400 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 21,8 milhões de euros).

A entrada em funcionamento dos novos dessalinizadores vai permitir uma redução em 50 porcento no consumo de energia para a produção de água.

Por outro lado, a empresa pública de produção de eletricidade e água (Electra) vai reforçar a capacidade de produção de água dessalinizada, tanto para o consumo doméstico, como para outros setores económicos, nas duas ilhas.

“Este projeto está em clara sintonia com o programa do Governo, no qual estão definidas as prioridades estratégicas para esta matéria, destacando-se a proteção ambiental e o acesso das populações à água potável e com segurança no seu fornecimento”, garantiu o presidente do Conselho de Administração da Electra, Alcindo Mota.

Ele precisou que,  em concreto, a empresa está a trabalhar também para que haja uma melhoria na  provisão em matéria da quantidade, qualidade e continuidade na prestação do serviço.

Por sua vez, o primeiro-ministro cabo-verdiano enalteceu o facto de, com os novos dessalinizadores, a Electra passar a produzir água 50 menos custosa em consumo de energia, esperando-se que tal tenha reflexo também na redução das tarifas pagas pelos utentes.

Ulisses Correia e Silva revelou que este projeto implementado pela Electra está “alinhado” com as políticas que o seu Governo tem estado a desenvolver, de associar a água às energias renováveis, ou seja, precisou, “a política energética e a água andam juntas”.

“Estamos a apostar decididamente em parcerias público/privadas para o uso da água dessalinizada na agricultura, com a utilização quer da água do mar, quer a reutilização de águas residuais”, apontou o chefe do Governo cabo-verdiano, garantindo ainda que o Orçamento do Estado para 2019 contempla incentivos neste domínio.

A ideia, concretizou, é tornar Cabo Verde num país “cada vez menos dependente das chuvas”, ou seja, “se houver chuva muito bem, se não houver tem que ser muito bem na mesma”.

Daí que a solução, dentro da estratégia de utilização da água para irrigação e para a agricultura, “tem que ter fraca dependência da chuva”.

“Vamos investir forte não só no investimento público como na atração do investimento privado em condições favoráveis, quer fiscais, aduaneiras e financeiras, para um amplo investimento neste setor”, considerou.

A ocasião foi ainda aproveitada para Ulisses Correia e Silva anunciar “para breve”, com a visita do primeiro-ministro da Hungria a Cabo Verde, a assinatura de um acordo de 35 milhões de euros “em condições muito favoráveis”.

O montante em causa será investido “essencialmente” no setor da “resiliência e de adaptação às alterações climáticas”, via disponibilidade de água para a agricultura, em condições que façam Cabo Verde tornar-se “cada vez menos dependente” dos efeitos da falta das chuvas.

A dessalinização em Cabo Verde iniciou-se em 1968 e, atualmente, o abastecimento dos principais centros urbanos (Sal, Mindelo, Boa Vista, Praia) é feito com água do mar dessalinizada.

África 21 Digital

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